28 de fev de 2010

O mundo em trincas...

Não bastasse o terremoto na Haiti e suas quase 300 mil vítimas, agora outro no Chile com mais de 700 mortos. Essa história de placas tectônicas é uma sentença: o Brasil pode se tranquilizar por surfar nesse mundo no meio da transatlântica placa Sulamericana, mas todos os países da costa pacífica da América, particularmente no Caribe, nas bordas das placas de Nazca e Pacífica, não podem dormir em paz porque navegam numa jangada arriscada...

Um homem de livros

[www.estadao.com.br]

Morreu hoje o maior bibliófilo brasileiro: José Mindlin, 95. Sua paixão pelos livros veio desde a infância, tornou-se um colecionador de raridades e chegou a reunir quase 50 mil livros em sua biblioteca, parte deles doados à USP. O advogado, o empresário de sucesso (Metal Leve) e o acadêmico José Mindlin ficam sombreados pelo homem de livros José Mindlin.

Tem gente nesse mundo que dá vontade de ter conhecido. Ele foi um desses, assim em sua biblioteca, como nessa foto do Estadão...

Tchó

O post ‘I COMTUR’ foi utilizado por um anônimo para postar comentários críticos ao PT e sua liderança. Esses comentários foram apagados, mas suscitaram outros comentários, não anônimos, em defesa de quem havia sido agredido, em especial, do Luciano Lyra e do Tchó. Eu conheço pouco o Luciano; nesse caso, as pessoas que o defenderam, como o Paulinho do Boi, por conhecê-lo mais e melhor, podem ser mais autênticos em seus depoimentos. Eu apenas os agradeço por terem usado esse espaço para fazerem justiça a ele. Quanto ao Tchó - de quem Flávia, leitora desse blog e sua sobrinha, fez uma defesa, ao mesmo tempo, terna e franca -, por eu conhecê-lo um pouco mais, ainda que não tanto assim, eu me sinto devedor de algumas palavras.

Vou ser muito direto. Em uma visão de liderança que vá além do indivíduo, que incorpore uma necessária representatividade social e uma relação orgânica com seu meio e que traduza, por si mesmo, os valores em que se funda, sem adereços, sem a efêmera empáfia do poder, sem a auto-referência do discurso, resguardando absoluta simplicidade (em sentido evangélico mesmo, aquilo que só guardam os homens de bem, os homens de boa fé...), eu não gastaria os dedos de uma mão, para incluir Tchó entre as maiores de nossa cidade. Pensando bem, os dedos de uma mão são muitos. Eu poderia incluir aí lideranças políticas, históricas, éticas, exemplares, referenciais; mas se eu precisar associar também o adjetivo ‘popular’ e a postura de entrega de vida pela causa dos mais pobres, da justiça e da transformação social como qualidades indispensáveis a esse tipo de liderança a que me refiro, francamente, acho que basta um único dedo de uma só mão para lembrar de Tchó.

Fora moradores e servidores, na foto, Tchó é o único sem paletó. Emblemático!

O nome e a história do Tchó vão muito além de nossas fronteiras. Quantas vezes, no meu pouco tempo de Brasília, figuras importantes do país, lideranças proeminentes de diferentes tipos, traços e origens, que iam visitar o ministro Patrus, ao saber que eu era de Sete Lagoas, não me surpreenderam com a pergunta: ‘E como vai o Tchó?’. E eu digo que me surpreendiam porque nunca o vi mostrando esse prestígio em fotos de jornais... Aos 73 anos, como Flávia nos revelou, ele segue percorrendo o Kuait e o Iraque, trabalhando com famílias pobres, apoiando-as na reestruturação de suas vidas, no processo de mudança para as novas casas do PAC; segue tomando um ônibus hoje, outro amanhã, para onde for, para reunir-se com seus companheiros do MTC. Quem mais faz isso nessa idade em que já lhe é de direito escolher entre fazer política em um confortável gabinete ou resguardar a elegante posição de um sábio e experiente conselheiro?

Tchó não é uma liderança na qual me espelho. É uma liderança que reconheço que não tenho talento para seguir.

Planejando o Planejamento

Em junho, quando assumi a Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão, postei aqui um texto apontando 5 prioridades: (1) Avançar na estruturação do plano de governo, através do Plano Plurianual – PPA 2010/2013; (2) Elaborar o orçamento de 2010, tentando caminhar na direção do Orçamento Participativo; (3) Tirar o Plano Diretor da gaveta, revisá-lo e apressar a elaboração de nova Lei de Uso e Ocupação do Solo; (4) Coordenar a reforma administrativa; e (5) Contribuir na proposição de novo plano de cargos e salários da administração municipal.

Em dezembro, seis meses depois, fizemos o primeiro seminário de planejamento estratégico da equipe da secretaria: ‘SMPOG 2010 - ampliando o compromisso com o governo e a cidade’. Discutimos, ao nosso olhar, as prioridades do governo Maroca e, em seguida, redefinimos as prioridades da Secretaria para 2010. Não foi considerada mais apenas a minha visão, mas a visão do grupo.

Nessa sexta, retomamos as atividades de planejamento, para debatermos a primeira de nossas prioridades: 'estruturar, integrar e definir metas para a SMPOG'. Definimos 4 projetos estratégicos e o modelo gerencial que vamos adotar.

Nossos projetos estratégicos
Das prioridades de junho, apenas o plano de cargos e salários saiu, em parte, do nosso radar. Nossa intenção de contribuir na sua formulação permanece, mas o entendimento é que é atribuição precípua das secretarias que ordenam despesas de folha.

Dividimos nossas prioridades em dois grupos. No primeiro, estão aquelas que temos governabilidade relativa, ou por dependência orçamentária ou por necessidade de agrupar mais capital humano. Na ordem, é o caso da reforma administrativa e do OP. A reforma está em ponto de bala, mas no nível que está sendo posta, de se trazer uma consultoria no nível do INDG para formulá-la conosco, depende de disponibilidade financeira; o OP, no que diz respeito à sua organização (definição territorial, contratação de consultorias etc.), não há impedimento algum e vamos dar a largada, mas para sua implementação precisamos de mais estrutura e a organização de um arranjo interno no governo.

Das ações que temos mais governabilidade, definimos quatro projetos prioritários: Projeto PD/LUOS – Revisão do Plano Diretor e elaboração da Lei de Uso e Ocupação do Solo; Projeto PPA – Revisão do PPA 2010-2013; Projeto Central de Projeto – Consolidação de um Núcleo Intersetorial de Projetos, priorizando a conclusão do PMAT; e Projeto Territórios – Reconfiguração social dos territórios sete-lagoanos para atuação pública (inclusive para o OP).

Nosso modelo gerencial
A Secretaria vai continuar atuando, ordinariamente, com base em seus órgãos de competência, o Departamento de Políticas Urbanas - DPU e o Departamento de Licenciamento de Obras - DLO (ambos da Gerência de Políticas Urbanas), a Gerência de Geoprocessamento – GEO, a Gerência de Orçamento Público – GOP, e em dois núcleos informais, o Gabinete – GAB e o Núcleo de Planejamento e Gestão – NPG.

Para o gerenciamento dos quatro projetos estratégicos, adotamos um modelo matricial: cada órgão formal e informal alocou um representante em cada projeto e assumiu a coordenação de um deles. Nos comprometemos, então, com duas datas: uma data zero e uma data de cumprimento de meta. Na sua data zero, cada grupo de projeto apresentará a sua programação de trabalho, inclusive um cronograma que será pactuado. No dia-a-dia, vamos fazer o gerenciamento do processo através de um ‘observatório aberto’ – digamos, não uma sala de situação, mas um ‘quadro de situação’: cada coordenador vai manter atualizado, em um quadro 'público', o andamento dos trabalhos do grupo (reuniões realizadas, pauta, decisões centrais, próxima reunião, próximas etapas). O Gabinete vai fazer a supervisão geral e a articulação externa.

27 de fev de 2010

Serra e o fim da era paulista na política

Por que José Serra vacila tanto em anunciar-se candidato?

Para quem acompanha a política paulista com olhos de observador e tem contatos com aliados atuais e ex-aliados de Serra, a razão é simples.

