30 de mai de 2010

Menino - XXI

Não dormi nada. Ontem, me controlei e fui tolerante. Mas isso não quer dizer que aceitei o que se passou. Minha mulher continua muito abatida e nervosa pelo desaparecimento do pai e, ainda assim, meu filho insiste em provocar e levar tudo ao limite do intolerável. Eu não iria nunca surrá-lo por nada, mas nem a surra que lhe dei foi suficiente para aplacar sua loucura. Já no dia seguinte, ele aproveitou minha ausência para colocar todos à beira de um ataque de nervos. Inaceitável! Não consigo compreender porque ele deseja impingir à mãe um sofrimento tão profundo, com tanta desfaçatez. Não posso aceitar que isso seja coisa de criança. Não, isso é loucura ou, como acredita seu Zé, é coisa de outro mundo. Não, não posso aceitar. Logo que clareou o dia, disse à minha mulher qual era a minha decisão: vou levá-lo à capital, à casa de minha mãe, para que ele possa se tratar dessa perturbação. Vou ser sincero: o que mais me irritou nessa história de ontem foi seu cinismo em me obrigar a seguir suas pegadas para encontrá-lo. O que ele queria? Queria me ridicularizar e me fazer seguir seu rastro como se fosse o rastro do avô para me desafiar e provar, com sadismo, a sua versão enlouquecida dos fatos. Isso é coisa de criança de 8 anos? Claro que não! Isso é coisa de um menino perturbado, doente, tomado pelo mal, interessado apenas em destruir a sua casa e seus pais. Que mundo é esse?!

Nenhum comentário: