31 de mai de 2010

Bourgeois morreu

A franco-americana Louise Bourgeois, das aranhas gigantes, morreu, hoje, aos 98 anos.

Menino - XXII

-Pai!, ele gritou. O menino veio correndo pelo gramado para encontrar-se com o pai que acabava de chegar à varanda. Talvez fosse falar de um gol que havia acabado de fazer. Ou de uma coisa nova que pensou. – Pai! Ele veio rindo. Mas calou-se! De repente. Calou-se, freiou a corrida e espelhou no rosto o mesmo ar de gravidade que o pai levava na cara. No princípio, ainda parecia ter um desentendimento no olhar, alguma coisa no rosto que ainda buscava entender, naquele instantizinho miúdo, o que se passava. Mas, em seguida, desmontou-se, arriou os ombros, abaixou a cabeça e não disse mais nada. Viu que o pai tinha nas mãos a sua mochila. Viu que estavam de partida. Do jeito que estava, suado de uma manhã inteirinha de brincadeira, entrou atrás na boléia; o pai e a mãe na frente. Eu ainda o vi, lá dentro, virar-se para uma despedida sem tchau, sem palavra, sem lágrima. Uma despedida de um silêncio sem fim de quem não pode fazer nada, senão aceitar e ir; aceitar e deixar ir. Ele se foi e nem provou do frango ao molho pardo que eu fiz pra ele...

A rodada

Não foi uma rodada, foi uma derrapada.  Fui com todo ânimo pra frente da TV ver o jogo do Cruzeiro, mas não devia ter visto. Putz! Dos 5 jogos do Cruzeiro no Brasileirão, só não assisti ao primeiro, a vitória sobre o Internacional; os outros 4 eu assisti um a um: ou o time teve um meio apagão (como contra o Avaí e Guarani, quando teve que correr atrás do prejuízo) ou um apagão total (como contra o Botafogo, apesar da vitória, e ontem contra o Ceará). Ou seja, não vi o time jogar um único bom jogo até agora. Só apresentações lastimáveis. E não se ouve falar em reforços para a zaga, em se trazer um bom meia, nada; só se ouve falar em venda de Fábio, o salvador da pátria, e de Kléber. E tem gente que ainda entra numa de defender o time, dizendo que até ontem era o terceiro do Brasileirão. E daí? Hoje é o nono! Pontuação de começo de campeonato não vale nada. Com 3 pontos a menos do que o Cruzeiro (pontos de um só jogo), o Prudente está na faixa de rebaixamento; e com 3 a mais, o Ceará é vice líder...

[E a coisa ia tão bem... Não vi, mas me disseram que o jogo do Galo foi ótimo: o resultado diz por si]

30 de mai de 2010

Menino - XXI

Não dormi nada. Ontem, me controlei e fui tolerante. Mas isso não quer dizer que aceitei o que se passou. Minha mulher continua muito abatida e nervosa pelo desaparecimento do pai e, ainda assim, meu filho insiste em provocar e levar tudo ao limite do intolerável. Eu não iria nunca surrá-lo por nada, mas nem a surra que lhe dei foi suficiente para aplacar sua loucura. Já no dia seguinte, ele aproveitou minha ausência para colocar todos à beira de um ataque de nervos. Inaceitável! Não consigo compreender porque ele deseja impingir à mãe um sofrimento tão profundo, com tanta desfaçatez. Não posso aceitar que isso seja coisa de criança. Não, isso é loucura ou, como acredita seu Zé, é coisa de outro mundo. Não, não posso aceitar. Logo que clareou o dia, disse à minha mulher qual era a minha decisão: vou levá-lo à capital, à casa de minha mãe, para que ele possa se tratar dessa perturbação. Vou ser sincero: o que mais me irritou nessa história de ontem foi seu cinismo em me obrigar a seguir suas pegadas para encontrá-lo. O que ele queria? Queria me ridicularizar e me fazer seguir seu rastro como se fosse o rastro do avô para me desafiar e provar, com sadismo, a sua versão enlouquecida dos fatos. Isso é coisa de criança de 8 anos? Claro que não! Isso é coisa de um menino perturbado, doente, tomado pelo mal, interessado apenas em destruir a sua casa e seus pais. Que mundo é esse?!

Vai entender...

A Folha fez uma pesquisa para avaliar os 3 principais candidatos à presidência segundo 24 quesitos qualitativos. Em um deles, o da experiência, Serra deu de balaiada: 64% dos entrevistados o acharam mais experiente do que Dilma (com apenas 17) e Marina (com 5%). Ele foi também mais avaliado como democrático e, paradoxalmente, como autoritário; igualmente visto, frente a Dilma, como inovador, um pouco menos simpático, um pouco mais antipático, e por aí em diante... Eu tentei fazer uma correlação entre esses resultados e o das intenções de voto da última pesquisa de opinião, do mesmo Datafolha, e não cheguei a lugar nenhum. Mas a própria FSP, seis páginas à frente, deu a resposta, em artigo de Hélio Schwartsman, em que cita Drew Westen, da Universidade de Emory (EUA). Depois de uma determinada afirmação de Westen, que não vem ao caso, o articulista afirma: "Tal afirmação se baseia num corpo crescente de pesquisas de neurociência que apontam para um eleitor muito mais emocional do que racional. O que os mais cultos e politizados fazem é desenvolver racionalizações mais sofisticadas para justificar suas escolhas, também feitas muito mais com o fígado do que com a cabeça". Ou seja, entre a impressão qualitativa do candidato e o voto não há nexo algum...

Corridaço

Pistas perfeitas como a de Istambul servem para revelar a verdade das equipes. O fato é o seguinte: a Red Bull continua sendo o inimigo a vencer, a Mclaren evoluiu demais e está quase em pé de igualdade com ela, a Mercedes e a Renault deram um passo à frente e a Ferrari parou no tempo. É isso!

Com as equipes nessas condições, a corrida foi muito legal. Há muito tempo, eu não via quatros carros na ponta com menos de meio segundo entre eles a corrida [quase] inteira. Hamilton quase passou Webber na ponta, mas acabou perdendo a posição pra Vettel nos boxes. Button e Vettel cansaram de tirar a volta mais rápida um do outro. Essas duas equipes fizeram um corrida milimétrica. Um erro seria fatal. E pra felicidade dos fanáticos por F1, o erro veio: Vettel, enlouquecido pela extraordinária fase de Webber, nas últimas corridas, perdeu de vez o juízo e tentou tomar-lhe a liderança. Conseguiu se auto destruir e tirar a dobradinha da equipe.








Mas se a disputa entre os pilotos da Red Bull foi um desastre [literalmente], entre os pilotos da Mclaren foi um show. A tentativa bem sucedida de Button de tirar o primeiro lugar de Hamilton, e a ultrapassagem de Hamilton retomando a posição, foi de tirar o ar. Fantástico!

A Ferrari foi apenas coadjuvante desse espetáculo. No máximo, conseguiu alguns minutos de TV, na ultrapassagem de Alonso sobre Petrov, na disputa pelo 8º lugar. Nada mais...

A coluna do Marcos, de hoje

Marcos Coimbra, no Estado de Minas deste domingo, pergunta sobre 'O Discurso da Oposição' frente à popularidade de Lula. Alguns trechos:

[...]
Do começo de 2008 em diante, o que era bom, melhorou e a popularidade do governo entrou em rota ascendente. Nela, prossegue atualmente. Ao contrário de seus antecessores, que terminaram pior (ou muito pior) do que quando começaram, parece que Lula vai continuar subindo até sua despedida em dezembro.

[...]
Mas foi nas oposições que os efeitos da manutenção da popularidade do governo em patamares tão altos foram mais profundos. Ela desnorteou os adversários, deixando-os sem discurso e sem capacidade de reação. Como ser contra um presidente que três, em cada quatro pessoas, consideram ótimo ou bom? Como fazer oposição a alguém aprovado por 85% dos eleitores?

[...]
Enquanto aumentam as pressões, vindas dos núcleos de oposição ao governo na sociedade e na mídia, para que Serra diga, sem rodeios, o que pensa, ele reluta. Tem consciência de que, fazendo isso, suas chances na eleição, que já são pequenas, podem desaparecer.

40 dias de irresponsabilidade

Passados 40 dias, a BP ainda não teve sucesso em corrigir a estupidez que cometeu, no Golfo do México...

Dennis Hopper morreu

[Releiam o post 'Dennis Hopper está morrendo' escrito por Bernardo, aqui neste blog]

Jornais de ontem...

I
O Sabático trouxe uma crítica ao livro do professor da USP Davi Arrigucci Jr., 'O Guardador de Segredos'. No livro, o professor parece tentar identificar o link existente entre a experiência pessoal e a histórica de prosadores e poetas. São 21 ensaios escritos a partir de 1999. Fiquei interessado em um deles, em que Arrigucci estuda a proximidade entre Juan Rulfo e Guimarães Rosa. Ou mais exatamente entre Pedro Páramo, de Rulfo, e Grande Sertão: Veredas, de Rosa. " (...) não apenas pelo uso do monólogo interior - distinto do de Faulkner ou James Joyce. Nas duas obras-primas dos escritores, eles se valem da oralidade do campesino de Jalisco e do jagunço do centro-norte de Minas Gerais", diz a matéria. "O que mudou foi essa atitude que eles adotaram diante da linguagem oral, penetrando nela de corpo e alma, partindo de dentro da matéria que tinham que narrar", observa o autor. [Pra mim, isso pode fazer sentido. Vocês já leram Juan Rulfo? Eu tenho uma velha edição dele que traz tanto 'Pedro Páramo', quanto 'O planalto em chamas'. Putz! É um cara que vale a pena...];

A resenha comenta ainda que, na mesma linha de investigação, Arrigucci prepara, para breve, um novo livro juntando John Ford, Borges e Rosa. Diz o professor: "Pensei em estudar três narradores de regiões 'atrasadas' que estão permeadas de história, como o Oeste americano [nos filmes de Ford], o pampa argentino [em Borges] e o sertão brasileiro [em Rosa] porque nos três aparece a dicotomia civilização versus barbárie". [Sensacional! A coisa promete...].

