29 de abr de 2010

Dá-lhe Thiago!


Thiago, Thiago, Thiago, três vezes Thiago! Vocês não vão acreditar, mas eu perdi o primeiro tempo do jogo. Pelos melhores momentos, vi que só deu Cruzeiro. No segundo, o Nacional corrigiu sua defesa e durante 15' conseguiu segurar a seleção celeste. O Cruzeiro pagou um custo de adaptação e tomou um gol antes de retomar o domínio da partida. Daí em diante, pressão total e boas oportunidades com baixíssimo risco. 3 a 1 foi um resultado e tanto: calou a boca do técnico uruguaio Eduardo Acevedo e deu vantagem à Raposa de jogar pelo empate ou por uma derrota simples em Montevidéo.

Miserável!


Sou cruzeirense, vivo secando o Atlético, tenho tido 99% de sucesso nessa empreitada, mas, infelizmente, sou obrigado a dizer que não sou cego e a confessar que, ontem, ao me dedicar, com toda fé, todas as figas e todos os amuletos, a mais uma vez imobilizar a pantera cor-de-rosa, eu fracassei. É verdade: fracassei! E tive que engolir: foi um jogaço!

E pior: o Galo jogou um bolão. Dono do campo, bem postado na defesa e com contra-ataques rápidos e objetivos, foi melhor que o Santos. Miserável!... O outro time, o da Vila Belmiro teve apenas duas virtudes: uma, a belíssima triangulação de passes na entrada da área adversária [nesse caso, vamos combinar: é o futebol mais bonito que anda tendo em todo o país...]; e, outra, a competência pra fazer dois gols e não deixar o Atlético dilatar o placar.

Por respeito aos amigos atleticanos, eu sei que, hoje, vocês não merecem provocações. Então, não vou provocar, mas apenas emitir uma opinião sincera: apesar do bolão de ontem, acho que o placar não foi suficiente. Tomar dois gols em casa na Copa do Brasil é fatal. O Santos vai receber o Galo em casa dependendo de uma vitória simples. Na Vila, não é difícil...

Patrus

Desde que o PT não me peça para estar onde minha consciência não me permite estar, eu estarei com o PT. Domingo teremos prévia. Se as prévias do PT forem respeitadas, eu estarei com quem elas elegerem: Patrus ou Pimentel.


Mas devo dizer que torço muito pelo Patrus. Todo mundo sabe disso. Minha amizade por Patrus e Verinha, sua esposa, vem de 1983. Lá se vão, portanto, mais de 25 anos. Mas ainda que minhas razões apoiem-se nessa amizade de longa estrada, elas a transcendem. Não vou aqui descrever a mais que conhecida trajetória de Patrus. [Pimentel também tem uma trajetória política elogiável]. Minhas razões para estar com ele transcendem também essa trajetória. Minhas razões residem, sobretudo e especialmente, na pessoa de Patrus. Eu não conheço ninguém tão absolutamente desapegado a bens materiais e tão profundamente apegado aos seus ideais e ao seu compromisso com os pobres. Questão de caráter. Num mundo político tão marcado por um vale-tudo que torna todos iguais, Patrus destoa...

Sábado: Festa da Santa Cruz e de Santa Helena

 [Quim Drummond]

28 de abr de 2010

Cegueira

No post ‘Miopia’, eu disse o seguinte: “Embora todos digam que política é como nuvem, todos a analisam como se fosse, no momento, tão fugaz como um bloco de granito”. Quero insistir nisso: não tenho lido em nenhum jornal, nenhum analista que nos ajude a entender o processo político eleitoral não como a descrição óbvia de uma foto estática – que não precisa ser descrita porque já está na cara -, mas como a narrativa de uma trajetória em curso, parte conhecida, parte projetada.

A análise política de todos os entendidos no assunto tem formado um pensamento único estroboscópico: todos enxergam apenas a mesma cena, por flashes. O que eles vêem qualquer um consegue ver. Totalmente sem graça.

A descrição oficial do processo
A dupla Dilma e Lula foi ao ataque sozinha, antes mesmo do juiz apitar o início da partida. Não tinha ninguém lá e estavam ganhando por WO. Só dava a dupla nas fotos. Unanimidade: vitória certa da Dilma. Assustados, os jornalistas e os torcedores do Serra, não entenderam nada e passaram a chamá-lo de burro. De repente, não mais que de repente, o burro entrou em campo e virou Pelé. Todos os holofotes voltaram-se para ele. Agora, todo mundo diz que ele é um gênio e só vê ‘tropeços na campanha da pré-candidata Dilma Rousseff’, exatamente, como escreveu o Estadão na matéria do post abaixo. Nova unanimidade: vitória certa de Serra. E vejam que o juiz ainda nem apitou.

Outra descrição possível
A dupla Lula e Dilma sabia que precisava se antecipar e se antecipou. Serra sabia que precisa adiar o início da partida e ficou no vestiário quieto. A torcida Dilma ficou enlouquecida enquanto ela fazia suas piruetas. A torcida Serra desesperou. Na undécima hora, Serra entrou em campo. As duas torcidas entenderam que não era um jogo já ganho ou já perdido. Serra conseguiu, com sua estratégia, retardar eventual queda nas pesquisas. Queda nas pesquisas para quem sai na liderança acontece por gravidade e ele sabia bem disso. Subir em pesquisa é um calvário, Dilma sabia disso, fez o que tinha que fazer e conseguiu sair do patamar da irrelevância para outro de alta competitividade. A questão está posta: têm-se, agora, dois times fortíssimos em campo. Serra tem a vantagem da liderança e a desvantagem de ter menor espaço de crescimento por já ser muito conhecido; Dilma tem a desvantagem de alguns pontos, mas maior espaço potencial de crescimento. No momento, só se fala em Serra porque ele acabou de entrar em campo e é a novidade esperada; está com uniforme novo, faz embaixadinhas no centro do gramado, se exibe, aproveitando que todos os holofotes estão voltados pra ele. Óbvio e natural. Mas tudo passa. Já, já todo mundo é obrigado a ir pra beira do campo porque a partida precisa começar. Daí pra frente é que as apostas passam a valer. Clássico é clássico, melhor não dar vitória antecipada pra ninguém...

Série ‘política sem grandeza’

O PP é um partido pragmático. Mais do que pragmático. Depois de anos como integrante do governo Lula, com ministério e tudo, prepara-se, agora, para continuar governo, qualquer que seja o próximo governo. Ao dizer não para os dois candidatos presidenciais fica bem com ambos. Chamam a isso de neutralidade. Antigamente, era oportunismo. Vejam o Estadão de hoje:

Além dos tropeços na campanha da pré-candidata Dilma Rousseff (PT), o governo federal deverá amargar a declaração de independência do PP na sucessão presidencial. Alvo do assédio da oposição, que deseja seu apoio para a candidatura do tucano José Serra, a Executiva do PP se reúne hoje para dar o primeiro passo oficial rumo à neutralidade.

A despeito de o PP integrar a base governista e comandar o poderoso Ministério das Cidades, seus dirigentes já avisaram que o partido só formalizará a decisão em junho e tende a dizer não para os dois candidatos. Isso facilitaria a montagem de suas alianças regionais, ora com o PT, ora com o PSDB.

25 de abr de 2010

Falácia

É voz corrente: as elites sabem votar; os pobres são manipulados. Figueiredo, o general, se meteu nesse vespeiro e cunhou a frase mais emblemática sobre o assunto: "Um povo que não sabe nem escovar os dentes não está preparado para votar".

Tudo falácia! Ou preconceito. George Lakoff, um renomado neurolinguista da Universidade da Califórnia, Berkeley [cliquem aqui], afirma coisa muito diferente: as elites também são manipuladas... Segundo ele, o que vale é a identificação. Ou seja, as elites podem se identificar com uns, os pobres com outros. O método de escolha de um não é mais qualificado do que o do outro.

"Não tem nada a ver. Pessoas com alto grau de educação ainda são manipuladas. Nas eleições, as questões mais importantes têm a ver com valores morais e com o modo como são comunicados. Têm a ver com a capacidade de se conectar com as pessoas, ou seja, falar e ser entendido por todos; com transmitir uma sensação de confiança; e com ter uma imagem com a qual o eleitor possa se identificar. Chamo isso de autenticidade. Se você parecer autêntico, se compartilhar os valores da população, se o eleitor puder se identificar e confiar em você, então votarão em você. Não depende de educação".