Seu cálculo político era o seguinte: se perde as eleições para presidente, acaba sua carreira política; se se lança candidato a governador, mas o PSDB consegue emplacar o candidato a presidente, perde o partido para o aliado. Em qualquer hipótese, iria para o aposentadoria ou para segundo plano. Para ele só interessava uma das seguintes alternativas: ele presidente ou; ele governador e alguém do PT presidente. Ou o PSDB dava certo com ele; ou que explodisse, sem ele.

Esta foi a lógica que (des)orientou sua (in)decisão e que levou o partido a esse abraço de afogado. A ideia era enrolar até a convenção, lá analisar o que lhe fosse melhor.

De lá para cá, muita água rolou. Agora, as alternativas são as seguintes:

1. O xeque que recebeu de Aécio Neves (anunciando a saída da disputa para candidato a presidente) demoliu a estratégia inicial de Serra. Agora, se desiste da presidência e sai candidato a governador, leva a pecha de medroso e de sujeito que sacrificou o partido em nome de seus interesses pessoais.

2. Se sai candidato a presidente, no dia seguinte o serrismo acaba.

Essa é a primeira parte de texto publicado pelo jornalista Luis Nassif em seu blog. Cliquem aqui para lerem o artigo na íntegra. Duríssimo!

Zeeeeeeero

Com gol aos 44', o Cruzeiro passa pelo Ituiutaba, soma mais 3 pontos e assume a liderança da sexta rodada. [O Ipatinga e o Democrata-GV só retomam a ponta, se vencerem, porque estarão com um jogo a mais...].

Datafolha: Dilma encosta em Serra

Pesquisa Datafolha publicada no jornal 'Folha de São Paulo', deste domingo, e já nas bancas paulistas, mostrou crescimento de Dilma (PT), queda de Serra (PSDB) e estagnação das candidaturas de Ciro (PSB) e Marina (PT). Os números: com relação a pesquisa de dezembro, Dilma subiu de 23 para 28 e Serra caiu de 37 para 32%. A diferença caiu de 14 para 4 pontos.

Mudanças também na projeção do segundo turno: o tucano registrou 45% contra 41% da petista. Na pesquisa de dezembro, a diferença era de 15 pontos, agora, apenas 4.

Na pesquisa espontânea, os resultados foram mais curiosos: Lula 10% (as pessoas começam a entender que ele não será candidato. Já teve 20% das intenções), Dilma 10%, Serra 7%, Candidato do Lula 4%, Aécio 1%, Ciro 1%, Marina 1%. Ou seja: Dilma na frente de Serra...

Pelo visto, quando Serra resolver sair de seu calculado silêncio, será tarde demais... Ou seja, parece que calculou mal!

Charge roubada do blog do Chico Maia por indicação do Paulinho do Boi

[Leiam mais clicando aqui e aqui]

Estamos no jogo...


Eu acabo de chegar do SESC Venda Nova, onde está acontecendo a 4ª Conferência da Cidade do Estado de Minas Gerais. Tive a honra de participar da mesa do Painel de hoje, segundo dia da Conferência, sobre 'Integração de Políticas Públicas de Desenvolvimento Urbano'. Honra maior pela estatura dos demais componentes da mesa, sob coordenação da professora Maria Coeli Simões Pires, secretária-adjunta de Estado de Desenvolvimento Regional e Política Urbana: o presidente da COPASA Ricardo Campos, o diretor-geral da Agência da RMBH José Osvaldo Lasmar e o presidente da COHAB Mauro Sérgio Brito, como representantes do Poder Público Estadual; João Augusto Aguiar Fº, como representante dos movimentos populares; Maria Henriqueta Arantes, do SINDUSCON, José Abílio Belo, dos profissionais e acadêmicos e Maeli Borges, das ONG's. Eu fui convidado, pela organização estadual, como representante do Poder Público Municipal.

Da esquerda para a direita: Maria Coeli (SEDRU), Ricardo Campos (COPASA), eu e Maeli Borges (ONG)

Da esquerda para a direita: J.Abílio (Profissionais), João Aguiar (MS), Mauro Brito (COHAB), Maria Coeli (SEDRU), eu e Maeli Borges (ONG)

O que me deixa estimulado nessa história não é o fato de minha presença em si, mas de nossa cidade estar se reconectando com o estado e com o país, no debate sobre políticas urbanas. Minha honra vem, não de ver, vaidosamente, a mim mesmo, mas de ver um representante de Sete Lagoas numa mesa em que, faz tempo, não tínhamos oportunidade de sentar. E mais: de ver, na plenária, os delegados de nossa cidade presentes e atuantes.

Eu expus algumas reflexões sobre a noção de 'território' que estamos trabalhando em Sete Lagoas, levei alguns depoimentos que ouvi na nossa Conferência Municipal sobre participação popular em projetos urbanos e fiz algumas considerações sobre integração de políticas, não apenas na sua execução, mas em todo o ciclo de gestão. Um bom assunto...

Plenária da Conferência

O mais importante, nesses casos, é a oportunidade de interação, de ver e rever amigos, de troca de idéias e de construção de redes de relacionamento. Isso é bom pra cidade. É necessário. Esse foi o meu objetivo e de toda a delegação. Fizemos uma reunião preparatória, na quinta, exatamente para traçar nossos objetivos e estratégias comuns de participação. Sete Lagoas está no jogo e quer jogo!

Governabilidade

O PT decide hoje sua posição frente ao governo municipal. Torço, com entusiasmo, para que a posição favorável à repactuação saia não apenas vencedora do debate no diretório, mas saia como uma posição unificadora do partido. Pelas últimas notícias - a reunião de parte da executiva com o prefeito na quinta, a aproximação do prefeito com o Fábio e o Sílvio, na sexta etc. -, a tendência, ao que se vê, é pela reconstrução da aliança, sem maiores transtornos. Deus permita!

É bom ver isso... No final de janeiro, a tendência era oposta. A vinda do ministro Patrus, na abertura da 2ª Conferência da Cidade, quase se deu em um quadro de constrangimento. Muita intriga houve de que, apesar do debate sobre o OP ser o primeiro da sua pauta, o PT havia boicotado a Conferência. A oposição ao governo comemorava porque sabia que isso punha em risco a governabilidade. Quando, no dia 05 de fevereiro, postei aqui um texto intitulado 'Porque insisto na repactuação das relações do PT com o governo', eu não estava sozinho na proposta, mas era uma minoria quase invisível. Praticamente todos os comentários feitos nessa postagem e outras que se sucederam eram contrários ou, no mínimo, descrentes. Os blogs das principais lideranças do partido, de igual maneira, externavam posições de oposição, independência ou, no mínimo, descrença. Quando não resvalavam para acusações pessoais... Nesse tempo, como se diz, ouvi 'de um tudo'. O que importa, entretanto, é que o processo que se desencadeou de lá pra cá mostrou que é possível reconstruir relações políticas e partidárias de forma madura.

Eu não participei do desfecho do processo. Eventuais divergências que eu possa ter com ele são irrelevantes. Não por estar no governo, não por estar no PT, mas em nome da cidade, espero que se reconstrua a governabilidade, que se abaixe a poeira, que se pare - situação/oposição - de olhar incansavelmente para o próprio umbigo da política, que se pare de gastar energia inútil e, como vem defendendo entre nós nesse blog o Pablo Pacheco, que passemos a gastar tempo com Sete Lagoas e os sete-lagoanos. De novo: Deus permita!

25 de fev de 2010

I COMTUR


Participei, agora pela manhã, do I Encontro do COMTUR ou I Encontro Municipal do Turismo. Achei uma iniciativa importante como largada para o Plano Municipal de Turismo e como estímulo a um maior envolvimento do governo, de todo o trade do turismo e da sociedade nas oportunidades que estão se abrindo via 'Arena do Jacaré', no curtíssimo prazo, e 'Copa 2014', um pouco mais à frente. Foi, naturalmente, um encontro de nivelamento. Mas, para além dele, achei saudável a preocupação em se definir uma agenda de seguimento, como se fez, com articulações por setor do trade. Parbéns aos realizadores!

[Pessoalmente, tive um motivo adicional para gostar de ter participado. Luiza, minha filha, que acabou de se formar em turismo, pela PUC, animou-se a vir de BH, participou do evento e discutiu comigo, no almoço, o que havia achado. Uma experiência que nunca havia vivido!]

...o outro é do caçador

A história se inverteu. Dessa vez quem ficou com 9 em campo foi o adversário. E o Cruzeiro soube fazer o placar que precisava: 4 a 1 no Colo Colo. [Saldo de gols pode fazer falta lá na frente...]. E mais: o time celeste estreou torcedora nova.

[Foto do Portal UAI]

24 de fev de 2010

Regra do jogo

Terminou a nossa enquete. Sobre o que fazer com comentários anônimos, a opção ‘devem ser apagados’ recebeu 12 votos (31%); a ‘devem ficar visíveis’, 10 votos (26%); e a ‘só devem ser apagados quando contiver conteúdo impróprio ou agressivo a alguém’, 17 (43%). Faço duas leituras desse resultado: apenas um grupo minoritário (26%) entendeu que elas devem ficar expostas, qualquer que seja o conteúdo. Foi a posição fragorosamente derrotada. Isso me parece um incentivo a opiniões assinadas, manifestadas claramente, sem medo do debate franco e aberto. A ampla maioria, 74%, foi contra comentários anônimos, alguns de forma condicionada, outros de forma incondicionada. De novo, a percepção de que comentários anônimos não são muito valorizados. De toda forma, doravante, vamos cumprir a ordem dada pelos leitores votantes: comentários anônimos colaborativos serão mantidos, comentários com conteúdo impróprio ou agressão pessoal serão apagados.

Água não é vassoura

Pela manhã eu caminho à deriva pela cidade e não em um circuito determinado. Muitas vezes saio de casa, vou pela beira do córrego, subo a Avenida Nações Unidas até a Perimetral e desço por dentro do bairro Jardim Arizona, pela Jovelino Lanza. Um dia desses, eu vou contar em quantas casas as pessoas, no começo do dia, ‘varrem’ suas calçadas, já bastante limpas, em geral apenas com folhas de árvores, com uma mangueira d’água. Ou seja, usam água, esse bem escasso, como vassoura! Não quero criminalizar ninguém, mas é preciso mostrar que isso é um problema de cidadania. Todos sabemos que o sistema de abastecimento de água sete-lagoano tem apresentado problemas, que há um esforço de organização enorme do SAAE para superação desse problema, que há não apenas esforço técnico mas investimentos altos na viabilização da captação de águas do Rio das Velas para equacionar o problema, ainda assim, enquanto alguns ficam sem água, outros a utilizam para lavar calçadas, melhor ‘varrer’ calçadas.

Plebiscito partidário

Marcos Coimbra, em sua coluna no Estado de Minas, hoje, ‘Ainda o plebiscito’, vislumbra a possibilidade de termos a primeira eleição presidencial baseada em partidos e não em pessoas, desde a redemocratização. Vale a pena a leitura. Vejam o trecho final:

“Usando as palavras que ele usaria, o plebiscito que Lula quer não é entre ele e FHC, mas entre o que “nós” (o PT) somos e fazemos e “eles” (o PSDB) são e fazem. Se acontecer como ele pensa, seria a primeira eleição genuinamente partidária de nossa história política, em vez das disputas personalistas que sempre tivemos.

Não importa quem vença. O importante é que teremos, de um lado, um bom e legítimo candidato do PSDB (paulista, ex-intelectual, integrante do governo FHC) e, de outro, uma boa e legítima candidata do PT (técnica do setor público, ex-militante de esquerda, integrante do governo Lula). Sem a combinação de ilusão e medo (como a que deu a vitória a Collor), sem mágicas (como a do Real, que elegeu Fernando Henrique), sem carismas (como o de Lula).

Não era isso que queríamos, uma política em que os partidos são mais importantes que as pessoas?”

23 de fev de 2010

Bo

Eu quase não uso carro em Sete Lagoas. Hoje entre uma ida daqui pr'ali, de lá pra cá, fiquei ouvindo Cesária Évora. No meio de tantas músicas, todas lindas, uma especial: 'Roma criola'

Um fase di oro
Bo conche o Mindelo
Bo porto-coracao
Ta irriga-bo di riqueza
Um era d'esplendor
Qui tcha tracos na povo
Na boa arquitetura
Bo cosmopolitismo
Qui faze di bo
Um roma criola
Gloriosa e decadente
Ma hoje bo tita vive
Ness gloria passada
Bo historiabo ca ta pode
refaze'I
Uvi voz di bos poeta
Ta canta p'um futuro risonho
Pa bo e Cabo Verde
Se Mindelo um vez era sabe
Inda el ta ser mas sabe
Se Mindelo uma vez era sabe
Inda el ta ser mas sabe

Sem etiqueta, sem preço

Eu tenho particular dificuldade com essas apresentações de auto-ajuda ou de fundo moral, ou coisa do gênero, que circulam por e-mail. Em geral, abro, vejo do que se trata e apago. Hoje, recebi uma que, como tantas outras, acabou se desdobrando em lições moralistas baratas, mas que, antes, narrou um fato muito curioso. Mais ou menos o seguinte: numa manhã, um sujeito vestindo jeans, camiseta e boné desce numa estação de metrô em New York e, próximo à entrada, tira um violino e passa a tocar com entusiasmo para a multidão de passantes. Por 45 minutos foi inteiramente ignorado. O cara era Joshua Bell, com um raríssimo Stradivarius de 1713 avaliado em US$3mi. Dias antes, Bell havia tocado no Boston Symphony Hall. O preço dos melhores lugares chegou a mil dólares. A história no metrô era uma iniciativa do The Washington Post para um debate sobre 'valor, contexto e arte'. Emblematicamente, o nome da apresentação era ‘Sem etiqueta, sem preço’...

[Pesquisando na internet, vi que a história é verídica, com algumas correções. O caso não se deu em uma estação em NY, mas em Washington (L'Enfant Plaza), o valor do violino está estimado em 3,5 e não 3 milhões de dólares, o ingresso no BSH não custava mil, mas 100 dólares. 1.097 pessoas passaram à sua frente e a esmagadora maioria, da fato, o ignorou... Para saberem mais acessem 'Joshua Bell no Metro - Pérolas a porcos ou falta de contexto?'].

Não sou eu quem diz...


O desequilíbrio no clássico entre Cruzeiro e Atlético-MG nos últimos anos impressiona. Neste sábado, a Raposa mais uma vez venceu o Galo, com direito a brincadeira do estreante Roger.

Foi a 12ª vitória nos últimos 15 confrontos entre os rivais mineiros. Nos outros três jogos, ocorreram dois empates e o único triunfo do Atlético-MG aconteceu quando o Cruzeiro entrou em campo com os reservas, já que poupava os titulares para uma partida pela Libertadores no ano passado.

Atualmente, a superioridade do Cruzeiro é a maior freguesia entre grandes rivais do futebol brasileiro. Nenhum outro duelo nos estados do país tem uma disparidade tão grande. [...]

Campanha contra a dengue muda o foco

As campanhas contra a dengue, tradicionalmente, foram sendo realizadas como campanhas pedagógicas com objetivo de levar a população a adotar comportamentos preventivos. Acostumamo-nos com peças publicitárias cheias de pratos de vasos de plantas, garrafas, pneus, caixas d'água etc., ou seja, com os meios de proliferação do vetor e como lidar com eles. Intuitivamente, o registro geral passava a ser que dengue era mosquito e prato de vaso. Isso me parece correto até o limite de, pela repetição, perder a eficácia. E sobretudo, deixar perder de vista a consequência do 'mosquito' e do 'prato de vaso': a doença, propriamente, a dengue e seus riscos...


Nesse contexto, acho que a campanha da Prefeitura de Sete Lagoas, que está nas ruas, focando pessoas que tiveram a doença e o drama que ela gerou, ou seja, agregando uma dimensão emocional à já batida, ainda que necessária, dimensão pedagógica, é acertadíssima! Sensibiliza muito... Nota 10!