II
Imperdível a coluna de Fernandinha Torres na FSP: 'Eleições: o dom de iludir'. Ela é precisa e hilária. Ironiza, por exemplo, a candidata Dilma por ser capaz de falar sobre juros, dívida e aborto, mas se embananar toda diante da simples questão: "Que livro a senhora está lendo?". Ou o candidato Serra, que se esforçou para se mostrar um 'boa-praça', mas que explodiu na primeira prensa que tomou de Mirian Leitão, na CBN... Duas frases:

"A política é um palco letal, o Coliseu romano da atualidade. Um lugar de ódios milenares, mágoas irreparáveis, conciliações imperdoáveis e, também, do temível ridículo. Eu seria incapaz de atuar sob tamanha pressão".

"O candidato é um ator em eterno teste. Uma condição vexatória e terrivelmente desconfortável".

29 de mai de 2010

Menino - XX

Eu achei mesmo que as coisas iam voltar ao seu normal. O menino estava alegre... Ontem, o pai, ao encontrá-lo, parecia ter entendido seu coração de menino, suas tristezas e não ralhou com ele, nem o pôs de castigo pelo sumiço. A patroa também não fez estardalhaço e parecia também ter compreendido o filho. Ele tomou um banho quente, alimentou-se depois de horas de jejum, dormiu como um anjo e acordou num outro dia, numa alegria só, só dele. Achei que aquilo era sinal de que a paz ia voltar àquela casa. Os cachorros, as galinhas, os marrecos, as vacas, os passarinhos, a fazenda inteira também parecia pensar do meu modo. Ao ver o menino daquele jeito bom, os barulhos de sempre voltaram como sempre. Maritacas briguentas cruzaram o céu logo cedo, bem-te-vis penduraram na cerca, canarinhos se arriscaram até a varanda, os cachorros voltaram com suas arruaças. Mesmo sem o velho, tudo me dizia que a vida ia continuar lá do ponto onde tinha parado. Até que a patroa entrou na cozinha... Ela não tinha cara de quem havia acabado de acordar. Nem cara de choro, nem cara de alegria, muito menos cara de vida comum, de dia-a-dia, de sábado. Por certo, ela e o marido custaram a sair do quarto, não porque dormiam e davam tempo para as coisas entrarem nos seus eixos por conta própria, mas porque tramavam alguma coisa. Alguma coisa nada boa. Eu aticei o fogo do fogão, mexi a panela das galinhas, rezei, rezei e rezei, mas não consegui me livrar dos maus presságios que seu rosto grave me trouxe. Ela entrou e saiu. Mas o ar pesado ficou...

Menino - XIX

Hoje eu levantei feliz. É mais fácil ficar feliz aos sábados... Todos ainda dormiam, eu peguei minha bola e fui pro gramado do jardim. Chutei bola a manhã toda. Fiz mil gols. Chutava, corria, pulava, agarrava e radiava cada passe genial de mim para mim mesmo. Já estava suado quando Felipe, filho do seu Zé chegou e entrou na brincadeira. Havia barulho no curral, depois parou. Certa hora, os cachorros deram uma carreira no rumo do galinheiro. As galinhas apelaram com alguma coisa. Deu um tempo e passou Maria com duas delas pelos pés, com a cabeça pra baixo, esperneando. – Ô Maria, hoje tem ao molho pardo?, perguntei, enquanto gritava: - Lipe, chuta! Grande, gorda, rosada, sempre carinhosa, Maria deu sua risada boa e respondeu: - Tem sim, meu neguinho. Vou fazer com angu mole do jeito que você gosta, prosseguiu ela. – Ô Maria, guarda a rapa do angu pra mim, gritei ofegante. Ela riu e sumiu. Maria também levantou feliz, hoje.

Luas

Ontem, vindo à noite de Sete Lagoas para BH, ouvindo um CD de Cesária Évora que vai até furar, eu fiquei reparando a lua cheia mudar de um lugar pra outro. Primeiro, à esquerda, depois à frente, no final, à direita... Fiquei com a lua na cabeça ou a cabeça na lua. Cheguei em casa e, curiosamente, havia no Estadão  uma chamada para 'visões da lua'. Cliquem aqui e vejam. É legal!

[São Petersburgo, Rússia, 29/04/2010. Foto: Dmitry Lovetsky/AP]

28 de mai de 2010

Menino - XVIII

Eu sai de uma fazenda, pela manhã, e voltei para outra, no meio da tarde. Pela manhã, era uma calma; à tarde, outra em polvorosa. Minha esposa veio aos prantos narrando o que vinha se passando. Atrás dela, uma fila de mulheres de olhos arregalados registrava o ar de tragédia pelo sumiço do menino. Era como se dissessem: Deus do céu, o menino foi no rastro do velho! Fui até os vaqueiros. Seu Zé se antecipou e aprontou-se a me informar: - Em todos os quadrantes, patrão, de norte a sul, de leste a oeste, um dos nossos homens passou. O menino não está em canto nenhum. Retornei e da beira da varanda corri o olho na propriedade, no curral, nos pastos, até a mata do rio. Pensei em sentir culpa, mas desviei o pensamento. Cai num silêncio de quem ainda não sabe o que fazer e pus a cabeça pra pensar. – Cadê o miserável?, fiquei matutando... Na hora que achei devida, desci a escada de madeira da varanda, venci o gramado, passei em frente ao curral, de cabeça baixa, passei pela roda de homens sobre as montarias, cochichando, e tomei o caminho do rio. Claro! Como não?! Sobre a poeira alta desses dias que não chove, estavam lá os rastros do menino. Segui, passei pelo atoleiro das vacas, perto do açude, e fui pela marca indicada, na linha da cerca, até o rio. Na beira d’água terminaram os riscos, exatamente no trecho raso, encascalhado. Fui até a outra margem e reencontrei a pista. Em um e outro trecho do pasto, ela ameaçava sumir, mas não deixava de indicar a direção da mata. Segui. Dentro da mata, eram menos nítidos os limites do pisado sobre as folhas secas. Mas havia galhos quebrados, folhas remexidas e, aqui e ali, mais uma sola impressa do calçado. Bem no fundo da mata, debaixo de uma velha aroeira, encontrei o meu filho sentado, com os braços amarrando as pernas e o queixo nos joelhos. Não disse nada, a princípio, apenas sentei ao seu lado... Ele não se moveu, não deu por mim. – Filho?!, falei, depois de um tempo, escondendo qualquer sentimento de alívio ou de raiva. – Pai, ele respondeu sem muita atenção. Passou-se, então, um século de silêncio. – Como você me achou, pai?, ele perguntou com a voz um tanto embargada. – Os rastros, meu filho. Bastou segui-los, respondi. Novo silêncio... – Pai, ele começou a falar e parou... – como você sabe se os rastros são de verdade como os meus ou de mentira como os de vô foram pra você?, completou. – Eu conheço você, meu filho. Sei quando os rastros são seus... Mais um silêncio... – Pai, você consegue enxergar rastros na água do rio, no capim do pasto e nas folhas da mata?, voltou, sem se mover, nem sequer piscar. – Não, filho, claro que não, mas posso deduzir. Não foi difícil concluir que você transpôs o rio e adentrou a mata. Ele fechou-se de uma maneira assim incômoda de quem mais nunca ia voltar a falar. Depois de passar outra eternidade, com uma voz muita baixa que não fazia nenhuma questão de ser ouvida, quase como uma afirmação fingindo ser uma pergunta, ele me disse: - Pai, então o senhor também fantasia?... Achei melhor calar-me. Mais uma vez, instalou-se um tempo sem fim... Ao final, ele levantou-se, escondeu que chorava, tomou o caminho de casa e, cabisbaixo, foi em frente...

Menino - XVII

O mês de maio vinha se aproximando. Como sempre, mal dá 4 da tarde, o sol já perde força e a friagem sobe do rio e se mistura com a poeira que vem rastejando o chão, desde a entrada. Os vaqueiros vieram voltando, um depois de outro, todos sem notícias. – Criatura, você chegou até o poço do pasto das vacas solteiras?, eu perguntei. - Fui lá, seu Zé, sem efeito, ele respondeu. – Zito? – Pois não, amigo Zé. Segui o rio até o limite da fazenda e não vi menino nenhum, nem nosso, nem dos outros. Clemente, que veio se aproximando da nossa roda de vaqueiros, todos montados, segurando os cavalos com rédea curta, os bichos bufando e sapateando, foi logo dizendo, ao seu modo de muitas palavras: - Se fosse pra achar agulha em palheiro, eu tinha achado. Menino não tinha nenhum na minha rota. Garanto! E chegou mais um, mais outro e nada! E no meio desse nada, o patrão passou zunindo na camionete, escondendo a turma toda atrás da poeira. Mal sabia ele o que lhe esperava...

Menino - XVI

O patrão levantou muito cedo, tomou a caminhonete e foi à cidade. A patroa demorou-se a levantar, foi à cozinha, tomou uma xícara de café, um comprimido pra dor de cabeça, queixou-se e voltou pro quarto. O sol já ia a pino e a casa continuava um silêncio só. Parecia que havia um velório ali. A porta do quarto do menino não se abriu, nem se fechou. Tudo seguia lerdo até que a arrumadeira deu um berro: – Patroa, o menino sumiu! Todo mundo acorreu ao seu quarto e, de fato, ele não estava lá, como todo mundo achava que estivesse, curando suas feridas e aprendendo a parar de fantasiar. – Meu Deus, só me faltava essa!... disse a mãe, entrando novamente em seu já habitual estado de choro...

27 de mai de 2010

Menino - XV

O remédio, às vezes, é amargo, mas é necessário. Meu marido tinha razão em aplicar o corretivo no nosso filho. A coisa estava indo longe demais. Ele é criança, mas já tem idade pra perceber que a vida tem sido angustiante demais para todos nós, aqui. Ele não tem o direito de tornar tudo mais difícil com as suas fantasias absurdas, suas mentiras infantis e sua ironia desrespeitosa. Era preciso dar um basta!

Vestiu uma camisa amarela e saiu por aí...









O Cruzeiro fez um gol, um gol e nada mais. O que é importante é que um gol, um gol e nada mais vale 3 pontos. De quebra, valeu também a vice-liderança do Brasileirão, ao lado do Santos (8 pontos) e atrás apenas do Timão (10 pontos). Futebol? Não, isso não teve não. Foi um jogo de dar calo nas vistas. 'Chega de tanta mediocridade!!!"

Já em Salvador, em jogo de 7 gols, a pantera cor-de-rosa foi atropelada pelo Vitória. Triste isso...

26 de mai de 2010

Menino - XIV

Quando a noite caiu de uma vez por todas, o silêncio tomou conta da casa e as últimas lâmpadas se apagaram, eu cozinhei um mexidinho com angu bem molinho, do jeito que o menino gostava, e fui até o seu quarto. Ele estava imóvel na escuridão, encolhido no alto da cama. Calado estava, calado ficou. Vi que estava acordado pela raspação de um pé sobre o outro. Cheguei bem perto. Pela pálida claridadade vinda da janela, percebi as marcas do corrião. O menino 'tava todo vermelho. Não tinha uma nesga branca de pele. Disse bem baixinho, quase ao pé do ouvido: - Querido, trouxe seu mexidinho... Ele virou lentamente o rosto, alçou as vistas inchadas de choro na minha direção, deixou escapar uma lágrima perdida - eu acho - desvirou-se para junto do travesseiro e não disse nem que sim nem que não. Depois de um silêncio sem fim, tentei de novo: - Querido... Com uma voz que não tinha nenhuma vontade de ser voz, com uma voz que parecia sair dos olhos, com uma voz que parecia não ter sido dita, ele me cortou mansamente: - Maria, quero comida não; me diz só, Maria, porque o mundo fugiu daqui? Aqui era um lugar tão bom...

25 de mai de 2010

Menino - XIII

Quanto mais eu gritava, mais a correia de couro zunia e gravava no meu corpo a marca da fivela. Meu pai parecia ensandecido. Mas ele achava que era eu quem estava com o capeta no corpo. Era como uma sessão de exorcismo, daquelas de igreja de crente. – Pára, pai! Pára, pai, eu berrava. De tanta dor e tanto pavor, eu implorava: - Vô, pelamordedeus, me ajuda. Aí a coisa piorava... Até que eu me calei e ele, aos poucos, sossegou. Minha mãe, sempre chorando, o abraçou e o levou dali. Apagaram a luz do quarto e fecharam a porta. No escuro, doendo inteirinho, eu disse baixinho: - Vô, me ajuda! Eu não era mais eu, eu não era mais nada, eu era apenas o que os adultos queriam que eu fosse: um louco, o diabo em pessoa, sei lá o quê. Eu fiquei chorando sozinho, em silêncio. Nunca mais ia abrir a boca pra dizer um a. Jurei comigo. Mas lá no fundo da minha alma eu descontava. Ficava berrando pra dentro: - Burros! - Burros!

24 de mai de 2010

Yepocá entre nós

De terça a domingo, 25 a 30 de maio, Sete Lagoas será palco do projeto “Yepocá em Cena – Mostra Teatral Itinerante 2010”. A Companhia de Teatro Yepocá, de Belo Horizonte, leva ao público muita alegria e diversão com uma programação diversificada, que inclui espetáculos, oficinas, palestra, mesa redonda e debate. As atividades, GRATUITAS, acontecem no Centro Cultural Nhô Quim Drumonnd (Casarão). No caso das oficinas, é necessária a pré-inscrição para participação. Vagas limitadas!

Confira a programação:
25 a 27 de maio
8h30min – Espetáculo “O Papel Roxo da Maçã”
18h às 22h - Oficina "A Arte de Brincar”
18h às 22h - Oficina “Teatro de Bonecos”
18h às 22h - Oficina Teatro de “Cenotecnia”

28 de maio
8h30min - Espetáculo “O Papel Roxo da Maçã”
14h30min às 17h – Mesa redonda e Debate - Tema: Produção Cultural
19h30min – Espetáculo “A Fabulosa Redonda Flor”

29 de maio
9h – Palestra sobre “Arte-educação”
14h às 17h – Oficinas: "A Arte de Brincar”, “Teatro de Bonecos” e “Cenotecnia”
19h30min – Espetáculo “Hypólita – Uma História de Amor”

30 de maio
10h – Espetáculo “Sem Fonia Musical”
19h30min – Espetáculo “Hypólita – uma história de amor”

Menino - XII

Foi uma barulhada danada. Eu só entendi quando a mulher de Seu Zé entrou na cozinha e me pediu uma copo d'água com açucar. - O que 'tá acontecendo?, eu perguntei aflita, enquanto abaixava o fogo do fogão e preparava o copo d'água. - O menino surtou, respondeu ela, quase sem ar. - Vou por mais doce então na água pra acalmar a criança, completei. - Não, não exagera, Maria, a água é pra mãe dele; ele vai levar é uma surra do pai pra parar de inventar história. - Deus é pai!, me benzi. - É, Maria, benze mesmo; já ando dando razão pro meu Zé: esse menino está é com o diabo no corpo...

Menino - XI

Eu estou me sentindo só. O meu avô foi embora e levou com ele as palhaçadas de meu pai comigo, a alegria da minha mãe, a cantoria da Maria cozinheira, as imitações de passarinhos de Seu Zé pelo terreiro afora... Só ficaram por aqui a cadeira de rodas com a manta, largada num canto, as lágrimas de minha mãe, os gritos dela comigo por qualquer coisa que eu faça, os olhares pesados de meu pai sobre mim, os olhares de banda e a benzeção de Seu Zé quando eu passo, os olhares cabisbaixos da mulher de seu Zé quando me vêem... Eu conto, eu explico, eu mostro tudo o que encontrei naquele dia que vô sumiu, mas ninguém acredita em mim. Eu juro por tudo que é santo que não estou mentindo, mas nem me ouvem. São capazes de acreditar em tudo, em capeta, em alma penada, em disco voador, mas não são capazes de acreditar em mim, no chinelo sujo e na terra riscada. Dão de ombros. Me ignoram. Só porque eu sou criança? Meu pai, outro dia, veio com uma conversa muito esquisita, me dizendo que entendia minha tristeza e entendia o fato de eu ter inventado... - Inventado o quê, eu gritei! Fiquei me sentindo um doido, mas gritei sem querer. E gritei mais. E chorei. E quanto mais eu gritava e chorava mais eu me sentia um doido. Quanto mais eu dizia que tudo era verdade, mais doido eu me sentia. Eu juro: eu não estou doido. Eu estou com medo. Medo do meu pai, medo da minha mãe, medo do Seu Zé. Medo. E nem tenho o meu avô pra conversar...

Portal Grande Sertão

Em 27 de junho, na Praça Miguilim, a 300 metros do Museu Casa Guimarães Rosa (MCGR), em Cordisburgo, será inaugurado o Portal Grande Sertão, com sete figuras em bronze, em tamanho natural, que retratam o autor de Sagarana e seis vaqueiros, a cavalo, acompanhados de um cachorro, feitas pelo artista plástico Léo Santana.

Santana assina, em BH, as esculturas de Pedro Nava e Carlos Drummond de Andrade, na Rua da Bahia, no Centro; de Henriqueta Lisboa e Roberto Drummond, na Savassi; e dos chamados Quatro Cavaleiros do Apocalipse – Fernando Sabino, Otto Lara Resende, Paulo Mendes Campos e Hélio Pellegrino –, na Praça da Liberdade, e Tancredo Neves, Ulysses Guimarães e Teotônio Vilela, na Praça da Assembleia. No Rio, recriou Carlos Drummond de Andrade, no Calçadão de Copacabana, e Ari Barroso, no Bairro do Leme.

Genial!

[Foto no Portal G1 vencedora do primeiro prêmio de um concurso internacional de fotografia da National Geographic, documentada pelo fotógrafo Cesare Naldi - 10/12/2008]

Menino - X

'Tá tudo fora dos eixos. Ninguém, nem um samaritano que seja, consegue fazer alguma coisa que presta, ultimamente. Meu Zé, levanta, anima, vai pro curral e desanima. Diz que as vacas estão desconformes. Todas com saudades do velho. Não querem comer, não querem dar leite, não querem emprenhar, não querem nada com nada. Como o meu Zé diz, 'tá tudo tão esquisito que até vaca 'tá estranhando bezerro. Vixe! Meu patrão zanza pra cima e pra baixa, consola a dona, traz uma companhia nova pra ela, um remédio novo de acalmar, mas trabalhar que é bom, nada! Mesmo porque isso nunca foi assunto dele. Minha patroa só chora. Não sei de onde arruma tanta lágrima. Chora e chora. Não cuida da casa, não dá ordem, nada! 'Tá todo mundo esperando Deus descer na terra e dar um rumo pra história. Esclarecer tim-tim-por-tim-tim. Por obra e graça de quem o velho saiu da cadeira e aonde o danado se meteu. No sentido ou na falta de sentido dessa confusão. É nisso que fica todo mundo pensando o tempo todo. A não ser, é claro, na hora que resolvem botar a culpa no coitado do menino. O pai acha que ele emalucou. Meu Zé acha que ele encapetou. A mãe não sei se acha alguma coisa, mas xinga o pobre coitado de manhã, de tarde e de noite. Bom sinal isso não é. Eu, de minha parte, eu mesma não acho nada. Mas daí também a acreditar na mentirada que ele anda inventando de que o velho se arrastou até o rio, aí já é demais. Vejo a insistência dele nessa conversa e não acho nem coisa de maluco, nem coisa de capeta. Só tenho dó...

