7 de jun de 2010

De quê? - Parte 1/6

Meu nome é Antônio Aprígio Neto. Vou ser franco: sabe que não me lembro quando me dei conta desse nome? É que, desde muito cedo, eu me tinha apenas como Toinho. É! Toinho... Todo mundo me chamava assim. Comum. Se bem que eu achava bem inventado. Gostava. O próprio som de Toinho ajudava e ajudava muito: obrigava a deus e ao diabo a guardarem, sempre, alguma simpatia e um pingo de amizade para comigo. Fosse quem fosse. Sabe que não tenho recordação de um Toinho agressivo ou se prestando a uma carraspana? Ainda que fosse essa a vontade que vinha na cabeça da pessoa, na hora h, a pronuncia declinava, forçava no in, abrandava no nho e traía qualquer má intenção. Verdade! Pra frente, ainda menino, embora eu não desconhecesse mais meu nome de pia de batismo e de balcão de cartório, achei por bem continuar dando uso ao anterior. Vício... Vou ser franco, de novo: naqueles tempos, eu pensava mesmo era que eu, como pouca gente, tinha dois nomes: o Toinho, só meu mesmo, apegado a mim e de muita serventia e o Antônio Aprígio Neto, uma alcunha quase literária, que era guardado só para ocasiões solenes em que eu devia ser não eu, do jeito que eu sou, mas uma homenagem ao meu avô, porque, naturalmente, meu nome de registro, como ele mesmo faz questão de se explicar, deve-se ao fato de eu ser neto do meu avô Antônio Aprígio. Digamos assim então: uma pequena circunstância nominativa, coisa do destino, coisa que acontece, me deu uma infância de uma felicidade que acho que ninguém teve igual. Uma felicidade de pegar com a mão, que me dava o direito até de suspeitar que eu era um menino diferente: benquisto em pessoa pela boa sorte de meu apelido e, pelo nome extenso, importante na pessoa dos outros, no caso do meu avô Antônio Aprígio.

Lembro pouco de meu avô... Eu herdei dele cinco coisas de grande significado pra mim: uma forma de sapato nº 39 em madeira clara de peroba - resto de seu ofício de sapateiro -, um canivete com a lâmina gasta em um cabo de osso sem a capa de couro original, uma pua seminova para serviços domésticos, um cabo de madeira torneado e encerado pelo uso e, como já disse, o nome próprio. A respeito do cabo de madeira jamais soube sua real utilidade. A respeito do nome - insisto no assunto -, digo nome próprio porque foi esse o que recebi. Seu apelido, como o conheci, de Seu Gió, não me consta que tenha seguido em frente e imagino que tenha se perdido no tempo. Melhor assim: melhor Toinho que Gió.

6 comentários:

Vitória Menezes disse...

Acho que fui a primeira dessa praça a ler o inicio da estória.
Me lembrei da minha infancia. Existia aqui em 7 lagoas um homem que parece ter vindo dos lados da serra do cipó ( não me lembro bem) vendia plantas medicinais, e sai falando alto o nome delas na rua, e que por sinal tinha uma freguesia extensa, o nome dele era Aprígio. Me lembro mto pouco dele, mas lembro de minha vô, Maria de Jesus, que era parteira perguntando- Sô Aprigio já passou hoje?- Esse personagem que fez parte da história de 7L.
Desculpe pela empolgação.

Abraços.

Flávia disse...

Flávio,

Te contei a história do nome Flávia, mas não contei que daí meu pai se entusiasmou e cismou de colocar também o nome da avó dele que era Augustina. Só que, graças a Deus, conseguiram convencer ele a colocar Augusta, melhor acho eu...
Pra falar a verdade agora eu até gosto da sonoridade do Flávia Augusta e sem contar que funciona como uma marca registrada, por exemplo, se eu encontrar uma professora que deu aula para mim a cem anos atrás e disser: oi você deu aula para mim, eu sou a Flávia. Corro o risco de permanecer no esquecimento, agora quando eu digo eu sou a Flávia Augusta é como se ligasse a máquina do tempo.
Elas sempre dizem: eu me lembro de você, você falava isso, fazia aquilo...
Viu? Tudo tem um lado positivo até mesmo se chamar Flávia Augusta!rss

Bj

Flávia Augusta

ENIO EDUARDO disse...

Flávia você é chará do meu filho em nome e sobrenome. O dele é Flávio Augusto.

Nome abençoado este.

Eu gosto muito.

Flávia disse...

Que legal, Ênio!
Você e a mãe dele são pessoas de muito bom gosto. rsss

Paz e bem ao Flávio Augusto.

Ab

Flávia Augusta

Flávia disse...

Ênio,

A muito queria te contar que estudei com seu irmão João Paulo e que havia bastante tempo que não o via, quando foi sábado encontrei com ele no supermercado, achei ótimo, parece que o tempo não passou para ele a mesma cara de menino.
Ele já me deu muito trabalho na escola, ele queria colar mas tinha medo. Teve uma vez que passei uma uma borracha para ele na hora da prova, a cola estava nela, ele deixou a maldita cair, não teve coragem de apanhar, ficou vermelho feito um tomate, a professora se aproximando, eu gesticulando para ele colocar o pé em cima da borracha, só que ele não conseguia mover um músculo de tão nervoso que estava. Eu confesso que minha vontade foi de fazer ele engolir a dita cuja... Mas depois de tudo nós demos muita risada.
Colégio Industrial, bons tempos aqueles!

ENIO EDUARDO disse...

Flávia, legal! Mineiro é mesmo assim, se mexer, acaba descobrindo coisas!!!

O João Paulo é um irmão muito querido. Ele é o mais novo dessa imensa família que é a minha.

O João é uma pessoa especial.