'Vou lá comer bifes'

Essa conhecida frase de Monteiro Lobato - cunhada em resposta à indagação sobre o que iria fazer na Argentina, quando foi morar em Buenos Aires, nos anos 1946/47 - estampa uma matéria muito simpática, no caderno Mais da FSP, de hoje. Em resumo: Monteiro Lobato tinha e tem enorme presença entre os argentinos, inclusive junto à presidente Cristina Fernández de Kirchner. A leitura de 'Reinações de Narizinho' fez parte da infância dela. Por isso mesmo, o livro, em castelhano 'Las travessuras de Naricita', está sendo relançado pela Editora Losada, em parceria com a embaixada brasileira, e tem um prefácio, exatamente, da presidente Kirchner. Um texto leve, sensível e cheio de boas lembranças...

O homem que virou maionese

Clóvis Rossi e Eliane Cantanhêde não são exatamente petistas, lulistas ou dilmistas. Muito antes pelo contrário... Pode-se tudo, menos dizer que seus posicionamentos têm sotaque vermelho. Sendo assim, é de se concluir que os artigos de ambos, na pág. 2 da FSP de hoje, não deixam dúvidas: só os tolos podem ter levado as declarações de Ciro Gomes a sério...

Clóvis fez um apanhado das falas incoerentes de Ciro, nos últimos anos, e de seus movimentos totalmente erráticos. Alguma coisa tipo 'falo isso, faço o contrário'. Ao final, fuzilou: "Mas qual a autoridade de Ciro para decretar quem é melhor que quem? Na campanha de 2002, Ciro dizia que um eventual governo Lula seria uma aventura. Lula ganhou, e Ciro embarcou na 'aventura', transformando-se em ministro. Nada impede, portanto, que amanhã ou depois, Ciro Gomes aceite um convite para ser ministro de uma presidenta que ele considera menos preparada. Enfim, o impacto que a desistência de Ciro e o eventual uso na campanha de seu conhecido destempero terão a consistência e o prazo de validade de uma maionese. Ou seja, um dia ou dois".

Eliane o nomeou com o nome do vulcão islandês que é uma sopa de letrinas: "Mas o grande vilão do complô contra Ciro foi... Ciro. Política é a arte de somar, articular, manipular e ele só divide, confronta, se isola. Depois de anos inativo no Ministério da Integração nacional e na Câmara, nosso vulcão Eyjafjallajoekull entrou em erupção. Era questão de tempo". E concluiu, mais à frente: "Quanto a ciro? A erupação logo perde a graça e passa. Os vôos de Serra e Dilma continuam normalíssimos".

Gaspari versus Besserman

Sérgio Besserman, presidente do IBGE no período FHC, deu uma entrevista à Veja, na semana passada - 'Por um Rio sem Favela' -, em que defendeu a virtude da remoção de favelas: "A Lagoa Rodrigo de Freitas, cartão postal da zona sul carioca é um caso emblemático dos aspectos positivos que podem se seguir a uma remoção. Quando a favela foi retirada dali, em 1970, os imóveis da região, cujos valores vinham sendo depreciados, invertaram a curva e passaram a se valorizar". Quando li a matéria, confesso que cai pra trás com o superficialismo dessa concepção, sobretudo por vir de um economista respeitado e especialista no tema. Sobre essa frase, por exemplo, o que dizer senão reconhecer uma primitiva obviedade? Gaspari, em sua coluna de hoje na FSP foi mais cirúrgico na crítica: "Certo, mas faltou dizer onde terminou a curva dos moradores da favela da Praia do Pinto. Eles foram mandados para a Cidade de Deus, símbolo internacional da depreciação do Rio de Janeiro, produto emblemático do urbanismo demófobo. A favela não foi removida de acordo com uma política pública. Numa noite, a comunidade foi incendiada, provavelmente por Nero, o imperador que limpor Roma".

Não acho que essa deva ser uma discussão ideológica, ainda que tudo tenha um viés ideológico. Meu interesse está em identificar a solução possível. Parto do princípio que remover não é um mal em si. Em áreas de alto risco, em favelas sobre lixões como o Morro do Bumba, é solução. A pergunta é: remover quem, como e, sobretudo, para onde? Para periferias com sistemas de mobilidade ineficazes que apartam os pobres do ambiente urbano e das oportunidades que ele oferece? Mais uma vez, Gaspari foi preciso nesse ponto. Ao elogiar o projeto do prefeito do Rio, Eduardo Paes, de remoção de cerca de 13,5 mil pessoas para o bairro da Triagem, a 15 minutos do centro, em prédios integrados ao contexto urbano, comentou: "(...) Não se trata de tirar cidadãos de um lugar, mas de saber para onde eles irão. Afinal, a maioria dos moradores da Avenida Vieira Souto aceitaria ser removida para a Park Avenue, em Nova York". É isso!

A nova Opinião Pública


Cidadãos 365 dias por ano
Para sociólogo, a internet e as redes sociais online vêm criando uma nova opinião pública, que não engole mentira, não tolera promessas, não aceita líderes analógicos; faz acontecer.

A política como conhecemos hoje pode ser, muito em breve, um retrato embolorado na parede. E o político profissional, um desempregado irremediável, com saudade dos "bons tempos" pré-internet. Não, essa não é a última do admirável mundo novo. É a opinião de alguém que o acompanha com olhos de cientista: o sociólogo italiano Massimo di Felice. Doutor em Ciências da Comunicação, especialista em mídias digitais, ele leciona Teoria da Opinião Pública na Escola de Comunicação de Artes da USP. Acredita que a humanidade vivencie neste momento algo tão grandioso quanto o surgimento da prensa de Gutenberg no século XV: é o tempo em que a web vai levar ao desaparecimento do tipo de política e de político que existem hoje.

Esta matéria está no caderno Aliás do Estadão. Cá entre nós, acho que vocês deviam gastar um pouco de tempo nesse domingo e lê-la na íntegra [cliquem aqui]. Vejam, por exemplo, a resposta à indagação sobre que tipo de opinião pública está sendo gestada nessa era de net-ativismo:
"Uma opinião pública que não quer ser só opinativa. Não quer só opinar com base numa pauta estabelecida pela mídia e pelos políticos. A rede está criando, de fato, uma nova realidade em que as pessoas se afastam cada vez mais da política partidária, do debate político profissional, porque acham que isso não resolve nada. Meus alunos têm total desinteresse pelas questões políticas tradicionais, mas de maneira alguma podem ser chamados de alienados, porque estão em redes sociais, integram grupos que trabalham com reciclagem de lixo, inclusão digital, acesso à informação. Estão tentando modificar o seu território 365 dias por ano. Eles são cidadãos o ano inteiro, não só a cada quatro anos. Para esse pessoal o voto é a última coisa na qual eles estão pensando. A lógica da web não é piramidal, não prevê um líder. A palavra-chave é colaboração. Assim, se há alguém que eles enxergam como representante, é necessariamente alguém que esteja nessas redes sociais desde sempre, discutindo, propondo, ajudando a levantar verbas para projetos. O que eu estou tentando dizer é que a política analógica é obsoleta, porque unidirecional. Podemos chamar isso de fascismo se adotarmos a etimologia grega da palavra "fascio", que significa seta, algo que aponta, direciona. Estamos no caminho contrário. Pode levar 10, 20 anos, mas estamos indo claramente na direção de uma democracia totalmente colaborativa".

Mais da guerra dos números

Em sua coluna no EM, Marcos Coimbra qualificou, hoje, como natural a divergência de números entre institutos de pesquisa; disse que diferenças metodológicas levam comumente a resultados discrepantes; criticou a demonização do fato; ponderou que em outros países, como nos EEUU, isso é frequente; afirmou que, lá, seria "ridículo o Partido Republicano entrar na Justiça contra alguém que fez uma pesquisa mostrando Obama na frente"; e citou o caso da Argentina, onde as diferenças chegam a ser 'abissais'.

Marcos recomendou mais atenção às margens de erro que são divulgadas pelos institutos que, segundo ele, em parte, podem explicar as discrepâncias que estão se verificando.