O tempo passa... - II

Eu cai na besteira de postar aqui uma foto antiga minha, que achei em um blog de umas amigas, e um bando de marmanjões que frequentam esse pedaço resolveu acabar com minha fama, que já não anda lá essas coisas, e, para o mal dos meus pecados, deu de me achar parecido justo com Benito de Paula. Coisa de gente invejosa. Mas aí veio a Flavinha, que tem muito mais juízo e muito mais senso estético do que todo o bando junto, e me salvou: não apenas achou que eu era a cara do Johnny Depp, como provou o que disse, me mandando um e-mail com as fotos abaixo. Melhorou alguma coisa, não é mesmo?! Digamos assim: as figuras são quase sósias. Melhor, eram! É que minha foto aí tem uns 300 anos e já não confere mais com o original. O tempo passou. E como passou... Ou seja, essa conversa, infelizmente, não leva mais a lugar nenhum...

Marina na CBN

A CBN está entrevistando os candidatos a presidente. Já passaram por lá o Serra e a Dilma. Hoje está sendo a Marina Silva do PV. O posicionamento sereno e claro da Marina sobre todos os temas vai dar trabalho aos outros dois candidatos, na campanha eleitoral...

Menino - IX

Meus patrões estão querendo levar o menino ao médico e internar. Dizem que ele está perturbado. Que teria inventado o rastro do avô até o rio. Que anda fantasiando. Não sei. Se o sumiço do velho não é coisa do capeta de quem será? Do menino? Duvido... Pode ser que o demo tenha posto o velho pra andar. Acredito nisso piamente. Ele tem poderes pra isso e pra mais... Hipnotizou o patrão, mandou ele andar e mandou ele afogar. Tudo possível. Eu acho isso. Tanto que, tendo um tempo, monto num cavalo e desço rio abaixo, por uma margem, remexendo os cantos de mato e galhos, e subo rio acima, pela outra margem, vendo se o corpo do velho não se agarrou por ali. Nada! Teria o capeta o poder de desaparecer com o corpo? Isso eu já não sei... Até acho que não. Nunca ouvi dizer. No fim da tarde, depois da lida e do banho, fico horas a fio pensando... Agora, com essa história que andam dizendo de que o menino anda ajeitando coisas e variando, eu olho pra ele, vejo o riso dele e penso: - Deus me perdoe, mas será que o capeta tomou o corpo do menino? Virgem Maria! Eu, por mim, benzia a criança...

23 de mai de 2010

Risco

O estilo cruzeirense nos últimos jogos do Brasileirão é de 'dar nos nervos': um tempo de apagão; outro de reação. Haja coração!

Os Perrelas precisam esquecer um pouco a obsessão em ganhar dinheiro e voltar a gostar de futebol, se é que ainda sabem o que é isso. Melhorar a zaga do time é questão de vida ou morte... E um camisa 10 novo não seria nada demais...

Dois a zero contra Avaí e Guarani (2 pontos em 6) não são resultados para quem quer ser campeão!

Série 'política sem grandeza'


Gabeira (PV) montou um palanque pra lá de eclético no Rio. Sua coligação inclui o PSDB, o DEM e o PPS. Tem chance de ter um vice tucano e César Maia como candidato ao Senado. É um arranjo que não perde em nada para a coligação PSDB-Maluf em São Paulo e PT-Sarney no Maranhão. Coisas da política moderna... No caso de Gabeira, pra piorar, as notícias [cliquem aqui], hoje, dão conta de que, no lançamento de sua candidatura, o nome da candidata à presidência pelo seu partido, Marina Silva, foi apagado. Tem base?

O tempo passa...

Quando mudamos para Belo Horizonte, nos anos 1970, vários de nós moramos em 'repúblicas'. As meninas, Simone, Anginha de D. Doxa, as Castanheiras, Hosana e outras amigas moraram na Rua São Paulo. Isso faz 30 anos e elas estão comemorando. Fizeram um blog de lembranças, inclusive. E eu estou lá, 300 anos mais moço...

Anacronismo

Amaro já reclamou aqui do descumpirmento sistemático pelos partidos, especialmente pelo PT e por Lula, da legislação eleitoral. Para tratar desse tema, Marcos Coimbra reservou sua coluna no EM de hoje: 'As normas escritas e as outras'. Ele fala do anacronismo da nossa legislação, que remonta aos tempos de ditadura, e da hipocrisia que ronda o assunto. Diz a certa altura: 'Essas foram as normas reais que prevaleceram nos últimos 20 anos, mesmo que as velhas normas escritas não tivessem sido formalmente revogadas. Todos os partidos, sem exceção, seguiram o figurino. Como nestas eleições. Ciro, Marina, Serra (na época junto com Aécio) e Dilma foram as estrelas dos horários e inserções de seus partidos. Alguém adivinha por quê?'

Dois outros trechos:

Um:
Nossa legislação eleitoral é confusa, efêmera, artificial. Em alguns aspectos, é tão detalhista que parece obcecada com pulgas; em outros, é tão omissa que deixa escapar elefantes.

Outro:
Sua primeira formulação ocorreu, talvez não por acaso, alguns meses antes do Ato Institucional 2, de 1965, que violentou o sistema partidário brasileiro, extinguindo os partidos existentes e inventando um bipartidarismo que nunca funcionou. Em julho daquele ano, foi promulgada a Lei 4.737, que, pela primeira vez, reservava horários na televisão para a "propaganda permanente do programa dos partidos". Nela, também foi fixado que os candidatos só poderiam fazer propaganda depois da "respectiva escolha em convenção".

Foi, assim, há 45 anos, em plena ditadura militar, que criamos os fundamentos das regras esdrúxulas que temos. Delas exalava uma óbvia resistência aos partidos e à atividade política, coerente com os tempos que o país vivia. Incoerente é sua sobrevivência na democracia.

Nova feira da Boa Vista by Cinésio Rocha

Roth

Já comentamos aqui os livros 'Homem Comum' e 'Indignação', do escritor novaiorquino Philip Roth, 77. Ele está, neste sábado, no caderno Ilustrada, da FSP, em razão de seu novo lançamento, 'A Humilhação', que fala de velhice, solidão e ameaça de perda de talento.

[Cliquem na imagem e acessem a entrevista de Philip Roth na FSP]

Mais duas dicas tentadoras da Folha: 'Alguma poesia: o livro em seu tempo', de Carlos Drummond de Andrade, org. Eucanãa Ferraz, Instituto Moreira Salles, 392 págs., R$50 e 'Paulo Francis - Polemista Profissional', de Paulo Eduardo Nogueira, Imprensa oficial, 160 págs., R$20.

22 de mai de 2010

Adilson fica...

Eu não sou muito entusiasta do estilo do Adilson. Gosto do time ofensivo que ele monta; mas não gosto da fragilidade defensiva da equipe, nem da forma, sempre errática, com que ele mexe no time na hora 'h', no meio de um jogo. Bernardo, meu filho, pensa diferente e é mais pró-Adilson do que eu. Mas numa coisa eu concordo com ele: não é hora de mexer com Adilson. Trocar técnico significa mais do que só trocar uma pessoa; significa mexer na equipe e abrir, inevitavelmente, uma crise temporária de confiança no grupo. Com o Brasileirão em curso não é hora disso. O momento é de apostar na equipe, reforçá-la, se for o caso, e ir pra cima. Isso pressupõe manter Adilson Batista que, hoje, recusou oferta do Palmeiras e assegurou que fica no Cruzeiro até o final do ano. Melhor assim...

Os comentários da pesquisa

I
Os comentaristas da Folha não aventaram, naturalmente, a hipótese da pesquisa de abril conter um erro. Depositaram todo 'esse estrago' na posição de Serra à presença de Lula nos programas do PT que foram ao ar, este mês. Daí pra frente, duas opiniões: uma de que, adiante, os programas do Democratas e do PSDB devem melhorar o desempenho de Serra; outra de que, se bastou a rápida presença de Lula pra Dilma decolar assim, imaginem o que acontecerá, na campanha, quando 'o cara' se dedicar, em tempo integral, a pedir votos pra ela...

II
Como sempre, os analistas gostam mais dos subtextos do que dos textos. Os comentaristas da Folha acabaram se fixando mais em detalhes emblemáticos da pesquisa do que nos números da manchete. Exemplos: Dilma subiu mais do que Serra caiu (7 a 5); pela primeira vez, a rejeição dela é menor do que a dele (20 a 27); pela primeira vez, ela o ultrapassa nas tendências do 2º turno (Serra tinha 10 pontos de frente - 50 a 40 - e, agora, tem 1 atrás - 46 a 45); e, na pesquisa espontânea (que sinaliza os votos mais consolidados), na qual Dilma tomou a dianteira em fevereiro, desfez-se a tendência de aproximação de Serra (chegou a 13 a 12 pró-Dilma e descolou para 19 a 14 também pró-Dilma). Só notícias boas pro PT...

