21 de abr de 2010

Brasília, 50


Com o passar dos dias, Brasília vai se tornando uma cidade qualquer. Da imponência da esplanada, você vê emergir rachaduras, caminhos de pedestres sobre a grama, paredes sujas, passeios quebrados, sinais inequívocos da idade. Brasília envelhece. Ao envelhecer, ganha vida: entre os ministérios, você passa a enxergar a banca, a pastelaria, os camelôs. Entre as superquadras, bares, salões de cabeleireiros, loterias. Gente, muita gente. Tudo normal. Aqui como ali. Os palácios perdem sua estatura, sua grandeza e vão se mostrando também precários, temporais. Sobre essa cidade dos homens, apenas a catedral e os céus de Brasília, impassíveis, preservam sinais de uma obra serenamente eterna.

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