Criado mudo

Ando lendo pouco e isso é muito ruim. Mas, acidentalmente, esse final de semana, em um sebo em BH, achei um livro que havia lido parcialmente, anos atrás, e que, então, recuperei: 'Viagem na Irrealidade Cotidinana', de Umberto Eco. Só o primeiro texto, 'As Fortalezas da Solidão', que começa falando do hiper-realismo americano ("... à procura dos casos em que a imaginação norte-americana deseja a coisa verdadeira e para atingí-la deve realizar o falso absoluto; ..."), já vale a pena. Vocês já leram?

Agora, 'acertamento político'

O presidente do PT, Sílvio de Sá, em seu blog, fez uma ponderação sobre o processo de repactuação entre o PT e o governo. O Sílvio prefere não usar a palavra 'repactuação', por entender que não houve um 'pacto' anterior, mas uma 'aceitação', e usar o termo 'acertamento político'.

Quero salientar para os leitores desse blog um fato que me parece salutar: a sequência de comentários feitos em varios blogs - nesse, no do Enio e, agora, no do Sílvio, por exemplo -, sobre esse processo, vai mostrando uma enorme maturidade do PT em negociar com o governo. O conjunto de proposições ou fundamentos expostos pelos companheiros para construção ou reconstrução da relação PT/governo evidencia seu foco político e programático, com 2P's maiúsculos.

No último post, Silvio centrou sua proposição em três princípios: (1) Conselho Político Partidário, (2) Criação de uma relação política com a base na câmara e (3) A inclusão do PT, como partido capaz de contribuir com o desenvolvimento político, econômico e social desta cidade.Visivelmente, esses pontos tem absoluta convergência com os que eu próprio tenho levantado e com os que Enio elencou em sua recente postagem.

Um comentário final: o Silvio concluiu sua manifestação mencionando meu nome ("Estes foram os três princípios norteadores que apresentamos ao Prefeito Municipal, como condição, sine qua non, para o inicio pactuação política, e ao que parece alguns já colocados em prática pelo companheiro Flávio de Castro, como a relação com a base"). Quero apenas ressaltar que ocupo, nesse processo, apenas o papel de facilitador, quando essa oportunidade me é dada. Não fico levando e trazendo contrabanos; apenas procurando agregar o máximo de racionalidade nesse entendimento, evitar ruidos e pavimentar caminhos. Nada mais. Em nenhum momento, assumo posição de negociador que reconheço ser exclusiva do diretório e da executiva do PT, de um lado, e prerrogativa do Prefeito, de outro...

A estranha estética de Vancouver

[Fotos disponíveis no Portal Terra]

22 de fev de 2010

Flanelation tion

Só rindo: FLANELATION TION chegou a ficar em primeiro lugar, hoje, no 'Twitter Trending Topics Brasil'...

21 de fev de 2010

Novos outdoors, novos tempos...



Outdoors na esquina das ruas Major Lopes e Lavras, no bairro São Pedro, em BH, após a aprovação do novo Código de Posturas que produzirá uma limpeza urbana na paisagem da capital.

Mais uma vez, (re)pactuação

Retomo esse assunto por força de comentários feitos pelo Enio Eduardo na postagem ‘De novo, repactuação’ e no seu blog. Quero ser muito claro sobre a forma com que vejo pactuações políticas em Sete Lagoas, seja a que está em debate, entre o PT e o governo municipal, seja qualquer outra que venha a se desenhar em outro momento e circunstância. Nesse sentido, no conteúdo, ainda que possa transigir em um ou outro detalhe, tenho concordância com a direção que as proposições do Enio apontam.  Minhas posições são as seguintes: a) Não defendo qualquer pactuação apenas como instrumento de ajuste político circunstancial ou oportunista, com um fim nela mesma. Defendo uma pactuação em função e na proporção de sua capacidade de ser inovadora em benefício de nossa cidade. No caso de uma (re)pactuação com o PT, agora, eu a defendo pela força que ela tem de (re)introduzir, na agenda política, questões inadiáveis como a reorganização da relação governo-sociedade, via OP, e a politização da gestão, via conselho político; b) Acho que toda pactuação passa por coisas como a formação de conselho político (onde, no caso, o PT teria assento); estruturação da relação com a base parlamentar (em que o PT, pela presença de 3 vereadores, teria posição relevante); definição de eixos programáticos fundamentais (no caso, reitero, centrado na implementação do OP); e aumento no nível de participação no governo, não apenas, mas também através de eventuais cargos; c) Especialmente quanto à discussão de cargos, quando ela se abre, acho que deve ser tratada como subsidiária ao propósito geral. Ou seja, discordo sempre e inteiramente da idéia de aparelhamento, se é que ela ocorre a alguém. Em minha opinião, essa discussão deve se dar em torno de perfis compatíveis com funções, resguardando-se, necessariamente, o interesse público. E, do ponto de vista prático, resguardando-se o direito de escolha do prefeito, sem imposições, o direito dele de incorporar nomes com quem guarde afinidade política e que, ao seu olhar, colaborem na construção relações sinérgicas com a sua equipe.

Vetor norte

Esse é um tema muito falado, mas que precisa ser melhor estruturado na agenda política sete-lagoana: a nossa conexão com o projeto do vetor norte metropolitano. O projeto do governo estadual que envolve, até o momento, a revitalização do aeroporto de Confins, a construção da Linha Verde e do Centro Administrativo, precisa se estender até Sete Lagoas, o que passa, obrigatoriamente, pela melhoria de trafegabilidade da MG-424. Esta rodovia estadual é tema, hoje, de matéria do jornal Estado de Minas: 'Buracos e falta de sinalização - Motoristas que circulam pela MG-424, entre Belo Horizonte e Sete Lagoas se irritam com a lentidão e o tráfego pesado'.

Do ponto de vista local, ainda que a sintonização com o vetor norte seja uma estratégia de desenvolvimento em si mesma, que pode consolidar um pólo de negócios próprio, mais amplamente, ela deve se incorporar no compromisso de Sete Lagoas com o desenvolvimento regional. Significa, por exemplo, reconsiderar o posicionamento geo-política da cidade, que alavancou seu desenvolvimento industrial recente na linearidade determinada pela BR-040. A 040 tornou-se, nas últimas décadas, o eixo hegemônico de interligação de SL com a rede estadual de cidades, por onde trafegam as oportunidades. Isso pode mudar, favorecendo a diversificação. A integração do vetor norte/424, com a 238/010 (que passa à porta do distrito industrial norte) e o futuro rodoanel indo até a 040 dá curso a essa perspectiva.

A semana de Dilma

Depois de receber o bastão de Lula para substituí-lo na primeira eleição presidencial brasileira sem ele próprio como candidato, depois de receber as bençãos do PT, depois de reafirmar em seu discurso a tese do 'Estado forte' com a manutenção do equilíbrio macro-econômico e a continuidade das políticas sociais, Dilma ganhou as manchetes de todos os portais da internet e as capas das principais revistas semanais do país. Tudo conforme o figurino: faz barulho e ocupa espaço enquanto seu concorrente finge de morto. Dá-lhe Dilma!

[Imagens disponíveis na internet]

Inferno astral

O DEM vive tempos DEMoníacos. Não bastasse o problemão do Distrito Federal, que culminou na prisão de Arruda, até então governador pelo partido, a imprensa acaba de divulgar que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, também do Democratas, foi condenado à perda de mandato, pela Justiça Eleitoral, em 1ª instância, por doações ilegais de campanha. Kassab continua no cargo até o julgamento na instância superior. De toda forma, o DEM, ex-PFL, e lá atrás, antiga ARENA, vai perdendo gás para manutenção de seu discurso de partido pretensamente 'moderno', coisa que nunca foi...