III
Kennedy Alencar colocou Serra numa encruzilhada. Segundo ele, a questão do tucano está em saber como desconstituir Dilma, sua adversária, sem atacar Lula, que voltou a bater recorde de popularidade. Missão impossível...

Paz nos números: os mineiros tinham razão

Hoje saiu a pesquisa Datafolha de maio. Se, em abril, os institutos mineiros Vox Populi e Sensus já sinalizavam um empate técnico, o Datafolha insistia numa vantagem de Serra sobre Dilma de 12 pontos. Isso deu margem a dizerem que os mineiros estavam errados, eram tendenciosos e etc. Nada disso: os mineiros é que tinham razão! Agora vem o Datafolha e diz que aqueles 12 pontos - frise-se: em um só mês - viraram pó. Só rindo...

Vejam nas ilustrações da Folha Online: o empate Serra Dilma, a queda da rejeição de Dilma e o aumento da do Serra, a virada de Dilma no segundo turno e a popularidade de Lula, com recorde atrás de recorde...



21 de mai de 2010

Menino - VIII

Tenho estado muito preocupado com meu filho. Procuro poupar minha esposa que já anda muito desolada pelo desaparecimento do pai. Mas ela é adulta e saberá superar toda essa tragédia. Já o meu filho é apenas um menino de 8 anos... E tudo o que anda acontecendo o desorientou completamente. No princípio, confesso que achei que toda essa história era uma armação dos dois, do avô e do neto. Que ele sabia bem aonde o avô estava. Olhava para ele, o via rindo e só fazia duvidar dele. Mas depois de tantos dias e nada do velho, vejo que não é bem isso. Começo a desconfiar que nem com ele o avô falava, seletivamente, como eu imaginava. Hoje, vou me convencendo de que tudo, tudo mesmo, mesmo no tempo em que o avô ainda estava na cadeira de rodas, foi uma invenção da cabecinha criativa dele. Não, não acho mais que com ele o avô falava; não, não acho mais que ele armou o sumiço com o avô; não, não acho mais nada disso. Começo a pensar que, pela paixão pelo avô, ele criou aquela relação estranha com aquele homem vegetativo numa cadeira, negando-se a aceitar aquela situação. Ele falava e ouvia o velho, por conta própria, porque não queria perder o avô. É isso... Tenho certeza que a história do chinelo na beira do rio, que ele veio me trazer, e as marcas da caminhada do avô até o rio, que ele me levou pra ver, foram feitas por ele. Só pode... Mas, pensando bem, não acho mais que foi uma trapaça arquitetada junto com o avô, mas apenas uma tentativa alucinada, dele mesmo, de justificar o sumiço do avô. Coitado... Acho que ele quer arranjar um final feliz pra uma vida que ia seguindo um caminho muito triste e que parece ter acabado de forma trágica. Ele não quer aceitar esse desígnio e resolveu criar um desfecho melhor para o velho. Isso anda me soando como uma forma de maluquice, mas uma maluquice das sérias. Será? Coitado... O avô pra ele era o mesmo que Deus...

19 de mai de 2010

1'20"

O Cruzeiro perdeu a classificação em casa. Todo mundo sabia que em SP seria uma pedreira. Mas podia ser uma pedreira na forma de um jogaço. Não foi. O juiz resolveu decidir a parada a favor do time do São Paulo aos 1'20". O resto foi consequência...

Menino - VII

As coisas não andam nada fácil por aqui. Tá todo mundo mudado. Meu avô ficava prostrado na cadeira dele, sonolento, calado e ninguém dava a menor pelota pra ele. Agora, depois que ele sumiu, até a cadeira de rodas dele virou santa. Fui brincar nela, outro dia, e saí dependurado pela orelha. - Menino, respeita seu avô!, gritou minha mãe. – Como assim?! Isto é apenas uma cadeira de rodas, mãe!, pensei, mas deixei pra lá. Mãe só chora. Deu de olhar pro telefone e ficar esperando não sei o quê. Meu pai olha pra mim e acha que fui eu quem fiz vô desaparecer. – Eu?!... Seu Zé acha que foi o capeta. A mulher dele acha que foi minha vó que ninguém nem nunca conheceu. A Maria, cozinheira, só se benze e diz: - Coitado, Deus o tenha. Tá todo mundo transtornado e ninguém ouve ninguém. Se me ouvissem teriam seguido o mesmo caminho de vô e visto que ele foi quase se arrastando até o rio: na poeira, ficaram lá os dois risquinhos sem fim dos chinelos e as bolinhas, uma depois de outra, da ponta da bengala dele. Quando eu mostrei para o meu pai, sabe o que ele me disse? Me xingou e disse que aquilo era coisa minha, que vô não andava... É que, ultimamente, todo mundo anda preferindo acreditar em coisas de outro mundo. Inventam cada história mais doida do que a outra. Já chamaram polícia, padre, benzedeira, mãe-de-santo... e nada! Estão todos cegos. Não querem enxergar que vô se cansou da vida ruim, ao nosso lado, e foi buscar uma vida mais calma na beira do rio. Só isso...

18 de mai de 2010

Pois é...

Se esse papo de palanque único para Dilma for pra valer, a coisa parece resolvida...

Pesquisa Vox Populi, divulgada hoje, mostrou Hélio Costa (PMDB) com 45%, Anastasia (PSDB) com 17, Vanessa Portugal  (PSTU) e João Batista (PSOL) com 2 e José Fernando com 1%.

Já no cenário com Pimentel, a pesquisa apontou vitória do petista também em primeiro turno, mas com uma margem de vantagem menor. Pimentel teria 35% dos votos contra 21 de Anastasia e 2 de Vanessa, João Batista e José Fernando.

O que impressiona é o nível de indecisão dos mineiros: votos brancos e nulos somaram 10% enquanto 27% dos entrevistados não souberam responder. Ou seja, os votos não válidos só andam perdendo para Hélio Costa...

Acordo nuclear Brasil-Irã só vale pela criação de confiança

Para tentar entender o que Lula foi fazer no Irã, sem ufanismos ou demonizações, vale a leitura do artigo de Clóvis Rossi que está no Folha Online com o título acima. Leiam aí:

"O acordo Brasil/Irã/Turquia não tem valor jurídico, não resolve o contencioso nuclear em torno do Irã, mas é um passo à frente, que pode ser importante na dependência dos próximos movimentos. Na verdade, o que se construiu na capital iraniana domingo e segunda-feira foi "um instrumento de criação de confiança", como diz o ministro Celso Amorim.

Instrumento que, por enquanto, tem apenas uma perna: a confiança que o Irã depositou em Brasil e Turquia. Falta que a comunidade internacional confie no Irã. Ontem, as respostas foram, no mínimo, céticas.

O Brasil apostou na reconstrução da confiança por um motivo simples: nas muitíssimas conversas que o chanceler Celso Amorim manteve nos últimos meses com autoridades de todos os países envolvidos no contencioso, ficou claro que se chegara ao ponto da paranoia de parte a parte.

Os iranianos diziam que não podiam entregar seu urânio pobremente enriquecido para outro país para depois receber de volta urânio enriquecido porque não pretendiam alienar propriedade nacional sem garantias de receber de volta o material já pronto para uso medicinal.

A solução que permitiu o acordo foi a de entregar urânio a um país amigo (no caso a Turquia), em vez de fazê-lo à França ou a Rússia, como foi originalmente proposto pela Agência Internacional de Energia Atômica. Mais: o urânio continuará de propriedade do Irã até que receba o material já enriquecido.

"Os iranianos perceberam que não estávamos lá [Brasil e Turquia] para satanizá-los", como diz Marco Aurélio Garcia, o assessor diplomático do presidente Lula.

Amorim vê na libertação da francesa Clotilde Reiss, no mesmo dia em que se fazia o acordo, um sinal adicional de que a "criação de confiança" está se fazendo concretamente. Só o tempo dirá se é assim mesmo ou se Clotilde foi liberada em troca da soltura pela França de Ali Vakili Rad, ex-agente secreto iraniano condenado por assassinato em 1991. Rad foi libertado ontem.

Agora, o governo brasileiro vai se dedicar intensamente à construção da outra perna do processo: convencer os países ocidentais a pelo menos refletir sobre o acordo, em vez de manter a urgência em aprovar sanções. Não será fácil, mas é indispensável: "Os dois lados têm que dialogar de boa-fé", como diz Amorim.

Para a diplomacia brasileira, o problema iraniano vai muito além do próprio país. Diz respeito a todo o chamado Oriente Médio ampliado. Sem que haja um mínimo de confiança (mais que isso é pedir demasiado) entre o Irã e as potências ocidentais, todo o quebra-cabeças do Oriente Médio é insolúvel. Mesmo que a construção da confiança não termine, para a diplomacia brasileira e para o presidente Lula foi um inegável êxito.

O chanceler francês, Bernard Kouchner, elogiou a movimentação brasileira, embora se negasse ontem a comentar o pacote, alegando falta de informações. O presidente russo, Dmitri Medvedev, considerou "uma vitória pessoal" do presidente brasileiro o acordo de Teerã (Lula gentilmente retribuiu dizendo que usara muitos dos argumentos ouvidos do russo nas suas conversas com os iranianos). Até a Casa Branca, a mais desconfiada, reconheceu "os esforços desenvolvidos por Brasil e Turquia".

Mesmo os mais céticos e críticos em relação ao Irã não condenaram a atuação turco-brasileira. Tanto que o Brasil já está se candidatando a ser parte na nova fase de negociação para tentar levar adiante o processo de construção de confiança".