O último argumento por ele utilizado foi o de que a volatilidade dos resultados pode retratar não um erro dos institutos, mas uma insuficiente 'cristalização das intenções de voto no universo do eleitorado'. Ou seja, a pesquisa estimulada projetada sobre o universo global, onde há grande nível de indecisão, gera resultados discrepantes; já a espontânea, que avalia, em tese, votos mais consolidados, leva a resultados convergentes. Dois trechos do artigo dele:

Quem analisar com mais cuidado as pesquisas de agora, vai perceber que são unânimes na caracterização das intenções espontâneas de voto. Na mais recente do Ibope, Dilma tem 15% e Serra 14%. Na Vox, Dilma 15%, Serra 12%. No Datafolha, Dilma 13%, Serra 12%. Na Sensus, Dilma 16%, Serra 14%. Em qualquer lugar do mundo, quem olhasse esses números diria que os institutos brasileiros estão inteiramente de acordo sobre o que pensam os eleitores mais definidos, os que tendem a ser mais politizados e interessados nas eleições.

[...]
Mas o mesmo consenso não acontece na caracterização das intenções de voto dos que só respondem em quem votariam depois de estimulados. [...] O mais provável, contudo, é que elas variem apenas por não haver, ainda, suficiente cristalização das intenções de voto no universo do eleitorado. É o fenômeno que se quer retratar que é volátil, não que alguma pesquisa esteja certa e as outras erradas.


Expo 2010: 'Cidade Melhor, Vida Melhor'


Maior aglomerado urbano da China, Xangai se transformará no sábado em um enorme centro global de reflexão e troca de experiências sobre as cidades, seus problemas e caminhos para enfrentá-los. No dia 1.º, será aberta a edição 2010 da Exposição Mundial (Expo). Com 190 países participantes e 50 organizações internacionais e empresas, será a maior da história.

Em seis meses de duração, a Expo 2010 deve atrair 70 milhões de visitantes - quase 400 mil por dia - e abrigar 20 mil atividades, entre seminários, debates e performances. E seu grande tema é Cidade Melhor, Vida Melhor.

[Cliquem aqui para lerem a matéria na íntegra, no Estadão]

[Cliquem aqui e vejam fotos de pavilhões]

24 de abr de 2010

Resenhas

Hornby

O escritor inglês, de quem eu mais falo, está com livro novo na praça: 'Juliet, Nua e Crua' (Rocco). O Estadão e a Folha, seguramente, leram livros diferentes. O primeiro bateu palmas. Encerrou sua resenha dizendo: 'Se não avança nem um milímetro na qualidade de sua prosa, Nick Hornby continua imbatível na descrição límpida dos dramas humanos'. A Folha viu outro NH. Disse que, para o bem ou para o mal, ele amadureceu e que a primeira coisa que fez foi debochar de seus personagens clássicos: um bando de quarentões com comportamento adolescente. ['Uma facada nas costas', foi o que as comunidades na internet teriam considerado]. Disse mais: que ele derrapa feio quando se trata de focar relacionamentos pessoais. Só lendo pra ver...

Lobo Antunes
O escritor português foi mais do que indicado, nos dois jornais, pelo seu novo livro: 'O Arquipélago da Insónia' (Alfaguara).

Wendy Guerra

Nunca li essa escritora cubana. Seu primeiro livro traduzido para o português está chegando às livrarias esta semana: 'Nunca fui primeira-dama' (Benvirá/Saraiva). É uma história biográfica de si mesma, de sua mãe Albis Torres e de Célia Sánches (ex-companheira de Fidel Castro).

FHC
Segundo a tucaníssima Folha de São Paulo, o ex-presidente, valendo-se da história (que ele nega) de que teria dito 'esqueçam o que escrevi', fez do limão uma limonada com seu novo livro: 'Relembrando o que escrevi' (Civilização Brasileira)

Panos Karnezis
O livro do escritor grego-inglês parece correr por fora. Não mereceu uma resenha própria, mas seu livro está bem indicado nos jornais:  'A Festa de Aniversário' (Planeta Literário).

Anticristo de Lars Von Trier

Por Bernardo de Castro


Lars Von Trier é um esteta do sexo. Salvo engano, dedica parte de seu tempo – e de seu capital – às realizações de sua produtora pornográfica, a que as fontes na internet se referem como vanguardista ou algo desse tipo. Não confirmo nada. Em todo caso, há algumas repercussões dessa vocação mais íntima no seu cinema regular, as quais se traduzem no hiper-realismo com que se representa o ato sexual.

Em ‘Anticristo’, a tendência se confirma logo no início, com a ênfase que se dá à anatomia do sexo, com uma cena fechada bastante particular. Essa primeira sequência, por estranho que soe, é a que mais se aproxima do padrão estético suave a que a maioria de nós está habituada. De fato, tudo é muito belo: preto e branco, um casal se amando em slow-motion, a trilha sonora de Händel a emoldurar o conjunto. Mesmo a parte em que o menino filho do casal, por acidente, cai da janela concorre para essa primeira impressão sublime.

O desenvolvimento da trama, porém, conduz o espectador às construções mais interessantes. Depois do prólogo, vai-se aos poucos revelando como o evento inicial, ou seja, a morte do filho, afeta o estado emocional da mãe, que passa um mês hospitalizada submetida a tratamento psiquiátrico. Diante da ineficácia das drogas prescritas pelo médico, o marido, um psicanalista interpretado por Willem Dafoe, propõe-lhe um procedimento alternativo, usando-se somente a via da psicoterapia. Os dois seguem para Éden, emblemático nome para o sítio em que mãe e filho passaram o último verão juntos.

A linha indutora da terapia é o combate aos medos e o homem sugere que a mulher organize numa pirâmide os pavores que mais a acossam. O primeiro a surgir é o medo ao ambiente natural. Em certo instante, a personagem de Charlotte Gainsbourg interpela o marido dizendo-lhe que a natureza é o lugar de Satã. Julgo como um dos momentos mais interessantes do filme: primeiro pelo impacto da imagem engendrada, de uma “igreja de satã” em contraste com a natureza costumeiramente bucólica; em segundo lugar, por ser o divisor de águas, o ponto de ruptura no que diz respeito à maneira como a mulher se apresenta ao marido e ao espectador. No interior da ficção, ou seja, na sua dimensão diegética, é o marco da passagem de um quadro psicológico meramente depressivo para um estado psicótico e delirante; para quem vê de fora, é a transformação de um filme ameno para um filme de horror complexo e lúgubre.

É nesse estágio agudo do desenvolvimento que se desata a grande construção de Lars Von Trier. Em meio a uma atmosfera de demência, recorre-se mais uma vez à estética sexual. Com um porém: em oposição à beleza lírica da primeira sequência, o diretor agora inscreve o erotismo no domínio da morte. É nesse contexto que todas as cenas dantescas de mutilação e flagelo citadas pelas resenhas aparecem. A obra se estende nesse clima angustiante e opressivo até seu final. É preciso estômago.

À parte a proximidade maior ou menor com a pornografia, acho interessantes as diversas leituras que esse tema tão prolífico pode ter. Pasolini é o grande esteta da sexualidade e, mesmo na sua filmografia, é possível ver as variações mais extremas de representação: entre ‘Teorema’ (1968), a Trilogia da Vida (1971/72/74) e Saló (1975) parte-se do sexo libertador, passa-se pelo sexo primitivo, livre e chega-se ao sexo opressor.

‘Anticristo’ enquadra-se nesta última qualificação.

Vale bike


Centenas de húngaros participaram neste sábado em Budapeste de um passeio ciclístico durante uma campanha para o uso da bicicleta como meio de transporte

Marina tem princípios demais, avalia 'The Economist'

Estado de Minas, hoje:

O discurso eleitoral da pré-candidata do PV à Presidência, Marina Silva, chegou às páginas da revista britânica The Economist. “De vez em quando, surge um político que parece ter muitos princípios para ser jogado na briga canina eleitoral”, diz a publicação, destacando que Marina “parece ser uma candidata desse tipo”.

Em um breve perfil, a revista apresenta a senadora como “outra Silva” - em referência ao sobrenome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva -, e menciona sua história no Acre e na campanha ambiental ao lado de Chico Mendes. Exemplifica ainda sua postura com sua saída silenciosa do Ministério do Meio Ambiente: “Ela se negou a criticar Lula publicamente”, diz o texto. Na campanha presidencial, contudo, Marina faz uma leve oposição ao presidente, diz a reportagem, ao afirmar que o País precisa reduzir a carga tributária e ao criticar a política externa atual.

O principal tema de sua campanha, no entendimento da The Economist, é a defesa da responsabilidade moral do Brasil em se tornar uma economia de alta tecnologia e baixa emissão de carbono, como exemplo para outros países em desenvolvimento.

Marina chegou neste sábado a Washington para participar de eventos em homenagem ao Dia da Terra, celebrado na última quarta-feira. A candidata deverá se encontrar com políticos americanos ligados à causa ambiental.

Colón

O Teatro Colón, do início do século XX, em Buenos Aires, está sendo reaberto, brevemente, depois de 3 anos de reforma. Esta notícia está no Estadão. Ela me lembrou um caso curioso. Em janeiro de 2008, nós estávamos em Buenos Aires e fomos visitar o teatro. Uma pena: estava fechado para obras. Virou, então, apenas uma foto de viagem. Esta foto aí...


Dois minutos depois que clicamos essa foto, começou um barraco no canteiro central da avenida em frente ao teatro, a 9 de Julio. Curiosos, polícia, disse-que-disse, aquelas coisas. Uma moça dizia ter sido abordada por um motoqueiro, que jurava, por sua vez, que estava apenas passando e que a moça só podia ser doida, alguma coisa assim. Seguimos em frente e não vimos o desfecho da história... Um tempo depois, revendo as fotos na máquina, estava lá o flagrante: a moça não era doida...

Ele está de volta - II

Quem circulou nas manchetes, hoje, não foi Itamar Franco, mas o tão estavelmente instável quanto ele, o Ciro Gomes. Mortido pela provável perda da legenda do PSB para a disputa a presidência, atirou pra todo lado: de Lula, de quem disse que andava viajando na maionese e que estava perdendo a humildade, a Dilma, de quem afirmou ser uma inexperiente política. Mesmo com as baterias voltadas contra os petistas, entretanto, nem assim poupou Serra, o 'inimigo a ser vencido', a quem chamou de solitário e autoritário. Polêmica é com ele mesmo...

Pagando a língua
Vai ser inevitável: o Ciro vai ter que se desdizer mais hora, menos hora. Basta esperar pra ver. Suas melhores entrevistas sempre foram aquelas em que ele mirou sua artilharia contra Serra e FHC. Chegam a ser hilárias. Ex-tucano, ele sempre odiou esses dois ex-companheiros. O que disse, hoje, de Lula é irrelevante. Mágoa, nada mais. Mas a história de que Serra é "mais preparado, mais legítimo e mais capaz" do que Dilma vai lhe trazer dissabores quando esfriar a cabeça. Vai falar o quê?

Joaquim Nogueira

“Apesar de sermos de geração diferentes, assim mesmo, tive contato com ele. Acho que é uma perda muito grande, pois é um artista com ideias inovadoras, que rompeu barreiras com sua arte, que se vai. Sete Lagoas era pequena para caber um artista como Joaquim Nogueira e ele foi muito mais além” [Depoimento de Adriana Drummond em matéria de Marcos Avellar no EM].

22 de abr de 2010

Ele está de volta

Itamar Franco circulou por Ouro Preto, no feriado. Pra alegria de todos, sua estável instabilidade continua intacta. Ressaltou o seu já conhecido apoio a Anastasia para o governo de Minas, mas não fez o mesmo com relação a Serra para presidente. Nesse caso, ao contrário, não faltaram críticas...

21 de abr de 2010

Tancredo

Elio Gaspari, na Folha de hoje, trouxe um texto sobre Tancredo em que tratou do seu conservadorismo como um mito conveniente para Sarney e para FHC. No meio da história, ele transcreveu trechos do discurso que Tancredo não pôde ler na sua posse na presidência que não ocorreu. Um deles:

"Temos construído esta nação com êxitos e dificuldades, mas não há dúvida, para quem saiba examinar a história com isenção, de que o nosso progresso político deveu-se mais à força reivindicadora dos homens do povo do que à consciência das elites (...). A pátria dos pobres está sempre no futuro e, por isso, em seu instinto, eles se colocam à frente da história".

[Cá entre nós, se esse trecho fosse proferido pelo Lula, iriam dizer que ele andava querendo separar os pobres das elites...]

Dimenstein

Gilberto Dimenstein, na Folha de hoje, recomendou o blog da jornalista Vanessa Cabral. É um blog original: a Vanessa tirou os filhos da escola privada e os matriculou na escola pública, fez isso com toda cautela, passou a visitar a escola, a participar do conselho escolar e a relatar essa experiência em seu blog. Cliquem aqui para acessarem...

Guerra dos números

Pesquisa Ibope para a presidência da República divulgada hoje (21) trouxe Serra (PSDB) com 36% das intenções de voto, Dilma (PT) com 29% e Ciro Gomes (PSB) e Marina Silva (PV) empatados com 8%. A pesquisa indicou também que a taxa de rejeição de Serra e Dilma estão próximas e que a tendência no 2º turno continua sendo pró-Serra. A favor de Dilma, na pesquisa espontânea, está a liderança de Lula nas intenções de voto que pode lhe beneficiar: Lula apareceu com 16, Dilma com 15 e Serra com 14%, ou seja, potencialmente, 31 contra 14. É mais uma pesquisa a por lenha na fogueira da guerra de institutos. Comparativamente às outras recentemente publicadas, as diferenças entre os candidatos seguem conflitantes. Nesta pesquisa ficou a meio termo entre as da Vox e do Datafolha, validando ambas e isolando a do Sensus: 

Brasília, 50


Com o passar dos dias, Brasília vai se tornando uma cidade qualquer. Da imponência da esplanada, você vê emergir rachaduras, caminhos de pedestres sobre a grama, paredes sujas, passeios quebrados, sinais inequívocos da idade. Brasília envelhece. Ao envelhecer, ganha vida: entre os ministérios, você passa a enxergar a banca, a pastelaria, os camelôs. Entre as superquadras, bares, salões de cabeleireiros, loterias. Gente, muita gente. Tudo normal. Aqui como ali. Os palácios perdem sua estatura, sua grandeza e vão se mostrando também precários, temporais. Sobre essa cidade dos homens, apenas a catedral e os céus de Brasília, impassíveis, preservam sinais de uma obra serenamente eterna.

Que conversa é essa?

Um anônimo postou um comentário no post abaixo, indagando: ‘que conversa é essa que o senhor anda ameaçando conselheiros tutelares de demissão?’. Respondo: não faço a menor idéia de onde vem essa maluquice... É um assunto sério demais para deixarmos cair na vala da maledicência. Vamos a ele.

Eu entrei nesse tema a pedido do vereador Renato Gomes, no ano passado. Ele estava com um projeto de aumento salarial dos conselheiros tutelares e, sabendo que seria necessário estudo de impacto orçamentário, me procurou. A equipe de orçamento da Secretaria estudou em profundidade esse assunto e, para construir parâmetros de decisão, pesquisou a realidade de conselheiros em outros municípios de médio porte. Em razão disso, eu fui chamado para uma única reunião com conselheiros tutelares, quando expus as nossas conclusões, até o momento. Não houve nada de ameaça de demissão, nem poderia haver. [A propósito, um conselheiro que disse ter participado dessa reunião passou aqui pelo blog e fez um comentário. Cliquem aqui, abram os comentários, leiam o terceiro deles e vejam se condiz com a fala de alguém que foi ‘ameaçado’...].

Na Secretaria, nós apreciamos apenas a questão salarial. Os outros itens da pauta de reivindicações, não, porque não são de nossa competência. É importante saber que os conselheiros sempre foram remunerados com dotações de folha de pagamentos. Se, de fato, esse enquadramento como despesa de pessoal estiver correto, eles ficarão subordinados às limitações de aumento que os resultados do exercício de 2009 apontaram. [Sobre isso, cliquem aqui e leiam a postagem ‘Eu só digo não’]. Há alternativa? Foi sobre isso que nos debruçamos.

Os conselheiros tutelares têm características muito particulares. A rigor, eles não se assemelham a nenhum outro servidor publico: nem ao servidor de carreira (com acesso via concurso), propriamente dito, nem ao contratado temporário (via contrato), nem ao detentor de cargo (via nomeação). Eles têm efetivo direito a vantagens típicas de servidor (13º, férias etc.), embora se assemelhem mais a agentes políticos, por serem detentores de cargos eletivos, com mandatos estáveis. Enquanto executores de uma função pública, eles podem ser re-enquadrados, com todos os seus direitos preservados, em dotações fora da folha? Essa foi a tese que vislumbramos, que estabeleceria condições mais favoráveis e permissivas para redefinição de valores para sua remuneração. Foi sobre essa tese que passamos a nos dedicar na expectativa de viabilização do projeto do vereador Renato Gomes. Foi essa a tese que apresentei na reunião com os conselheiros.

