10 de fev de 2010

Perdidos no espaço... da gaveta - II

Perdoe-me pelo meu bom humor.
É quando sou mais falso.
Perdoe-me quando faço brincadeiras, invento tiradas, lembro piadas.
É tudo verniz.
Perdoe-me quando saio a rua, cumprimento pessoas, caminho com alguma alegria ou fico reparando absorto os carros que passam.
É tudo ilusão.
Perdoe-me quando extrapolo com um copo de cachaça na mão, recito velhas poesias, conto velhos casos, falo muito e dou gargalhadas.
É tudo teatro.
Perdoe-me quando sonho, penso em coisas bacanas, tento lhe convencer de que amanhã será outro dia.
Utopia! Só utopia.
Perdoe-me quando acho que dei a tacada certa, me exalto e quase sambo sobre a mesa do escritório.
Apenas um excesso a mais...
A minha verdade é de uma existência muito precária.
Apenas a solidão, o silêncio,
algumas lembranças velhas e carcomidas,
o sofá da sala de madrugada, a última dose de cachaça,
o humor instável,
o temor à primeira luz do dia
são capazes de dizer alguma verdade sobre mim.
Eu mesmo não tenho muito a dizer sobre isso.

Brasília, fevereiro de 2007

2 comentários:

Flávia disse...

Tenho certeza que se escafunchar vai encontrar muito mais. Obrigada por nos presenter com seus belos textos poéticos.

Bj

Flávia

Anônimo disse...

Eu entendo isso!