Sensus confirma Vox

O Instituto Sensus já havia enxergado, na última pesquisa, um empate técnico entre Dilma e Serra, com 0,3 pontos pró-Serra. Nesta nova rodada, essa diferença se inverteu indo a 2,5% pró-Dilma. O Sensus confirmou dois resultados que já haviam sido divulgados pela Vox, no final de semana: a tomada da dianteira pela candidata do PT tanto no primeiro, quanto no segundo turno. Leiam trecho da matéria do EM, de hoje:

"A pesquisa CNT/Sensus, realizada junto a 2000 eleitores em 136 municípios de 24 estados e divulgada ontem, aponta Dilma Rousseff com 35,7% das intenções de voto e José Serra, pré-candidato do PSDB, com 33,2% dos votos. Ambos estão em situação de empate técnico. Marina Silva, do PV, tem 7,3% das preferências, José Maria Eymael, do PSC, 1,1% e Américo Souza (PSL), 1%. Os outros seis pré-candidatos receberam menos de 1%.

No cenário de intenção de voto estimulado em que foram avaliadas apenas as candidaturas de Dilma, Serra e Marina, Serra foi preferido por 37,8% e Dilma por 37%, portanto, ambos mantêm a situação de empate técnico. Marina Silva obteve 8% das intenções de voto. A petista apresentou, de janeiro para cá, um crescimento de 8,5 pontos percentuais, acima da margem de erro de 2,2 pontos percentuais. Ao mesmo tempo, Serra e Marina oscilaram negativamente dentro da margem de erro, respectivamente 2,9 pontos percentuais e 1,5 ponto percentual. Na simulação de segundo turno, Dilma tem 41,8% das intenções de voto contra 40,5% do ex-governador tucano. Na pesquisa de janeiro, Serra estava na frente com 44% e Dilma recebeu 37,1% das preferências".

Bom lembrar: os dois institutos mineiros já vinham apresentando, desde a rodada de pesquisas do mês passado, os resultados, relativamente, mais favoráveis ao PT e mais desfavoráveis aos tucanos. Agora, é aguardar os resultados do IBOPE e do Datafolha pra ver se haverá alguma convergência ou se eles reeditarão a mesma guerra de números do mês de abril...

17 de mai de 2010

Viagem pela arte

Cliquem na imagem acima e façam uma fantástica viagem pelo mundo da arte. Visitem, por exemplo, a página 'Le Musée, La Collection' do Centre Pompidou. Muito bacana.

16 de mai de 2010

Das malas, a menor

Eu estava lá. Mineirão, portão 2, bem atrás do banco do Cruzeiro. E bem em frente à falta desastrosa de Leonardo Silva, que tirou o Cruzeiro de campo por meio tempo; e bem em frente às redes que balançaram uma e duas vezes para o Avaí... Inacreditável. Como observou o Pablo, a seleção celeste estava numa noite alvinegra. Mas veio o segundo tempo, o time voltou ao gramado e a verdade se restabeleceu. De novo, bem nas redes à nossa frente: Wellington Paulista foi lá aos 7 e voltou aos 16'. E o juiz ainda anulou - está virando moda! - o gol legítimo da virada (Henrique). Pois é, Flávia, parecia um sonho atleticano, mas o time azul acordou a tempo. Ufa!

Mônaco - domingo

Mônaco como Mônaco. Você passa duas horas reparando em prédios, piscinas, cassinos e torcendo por um acidentezinho para animar a manhã de domingo. Sempre acontece algum. Já ultrapassagens, nunca! Ou quase nunca. Ou seja, nada de novo no Principado.

Kubica prometeu, mas não cumpriu. Perdeu a posição na largada e ficou por isso mesmo. Massa, também, como largou, chegou. Já os carros da Red Bull, mais uma vez, mostraram a que vieram. Dentro de um deles, Webber vai tirando o favoritismo de Vettel, dentro do outro.

Alonso, que largou dos boxes, foi a surpresa do dia. Aproveitou-se do primeiro safety car, mudou a estratégia e conseguiu, fácil, fácil, entrar na zona de pontuação. Ele foi a surpresa também pela ultrapassagem que tomou de Schumacher. Alonso gosta de ser o espertinho da categoria. Outro dia, conseguiu uma ultrapassagem sobre Massa, na entrada dos boxes, pra lá de discutível. Hoje foi sua vez de virar caça. Pena que não valeu. Não valeu a ultrapassagem, mas valeu o vexame...

15 de mai de 2010

VOX: Dilma passa Serra no 1º e no 2º turno

O Portal UAI [cliquem aqui para lerem a matéria na íntegra] divulgou, neste sábado, pesquisa do Instituto Vox Populi que põe Dilma na frente de Serra, tanto no primeiro, quanto no segundo turno. Aecista e tucano, o UAI insiste em falar em campanha equilibrada e parelha. Mas é bom lembrar que na pesquisa anterior, em abril, da mesma Vox, Serra é quem tinha a dianteira de 3 pontos. Uma mudança de 6 pontos não representa, exatamente, uma situação de equilíbrio, não é mesmo?! Segue a transcrição de um trecho da matéria:

"Números divulgados neste sábado pelo instituto Vox Populi revelam que a campanha presidencial se mantém equilibrada. Na pesquisa estimulada, na qual a lista de candidatos é apresentada aos eleitores, Dilma Rousseff (PT) aparece com 38% das intenções de votos, contra 35% de José Serra (PSDB). A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos. Portanto, PT e PSDB aparecem tecnicamente empatados.

A terceira colocada, Marina Silva (PV), tem a preferência de 7% dos eleitores. Os votos brancos e nulos somam 8% e 14% não responderam ou não souberam responder.

Petistas e tucanos também estão parelhos num eventual segundo turno. A pesquisa revela que 40% dos eleitores preferem Dilma e 38% ficariam com Serra. A margem de erro coloca os dois pré-candidatos em empate técnico. Os votos nulos e brancos somariam 9%. Outros 13% de eleitores não responderam ou não souberam responder".

[Cliquem aqui para lerem a mesma notícia no blog do Josias de Souza, no UOL].

Luxa, o imprudente

Putz! Agora é a vez de Luxemburgo explicar... A pantera cor-de-rosa, com o time completo, perdeu de 4 para o Grêmio Prudente?! Incrível... E com o placar construído apenas no primeiro tempo? Ou seja, uma goleada em 45 minutos? Não creio; parece sonho... Flávia, Paulinho, Amaro, Enio..., me digam: é verdade? Sério?!

Os mercados, sempre...

Ao comentar a demora da União Européia para sair em socorro da Grécia, Aubry [Martine Aubry, secretária-geral do Partido Socialista Francês] disse: "Para salvar os povos, como no caso grego, ninguém é capaz de pôr-se de acordo. Só quando correm perigo as bolsas e os mercados".

[Aqueles olhos azuis atacam de novo, Clóvis Rossi - FSP, 15/05/10]

Manhã de sábado com Bosi


O professor Alfredo Bosi vai lançar novo livro, esta semana: Ideologia e Contraideologia (Companhia das Letras, 424 págs., R$ 58). Ele está no caderno Sabático do Estadão de hoje. Recomendo [cliquem aqui] aos amigos deste blog que leiam a entrevista que ele concedeu a Antonio Gonçalves Filho. Aqui e ali, tem muito a ver com os debates que gostamos de fazer neste espaço.

Mônaco - sábado


Kubica foi o destaque da pré-corrida. Andou muito nos treinos e na classificação.

Mônaco não perdoa: qualquer erro é fatal. Alonso errou, bateu, danificou o chassis, ficou de fora da classificação e vai largar dos boxes. Logo em Mônaco que não é lugar para se pensar em corrida de recuperação...

Pole, nesse circuito, é meia vitória. E Webber cravou. A Red Bull que não vinha fazendo lá grandes coisas; no final, abocanhou o 1º e o 3º lugares. 100% na temporada. A propósito, pouco a pouco, a maturidade de Webber vai vencendo o arroubo de Vettel.

Massa mostrou os dentes, mas na hora 'h', não mordeu. Vai largar bem atrás de Kubica, na segunda fila, em 4º.

2ª Semana de Museus

[Cliquem aqui e acessem a página da Prefeitura de Sete Lagoas]

13 de mai de 2010

Ajuda aí, Adilson!

Como explicar a entrada do talentoso Guerrón? Como explicar a permanência em campo da turma que tentava, tentava e não ajudava em nada como Marquinhos Paraná, Fabrício e o nosso homem da seleção, o Gilberto? É aquela história: se o time vai mal no primeiro tempo, só rezando; porque o Adilson volta do vestiário, sempre, mais perdido do que os jogadores. Não deu outra...

O Morumbi não fica no fim do mundo, mas fazer um 3 a 1 fora de casa é coisa de outro mundo... Pelo jeito, lá se foi a Libertadores. Oh Deus, oh céus, Omar.

12 de mai de 2010

Para os sujeitos pós-partido: webcidadania

Acompanhem esse assunto pelo Estadão:

Começa hoje, a série que o Link promove na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista. Além do debate sobre a política 2.0 no primeiro dia, as mesas tratarão ainda sobre sobre empreendedorismo em tecnologia (na quinta-feira, 14) e o livro na era digital (sexta-feira, 15). As atividades começam sempre 12h30 e os debates poderão ser acompanhados via Twitter através da hashtag #estadaonacultura.

Na estreia do projeto, o editor-chefe de conteúdos digitais do Grupo Estado Pedro Doria, discutirá iniciativas de webcidadania com Rodrigo Bandeira, criador do site Cidade Democrática [Cliquem na figura abaixo para acessarem], e com o analista de mídias sociais Pedro Markun, um dos criadores do Transparência Hack Day.

