31 de jan de 2010

Mais da 2ª Conferência...

Ministro Patrus em Sete Lagoas . 27|01|10

1. Recepção na Prefeitura


2. Coletiva de Imprensa


3. Visita à obra do PAC


4. 2ª Conferência Municipal da Cidade


5. Posse do Diretório do PT


[Fotos Quim Drummond]

Para assistir vídeo com entrevista coletiva do ministro, clique aqui. Para ver a visita ao PAC Habitação clique aqui.

2ª Conferência Municipal da Cidade – Painel 3

Tema: A integração das políticas urbano-ambientais e sociais no território

O terceiro painel foi mediado pela conselheira do CMD, Gisele Maria Costa Fonseca. A contextualização para o universo sete-lagoano ficou a cargo da diretora do SERPAF, Adriana Penna. Os painelistas convidados foram Carla Bronzo Ladeira Carneiro, cientista social, doutora em Sociologia e Política, pesquisadora da Escola de Governo da Fundação João Pinheiro e Paulo Thomaz Fleury Teixeira, médico-sanitarista, filósofo e consultor do Instituto de Atenção Social Integrada (a propósito, um sete-lagoano). [Foto Quim Drummond]


A Carla nos inundou com conceitos inovadores na gestão pública. A emergência da percepção de complexidade, instabilidade e intersubjetividade. A necessidade de uma visão integral da realidade, superando a racionalidade técnica. A emergência do plano local no debate sobre gestão pública contemporânea, envolvendo participação, flexibilidade, integração e politização. O desenvolvimento de capacidades para afrontar novos temas e satisfazer novas expectativas. A idéia do ‘governo relacional’. De integralidade e de intersetorialidade. O foco no problema da população. A questão da partilha de poder. O conceito de ‘comunidades de sentido’ e suas ferramentas de gestão integradoras.

O Paulo partiu da avaliação de que intersetorialidade ou intermunicipalidade são coisas óbvias, que ‘têm que ser feitas’, mas para as quais não há ainda institucionalidade. Apresentou o trabalho que desenvolve, com uso intensivo de tecnologia e desenvolvimento de sistemas que se baseiam em informações pré-existentes em cadastros públicos da saúde da família e no CADÚNICO do governo federal, por exemplo, portanto ‘custo zero’. Demonstrou o resultado prático desses sistemas no mapeamento de vulnerabilidades sociais e sua repercussão na gestão pública, na definição de prioridades no território e na definição de políticas locais.

Adriana cativou a plenária com uma apresentação elaborada a várias mãos por jovens e mães do SERPAF. De forma central, mostrou, sobre casos concretos, as dificuldades de apropriação de obras públicas pela população de baixa renda (PAC, Minha Casa Minha Vida etc.), quando ela não participa do processo, desde a sua formulação. Mostrou o problema, na ponta, de se trabalhar políticas sociais a reboque de políticas urbanas.  Em resumo, afirmou que a integração de políticas e a participação popular não deve ser vista apenas como um direito, mas também como uma estratégia.

2ª Conferência Municipal da Cidade – Painel 2

Tema: A eficácia do Plano Diretor e da gestão urbana no ordenamento da cidade

O segundo painel foi mediado pelo secretário de Trânsito e Transporte Urbano, Eduardo Betti. A contextualização para o universo sete-lagoano ficou a cargo da arquiteta Sonale Karla Santos. Os painelistas convidados foram José Osvaldo Lasmar, economista, diretor-geral da Agência Metropolitana de Belo Horizonte e Heloisa Soares de Moura Costa, arquiteta, professora do Departamento de Geografia do IGC – UFMG. [Foto Quim Drummond]


O Dr. Lasmar traçou dois panoramas muito importantes: um, sobre a evolução do conceito de gestão de cidades, com a superação da visão de crescimento para a de desenvolvimento, do foco econômico para o foco sócio-econômico, a nova divisão internacional do trabalho e o novo padrão de urbanização da rede mundial. Outro, sobre a gestão da região metropolitana de BH, a evolução do modelo político e do institucional, os limites metropolitanos, a inserção ou não (vantagens e desvantagens) de Sete Lagoas na RMBH. De forma geral, falou da necessidade de superar a ação cidadã episódica ou espasmódica por 'pactos que dêem conta do recado'. Ao final centrou na questão da sustentabilidade do desenvolvimento urbano, com dois exemplos muito apropriados: a relação da cidade com seus bens culturais materiais e imateriais e a relação da cidade com o lixo e a sustentabilidade ambiental.