20 de abr de 2010

Outras Brasílias

A Brasília de Lúcio Costa que está lá plantada no planalto central do país foi a vencedora de um concurso realizado pelo Governo Juscelino, nos anos 1956/57. Cerca de 30 projetos participaram do certame, entre eles de nomes consagrados como Vilanova Artigas, Rino Levi e os irmãos Roberto. O Museu da Casa Brasileira, em São Paulo, em parceria com a AsBEA (Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura), está abrindo, hoje, uma mostra com as Brasílias que não saíram do papel. Cliquem aqui e saibam um pouco a respeito...



19 de abr de 2010

Sopa de letras

Cliquem aqui e aprendam a pronúncia do nome do vulcão islandês Eyjafjallajökull...

A guerra dos institutos

Os institutos de pesquisa, definitivamente, tomaram o lugar dos pré-candidatos presidenciais:

Leiam matéria no blog do Luis Nassif, com divulgação de carta de Ricardo Guedes, diretor do Instituto Sensus, dando conta do resultado de auditoria de técnico do PSDB na base de dados da última pesquisa do instituto.

Leiam matéria no blog do Bob Fernandes sobre a plêmica em torno da pesquisa divulgada pelo Datafolha que teria sido concretizada com o aumento do número de entrevistas no estado de São Paulo - reduto eleitoral de Serra.

Globo e PSDB: tudo a ver

A Globo cancelou, menos de 24 horas depois de lançada, a campanha institucional de 45 anos da emissora, sob acusação de campanha subliminar para o candidato do PSDB, José Serra. O jingle teria semelhança com o slogan da pré-candidatura tucana, além do número 45 do partido. Antes que desse mais o que falar, a Globo tirou a peça do ar... Em tempos neuróticos, não era pra menos!

Série 'política sem grandeza'

Portal Terra, hoje: "A visita que o pré-candidato tucano à presidência, José Serra, faz a Minas Gerais nesta segunda-feira tem um objetivo muito claro para o presidente do PSDB no Estado. Para o deputado federal Nárcio Rodrigues, é importante destacar que "Aécio não é candidato a filial do Serra", conforme afirmou em entrevista ao Terra".

Falta constrangerem o próprio candidato de novo...

18 de abr de 2010

O preço da suspeição

O caderno Mais, do Estadão, na sua edição deste domingo, abordou o assunto da pedofilia na Igreja Católica. Dois artigos, em destaque, botaram o dedo na ferida, sem dó nem piedade: um, 'Epístola da desobediência', do teólogo suíço Hans Küng e, outro, 'Silêncio que abala a credibilidade', do jornalista espanhol Juan Arias.


Küng, que há décadas defende a tese da infalibilidade papal (Infallible? An Inquiry, 1971) - o que lhe custou a licença de ensinar teologia - e que foi colega de Joseph Ratzinger (hoje, Papa Bento XVI) como consultor teológico para o Concílio do Vaticano II, conclamou os bispos da Igreja a reagirem a favor da reforma da instituição. Arias, mais duramente, condenou a impunidade dos abusos e o sigilo papal que proibe sacerdotes de denunciarem casos de pedofilia a autoridades civis, o que traz culpa de acobertamento ao próprio Papa.
"[...] entregamos nossos filhos à Igreja para que cuide de suas almas sem saber que ela quer na verdade apoderar-se de seus corpos". (Arias, citando o ilustrador El Roto)
Após essas leituras, é inevitável constatar que a Igreja está diante de uma escolha gravíssima. Se persistir, como parece querer o Papa, na idéia de tratar essa enorme crise de credibilidade com medidas apenas penitenciais e sem reformas abrangentes, estruturais e transparentes, como quer Küng, corre o risco de generalizar a suspeição para toda a instituição. Nesse ambiente de silêncio, todos os padres, com ou sem razão, não acabarão vistos como potenciais pedófilos? O celibato não seguirá sugerindo ser um propagador de desvios sexuais do clero? Dentro do confessionário, não se suspeitará haver sempre um pecador muito maior do que as pobres beatas, do lado de fora, com seus tolos pecados?

Pedofilia é crime e ponto. Tanto faz se cometido por sacerdotes ou leigos. Por sacerdotes, mais grave ainda!
"Quem quer que faça mal a um desses pequenos merece que lhe pendurem no pescoço uma pedra de moinho e o afundem nas profundezas do mar". (Arias, citando Jesus Cristo)

Sou Tigre desde criancinha

O Tigre impôs uma fragorosa derrota ao Cruzeiro. Essa vai ficar na conta do Adilson pra ver se ele aprende a lição. Na fase classificatória, colocou um time misto e foi estraçalhado. Repetiu a dose, voltou a subestimar o time do Vale do Aço e tomou de novo. E só não foi por um placar maior porque o juiz - péssimo! - dificultou a vida dos ipatinguenses... O Cruzeiro só conseguiu alguma paridade nos 30 primeiros minutos. Daí em diante, fechado na defesa e com contra-ataques perigosos, só deu o Tigre. O Cruzeiro não sabia o lado do gol... Não passava da intermediária adversária, não acertava um passe, não dava um chute a gol. Soberba tem preço!

Negócio da China - II

Diga-se: péssimo negócio. Felipe Massa largou na liderança e recebeu a bandeirada em sexto lugar no campeonato. Isso mesmo: o cara despencou!


A Mclaren, que havia sido ironizada pela dupla da Red Bull, após a classificação, deu o troco, fazendo um one-two. Show: Button pela direção mais leve e mais econômica em pneus - que passou a ser o ponto crítico dessa F1 sem abastecimento - e Hamilton pelo desempenho mais agressivo. Button, novo lider, 10 pontos à frente do segundo lugar, 19 pontos à frente do ex-lider Massa, vai se destacando como o nome do ano...

Schume deve estar se lamentando pela péssima idéia de voltar aos circuitos. Levou ultrapassagem até de novatos como Petrov, da Renault. E, pior, foi obrigado a ver seu companheiro Nico Rosberg - a grande revelação de 2010 - assumir a vice liderança. Schume 10, Nico 50 pontos.

A corrida de Xangai, pelo menos, foi boa de se ver: garoa na largada, chuva na corrida; decisiva estratégia dos pneus que, objetivamente, foi o que deu vantagem a Button, Rosberg e Kubica; batidas e safety car; disputas e ultrapassagens.

17 de abr de 2010

Eyjafjallajokull


Cliquem aqui para verem fotos do vulcão da Islândia que está cobrindo o céu europeu de poeira...

Ufa!

Eu não sei o que andava me desorientando mais: se a fúria planetária ou se a tempestade de explicações científicas sobre a fúria planetária. Tem gente que jura que as mudanças climáticas resultam da ação humana nefasta no último século ou menos, tem gente que acha que um século é um grão de areia na história do universo e que as razões são mais longíquas...

Agora, me tranquilizei. Enfim, Alá mandou uma explicação plausível: segundo o aiatolá Kazem Sedighi, imã das orações de sexta-feira em Teerã, citado neste sábado pelo jornal iraniano Aftab, o aumento de relações sexuais ilícitas é a causa do aumento dos terremotos.

"Muitas mulheres mal vestidas (que não respeitam a roupa islâmica) corrompem os jovens, e o aumento das relações sexuais ilícitas faz crescer o número de terremotos", afirmou o aiatolá.

Pensar

O caderno 'Pensar' do Estado de Minas traz, hoje, a matéria 'Freud direto da fonte'.

Taí um assunto a que eu gostaria de ter tempo para estudar: 'Freud'. E a oportunidade parece boa: estão saindo novas edições de seus textos traduzidos diretamente do alemão. Segundo o jornal, as duas traduções completas de suas obras chegaram ao Brasil por vias transversas: uma, a partir da sua tradução francesa; outra, da inglesa. A Companhia das Letras está lançando uma coleção em 20 volumes, dos quais 3 já estão nas livrarias e a Imago, outra coleção, organizada por eixos temáticos, que já está com dois volumes à venda.

