28 de mai de 2010

Menino - XVII

O mês de maio vinha se aproximando. Como sempre, mal dá 4 da tarde, o sol já perde força e a friagem sobe do rio e se mistura com a poeira que vem rastejando o chão, desde a entrada. Os vaqueiros vieram voltando, um depois de outro, todos sem notícias. – Criatura, você chegou até o poço do pasto das vacas solteiras?, eu perguntei. - Fui lá, seu Zé, sem efeito, ele respondeu. – Zito? – Pois não, amigo Zé. Segui o rio até o limite da fazenda e não vi menino nenhum, nem nosso, nem dos outros. Clemente, que veio se aproximando da nossa roda de vaqueiros, todos montados, segurando os cavalos com rédea curta, os bichos bufando e sapateando, foi logo dizendo, ao seu modo de muitas palavras: - Se fosse pra achar agulha em palheiro, eu tinha achado. Menino não tinha nenhum na minha rota. Garanto! E chegou mais um, mais outro e nada! E no meio desse nada, o patrão passou zunindo na camionete, escondendo a turma toda atrás da poeira. Mal sabia ele o que lhe esperava...

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