Lançado em outubro de 2009, o Cidade Democrática “é um espaço em que questões públicas são enunciadas, apoiadas e resolvidas, além de organizar as informações para possibilitar a qualquer um saber o que está acontecendo em cada cidade, estado ou bairro com relação aos mais diversos temas”, como diz seu criador, em entrevista ao Link.


[Cliquem aqui para lerem a matéria na íntegra]

11 de mai de 2010

'Sobre os que mamam'

Por Paulinho do Boi

Menino - VI

Quando eu conheci o patrão, ele me fez uma desfeita que eu, até hoje, não gosto nem de lembrar. Uma história de uns passarinhos. Coisa de gente ruim. Durante muito tempo, eu via ele e pensava: oh velho desgraçado de ruim! E vou falar uma coisa: mas eu gastei foi muito tempo mesmo dessa minha vida pensando numa vingança. Mas aí fui me entretendo com ele, passei a achar que ele era um velho meio ruim, depois nem tanto, até ver que era um velho de um tipo que não existe. Veja bem, a coisa que eu mais gosto nesse mundo é de passarinho; e não é que ele gostava mais. Eu nem tinha ouvido ainda um pio; ele já dizia: - os assanhaços estão de volta. Lá no alto da beira do rio, numa distância que eu duvido que ele via, ele dizia: - os manuelzinhos da croa estão inquietos na beira d’água. Era chegar perto: e eles lá! Premonição. De onde já se viu velho fazendeiro gostar de passarinho desse tanto?! Com a criação, que nem. Quando inventaram de confinar gado leiteiro, todo mundo confinou. Aquela coisa de trato e mais trato e nada de pasto. Ele não. O genro dele veio dizer pra ele que era bom, que era tecnologia, o céu na terra. Quase chamou o velho de cabeça dura. Mas antes, ele atalhou: - não é que eu sou burro, meu genro; eu tenho é dó. Viver presa?... E ninguém nunca mais ficou inventando moda perto dele. Nem o genro, que, inclusive, anda manso com as vacas mesmo depois que o velho sumiu. Acho que é por gratidão. Deus me perdoe falar dos outros, mas motivo de gratidão não falta: faz anos que ele está aí, tranqüilo, bonachão, comida na mesa, roupa lavada, servicinho leve... Já cheguei até a pensar que talvez seja gratidão demais. Sei não... Gratidão demais é que nem milagre: milagre quando é muito a gente desconfia do santo. Pois é... Será que foi ele que sumiu com o velho? Sei não... Deus me perdoe falar dos outros...

Menino - V

Eu vejo sua cadeira de rodas com a manta xadrez dobrada e choro. Tenho chorado muito. Compulsivamente, mesmo. Papai não teria como ter saído dali sozinho. Era um vivo-morto. Olho e me pergunto: - quem pode ter feito tamanha maldade com um velho doente, meu Deus? Já fiz novenas, não paro de rezar o terço, padrenossos e avemarias em série. Não sei mais a quem recorrer. Os vaqueiros da fazenda já vasculharam palmo por palmo de terra. Nada! A polícia entrou e saiu do caso. Nada! Quando falo que a polícia foi indolente, ainda sou obrigada a ouvir provocações do meu filho: - mãe, a senhora queria que a polícia prendesse o rio? Ai, meu Deus! Pior é que, no fundo, tenho um sentimento de culpa danado por ele. Mamãe morreu cedo e ele foi pai e mãe pra mim. E eu passei a vida lhe obrigando a atender aos meus caprichos. Pobre coitado! Quando queria uma boneca, chorava e embirrava, e lá vinha ele, tarde da noite, cansado, com uma feita de palha de milho, coisa lá da cabeça dele. Linda! Quando queria uma casinha, chorava e embirrava, e lá vinha ele, sujo da roça, com uma casa imaginária com móveis feitos de sabugo, manga verde, tocos miúdos e sei lá mais o quê. Linda! Foi assim: ele sempre alegre me iludindo com as suas invenções. Mas ando pensando muito, esses dias, que era uma alegria de esconder tristeza. Isso agora não me sai da cabeça. Será? Seu jeito afetuoso, manso era apenas para repor o ar que a tristeza lhe tirava? Isso está me corroendo. Olho para sua cadeira de rodas com a manta xadrez dobrada e choro, choro. Será que foi um seqüestro? Olho com expectativa pro telefone. Bem que podia...

Chama os caras, Dunga


Dunga, o zangado, que acha que a seleção é só dele, não vai, com certeza, surpreender ninguém com a sua convocação, logo mais, na hora do almoço. Ganso e Neymar, os queridos do Brasil, por certo, vão passar longe...

[PS: Dito e feito. Nenhuma surpresa! Dunga se manteve fiel ao coletivo que ele formou. Não cabem inovações].

10 de mai de 2010

Começando com o pé direito

A lógica do Brasileirão é assegurar os pontos dentro de casa e se esforçar para perder o mínimo possível nos jogos fora. Nesse caso, a primeira rodada da série A foi boa para os mineiros. O Atlético fez a obrigação: bateu o Vasco no Mineirão. Mas o Cruzeiro fez mais do que a obrigação: venceu o Internacional, em Porto Alegre. E não tem desculpa esfarrapada. Se o colorado jogou com reservas, a seleção celeste foi a campo com um mistão. A questão é que nós temos Kléber e Kléber fez a diferença.


Já na categoria inferior, as coisas não foram tão tranquilas assim: o América empatou em casa e o Ipatinga tomou uma pancada no Paraná. O diabo do Tigre só joga bem contra o Cruzeiro. Impressionante!

9 de mai de 2010

Fantástico: Urban Sketchers

O Estadão Online trouxe, em sua edição de hoje, uma mega dica: o site Urban Sketchers. São 100 desenhistas de trinta países que compartilham em um mesmo site suas impressões sobre suas cidades. É maravilhoso!


Um trecho da matéria:

Idealizado em 2007 pelo jornalista e ilustrador espanhol Gabriel Campanario, que trabalha no jornal americano The Seattle Times, o Urban começou como um grupo de uma rede de compartilhamento (www.flickr.com/groups/urbansketches). Hoje, 2,8 mil membros são cadastrados no endereço.

Após um ano, a ideia cresceu e ganhou um site. No começo, com apenas trinta correspondentes, principalmente dos Estados Unidos e de países europeus. Agora, está no seu limite de colaboradores: 100, de todos os continentes (menos da Antártida, claro), de quase 70 cidades e cerca de 30 países.

Há gente de Nova York, de Sydney, de Moscou. Mas a equipe também conta com desenhistas de lugares menos conhecidos, como um de Nuakchott, em Mauritânia, na África.

Missão. "Mostramos como é a vida de um garoto africano, a arquitetura dos prédios de Nova York, uma favela em São Paulo", conta o fundador, Campanario. "Tudo pelos olhos de artistas que moram nessas cidades e criam retratos muito pessoais. Uma visão diferente da de um turista e de uma forma única, que não pode ser reproduzida, como acontece com fotos".


Série 'política sem grandeza'

O lançamento da pré-candidatura de Alckmin ao governo de São Paulo deu o tom da campanha tucana: programa de governo zero; ataques ao PT, dez. A cobertura da FSP, o mais alckmista dos jornais, foi emblemática: não mencionou uma única vez o que leva o PSDB a querer continuar no governo paulista, mas, de cabo a rabo, não esqueceu o PT. Confiram a manchete ('Lançamento de Alckmin vira palco de ataques a Dilma') e as cinco frases em destaque (uma que não dizia nada e quatro que detonavam o adversário: 1 - 'não demonizamos a oposição. Não praticamos a truculência. Não organizamos dossiês'; 2 - 'ou ganhamos ou sabe-se lá, meu Deus, o que teremos pela frente [...] com esse passado tão cheio de compromisso com o que há de pior'; 3 - 'Não se pode colocar na presidência da República uma pessoa sem as razoáveis condições e que não tem experiência'; e 4 - 'Com Serra, poremos fim ao ciclo de governo do PT'.

O encontro e sua cobertura só atestaram a absoluta falta de discurso do PSDB...

Tédio

A volta da F1 à Europa, com o GP catalão da Espanha, foi o retorno do tédio às corridas. Ressalvadas a maestria de Schumacher em segurar Button e a roda furada que roubou o segundo lugar de Hamilton, a duas voltas da bandeirada, o GP foi tão animado quanto a missa de D. Serafim nas manhãs de domingo da TV Globo. Sem comentários.

Imprensa marrom

Marcos Coimbra, que não é petista, fez uma análise precisa da imprensa anti-lulista em sua coluna no EM de hoje. Leiam o trecho final:

[...]

Uma parte relevante da mídia brasileira compartilha esses sentimentos. Na verdade, em algumas redações, estão muitas das pessoas mais extremadas nessa mistura de desaprovação ao lulismo e indignação frente à hipótese de Dilma vencer.

Nenhum problema nisso. Afinal, editorialistas, colunistas e repórteres são também filhos de Deus, e possuem as mesmas prerrogativas das pessoas comuns. Têm todo direito de não gostar do que não gostam.

O que é discutível é permitir que suas preferências interfiram em seu trabalho a ponto de comprometê-lo. Por exemplo, deixando-se levar por elas na hora de informar a opinião pública sobre o que está acontecendo na eleição.

Um tom de indisfarçável torcida marcou o noticiário de abril. Quem leu o que vários órgãos da chamada grande imprensa publicaram só ficou sabendo dos “erros de Dilma” e os “acertos de Serra”, os primeiros provocando o “desespero” de Lula e abalos na coligação governista, os segundos gerando empatia na sociedade e novas alianças políticas. Foi informado de que o saldo disso seriam “novas pesquisas”, que mostrariam o avanço de Serra.