Negócio da China

Mau negócio, aliás: Massa, em 7º, vai largar atrás de todos os seus concorrentes. Na dianteira do grid estarão as duas Red Bull e o seu companheiro de Ferrari. A madrugada promete.

Os números não se entendem

Pois é... A polêmica segue: Vox e Sensus para um lado, Datafolha para o outro. A pesquisa Datafolha que está na edição de hoje da FSP refirma que há sim um distanciamento entre Serra e Dilma da ordem de 10 pontos. Ou seja, bate o pé de que não se está nem perto do limiar de um empate técnico como vêem os outros dois institutos. Está lá: Serra foi de 36 para 38 e Dilma de 27 para 28%. E tem-se ainda uma pimenta nova nesse mexidão: Marina passou Ciro!

Enfim: alguém está usando o binóculo do lado errado...

16 de abr de 2010

O imbróglio mineiro

Vamos voltar a esse assunto já comentado aqui. A escolha do candidato pró-Dilma em Minas segue indefinida. As notícias de hoje: cúpulas partidárias nacionais do PT e do PMDB afirmaram que haverá palanque único em Minas; Patrus afirmou que as prévias são pra valer; Hélio Costa lembrou que o PMDB mineiro tem 69 delegados na decisão nacional que vai decidir a aliança com o PT e ameaçou com apoio a Serra. Por aí vai...

Alguns comentários: [1] Contradição: as 'cúpulas partidárias' são formadas por uma maioria paulista. Nada contra paulistas. O curioso é que Minas aumenta de importância na eleição nacional para Dilma na direta proporção em que São Paulo perde importância, por sua hipotética tendência pró-Serra. Deus queira que os paulistas não tragam para Minas o remédio que aplicaram em casa; [2] Coerência: que a parte do PMDB anti-Lula defenda o apoio a Serra eu entendo, que o Hélio Costa, que foi ministro de Lula por quase 8 anos, não; [3] Forma e conteúdo: a questão central - qual é o candidato da base lulista com maior chance de vitória em Minas? - não é respondida. Todo o foco está na forma, na formação da aliança. No conteúdo, ou seja, no voto, se a solução for ruim, de que adianta? O preço da aliança nacional não pode ser a derrota em Minas...

"É claro que o que nos une a todos no Brasil é o projeto nacional. Não tem nenhuma dúvida quanto a isso. Agora, eu digo sempre também que o projeto nacional não se dá no vazio. O projeto nacional se dá e se constrói a partir de realidades concretas, locais, regionais, estaduais. E nós sabemos que o projeto nacional passa por Minas Gerais". [Patrus]

Às oitavas


O segundo lugar ficou de bom tamanho. O Cruzeiro pagou pelo jogo desentrosado de hoje, com muito espaço pra jogar e pouco time pra ocupar, e o inexplicável empate em Caracas, contra o Deportivo Itália, há um mês. A raposa perdeu privilégios, mas avançou às oitavas da Libertadores...

15 de abr de 2010

Criado mudo: Foucault

Uma amiga minha diz que não dá pra conversar com quem nunca leu Foucault. Eu não li muito, mas li alguma coisa. Vou reler 'Microfísica do Poder' e 'Arqueologia do Saber'...

Flávio de Carvalho

[Estudo para Sr. de Noite, 1954]

Em janeiro, eu comentei aqui que o MAM-SP faria uma retrospectiva sobre Flávio de Carvalho, a partir de 15 de abril. 'Flávio de Carvalho e a Cidade do Homem Nu', de fato, está abrindo hoje com 'amplo apanhado da produção ousada e diversificada do artista'. É um bom programa para quem for a SP...

[Cliquem aqui para lerem matéria do Estadão sobre o assunto].

Eu só digo não

A abstração da realidade e a adoção de versões deturpadas é um ato político comum. Cada vez que eu ouço que se disse que, enquanto secretário de Planejamento, Orçamento e Gestão, eu só digo ‘não’, eu faço duas leituras imediatas: ou não se quer entender o problema real, o que é improvável; ou se conhece bastante bem o problema, mas há interesse político na sua distorção, o que é bastante provável.

A explicação real é muito simples. A municipalidade virou o ano de 2008 quase no limite prudencial de folha de pagamento, teve uma forte queda de arrecadação em 2009 e teve um aumento inercial de folha nesse mesmo ano; por óbvio, consorciando esses três fatores, passou a operar próximo ao limite legal de despesas de pessoal. Alguma novidade nisso? Nenhuma! Alguma dificuldade de entendimento? Nenhuma. São fatos que levam a posicionamentos não opinativos, mas compulsórios e legais: existem impedimentos momentâneos para expansão de despesas de pessoal. Isso foi relatado com franqueza e lealdade a servidores da saúde, a procuradores municipais, a conselheiros tutelares e a lideranças do funcionalismo e tem motivado um debate permanente dentro do governo. Esse é o problema que temos que pilotar...

Eu, minha equipe e outras secretarias temos estado impassíveis diante desses fatos? Não! Temos movido céus e terras em busca de alternativas. Essa é a orientação do prefeito. Para os conselheiros tutelares, por exemplo, apresentamos a possibilidade deles não serem apropriados como folha, por exercerem função pública eletiva e com mandato, o que não é típico de servidor. Para validar essa hipótese, pesquisamos apropriações diferenciadas em diversas outras cidades e demos ciência dos resultados obtidos. Para o conjunto dos servidores, mostramos a estratégia e o esforço do governo em monitorar a relação folha versus receita corrente, neste ano de 2010, mês a mês, na expectativa de se chegar, o quanto antes, à configuração da seguinte situação: o ano de 2009 foi atípico e o ano de 2010 mostra, inequivocamente, um quadro mais favorável. Acreditamos nisso...

Independente dessa realidade, que prosperem ações de pressão, das partes interessadas, com mais ou menos razão, eu entendo como fato absolutamente legítimo; que frutifiquem desinformações e maledicências, não. É bom lembrar que os cenários negativos são territórios férteis para oportunistas. Ao contrário, para governo e servidores importante é não perder o foco: superar problemas e encontrar saídas.

14 de abr de 2010

Sertão de Omar by Lu

[1]

[2]

[3]

50

Eu olho pra trás e acho que no espaço entre o dia em que nasci e hoje não cabem tantos anos. Quando eu era menino, cinquenta anos, cinquenta e poucos anos era a idade de meus avós. E eu não acho que me pareço com eles, como nas fotos que tenho deles. Tenho muitas lembranças, é verdade. Mas se tivesse 50 anos de lembranças, seguramente, eu estaria exausto de lembrar e não estou. E há uma questão de experiência. Eu não me sinto, intimamente, com direito de dizer que tenho a experiência de um cara de 50 anos. Ao contrário, eu teria alguns argumentos bastante sinceros e verossímeis a apresentar. Mas é inútil. Em dia de aniversário, como boi no tronco, a gente é pesado, marcado e brincado. Não há o que discutir. Meus sentimentos sobre a relatividade do tempo, o acúmulo mais ou menos lento da vida, a medida de cada um, a maior ou menor dificuldade pessoal em trocar inexperiências infantis por experiências adultas tornam-se perecíveis. A certidão está lá. Indefectível, infalível, incontestável, soberana, alheia a qualquer ponderação, ela apenas sentencia: nessa manhã de céu azul, sem uma nuvem, independente do que lhe vem ao coração, é isso aí, cara!, você acaba de fazer 50 anos! Esteja pronto!

A fúria

"É a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar"

2010 deu mostras que não seria fácil já na madrugada de reveillon: deslizamentos em Angra dos Reis deixaram um rastro de destruição. Nesses dias, São Paulo já estava debaixo d'água. No meio de janeiro, o caos: mais de 200 mil mortos no terremoto do Haiti eram o resultado do encontro entre a catástrofe e a pobreza. Chile, final de fevereiro: o país mais desenvolvido da América Latina entrou na fila e sofreu com terremotos e tsunamis. Enquanto o Chile contava suas vítimas, a Europa e os EEUU contavam nevascas recordes. Em março, o Tawain e a Turquia tremeram. Em abril, o Rio veio abaixo. Hoje, a China. A fúria parece não ter fim... Bombeiros entre escombros andam sendo a marca trágica de um ano que nem bem começou.