A Heloísa focou mais diretamente na questão dos Planos Diretores. Enfatizou o risco de se tornarem ‘textos técnicos’ incapazes de intervirem em ‘processos políticos’. Criticou o ‘mito do planejamento’, os Planos Diretores como depositários de todas as nossas esperanças. E foi ao cerne do problema: a eficácia dos PD depende do ‘pacto territorial’ (que implica numa ‘responsabilidade territorial’) que ele realiza ou não. Na sua visão, o debate sobre o ordenamento da cidade é o debate sobre ‘o que dá valor a terra’.

A Sonale teve uma participação importante, relembrando o contexto em que foi elaborado o Plano Diretor de Sete Lagoas: a qualidade do processo participativo e a aderência entre as suas deliberações, nas audiências públicas, e as diretrizes gerais do plano. Ponderou, entretanto, sobre a menor densidade dos macro-zoneamentos realizados e da falta de regulamentação do PD, através da Leio de Uso e Ocupação do Solo e outras.

2ª Conferência Municipal da Cidade – Painel 1

Tema: O Orçamento Participativo como estratégia para a gestão democrática e o controle social da gestão pública

Não pretendo fazer aqui um resumo de cada painel. Vou apenas pinçar alguns pontos que, a meu ver, se destacaram. O primeiro painel foi mediado pelo vereador Renato Gomes (PV). A contextualização para o universo sete-lagoano ficou a cargo de Graça do Conselho de Defesa Social. As painelistas convidadas foram Maria Auxiliadora Gomes, economista da Secretaria de Planejamento da Prefeitura Municipal de Contagem e Maria de Lourdes Dolabela, PhD em ciências políticas, coordenadora do Observatório de Políticas Metropolitanas da Agência Metropolitana de Belo Horizonte. [Foto de Quim Drummond]


A Dora trouxe sua experiência com o OP de Belo Horizonte e outras cidades. Quatro pontos de destaque na sua fala: (a) O OP tem que ser deliberativo e não apenas indicativo de obras; (b) É necessária uma vinculação significativa de recursos orçamentários para investimento; (c) Depende de uma vontade de governo, ou seja, todos os setores do governo tem que estar compromissado com ele; e (d) Não se pode ter a partidarização do processo. Um quinto e mais importante destaque: o OP é inovador nas duas pontas. Numa direção, obriga que a máquina pública aja de forma integrada, organizada e transparente. Precisa ser capaz de trabalhar com detalhamentos, orçamentos e cronogramas reais de obra e de apresentar demonstrativos compreensíveis para a população. Na outra ponta, obriga que a participação popular seja qualificada e organizada, através de ‘escolas de participação’ e, sobretudo, ‘caravanas de prioridades’ (que estabeleça um campo de pessoas que conhecem as regras e se respeitem).

Lourdinha abriu um pouco o foco, indo além do OP, colocando no centro da agenda o tema da reorganização da relação sociedade civil e Estado. Abordou aspectos relativos à ‘inversão de prioridades’ que esse novo processo estabelece e o ‘salto de qualidade’ que ele gera. Enfatizou a necessidade de se explicitar ‘sobre qual parte se pretende deliberar, de forma participativa, no poder público’. Ela nos brindou com uma frase precisa: esse processo pressupõe “compatibilizar, pela virtude da negociação, democracia e eficácia”. Ou seja, a gestão participativa não visa apenas um aprimoramento da democracia, mas uma melhoria de resolutividade do serviço público.

A intervenção da Graça foi especialmente importante pelo seu testemunho de como a ação dos conselhos pode reforçar determinadas agendas (no seu caso, a da defesa social), articulando os vários atores, definindo prioridades e captando recursos.

The Minimalist

O Estadão tem uma seção de culinária, em vídeo, que traz receitas curiosíssimas. É a reprodução do The Minimalist, com Mark Bittman, do New York Times. Vale a pena clicar aqui para acessar. A receita de hoje é arroz frito ao gengibre crocante e ovo por cima.