Pode ser que venham, mas ainda não chegaram. O que todas as conhecidas apontam é para um cenário de estabilidade: quando se comparam os resultados do final de março, antes da desincompatibilização, com os do final de abril, nada mudou. No Datafolha, a distância entre Serra e Dilma aumentou um ponto, no Ibope, dois. Ou seja, ficou igual. É o mesmo que indicam outros levantamentos, ainda não publicados. A marola do noticiário não parece ter alcançado, pelo menos por enquanto, a imensa maioria do eleitorado. E será que vai tocá-la nos próximos meses?

Torcer é bom e faz parte da política. Querer que seu candidato vença e os outros percam é um sentimento natural. Mas torcer não rima com informar.

8 de mai de 2010

Menino - IV

Meu patrão era um velho filhadaputa. Quando viemos pra cá, ele quase matou meu Zé do coração. Zé sempre gostou de mim. Mas ele nunca mentiu: sempre disse que mais do que eu, pra ele era os passarinhos. Zé tinha de todos em gaiolas: curiós, chapinhas, pássaros pretos, sabiás, azulões, tudo. Meu patrão nem nos esperou mudar. Chamou Zé e disse: - Seu Zé, nós temos uma coisa em comum: nós dois adoramos passarinho. Mas nós temos uma desavença: você gosta dos bichos em gaiolas miúdas, eu gosto em viveiros grandes. E nem deu um prazo de prosa pro Zé dizer ‘pois é’ e deu ordem: - Zé, ponha seus bichos no meu viveiro. Disse doce, meigo, sem maldade. E Zé, tolo, confiante demais, disse: - claro! Zé custou um mundo de tempo pra entender que o viveiro dele era a fazenda toda. E Zé teve que soltar bicho por bicho. Chorou sem lágrima um a um, deu adeus um a um. De noite, achei que Zé ia morrer ou matar o velho. Só blasfemava: - velho, filhadaputa, corno, filhadaputa. De manhã, meu patrão apareceu com um tabuleiro espetado na ponta de um pau, com um telhadinho por cima para por comida de passarinho. Zé não disse um a. Com o tempo Zé desemburrou e aprendeu a lidar com o velho. O velho gostava mais de bicho do que Zé e Zé não esperava por isso. No final, depois de tantos anos, os dois enlouqueceram juntos: conversavam com as vacas, acarinhavam cada uma, acho até que desabafavam com elas seus problemas. Quando o velho entrevou, Zé disse: - Deus não presta! Eu pensei diferente. Já vi muita gente entrevando. Gente quando entreva, entreva tudo, menos o olho. O olho fica boiando. Mas o meu patrão entrevou todo. Nunca vi assim. Até o olho adentrou. Eu vi que era coisa dele próprio. Era saudade da esposa. Ele entrevou a própria alma. Quando ele sumiu da cadeira, Zé disse: - isso é coisa do demo. Eu pensei diferente. Essa história do rio é invenção do neto. Foi a dona dele que levou ele. Ela também estava com saudade. Quem não teria de um velho daquele?...

Menino - III

Meu sogro era um velho filhodaputa. Sempre foi um fazendeiro respeitado, mas excêntrico. Eu nasci em fazenda, cresci num curral e sabia tudo sobre roça até começar a freqüentar sua casa. Já era viúvo e solitário. Eu tive que esquecer tudo que sabia pra lidar com ele. Falava de vacas como se fossem mulheres. Eu gostava das vacas de úbere grande; ele dizia que eram muito masculinas, que preferia vacas mais femininas. Eu gostava de vacas dóceis, ele preferia as tristes. Eu quis trazer toda tecnologia para ajudar no manejo do gado, mas me deparei com problemas básicos: ele não aceitava brincar, numerar ou marcar suas vacas. – É muita ignorância, dizia. – As coitadas têm nomes, justificava. Era um homem doce, gentil. Não era de dar conselho, não era de ensinar nada de nada. Ao cair da tarde, na varanda, se tivesse sorte, no máximo, você ouviria um caso antigo muito particular ou um comentário sobre um passarinho novo no jardim ou um lamento pelo mugido muito triste de uma vaca, longe no pasto [- Predileta está agoniada hoje!, explicaria ele também agoniado]. A fama de excêntrico era pelo fato de gostar de livros, não sei. Fazendeiros não gostam de livros. Ou de gostar de estar sempre só. Sempre só, banho tomado, com um livro velho nas mãos, na varanda, ao cair da tarde. Isso era ele, até que desistiu de viver e foi parar numa cadeira de rodas. Os médicos alegaram várias doenças: AVC, isquemias, essas coisas. Certo é que nunca mais andou, nunca mais falou. Eu sempre duvidei. Sempre achei que não vivia um estado vegetativo, mas um estado seletivo. Embora meu filho negue, tenho certeza que com ele, o avô conversava. A doença mudou tudo em casa, menos a relação apaixonada deles dois: avô e neto. Seguiram como se não houvesse doença. Muito estranho... Daí porque não me assustei quando meu filho me chegou com os chinelos sujos do avô. Vi logo que era uma trapaça dos dois. Até hoje, meu filho não derramou uma só lágrima pela perda de quem ele mais amava; ele só ri. Tenho certeza que ele sabe onde o velho está...

Menino - II

Eu acordei com a casa em polvorosa. Uns entravam, outros saiam. Uns perguntavam: - e então, alguma novidade?; outros respondiam decepcionados: - não, nenhuma. Minha mãe repetia: - não consigo entender como isso aconteceu; meu pai, num entra e sai, dizia: - calma, ele não pode estar longe... Eu perguntava: - que que foi, gente?; mas ninguém me dava atenção. Eu custei a entender que meu avô tinha sumido. Só me dei conta que esse era o motivo do transtorno quando vi sua cadeira de rodas vazia e a enfermeira em estado de choque dizendo sem parar: - eu o deixei dormindo e fui à cozinha preparar seu almoço como todo dia, como todo dia, como todo dia... Eu sai correndo pela varanda, rapidamente transpus o gramado, quase voando adentrei pelo pasto em direção ao rio. Sozinho. Na minha cabeça ecoava a voz do meu avô: - neto, manhã dessas, vou tomar um banho de rio. Quer ir comigo? Ou então: - neto, essa casa tem barulho demais, manhã dessas vou buscar um pouco de silêncio na beira do rio. Ele falava muito baixinho, baixinho e devagar quase dormindo, com a boca murcha. Era quase para não se ouvir. Ou era para só eu ouvir. E eu ria muito. E ele que parecia sempre muito ausente parecia gostar de meu riso. Mas não demonstrava. Com a voz do meu avô picando na minha cabeça, eu segui pela cerca, cheguei na beira alta do rio e desci até a prainha. Dito e feito. Estavam lá os chinelos do meu avô na beirinha d’água, bem na beirinha. Eu peguei e tive convicção: o danado do meu avô foi caminhando! E pelo mesmo caminho meu: seus chinelos estavam tão sujos de poeira e de lama do atoleiro de vacas quanto os meus. Igualzinho. Levei os chinelos e mostrei meu pai. Os empregados da fazenda fizeram um mutirão rio abaixo e só encontraram a bengala do meu avô. Ele mesmo que era bom, nada! Nunca mais. Minha mãe chora muito quando vê a cadeira de rodas vazia com sua manta dobrada. Eu tento chorar mas não consigo. Me dá uma vontade de rir sem fim...

Espanha


De novo elas, as Red Bull. Massa teve um discreto fim de semana e um discretíssimo lugar no grid. Pra variar, atrás de Alonso, que corre em casa. Rubinho foi pra lá de ruim. O destaque individual foi Schumacher que larga, pela primeira vez, na frente de seu companheiro de Mercedes. Confiram o grid:

1º - Mark Webber (AUS) Red Bull-Renault - 1min19s995
2º - Sebastian Vettel (ALE) Red Bull-Renault - 1min20s101
3º - Lewis Hamilton (ING) McLaren-Mercedes - 1min20s829
4º - Fernando Alonso (ESP) Ferrari - 1min20s937
5º - Jenson Button (ING) McLaren-Mercedes - 1min20s991
6º - Michael Schumacher (ALE) Mercedes - 1min21s294
7º - Robert Kubica (POL) Renault - 1min21s353
8º - Nico Rosberg (ALE) Mercedes - 1min21s408
9º - Felipe Massa (BRA) Ferrari - 1min21s585
10º - Kamui Kobayashi (JAP) Sauber-Ferrari - 1min21s984
11º - Adrian Sutil (ALE) Force India-Mercedes - 1min21s985
12º - Pedro de la Rosa (ESP) Sauber-Ferrari - 1min22s086
13º - Nico Hulkenberg (ALE) Williams-Cosworth - 1min22s131
14º - Sebastien Buemi (SUI) Toro Rosso-Ferrari - 1min22s191
15º - Jaime Alguersuari (ESP) Toro Rosso-Ferrari - 1min22s207
16º - Vitantonio Liuzzi (ITA) Force India-Mercedes - 1min22s854
17º - Rubens Barrichello (BRA) Williams-Cosworth - 1min23s125
18º - Jarno Trulli (ITA) Lotus-Cosworth - 1min24s674
19º - Vitaly Petrov (RUS) Renault - 1min22s139*
20º - Heikki Kovalainen (FIN) Lotus-Cosworth - 1min24s748
21º - Karun Chandhok (IND) Hispania-Cosworth - 1min26s750
22º - Bruno Senna (BRA) Hispania-Cosworth - 1min27s122
23º - Timo Glock (ALE) Virgin-Cosworth - 1min25s475*
24º - Lucas di Grassi (BRA) Virgin-Cosworth - 1min25s556*