Política sem grandeza

Há quem diga que política, com 'p' minúsculo, é um mundo paralelo. Está na superfície das águas oceânicas e não enxerga nem valoriza nada que para ela está submerso: o mundo real. Eventualmente se depara com a ponta de um iceberg e acha que tem conexão com a realidade. Formula, diz, afirma, induz, deduz, provoca, teoriza, critica a partir, apenas e exclusivamente, do movimento das ondas superficiais. Em tempos modernos, de mares de tsunamis, o descolamento é total. Corre o risco de tornar-se um dialeto, incompreensível para o comum dos mortais.

Um amigo me disse, outro dia, que o período eleitoral é o tempo da 'política sem grandeza'. O que passa a valer, portanto, é apenas o desempenho narcisista de quem surfa as ondas. Nada além disso.

Ontem, comentaram comigo que um petista sete-lagoano de quatro costados circulava por aí defendendo o 'dilmasia'. A própria candidata Dilma tropeçou na língua e apoiou o 'anastadilma'. No ninho tucano mineiro, Aécio aplicou uma sessão de constrangimento ao Serra na inauguração da 'cidade administrativa'. Não bastasse, por lá, cheios de rancor, estão cunhando bordões contra presidentes paulistas ["paulista, nem à prazo, nem à vista"...]. Ou seja, de parte a parte, a política anda tão sem grandeza e tão rápida que as traições estão vindo antes dos acordos.

Deus me livre!

13 de abr de 2010

A Vox tinha razão; o Datafolha, não

A arrogância paulista não deu em nada. O instituto paulista Datafolha apostou em números pró-Serra; a imprensa paulista fez sua parte, tentando desqualificar os números da Vox... Não colou: os números mais recentes da Sensus mostraram que a Vox tinha razão:

A pesquisa eleitoral divulgada nesta terça-feira pela Sensus Consultoria e Pesquisa aponta empate técnico entre os pré-candidatos à Presidência da República do PT, Dilma Rousseff, e do PSDB, José Serra. Segundo o levantamento, o tucano tem 32,7% das intenções de voto, enquanto a petista tem 32,4%. Ciro Gomes (PSB) aparece em terceiro lugar, com 10,1% e Marina Silva (PV) alcança 8,1% da preferência dos eleitores.

[Cliquem aqui e leiam matéria do Portal Terra].

12 de abr de 2010

Criado mudo

Os amigos andam me pautando... Aquela história: de cavalo dado não se olham os dentes. A gente não reclama: sossega e lê!

Transparência

Pelas mãos de Maria Rita me chegou, há um mês, um bilhete de Omar. Por ela, ele ainda se desculpava pelas letras trêmulas. Letras muito trêmulas que compunham uma mensagem cheia de serenidade e afeto. Omar me agradecia por eu ter lhe prestado uma homenagem aqui neste blog...

No dia seguinte, recebi um telefonema maravilhosamente atropelado de Omar. Ele queria saber se eu havia decifrado o seu código trêmulo. Mas queria mais. Fervilhante, me dizia que Leonardo Boff, ao falar de transcendência - sobre o quê eu havia comentado para homenageá-lo -, falava também de transparência. Por fim, me convidava para irmos juntos visitar Homero, seu irmão, no dia 21 de abril.

Ao referir-se às dimensões humanas, entre elas a antropológica, Boff fala de imanência, transcendência e transparência. Eu aprendi isso com Omar. A imanência é a realidade, o cotidiano. A transcendência, a utopia, a criatividade. A transparência, a síntese. Se a imanência, então, é a humanidade e a transcendência, o divino; a transparência é ‘Experimentar Deus’.

Só hoje entendi que Omar, naquele dia, estava me corrigindo e me alertando. Eu havia dito que ele era desprendimento, liberdade e transcendência. Não. Omar era e é mais: era e é transparência!

[Querido Omar, sentiremos muita falta de sua incontida alegria de viver...]

11 de abr de 2010

Meu presente para o Pablo


Meu presente para o Pablo, o 'visitante 20 mil', foi o livro, recém lançado pela Editora Leya, 'Manoel de Barros - Poesia Completa'. Eu já falei várias vezes aqui sobre a Leya. E, uma vez, transcrevi uma poesia de Manoel de Barros. É curioso que muitas pessoas não o conheçam. Eu acho suas prosas e poesias de uma simplicidade belíssima. Além desse livro, a Leya acaba de lançar, também dele, o 'Menino do Mato'. Eu recomendo muito a leitura do Manoel de Barros. Faz um bem danado...

Naquele dia, no meio do jantar, eu contei que tentara pegar na bunda do vento - mas o rabo do vento escorregava muito e eu não consegui pegar. Eu teria sete anos. A mãe fez um sorriso carinhoso para mim e não disse nada. Meus irmãos deram gaitadas me gozando. O pai ficou preocupado e disse que eu tivera um vareio da imaginação.

Mas que esses vareios acabariam com os estudos. E me mandou estudar em livros. Eu vim. E logo li alguns tomos havidos na biblioteca do Colégio.

E dei de estudar pra frente. Aprendi a teoria das idéias e da razão pura. Especulei filósofos e até cheguei aos eruditos. Aos homens de grande saber. Achei que os eruditos nas suas altas abstrações se esqueciam das coisas simples da terra. Foi aí que encontrei Einstein (ele mesmo - o Alberto Einstein). Que me ensinou esta frase: A imaginação é mais importante do que o saber.

Fiquei alcandorado! E fiz uma brincadeira. Botei um pouco de inocência na erudição. Deu certo. Meu olho começou a ver de novo as pobres coisas do chão mijadas de orvalho. E vi as borboletas.

E meditei sobre as borboletas. Vi que elas dominam o mais leve sem precisar de ter motor nenhum no corpo. (Essa engenharia de Deus!) E vi que elas podem pousar nas flores e nas pedras sem magoar as próprias asas. E vi que o homem não tem soberania nem pra ser um bentevi.

[Extraído de "Memórias Inventadas - A Terceira Infância"]

10 de abr de 2010

Brasília por Gautherot

[Cliquem aqui e vejam galeira de fotos de Gautherot]

Daltinho

Eu havia recebido um e-mail do vereador Dalton justificando sua decisão de não compor a comitiva sete-lagoana em viagem à Suiça e, ontem, estive com ele e falamos sobre isso. Eu não quero entrar no mérito da conveniência ou não dessa viagem. Mas quero distinguir a atitude do Daltinho. É uma raridade na política. Cá entre nós: ninguém descartaria uma viagem à Suiça. E Dalton descartou com base na avaliação que fez da realidade e da conjuntura política. Achou que não era o momento e ponto. Essa fidelidade às suas próprias convicções é exemplar.

Foi bonita a festa, pá; fiquei contente

Renatinho, Flávia, Pablo, Daltinho, Amaro, César, Chico, Flávio, Marina, Marcão, Celsinho, Mariana, Quim e o grande Estêvão, ao centro [Foto do Quim Drummond, claro!]

Renatinho [do departamento de compras] e Flávia [que organizou tudo e, putz!, não é que a Flávia cozinha pra valer?!]

A hora H da entrega do prêmio visitante 20 mil. Pablo, o ganhador, e Flávio.

As vedetes da festa: o fogão do Pablo e a galinhada da Flávia.

9 de abr de 2010

Futebol

Jogo 1
O Atlético quase passou aperto no jogo de volta contra o América, ontem. Abriu vantagem de dois gols, mas acabou cedendo o empate no final. O jogo terminou antes que a coisa se complicasse. Hoje, a pantera de Valadares despachou o Villa com um empate sem grandes emoções. Atlético e Democrata-GV fazem um dos jogos da semifinal.

Jogo 2
Ontem, o Cruzeiro não teve dificuldades em impor uma derrota por 3 a 0 sobre o Uberaba. Hoje, o Ipatinga conquistou, com um dramático empate sobre o Tupi, o direito de disputar a semifinal. Esse é o segundo jogo...

8 de abr de 2010

Gestão urbana é "catastrófica"

Na Folha, desta quinta:

Gestão urbana é "catastrófica", diz especialista. Mesmo com a situação climática atípica, a tragédia no Rio é fruto de "gestão urbana catastrófica", diz o sociólogo Luiz César Ribeiro, coordenador do Observatório das Metrópoles, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Tragédia no Rio: desordem e pobreza


As chuvas no Rio trazem de volta o mesmo debate de Angra dos Reis: mais do que uma catástrofe ambiental, o que se revela é a falência dos instrumentos de ordenamento do espaço urbano e o risco a que estão submetidas as populações pobres. Já são mais de 150 mortos. Medidas as proporções, estamos diate de um drama haitiano.

