10 de jun de 2010

De quê? - Parte 4/6

[Leiam, na ordem, as partes anteriores 1/6, 2/6 e 3/6]

Um caso, dois casos, três casos, pensei: não era coincidência... Passei a ter uma certeza comigo mesmo: o nome é que decide o diacho do caráter do sujeito. Do caráter e outras coisas. Mesmo por defeitos e vícios. Dar um nome é escolher um destino. Sem tirar nem por. Um trajeto de purgação sem saída, nessa vida nessa terra de Deus. Duvida? E pior: mais pra frente, já na adolescência, tive provas de que essa não era uma sentença que só os homens tinham de cumprir, mas que também as mulheres por ela tinham que se penitenciar. Aos 14 anos, por exemplo, eu me apaixonei por uma Ana Maria Xavier de Moura. Nome simples, não é?! Mas um nome pra lá de simples pode esconder uma beleza de outro mundo quando se põe a devida atenção. E era o caso... Tanto Ana quanto Maria traziam com eles mesmos uma herança bíblica, coisa santa. Já o Xavier sempre me pareceu enigmático. Vasconço. E Moura, mourisca, morena, só me fazia pensar em coisa errada. Coisa confusa e, por isso, de deixar a gente confuso: a Ana tinha um modo tímido, mas um espírito devastador. Era tudo em si. A Ana era apaixonante.

Já outra paixão fugaz, aos 17 anos, a Maria Tereza Campos, demonstrou - que coisa! - o que é a previsibilidade do nome. De impressionar... O que, francamente, eu não soube distinguir naquele tempo. Não soube mesmo... Movido pelo ímpeto juvenil, só enxerguei uma grafia exata, precisa, sem erros. Só mais tarde descobri que entre as mulheres melhor não buscar exatidão, precisão e acertividade. O nome era simples, um bom sinal, mas isso não bastava. Faltava nele articulação. Não havia conexão. E Teca era mesmo desarticulada e desenxabida. Ao final, cheguei a pensar em sugerir-lhe que incorporasse no nome a partícula de tornando-se Maria Tereza de Campos. Certamente isso lhe traria um it ausente, um charme que seus pais lhe haviam negado.

Essas miudezas nominativas passaram a me preocupar e a justificar as minhas dificuldades. Sério! A ponto de, no final da adolescência, pensar seriamente em mudar meu nome de registro. Já com 18 anos, pensei: eu poderia me candidatar a um cargo político, de vereador que fosse, apenas para fazer chapa e ganhar o privilégio de poder incluir um nome mais conhecido ou um apelido no nome verdadeiro. Mas aí, jamais faria a besteira de usar o pobre Toinho e ficar Antônio Toinho Aprígio Neto. Isso não. Eu iria dizer que tinha um apelido de Augusto, por exemplo, e aproveitaria para um ajeitamento adicional de colocar o pequeno de antes do Aprígio. Ia dar Antônio Augusto de Aprígio Neto. Implacável! Bastava analisar: o Augusto qualificaria o Antônio como nome próprio importante, coisa nobre, e o de confirmaria Aprígio como sobrenome, no sentido de da família dos Aprígio, gente de bem. E o Neto viria esbanjando tradição, homenagem, o que fosse, sei lá...

O meu medo foi se uma mudança no meu nome mudasse de vez a minha personalidade. Não sei, talvez eu passasse a ter atitudes involuntárias e repreensíveis para o meu estilo. É verdade: tive o maior medo de não me reconhecer, nem mesmo o meu rosto no espelho. Nem pensar! De mais a mais, apesar do nome corriqueiro, sempre gozei de bom conceito entre os meus amigos exatamente pelo meu jeito corriqueiro. Talvez a mudança me deixasse meio metido a besta, soasse falso, sei não, coisa de pobre soberbo. Não...

E não duvido. Vai ver que se me desse na telha de mudar mesmo, aposto que iam querer que eu passasse a assinar o velho Toinho. Aí já disse: nem pensar! Mesmo porque quanto mais a idade adulta se aproxima e os pelos da cara crescem menos e menos pessoas usam apelidos, coisa de menino, parada lá trás no tempo. O fato é que, cada dia mais, eu fui virando apenas Antônio Aprígio Neto, sem mais nada. Pra ser sincero, nem isso, só mesmo Antônio. É aquela história de que Deus dá o frio conforme o cobertor: vão-se os apelidos, vem a idade adulta... Pelo menos, a gente vai se acostumando e fica menos a mercê de temores e presságios. Melhor assim...

Nenhum comentário: