31 de mai de 2010

Menino - XXII

-Pai!, ele gritou. O menino veio correndo pelo gramado para encontrar-se com o pai que acabava de chegar à varanda. Talvez fosse falar de um gol que havia acabado de fazer. Ou de uma coisa nova que pensou. – Pai! Ele veio rindo. Mas calou-se! De repente. Calou-se, freiou a corrida e espelhou no rosto o mesmo ar de gravidade que o pai levava na cara. No princípio, ainda parecia ter um desentendimento no olhar, alguma coisa no rosto que ainda buscava entender, naquele instantizinho miúdo, o que se passava. Mas, em seguida, desmontou-se, arriou os ombros, abaixou a cabeça e não disse mais nada. Viu que o pai tinha nas mãos a sua mochila. Viu que estavam de partida. Do jeito que estava, suado de uma manhã inteirinha de brincadeira, entrou atrás na boléia; o pai e a mãe na frente. Eu ainda o vi, lá dentro, virar-se para uma despedida sem tchau, sem palavra, sem lágrima. Uma despedida de um silêncio sem fim de quem não pode fazer nada, senão aceitar e ir; aceitar e deixar ir. Ele se foi e nem provou do frango ao molho pardo que eu fiz pra ele...

Um comentário:

Celso disse...

Que agonia... um pouco de felicidade, um final feliz Flávio! Ninguém gosta de clichês, mas eles nos confortam,acabam sendo um porto seguro...rs