Irritação

Provocado pela torcida cruzeirense, o técnico Luxemburgo não pareceu ser velho de guerra no futebol: irritou-se, bateu no peito e deu banana pra torcida azul. Papel de torcedor é torcer e provocar. Papel de técnico é ganhar jogo. Apelou, perdeu... [Cliquem aqui para verem o embate torcida do Cruzeiro versus Luxemburgo, no Youtube]

[Foto uai.com.br]

Raposão

[Foto no g1.com.br]

Sob pressão do Atlético e mantendo posicionamento cuidadoso, o Cruzeiro parecia satisfeito com o empate e já de olho no jogo de quarta. Até a entrada de Roger: estréia em clássico, campo lotado, uma assistência aos 37' e um golaço aos 43'. Incrível! E ainda pôs a cabeça do Raposão pra cair de vez no coração do torcedor. Roger Raposão fez a diferença.

19 de fev de 2010

Desinformação

Desinformação é mais do informação falsa. A desinformação, a contra-informação tem finalidades calculadas, objetivos inconfessos. As notícias que circularam na imprensa, esta semana dando conta de que o secretário José Orleans 'caiu' por imposição desse ou daquele vereador vai além de uma informação inexata. É uma artimanha no jogo político. Quem acompanha os fatos com um mínimo de proximidade sabe, e sabe bastante bem, que o secretário da Saúde tem sido uma das pessoas mais próximas do prefeito. E que sua eventual saída do governo não se daria ou dará por desgaste ou 'queda'.

O que me parece pior, nessas desinformações, são as mensagens subliminares que elas trazem. No caso, de que 'vereador derruba secretário'. Ao contrário do que parece, essa mensagem não denota uma desejada fragilidade do poder executivo, por quem a divulga, mas sobretudo, a falência dos poderes municipais constituídos, a começar pelo Legislativo. Ninguém, em sã consciência, interpretaria esse ato, se fato fosse, como indicador de força parlamentar, mas de deturpação de valores: a exaltação do golpismo, o equivocado e pernicioso conflito de papéis. Um erro!

Entrevista de Lula no Estadão de hoje

"Em entrevista exclusiva concedida ao Estado nesta quinta-feira, 18, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou ter escolhido Dilma Rousseff como candidata presidencial para apenas um mandato, com o objetivo de voltar ao poder em 2014. “Ninguém aceita ser vaca de presépio e muito menos eu iria escolher uma pessoa para ser vaca de presépio”, afirmou Lula. “Todo político que tentou eleger alguém manipulado quebrou a cara.” A entrevista, que poderá ser lida na íntegra na edição desta sexta-feira, 19, do Estadão, foi concedida aos jornalistas Vera Rosa, Tânia Monteiro, João Bosco Rabello, Rui Nogueira e Ricardo Gandour".

[Foto no site do Estadão de Wilson Pedrosa]

"O governo tem dois papeis, e a crise reforçou a descoberta deste papel. O governo tem, de um lado, de ser o regulador e o fiscalizador; do outro lado, tem de ser o indutor, o provocador do investimento, aquele que discute com o empresário e pergunta por que ele não investe em tal setor".

[Cliquem aqui para ouvirem a entrevista]

18 de fev de 2010

Apenas um Uno Mille


É apenas um Uno Mille. Mas eu gostaria que vocês, leitores e amigos deste blog, entendessem o enorme valor simbólico que ele tem para todos nós da Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão, especialmente, do Departamento de Licenciamento de Obras, o DLO.

Consta das atribuições legais da SMPOG, a gestão da política urbana. O seu organograma contém, desde 2006, a Gerência de Políticas Urbanas. Eu lhes pergunto: vocês fazem idéia de quantas pessoas estavam lotadas nessa gerência, responsável pela formulação da política de desenvolvimento urbano de Sete Lagoas, essa nossa cidade com seus quase 240 mil habitantes? Acertou em cheio quem disse NENHUMA!...

Passado pouco tempo, nós temos, hoje, cinco servidores qualificadíssimos coordenando essa gerência, aprofundando o conhecimento dos problemas relacionados à fragilidade de nosso arcabouço legal, construindo coletivamente, com apoio da Procuradoria Jurídica, condutas isonômicas para os assuntos que são postos à nossa apreciação e decisão e iniciando o processo de revisão do nosso Plano Diretor: Márzio Henrique e Fátima, Márcia Schaun, Vanessa e, desde semana passada, a Carolina. O Márzio é um aquivo vivo, a memória urbana da Prefeitura. Todos os ex-prefeitos e ex-secretários sabem a importância de Márzio. A locação dos principais empreendimentos de grande porte na cidade, a demarcação das APA's, tudo tem um dedo dele. É o maior defensor do interesse público expresso no ambiente urbano. Fátima é sua fiel escudeira e pessoa essencial para a gerência. Tem longa experiência na adminsitração municipal. Estavam na Secretaria de Obras e vieram se juntar a nós. Márcia Schaun foi capturada na hierarquia da Saúde e se rendeu a troco de puro idealismo. Vanessa e Carolina estão entrando, agora, na área pública...

Desde o final do ano passado, por força da Lei Delegada nº 001/2009 e sob uma onda de intrigas inúteis, o DLO veio compor a estrutura da Gerência de Políticas Urbanas e da SMPOG. Não houve nenhum casuismo nisso. Quem inventou a extinta Secretaria Municipal de Infra-Estrutura Urbana não estava com a cabeça no lugar. Desvinculou licenciamento urbano de política urbana, limpeza urbana de meio ambiente, juntou essas funções com outras díspares como trânsito e transporte público e acabou criando uma secretaria responsável por várias e por nenhuma política pública de fato. A vinda do DLO para o Planejamento recuperou a unidade da formulação e da gestão da política urbana. Isso me parece, rigorosa e conceitualmente, correto...

E o Uno Mille com isso? A sua aquisição, que nos foi autorizada pelo prefeito Maroca, dá ao DLO, responsável pela fiscalização de obras em todo o território municipal, urbano e rural, o seu primeiro (isto mesmo: primeiro!) carro exclusivo, com a palavra FISCALIZAÇÃO, o nome do departamento, da gerência e da secretaria... Tem cabimento?!

Parece pouco e, de fato, é pouquíssimo. Mas é o começo. Um marco! Estamos incorporando novos fiscais, melhorando, ainda que com muita timidez, o seu apoio administrativo, vamos iniciar cursos de capacitação para toda  a equipe, há anos reinvindicados, e vamos trabalhar para sua unificação efetiva à estrutura da Secretaria. O DLO, em pouco tempo, estará à altura das suas atribuições, fundamentais para o ordenamento de nossa cidade. Vamos em frente... [Fotos de Quim Drummond]

A polêmica do Restaurante do Trabalhador

Há um erro nessa história: não são poucos os temas públicos que estão entrando na agenda pelo lado da denúncia para, só depois, serem mais bem conhecidos e esclarecidos. Vejam o assunto do Restaurante do Trabalhador que mereceu uma carta de esclarecimento da ex-secretária Lea Braga, hoje, em resposta às acusações que lhe foram feitas, indevidamente, pelo jornal Boca do Povo. Aconselho a todos a leitura dessa carta... Vou aqui incluir algumas informações adicionais.

Como a Lea mencionou, a razão do fechamento temporário do Restaurante do Trabalhador foi a interdição de sua cozinha pela Vigilância Sanitária. Com pouco mais, pouco menos de cinco anos de construção, o espaço não foi objeto de reformas de manutenção até o ponto de oferecer riscos higiênicos à população. Ainda assim, até 31 de dezembro continuou funcionando, com o isolamento da cozinha, servindo-se refeições produzidas na cozinha do Restaurante Popular, sem nenhum prejuízo a ninguém.

A interdição coincidiu com o novo processo licitatório para terceirização dos serviços do Restaurante do Trabalhador, então em curso. A Lea também fez menção a isso. O governo decidiu, então, unificar a solução do problema da reforma e da escolha da nova empresa prestadora de serviços de alimentação. Explico melhor: as administrações passadas definiram dois modelos diferentes de gestão dos dois restaurantes. O do Trabalhador tinha uma gestão consorciada entre a empresa terceirizada (fornecimento de alimentação) e a prefeitura (manutenção do espaço físico); o Popular, uma gestão unificada, 100% terceirizada. O primeiro modelo tem um problema crônico de duplicidade de responsabilidade e comando. Ao se comparar um e outro modelo, a avaliação foi favorável à unificação da gestão em ambas as unidades. Com uma novidade: a inclusão da reforma no processo licitatório do Restaurante do Trabalhador, como responsabilidade a ser assumida pela empresa vencedora. E o resultado final não poderia ter sido mais favorável ao interesse público: diferente do que se poderia prever, a empresa vencedora incorporou os custos integrais da reforma exigida pela VS (orçada em cerca de R$152 mil) sem alteração no preço unitário das refeições que vem praticando no outro restaurante, há mais de dois anos.