UNIFEMM: Bases Bioenergéticas para uma Indústria Verde

O UNIFEMM abriu uma agenda importantíssima com o Seminário que promoveu, nos dias 5 a 7, junto com a Secretaria de Estado de Ciência , Tecnologia e Ensino Superior. O tema proposto remete não apenas a uma discussão, do ponto de vista técnico, sobre a base energética da indústria metalúrgica, cimentícia e cerâmica, mas para além disso, a uma discussão sobre a oganização de um arranjo produtivo em torno da produção dessa base de energia, o carvão vegetal.

A indústria do gusa tem sido, há quase 4 décadas, uma das nossas principais atividades econômicas, mas a produção do carvão, não. O carvão é um problema. Como principal insumo do gusa, para os empresários sérios sua produção virou uma  atividade tão importante quanto (senão mais importante que) a própria indústria de transformação. De forma geral, entretanto, a falta de auto-suficiência em florestas plantadas por várias empresas e a pressão da demanda ainda fazem os fornos avançarem sobre florestas nativas. E sempre para muito além dos limites do nosso município, na direção do norte do Estado.

O Seminário do UNIFEMM pode jogar luzes sobre aspectos fundamentais do problema. Um, a possibilidade de se constituir um APL local, com plantio de eucalipto, compondo mais um vetor de desenvolvimento regional e de desenvolvimento inclusivo, integrando pequenos proprietários rurais; outro, o reforço no uso de fontes efetivamente renováveis de energia, com uso mais intensivo de tecnologia e menor custo ambiental. Ou seja, numa ponta, a possibilidade de tornarmos a produção local/regional de carvão uma atividade relevante, internalizando ganhos, e, na outra, de melhorarmos o perfil de sustentabilidade das indústrias existentes. 

Eu participei da solenidade de abertura que sinalizou, pelas autoridades presentes, qual seria a magnitude do evento. O reitor do UNIFEMM Antônio Bahia reuniu, no auditório do campus, os secretários de Estado Alberto Portugal (SECTES) e Gilman Viana (SEAPA), o secretário-adjunto Paulo Romano (SEAPA), representantes da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico, da Associação Mineira de Silvicultura, do SINDIFER e da FIEMG, além de empresários locais como Afonso Henrique Paulino, Franco L'Abbate e Antônio Pontes, o prefeito Maroca, vereadores e secretários municipais. A programação, no segundo dia, previa palestras e painéis de alto nível técnico e, no terceiro dia, uma visita técnica à Arcelor Mittal Bioenergia, em Martinho Campo.

6 de abr de 2010

Não quero provocar, mas os fatos conspiram

Cruzeiro bate recorde e é o sexto melhor do mundo.


O Cruzeiro está entre os dez melhores clubes do mundo já faz um bom tempo, segundo a Federação Internacional de História e Estatística do Futebol (IFFHS). Mas, desta vez, a colocação teve um sabor especial. Na nova lista divulgada pelo instituto, nesta segunda-feira, o time aparece como o sexto melhor do planeta, posição histórica do clube.

Com 256 pontos, está atrás apenas do Barcelona, Estudiantes de La Plata, Werder Bremen, Chelsea e Manchester United. Em relação à lista de março, o Cruzeiro passou o Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, e Arsenal.
[Cliquem aqui e leiam  a matéria na íntegra...]

5 de abr de 2010

Dilma no Estadão

Dilma e Serra, na despedida dos cargos que ocupavam, aproveitaram a oportunidade para dar uma estocada um no outro. Serra sinalizou que quer emparedar o PT, discutindo a questão ética. Ele faz referência, naturalmente, ao mensalão e aos aloprados, que estigmatizaram o partido. Dilma respondeu ao Serra, hoje, nas páginas do Estadão: "Esse debate é muito bom para a gente. Pode olhar tudo o que foi feito. Nunca se esqueça que foi a CGU quem descobriu a máfia dos sanguessugas. Tudo foi feito pela CGU, combinado com a Polícia Federal. Se teve um governo que levantou o tapete, foi o governo Lula. Antes não apareciam denúncias, porque ficavam debaixo do tapete, ninguém apurava (...)".

[Cliquem aqui para acessarem a matéria]

4 de abr de 2010

Recaída

Nas suas últimas manifestações, o ex-presidente FHC tendeu a um discurso mais programático, defendendo teses para as quais acredita que seu governo contribuiu e que deveriam ser abraçadas pelo PSDB, na campanha deste ano. Hoje, teve uma recaída e voltou ao seu assunto predileto: atacar Lula. FHC tentou se alinhar com os ideais pós-revolução, desde o movimento das Diretas-Já, qualificados como 'contra o autoritarismo', com relação aos quais procurou colocar Lula como opositor, portador de um 'autoritarismo burocrático', à moda chinesa. Balela... Com viseira nos olhos, referindo-se ao PT, chegou a afirmar que "agora, com as eleições presidenciais se aproximando, as alianças são feitas sem preocupação com a coerência político-ideológica: o que conta é ganhar as eleições". Relembrando o meu post 'Sapos', abaixo, pergunto: com o PSDB é diferente? É de se entender, então, que a aliança com Roriz, por exemplo, para os tucanos, tem coerência político-ideológica? Vale o mesmo para a sua aliança com ACM, nos seus tempos presidenciais? Pior do que eu pensava...

[Cliquem aqui para a leitura do artigo de FHC na íntegra]

PS. Outro FHC... [05/04/2010 - 03:22]


FHC apareceu também no caderno 'Aliás' do Estadão, deste domingo. Os que tiverem interesse, cliquem aqui e leiam 'Reflexões de um Presidente Acidental'. Aí a conversa foi bem diferente da do artigo acima comentado. A matéria tratou de sintetizar a sabatina com ele e o sociólogo José de Souza Martins, o filósofo Renato Janine Ribeiro e o cientista político Renato Lessa. FHC voltou a ser sociólogo, foi isso! Não faço referência à matéria por uma questão de concordância com suas idéias. [Eu, por exemplo, tenho várias discordâncias]. Não me parece ser o caso. Acho apenas que se deve reconhecer que se tratou de um debate legítimo. Ele defendeu o liberalismo político, falou de 'democracia substantiva', fez uma reflexão sobre o poder mais de caráter sociológico do que institucional, falou sobre o 'intelectual público', discutiu os movimentos sociais na década de 60, 70 e hoje e tratou de fortuna e virtù no exercício do poder. Para concordar ou discordar, rir ou ironizar, vão aí alguns trechos:


Há uma questão central: conseguiremos ou não certa convergência entre o pensamento democrático tradicional e as formas de participação direta no processo decisório? O equilíbrio é difícil.

Acho que estamos muito viciados no economicismo do pensamento. Pensamos tudo em termos do que é possível na economia. A gente só se preocupa com "cresceu o PIB". Eu vou repetir o que disse há poucos dias a um repórter americano do Miami Herald. Ele me perguntou: "O senhor acha que o Brasil vai ser mesmo a quinta potência do mundo?" Eu disse: "Pode ser, mas o que você chama de potência? Produto interno bruto? Então talvez seja". Mas não é essa a pergunta correta. Tem que perguntar: "O senhor acha que o Brasil vai ser uma sociedade mais decente, mais digna, mais solidária, mais coesa, melhor para o seu povo, com mais igualdade?" Aí eu tenho dúvidas.

Mas voltando ao intelectual público, hoje ele certamente precisa da mídia para exercer um papel e ter relevância. É uma maneira de sair do casulo e manter uma relação com a sociedade. Problema: a mídia escolhe seus interlocutores. É preciso aumentar essas escolhas, abrindo espaço para um número maior de intelectuais, para incrementar o debate público. A função do intelectual não é só resolver, mas provocar, criar caso.

De fato, a Dilma pode ter uma visão menos racional e mais romântica sobre as coisas. E o Serra vai numa tradição mais racional. No fundo é isso: quem vai valorizar mais o elemento da razão ou da emoção no futuro. Digo valorizar mais porque não há vida ou política sem emoção. Espero que o Serra entenda um pouco mais de candomblé. E a Dilma leia um pouco mais de Descartes.