10 de jun de 2010

De quê? - Parte 5/6

[Leiam, na ordem, as partes anteriores 1/6, 2/6, 3/6 e 4/6]

Pra economizar, vou falar uma coisa que é a mais pura verdade: já faz tempo que passei a ser apenas Antônio, Antônio dos serviços gerais. Isso mesmo. Que nem o Dr. Ricardo da engenharia, D. Stela do RH, Rodolfo do almoxarifado, Geraldo Menezes do financeiro, cujo sobrenome só é falado como parte do prenome para diferenciar do Dr. Geraldo Beraldino, diretor geral. Todos nós anônimos, com sobrenomes do ofício, da repartição. Quem mais conhece quem? Ninguém conhece ninguém... Ainda assim, não posso fingir: não consigo não procurar um motivo para um sujeito qualquer merecer o nome completo que ele carrega anotado no crachá. Analisa bem: o Ricardo, por exemplo, é Ricardo Manhane Régis. Ora, sobram recursos e falta bom senso. Como não? Manhane lembra uma ascendência italiana tão falsa quanto a sua grafia e o último sobrenome é um prenome, meu Deus! Nessa coisa mal arranjada ele bem poderia se chamar Régis Manhane Ricardo. Tudo trocado. Qual a diferença? Nenhuma. Tenho convicção: vem daí a sua dubiedade, sua insegurança, um problema para o cargo que ocupa...

Ricardo Manhane Régis, Stela Amaro da Silva Penna, Rodolfo Moreira Nascimento Pérez, Geraldo Menezes Duarte, Geraldo Beraldino Lanza Filho, Régis Andrade... Parecem placas, marcas. Todos dão ouvidos a coisas que Deus definiu antes mesmo deles nascerem. Levam à frente, tontos, inconscientes, um jogo de vida ou morte, de cartas marcadas... Olha, não há saída: ou o sujeito aprende a lidar com a sina do nome com que seus pais lhe sentenciaram ou por uma premonição qualquer, de Deus ou do diabo, o seu nome foi, por si, ajeitado, de véspera, a sua personalidade futura. Vai entender...

[Leiam neste sábado a sexta e última parte...]

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