Em resumo: a Prefeitura agiu de forma inteligente e diligente, obteve resultados absolutamente favoráveis ao interesse público e atuou de forma planejada, paralisando as atividades do Restaurante do Trabalhador, exatamente, no período de sua menor demanda.

Grande Sertão: Veredas, pela Globo


Nos meses finais de 1985, a Rede Globo lançou a mini-série 'Grande Sertão: Veredas', baseada no livro homônimo de João Guimarães Rosa, dirigida pelo excepcional Walter Avancini. Contava-se, à época, que a filmagem, perto de Buritizeiro, daria um outro filme, tal havia sido a rusticidade do set e a operação de guerra para manter, ali, um mar de atores e coadjuvantes. Vinte e cinco anos depois, a série está sendo lançada em DVD (Globo Marcas, quatro discos, R$ 69,90).

Apaixonado pela literatura de Guimarães Rosa, como tantos outros, eu assisti à série do começo ao fim. Assistir a um filme sobre um livro que você já leu é sempre um problema. Há uma inevitável redução. Nem sempre a fantasiosa cena que nossa mente cria ao ler a descrição de uma ação cabe, perfeitamente, na cena 'real' proposta pelo filme, pela mente de seu diretor, no desempenho de seus atores. De qualquer forma, alguns pontos do Grande Sertão da Globo, então, me marcaram muito. O principal deles foi a figura impressionante que Tarcísio Meira construiu sob a pele do tenebroso Hermógenes. Também o Riobaldo de Tony Ramos me vem a lembrança de forma positiva. Não na mesma escala. De toda forma, Hermógenes e Riobaldo passaram a ter pra mim aquelas caras e aquelas identidades. Ao contrário, entretanto, desde a primeira cena, achei que a Globo havia errado no ponto onde não podia errar: na escolha do ator/atriz para o papel de Reinaldo, o Diadorim. A beleza de Bruna Lombardi é indisfarsavelmente feminina. Ninguém no mundo, nenhum maqueador conseguiria transformá-la num jagunço, ainda que fosse um jagunço melancólico, como Diadorim era. E, de fato, não conseguiu. Na primeira cena, pronto: revelou-se o segredo do livro. Eu achava que a única saída era escalar uma atriz desconhecida, rústica, que, de fato, pudesse se passar por homem. Ou - porque não? - escalar um homem, também melancólico, que levasse para a mini-série a mesma tensão, a mesma dúvida, a mesma incompreensão que o livro depositou, ao longo de 99% de suas páginas, na relação entre Riobaldo e Diadorim.

Vai indo que eu já vou...

Pesquisa CNT/Sensus, de 15 dias atrás, praticamente, definiu um empate técnico entre Serra e Dilma, com 33,2 e 27,8% para um e outro. Pesquisa que será publicada amanhã do IBOPE, não chegou ao mesmo empate mas confirmou, fortemente, a tendência de aproximação entre ambos, tornando irreversível a polarização da disputa PSDB/PT. Frente a pesquisa anterior do mesmo IBOPE (de dezembro), Serra caiu de 38 para 36% e Dilma subiu de 17 para 25%, ou seja, aproximou impressionantes 10 pontos!

Valem duas observações: uma, de novo, confirmou-se que a presença de Ciro na disputa tem sido favorável a Dilma. Quando ele se retirou, Serra subiu para 41 e Dilma para 28, aumentando a diferença de 11 para 13 pontos. Ou seja, Ciro tende a tirar mais votos de Serra do que de Dilma. Outra, de que o silência sepulcral de Serra ainda tem demonstrado efeito real. Estabilizado dentro da margem de erro da pesquisa, aparentemente, seu processo de erosão tem ocorrido em níveis muito mais lentos do que se imagina que ocorrerá quando ele tiver que colocar a cara a tapa, no pega-fogo da campanha.

[Cliquem aqui para saber mais sobre a pesquisa]

A pesquisa, que será divulgada amanhã pelo Diário do Comércio, foi realizada com 2.002 eleitores em 144 municípios de todo o Brasil. O intervalo de confiança estimado é de 95% e a margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Esta pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral, sob o protocolo nº 3196/2010.

17 de fev de 2010

Campanha da Fraternidade 2010

Não sou nada religioso, mas achei muito oportuno o tema da Campanha da Fraternidade, que começa hoje e segue durante o período cristão da quaresma: 'promover uma economia a serviço da vida'.

Acho que esse tema merece uma especial atenção de nós sete-lagoanos. Nós sabemos do nosso vigor econômico, conhecemos nossa capacidade de produção de riqueza, sobretudo com o ingresso na  nossa cidade, nesta década, de empresas modernas de capital transnacional; mas aprofundamos pouco, cuidamos pouco, ou nada, do perfil de ganhos que esse modelo econômico determina: não procuramos reverter seu caráter concentrador, pouco distributivo de renda e excludente. Esse é um debate, sem nenhum xenofobismo, que precisamos travar localmente, para encontrarmos caminhos virtuosos, nesse momento positivo de crescimento que vivemos.


Sobre a Campanha da Fraternidade 2010:

Objetivo geral:
Colaborar na promoção de uma economia a serviço da vida, fundamentada no ideal da cultura da paz, a partir do esforço conjunto das Igrejas Cristãs e de pessoas de boa vontade, para que todos contribuam na construção do bem comum em vista de uma sociedade sem exclusão.

Objetivos específicos:
1. Sensibilizar a sociedade sobre a importância de valorizar todas as pessoas que a constituem;
2. Buscar a superação do consumismo, que faz com que ‘ter’ seja mais importante do que as pessoas;
3. Criar laços entre as pessoas de convivência mais próxima em vista do conhecimento mútuo e da superação tanto do individualismo como das dificuldades pessoais;
4. Mostrar a relação entre fé e vida, a partir da prática da justiça como dimensão constitutiva do anúncio do evangelho;
5. Reconhecer as responsabilidades individuais diante dos problemas decorrentes da vida econômica, em vista da própria conversão.

Traquilo, mas quente

Eu comentei abaixo que passei o Carnaval em BH e que a cidade estava maravilhosamente parada. Mas não comentei que estava também danada de quente. Só não senti tanto calor porque na região do Serra Del Rey, a temperatura é, sempre, pelo menos, uns 3º mais baixa. De dia, todo dia, no clube, o sol era suportável e bem-vindo; ao entardecer, no retorno pra casa, o clima já estava agradável. De toda forma, foi o tempo em que Belo Horizonte era uma cidade de temperatura amena...

Sobre isso, deu no Portal Uai, hoje:

'Belo Horizonte tem dia mais quente em 12 anos'
"O calor não dá trégua em Belo Horizonte. A quarta-feira de cinzas foi o dia mais quente na capital nos últimos 12 anos, durante o mês de fevereiro. Segundo o meteorologista Ruibran dos Reis, do Minas Tempo, os termômetros marcaram 34,3ºC, um a mais que na terça-feira de carnaval, quando a temperatura chegou a 33,3ºC".

Entrevista de Fernando Haddad, no Estadão


'Promoção por mérito valoriza docente'. Com esta chamada o Estadão trouxe, hoje, entrevista que o ministro Haddad concedeu a Lisandra Paraguassú. Sem panfletarismos, o ministro "reconhece que é preciso avançar em três questões na área educacional - ter um modelo de valorização do magistério, que inclua um debate sobre avaliação dos professores; melhorar a qualidade do ensino médio e integrar programas voltados à primeira infância, para atender crianças de até 3 anos".

[Cliquem aqui e leiam a entrevista na íntegra]

União Européia: a próxima crise?


O caderno de Economia do Estadão trouxe, nesta quarta, um bom artigo do jornalista Stefan Schultz, do Der Speigel: 'As cinco ameaças do futuro do euro'. São elas: 1. Grécia: a criança problema; 2. Portugal: governo fraco; 3. Espanha: ameaça maior?; 4. Irlanda: plano em marcha; e 5. Itália: ignorando a dívida. Indo além do problema grego, Schultz analisa a vulnerabilidade desses quatro outros países e o risco potencial que eles geram para o equilíbrio da economia do euro.

A propósito, a internet está cheia de artigos e reportagens puxando a orelha da Grécia com sua dívida acima dos 100% do PIB e muito acima dos 60% recomendados pela UE; com seu déficit orçamentário de quase 13% do PIB, portanto, 4 vezes acima do limite permitido na zona do euro (3%); o curto prazo de refinanciamento de dívidas; e a timidez do seu plano de recuperação. Vejamos: 'UE impõe à Grécia calendário de ajuste e reformas econômicas' [cliquem aqui para ler]; 'Ministros da UE pressionam Grécia a cortar mais o déficit' [cliquem aqui para ler]; ou, no blog de Paul Krugman, 'As férias do euro propostas por Feldstein' [cliquem aqui para ler].

Carnaval sete-lagoano, por Quim

Eu acompanhei o Carnaval de Sete Lagoas pelo blog do Quim Drummond. Muito legal: sempre muito cheio, com adultos, mas sobretudo crianças. Um amigo me ligou dando conta que estava sendo um carnaval e tanto...

Quarta-feira de cinzas

Você é daquelas pessoas que lembra o desfile da Beija-Flor de 1998; o da Mangueira de 2007; e acha que a escola ‘x’ foi injustiçada no ano ‘y’? Eu não. Confesso: não entendo nada de Carnaval e faço a maior confusão. Pra mim, o desse ano é igual ao do ano que passou. Celebridades, futricas, tudo muito parecido. Nem ligo a TV. Vejo só o que está nos portais da internet, mesmo assim porque não há como não ver. O de sempre: Madona faturou duas pratas em 1 minuto; Paris Hilton bebeu, caiu, levantou, deixou um mar de fotos e se mandou; Sabrina Sato deu tudo de si na Sapucaí; Geisy, a estudante do vestido cor de rosa, versão remodelada, mostrou as pernas para um público, agora, bem maior e, marinheira de primeira viagem, acabou no estaleiro; as peladonas tiveram seus 15 minutos de sucesso; teve concurso de bunda e peito; Xuxa beijou Scheila; a ‘Rosa de Ouro’ se deu bem em São Paulo, no carnaval do chocolate; a ‘Unidos da Tijuca’, no Rio; na política, fora o desvario dos candidatos a presidente, cruzando os céus do Brasil, só o DEM ficou no circuito, engendrando uma maneira de sair de fininho, deixando Arruda preso e PO enrascado... Enfim: quarta-feira de cinzas, a coisa acabou. Basta de Carnaval e de tombo em Vancouver. Só Ivete ainda deve estar em cima de um trio elétrico; não faço idéia de quando ela desce de lá. Na volta pra casa, a turma do futebol chegou antes porque tem jogo à vista. Roger veio de Salvador direto pra a toca. Wagner Love nem tirou a fantasia e já joga hoje. Ronaldo o fenômeno voltou aos treinos esbanjando o que sabe fazer de melhor: inovar na produção da própria cuia, agora, raspada. Os demais foliões, no momento, estão entupindo as estradas. Na direção de BH, meio milhão de carros trafegam. Naturalmente, engarrafamento prá todo lado: até os bucólicos 100 km da Serra do Cipó até a capital mineira conseguiram ter 69 km deles paralisados. No mais, tradicionalmente, hoje é dia do balanço mórbido da farra. Como todo ano, em Minas, o problema é a falta de habilidade com praias: a turma se esbalda em lagoas, cachoeiras e rios e 30 (pasmem!) perderam a vida. Nas BR’s e MG’s e expectativa policial é de que os números de mortes superem os 47 de 2009..

Ufa! Longe de tudo isso, tive o Carnaval que pedi a Deus: numa tranqüilíssima Belo Horizonte...

[PS: Na contabilidade final, foram 40 mortes por afogamento e 26 por acidente nas BR's em Minas Gerais]

Nova camisa 2 da seleção


A nova camisa 2, azul, da seleção brasileira circulou nos camarotes carnavalescos. Taí a nº 10 nas mão de Piovani. Eu gostei, Bernardo, meu filho, não.

Haiti: balanço da tragédia


Reconstrução do Haiti custará até US$ 14 bilhões, aponta BID
Gastos se referem à reconstrução de casas, escolas, ruas e demais infraestruturas destruídas por terremoto

O terremoto que atingiu o Haiti há pouco mais de um mês provocou danos de US$ 8 bilhões a US$ 14 bilhões, o que o torna o desastre natural mais devastador sofrido pela Terra na era moderna. Um estudo elaborado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) estima que os gastos para a reconstrução de casas, escolas, ruas e demais infraestruturas poderão chegar a US$ 14 bilhões.

16 de fev de 2010

Carnaval: terça-feira segurando a onda

Estado-empresário

Folha, de hoje, em reportagem de Marta Salomon:

A pré-candidata ao Planalto Dilma Rousseff (PT) defendeu a presença mais forte do Estado na economia, não só para induzir investimentos, mas também para tocar obras. A ministra falou em ‘bem-estar social à moda brasileira’: a presença forte do Estado na economia para universalizar serviços de saneamento, melhorar a segurança pública, ampliar o número de unidades de atendimento na saúde e a oferta de habitação a partir de 2011.

"O grande desafio é ainda superar o peso dos 25 anos de estagnação da economia e das políticas sociais".

Papangus

Carnaval de mistério e criatividade no Agreste pernambucano [no UAI, hoje]

O anonimato é garantido. Aliás, essa é a graça da festa. No carnaval de Bezerros, município do Agreste pernambucano a 114 km de Recife, os papangus são garantia de um espetáculo colorido e ao mesmo tempo misterioso. Desde o início da manhã deste sábado, centenas de foliões, turistas e personagens folclóricos se concentravam no Polo São Sebastião, palco da programação oficial da cidade.


[Fotos no Portal UAI, do Diário de Pernambuco]

Em meio a uma multiplicidade de imagens carnavalescas tão previsíveis, todas tão iguais as do ano que passou, as fantasias dos papangus atravessam o samba...

15 de fev de 2010

Francamente

Cá entre nós, essa história de candidato a presidente - o meu, o seu, o nosso - pular de galho em galho no Carnaval é de uma chatice sem fim. Os caras aparecem de manhã em Recife, à tarde em Salvador, um dia na Sapucaí, outro no Anhembi. Entram no mar de roupa, varrem passarela, usam chapéu de cangaceiro e, claro, falam montes de besteiras... Vai descansar pessoal!


Bretas no Estadão

O caderno Negócios do Estadão trouxe, hoje, em matéria de capa, a vida de Estevam de Assis, dono dos Supermercados Bretas. Não há como não se surpreender: o cara transformou um armazém de interior na maior rede de supermercados 100% nacional, vive em um apartamento de 3 quartos sem TV e computador, tem um carro 1.0, usa aliança negra no dedo anular de quem tem compromisso com a simplicidade, quando não com a pobreza, doa 95% do que ganha, vem sendo assediado nos negócios por todas as redes multinacionais e segue em frente, faturando mais de R$ 2 bi por ano...

O que me vem à cabeça nessa hora é a escala das coisas. O Bretas está em Sete Lagoas e acabou de fazer um super-investimento no novo hipermercado no ex-campo do Democrata. Isso tem tudo a ver com a reportagem do Estadão. Nada a reclamar dos caras... Mas olhando com outros olhos, como não ver que a lógica do negócio 'Bretas' é sempre uma lógica central: o negócio como um todo, o faturamento total, a logística de compra e distribuição centralizada, o empreendimento centrado em si. Qual a crítica recorrente em Sete Lagoas? É que o Bretas não tem nenhum interesse no desenvolvimento local e regional. Não compra uma agulha produzida em Sete Lagoas, não se compromete com as pequenas indústrias locais, passa por cima de tudo, solenemente... O Bretas pode tudo, não precisa de nada...

Carnaval: segunda-feira pondo pra quebrar...


Em família, transpirando Carnaval...


Com os amigos Pedro Palotti e Talita: um verdadeiro bloco carnavalesco, não é mesmo?!

Artigo do jornal espanhol 'El Pais': vale a leitura

'El País': Com Serra ou Dilma, 'Lula vencerá' eleições de 2010
Em artigo de opinião, correspondente do jornal avalia que qualquer candidato vencedor 'seguirá caminho' de Lula.

[Cliquem aqui para ler matéria no Estadão Online]

Em tempo, comentário da Patrícia Aranha no Estado de Minas, desta terça: "Para o jornal espanhol El País, a ministra candidata Dilma Rousseff é quase um anti-Lula. Já o tucano José Serra não faria uma campanha contra o governo Lula, mas de certa continuidade. O Planalto não deve ter gostado nada da reportagem"

Madrugada: achados e perdidos

14 de fev de 2010

Carnaval: domingo sem trégua

O gargalo do capital humano

Não mais do que dez anos atrás, quando se falava na nova economia hiper-tecnológica, o medo era o desemprego. Tão poucos anos depois, deu-se exatamente o contrário: há empregos, falta mão de obra qualificada. Essa é a matéria de capa da Folha, de hoje: 'Brasil enfrenta apagão de mão de obra qualificada - empresas deixam de preencher 1,6 milhão de vagas; há postos sobrando para engenheiros e farmacêuticos'.

"O principal motivo para o não preenchimento dos postos é a falta de qualificação de mão de obra, o que compreende baixo nível de escolaridade, carência de preparo técnico e pouca experiência"

LeYa


A holding editorial lusitana LeYa aportou no Brasil, no ano passado, apostando alto. Aliás, 'apostar' parece ser o verbo predileto da editora. Dos seus três primeiros lançamentos, dois tem autores estreantes: Wagner Homem, com 'Histórias de Canções - Chico Buarque', e Leandro Narloch, com 'Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil'.

Pascoal Soto, responsável pelo lançamento de '1808', o best seller de Laurentino Gomes, pela Planeta, assumiu o comando editorial da LeYa no Brasil. O que não deixa de ser uma demonstração de força.

O caderno Magazine, d'O Tempo, trouxe duas páginas sobre a LeYa e seu novo selo brasileiro 'Lua de Papel', na edição deste domingo.

Eu sou PT. E você?

Carnaval: sábado de corpo e alma

Eu adoro Carnaval ... Entro de corpo e alma ...


Na verdade, só acompanho a farra, muito precariamente, pela internet. É engraçado ... Se um ET acessasse qualquer portal brasileiro ia jurar que carnaval é uma época em que os homens saem de casa e as mulheres sobem na mesa. Fotos? Só dá elas. Chamadas de capa? Só coisas como 'Cláudia Leite usa roupa circense e mostra as curvas'; 'Gatas animam mais uma noite na Bahia'; 'Confiram as beldades de Salvador'; 'Ivete Sangalo alfineta Beyoncé' e por aí vai. Melhor assim ...

Entretanto, apesar de tanto produto genuinamente brasileiro em todos os trios, camarotes, passarelas e circuitos, de todas, quem arrebentou no primeiro dia de Momo foi mesmo a americana Paris Whitney Hilton. A socialite levou ao pé da letra a marca "Devassa" que veio promover e acabou de quatro ...

Acompanhem o Carnaval sete-lagoano

[Mestre Saúva e Bateria Show de Bola emociona o público com marchinhas carnavalescas]

Quim Drummond está convidando os carnavalescos do sofá a acompanharem o Carnaval sete-lagoano pelo seu site (cliquem aqui) ou pelo flickr da Prefeitura de Sete Lagoas (cliquem aqui).

Enio, Sete Dias, SAAE e Correios

O Enio Eduardo postou, em seu blog, crítica ao editorial do Jornal Sete Dias que qualificou, em sua última edição, como ‘um absurdo!’ o monopólio exercido pelos Correios (ou ECT) no Brasil. Enio disse que o jornal se prestou ‘a analisar esta questão pela lente do senso comum rebaixado’ por não oferecer elementos suficientes a uma análise mais apurada dos leitores. Tenho concordâncias e discordâncias com Enio e com o editorial...

Acho que o Sete Dias tem o direito de questionar a questão específica do SAAE ser impedido de entregar diretamente suas contas de água. Se ele tem uma estrutura para visitas domiciliares para medição de consumo, porque não utilizar essa mesma estrutura para entregar contas, com ganhos operacionais e financeiros? Mais ainda, acho que o Sete Dias tem o direito de defender a quebra de monopólio dos serviços postais. Nesses termos, não dou razão ao Enio em querer tratar o assunto do monopólio, por ser constitucional, como indiscutível. Há aí, mais do que uma visão legal, uma visão política. Eu sou favorável ao monopólio, mas sei bastante bem que o Sete Dias não está sozinho nessa discussão que, no ano passado, de forma não pacífica, mobilizou a maior corte brasileira, o STF. De toda forma, é inegável que o editorial do jornal cometeu dois erros importantes: colocar o monopólio postal como um atraso brasileiro e colocar os Correios na vala comum das empresas estatais incompetentes e corruptas. Nesse sentido, o Enio tem razão em acusar a superficialidade da abordagem.

O monopólio estatal de serviços postais, para cartas, cartões-postais e correspondências agrupadas, o que exclui encomendas, não é uma invenção brasileira. Com certeza, a maioria dos países do mundo, mesmo do mundo liberal, adota ou já adotou o modelo por uma razão simples: é um serviço naturalmente desequilibrado, superavitário em grandes centros, como SP, e deficitário em grandes áreas com ocupação esparsa, como em toda a Amazônia. O monopólio é, nesse caso, posto como condição para universalização. E, no Brasil, isso tem sido feito com competência e reconhecimento público: os Correios são usualmente citados, em pesquisas, como uma das instituições públicas mais confiáveis, em meio a tantas outras nada confiáveis.

Nesse debate que o Sete Dias iniciou e o Enio repercutiu, quero lembrar dois fatos recentes. O primeiro deles, já mencionado acima, que esse tema foi objeto de decisão do Supremo Tribunal Federal, em agosto passado. A ação contra o monopólio dos Correios foi proposta pela Associação Brasileira das Empresas de Distribuição (Abraed). O entendimento de que a Lei 6.538/78, que regula o sistema, foi recepcionada pelo art. 21 da Constituição passou por seis votos a quatro. Ou seja, o monopólio permaneceu, mas não foi uma decisão unânime. O centro do debate foi se o serviço postal era uma atividade econômica ou um serviço público. Os ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Cézar Peluso, Ellen Gracie, Cármen Lúcia e Carlos Britto votaram pelo segundo entendimento e pelo monopólio. Gilmar Mendes, Celso Mello e Lewandowski pelo monopólio restrito a cartas, o que não alcançaria, além das encomendas, os cartões bancários, os boletos de cobrança (como no caso do SAAE) etc. Marco Aurélio de Mello votou pela derrubada total do monopólio. Ou seja, a posição do Enio teve 6 votos; a do Sete Dias, 4. E quase houve empate porque o ministro Britto balançou na corda...

O segundo fato que quero lembrar foi a entrevista, na semana passada, do ministro Hélio Costa, dando conta de que pretende promover mudanças nos Correios, transformando a empresa em S.A., com capital 100% público, mas com maiores possibilidades de receitas (venda de chips de celular, seguros etc.). Explicou o ministro: “Estamos fazendo essa proposta porque estamos perdendo cerca de 400 milhões de correspondências por ano, uma vez que a modernização dos sistemas de comunicação eletrônica tem custado aos Correios clientes importantes. Temos que apostar nessa modernização para recuperar esses clientes e aumentar a nossa receita. Caso contrário, os Correios estão fadados em dois anos a ser uma carga pesada para o governo”. Ou seja, faz sentido: em tempo de internet, mesmo com monopólio, a vida dos Correios não anda nada fácil...