Preta


Tem gente que se apega aos seus limites e se restringe a eles. Tem gente que se apega aos seus talentos e não vai além deles. Ela não olha nem limites, nem talentos. Move-se apenas pela sua curiosidade e pelo seu desejo. Nunca pergunta se pode, se deve, se consegue ou se não pode, não deve ou não consegue. Faz o que lhe aconselha sua enorme vontade de ir além, sua enorme vontade de viver. Se tem inseguranças, represa todas elas até que se convertam em coragem para dar um passo a mais. Se você se surpreende com seu sucesso numa ou noutra empreitada, na superação desse ou daquele desafio, pequeno ou grande, não verá nela o menor traço de arrogância ou vaidade. Talvez apenas diga, suavemente, que sabia que conseguiria e dê um sorriso, ao mesmo tempo, tímido e largo. Se o passo foi grande ou pequeno, tanto faz: parece desprezar as medidas, os detalhes, os tolos valores que o mundo preza. Só uma coisa lhe atrai: as amizades, todas as amizades. Não importa com quem, não importa de onde, nada! Toma suas amizades como coisa sagrada e a elas se dedica como jamais vi ninguém se dedicar. Como uma pequena folha de uma árvore debruçada sobre o rio, não adianta lhe alertar da correnteza, da cachoeira, de nada. Se encontrar outra folha que queira ir junto, vai se soltar, flanar no ar e seguir as águas desse rio da vida. Aos risos... Sempre! Luiza ou Preta ou Luca tornou-se, agora, uma turismóloga. Pra variar, comemorou entre amigos e com uma alegria transbordante que só ela tem...

Matérias sobre a 2ª Conferência

Cliquem aqui e vejam o post fotográfico de Quim Drummond, 'O voto na democracia participativa: 2ª Conferência Municipal da Cidade'.


Outros links com reportagens a respeito: cliquem aqui e leiam o Gerais Jornal; aqui e leiam metropolionline; e aqui e leiam o setelagoas.com.br.

Pesquisa Band/Vox Populi

Pesquisa de intenção de voto divulgada nesta sexta-feira pelo instituto Vox Populi:

Primeiro Turno
Primeiro cenário: Serra apareceu em primeiro, com 34% dos votos; seguido por Dilma, com 27%. Na seqüência, Ciro Gomes (PSB), com 11%; e Marina Silva (PV), com 6%. Isso significa que a diferença Serra/Dilma caiu de 22%, no início de dezembro, para 7%, agora. Serra caiu de 39 para 34% e Dilma subiu de 17 para 27.


Segundo cenário, Ciro Gomes: Serra ficou com 38% das pessoas; Dilma, 29%; e Marina, 8%. Uai! Isso leva a uma conclusão curiosa: quando entrou na disputa, Ciro tirou mais votos de Serra do que de Dilma e diminuiu a diferença entre esses dois. Ou seja, a sua entrada tende a favorecer a candidata do PT. Essa conclusão opõe-se ao senso comum que diz que, em favor de Dilma, Ciro deve se retirar do processo...

Segundo Turno
A diferença entre José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) diminuiu 3% entre agosto/2009 e janeiro/2010, em um possível 2º turno da eleição para presidente. Nos dois levantamentos, Serra manteve os 46% de preferência entre os entrevistados. Já Dilma, subiu de 32% para 35%. Ou seja, Serra bateu no teto, Dilma vai subindo...

Lula
Ainda segundo a pesquisa Vox Populi, 30% das pessoas responderam votar, com certeza, no candidato apoiado pelo presidente Lula.

Pesquisas
Sobre pesquisas eleitorais, cliquem aqui e vejam uma compilação de pesquisas de diversos institutos, em série histórica, organizada por Luis Nassif ('A marcha das pesquisas eleitorais').

30 de jan de 2010

A praça é do povo


O que passa na cabeça de um prefeito para proibir eventos numa praça? Que visão de cidade é essa? Uma praça é um lugar de encontro, de festa, de interação social ou o quê?

Centenas de pessoas protestaram , hoje, da forma mais humorada possível, contra o burocrático e ranzinza decreto do burocrático e ranzinza prefeito de BH, Márcio Lacerda, que proibiu eventos de qualquer natureza na Praça da Estação.

Deselegância


O Tigre veio ao Mineirão e aplicou uma goleada no Cruzeiro. Nem se deu conta que estava na casa do adversário...

Deu 'No Prelo'

Os críticos de plantão têm insistido numa visão negativa do governo Maroca e numa visão positiva da Câmara de Vereadores. Ainda que enquetes não tenham valor estatístico algum, é interessante ver o resultados das duas que o blog No Prelo fez. Numa, o governo Maroca tem cerca de 60% de avalição positiva; noutra, os vereadores, 88% (!) de avaliação negativa...

Liderança e humildade

Quando morei em Brasília, num dos deslocamentos pra cá, em um grupo de caciques políticos, a conversa girava em torno da liderança de determinados nomes mineiros. Falava-se mais exatamente de 'capital político'. Conversa vai, conversa vem, um deles matou a conversa com um tiro só. "Querem saber quem tem capital político? Coloquem os caras que se dizem o rei da cocada preta na porta da prefeitura (de BH...) e vejam quem chega mais rápido à Praça Sete. O primeiro, que for direto, não tem capital nenhum; o último, que for parado o tempo todo, é o cara. Ponto!" Resumindo: na política, líder não é quem diz que é, mas quem o povo diz que é...


Está sendo creditado ao meu amigo cruzeirense Emílio Vasconcelos o adesivo que está rodando por aí: "Por amor a esta cidade, precisa-se desesperadamente de uma grande liderança". Emílio pode estar cometendo dois erros imperdoáveis na política: o da precipitação (assim como FHC que sentou na cadeira de prefeito antes da hora... e nunca mais!) e o da arrogância (de se auto-proclamar líder e desdenhar o que as urnas tem a dizer). Um perigo!

A propósito, a estréia do Emilio das urnas não lhe autorizam, pelo menos ainda, a tanta convicção. Ele teve 10,13% dos votos válidos e menos de 8% dos votos totais. Com o nome familiar que tem era de se esperar muito mais. Esses números podem não dizer que ele não tem futuro, mas também não dizem que seu futuro já chegou...

Liderança

Encerrando a nossa enquete, os resultados:

O que você acha da tese de candidato de consenso para a Assembléia Legislativa?
1) É válida. Eu acho que esse consenso é possível: 6%
2) É válida. Eu votaria nesse candidato, qualquer que fosse, porque é bom para a cidade: 2%
3) É válida. Mas eu só votaria nesse candidato se ele representasse um projeto pactuado entre partidos : 35%
4) É bobagem. Não há consenso possível: 10%
5) É bobagem. Eu não votaria em um candidato só por ser sete-lagoano, sem olhar sua posição partidária e ideológica: 41%
6) É bobagem. O eleitor de Sete Lagoas sempre votou em candidatos de fora e vai continuar votando. Um candidato artificial não vai mudar isso: 6%.

Esses números mostram que os que desacreditam na tese de consenso são maioria frente aos que a acham válida: 57 contra 43%, respectivamente, ou quase uma relação de 6 pra 4. Obviamente, a nossa pequena amostra (49 votos) não tem nenhuma representatividade estatística. Mas se tivesse, chegaríamos a algumas conclusões interessantes. Antes, uma conta: Sete Lagoas tem (números de dezembro de 2009), cerca de 145 mil eleitores. Deduzindo-se, no grosso, 20% relativos aos eleitores inativos (5%) e faltantes (15%), vão às urnas, efetivamente, 115 mil eleitores. Vamos lá:

a) Dos 115 mil, apenas 7 mil eleitores votariam incondicionalmente em candidato de consenso, qualquer que fosse. Isso elege um vereador, mas não elege ninguém para deputado;
b) Há 40 mil votos disponíveis para um candidato local que represente um projeto multipartidário. Isso somado aos 7 mil acima, dá 47 mil votos propensos a apostar em um nome local. Esse contingente, de fato, elege um sete-lagoano para a Assembléia, desde que se viabilize um acordo que afunile para um único nome. Se forem dois nomes de consenso, já há risco de ambos ficarem a ver navios... [A propósito, alguém aí acha que Duílio, Ronaldo João e Caio Dutra, por exemplo, vão se vergar a acordos que possam tirá-los do páreo?]
c) 68 mil eleitores desconsideram esse critério distrital. Essa é a turma que vai ser disputada pelos candidatos daqui e de fora. Para essa maioria acordo é pouco: é preciso liderança!
d) No frigir dos ovos: sem um candidato de consenso entre partidos, os 40 mil se juntam aos 68 mil (94% do eleitorado) que vão se dispersar entre os nomes daqui e os de fora... Nada de novo!

Isso é justo?

A seleção de futebol togolesa acabou de ser suspensa de duas edições da Copa Africana das Nações, pela CAF – Confederação Africana de Futebol, por haver se retirado da edição deste ano, realizada na Angola. O pretexto é que houve ingerência governamental... A seleção de Togo se retirou exatamente por ter sido vítima de atentado terrorista, a caminho de Angola, com duas vítimas fatais. Dupla penalidade!

Paulinho do Boi

Vale a pena a leitura do comentário feito pelo Paulinho na postagem abaixo... Eu e o Quim Drummond recomendamos.

A propósito, é uma obrigação falar sobre o trabalho do Paulinho. É impressionante! O teatro com os meninos do SERPAF é transformador. Não porque é um trabalho político, mas porque é arte pura. E de uma arte que extrai sua força de sua raiz popular.

Certa vez, eu assistia a uma palestra da poetisa divinopolitana Adélia Prado, e ela contava um caso em que, numa praça, estava havendo uma apresentação de teatro de rua. E que ela estava atrás de dois trabalhadores da construção civil, ou seja, dois peões, que voltavam do trabalho. Ela os observava... E, em certo momento, os dois, muito atentos e  muito impressionados, entreolharam-se; um fez cara de aprovação e o outro sintetizou: 'balé!'. É isso que Paulinho faz: uma arte popular na origem e no destino. 'Balé!'

29 de jan de 2010

Quem não gosta do Bolsa-Família?

Esse artigo do Marcos Coimbra foi publicado no Estado de Minas do dia 27 passado Vale a pena ser lido:

É impressionante a má vontade que parte da imprensa tem com o Bolsa-Família. Vira e mexe, alguém encontra um motivo para criticá-lo, tendo ou não fundamento. Quando acha que descobriu algo relevante, aproveita para externar sua antipatia em relação ao programa, quando não mostra seus preconceitos contra os beneficiários.

No último fim de semana, uma das mais importantes revistas de informação trouxe uma matéria típica dessa visão. Nela, ao questionar o que, em uma primeira impressão, parece uma decisão condenável do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), que o administra, fica evidente a hostilidade que é dirigida ao programa, levando a interpretações infundadas e equivocadas.

Ninguém é obrigado a gostar do governo e é natural que existam órgãos de imprensa que se posicionem contra ele por motivos ideológicos. No mundo inteiro, isso acontece e é até salutar que tenhamos jornais e revistas com clara inclinação política e partidária. O problema é que, às vezes, a circulação dessas matérias vai além da publicação de origem. Com a internet, algo escrito aqui está ali em um piscar de olhos, deixando menos nítida sua autoria. Como determinado texto surge em inúmeros lugares, parece que tem uma espécie de reconhecimento universal, já que todos o subscrevem.

Foi o que aconteceu com a matéria em questão. Os mais prestigiosos blogs a republicaram, como que a endossando. Ela logo virou uma quase verdade. Seu fulcro é a crítica à concessão de um novo prazo de carência para a exclusão de cerca de 5,8 milhões de pessoas da cobertura do programa, seja por não cumprimento da obrigação de se recadastrar, seja pela elevação da renda familiar para além do limite de 140 reais per capita. Elas seriam excluídas em novembro passado, mas, com a prorrogação, só o serão em 31 de outubro próximo.

Em função disso, a revista se sentiu autorizada a chamar o programa de “Bolsa-cabresto”, como se a data fixada no ato do MDS fosse evidência suficiente de suas intenções eleitorais. Dado que 31 de outubro é o dia marcado para o segundo turno da eleição presidencial, estaria confirmado e provado o caráter eleitoreiro do programa. A coincidência “nada sutil” das datas explicaria tudo.

É realmente curiosa a tese. Será que alguém imagina que a interrupção avisada de um benefício favorece ao governo na eleição? Que o fato de 1,4 milhão de famílias saberem que perderão um rendimento vai fazer com que votem em Dilma? Seria algo totalmente inédito, que desafia a lógica mais banal: alguém ter mais votos quando promete que vai eliminar um benefício e ainda marca o dia (pensando nisso, será que o comando da campanha da ministra atentou para a medida?).

O esdrúxulo argumento vem embrulhado com dados inexatos e ilações mal sustentadas. Tudo no Bolsa-Família é inflado para parecer maior e pior. A matéria afirma que “um em cada quatro brasileiros passou a ser sustentado pelo governo” (sugerindo que por meio do programa), enquanto se sabe que são 12,4 milhões as famílias beneficiárias (em um total de 60,9 milhões apuradas pela última PNAD), das quais o benefício não chega a “sustentar” nem um terço.

A “prova” que o programa seria um “poderoso cabo eleitoral” é extraordinária. Viria de um estudo que mostra que “a cada R$ 100 mil deixados pelo programa em municípios de 1 mil habitantes” teria correspondido um acréscimo de 3% de votos para Lula nas eleições de 2006. Será que a revista sabe que só existem 103 municípios no Brasil (em um total de 5.565) desse porte (menos que 2 mil habitantes)? Que neles vivem apenas 158 mil eleitores (em um total de mais de 130 milhões), que representam 0,0012% do eleitorado brasileiro? Que o voto nominal total para presidente nesses municípios ficou perto de 125 mil votos? Ou seja, que esses números dizem, na verdade, que a propalada influência do programa é insignificante?

Para corroborar a ideia de que o Bolsa-Família é o “Bolsa-cabresto”, foi ouvida a opinião de um cientista político, para quem ele seria pior que o que faziam os “antigos coronéis”: “(eles) pelo menos aliciavam votos com o próprio dinheiro. O governo atual faz isso com dinheiro público”. Primeiro, o poder dos antigos coronéis não vinha do dinheiro, mas do mando local. Segundo, é isso mesmo que acham os opositores do programa, que ele apenas alicia votos com recursos públicos? Ou seja, que deveria ser encerrado e terminado, a bem da moralidade?

Enquanto for assim concebido por quem não gosta de Lula, do PT e do governo, mais o Bolsa-Família ficará com a cara daqueles que o defendem. Criado em administrações tucanas e largamente ampliado e melhorado pelo governo Lula, é pena que isso aconteça. O programa deveria ser um patrimônio do país.

2ª Conferência Municipal da Cidade



Concluimos, ontem, a nossa 2ª Conferência, com a eleição de 18 delegados à 4ª Conferência Estadual. Foram dois dias de debates intensos e de altíssimo nível. E isso não é força de expressão. Não se tratou apenas do privilégio de ter dito conosco palestrantes de primeira linha, mas de construir a oportunidade de tê-los aqui, entre nós, provocando reflexões sobre a nossa realidade. Isso muda tudo. Amplia os nossos horizontes e nos impõe novos desafios. Eu vou fazer aqui, nos próximos dias, uma série de postagens tentando focar alguns pontos relevantes da Conferência. [Fotos de Quim Drummond]

O mundo como ele é

Apenas pra lembrar como a política é 'curiosa', quero dar dois exemplos muito próximos de nós petistas.

Um deles: quando cheguei a Brasília, no dia 17 de fevereiro de 2004, para assumir a chefia de gabinete do ministro Patrus, a primeira afirmação que ouvi, de um gestor experiente, foi de que o governo Lula, após apenas um ano de governo, já havia acabado. Isso mesmo! Então, só havia certa estabilidade econômica, tempos de Palocci, e o diferencial – o Fome Zero, o Ministério Extraordinário de Segurança Alimentar, a política social e o Bolsa Família – ou era desconhecido ou incompreendido ou havia dado com os burros n’água. Certo é que sucesso não era. Naqueles dias, a coisa parecia descambar... e, hoje, seis anos depois, tem-se o maior caso de êxito pessoal de um presidente e do seu governo.

Outro exemplo: quem acompanhou o governo Patrus em BH pode se lembrar que, ao fim do primeiro ano, ele era tido como um governo tímido, incapaz de conduzir a revolucionária agenda petista. E quem afirmava isso não era a oposição, mas exatamente o PT... Míseros três anos depois Patrus deixou o governo com 85% de aprovação, dentro e fora do PT.

A era dos extremos

Em outras postagens, comentei que entendo as razões do estremecimento entre o prefeito e o PT. Que, no mérito político, no episódio das mudanças de equipe de governo, acho que o PT tem razão em querer tê-las discutido prévia e politicamente...

Exatamente por ter razão, acho que o PT devia se prender a essa razão e não avançar para ironias PESSOAIS. Isso me parece um erro, que só consegue retirá-lo de sua razão e jogá-lo na vala comum da pior política, a política pensada com o fígado...

Por falar nisso, a política é mesmo muito curiosa. Dia após dia, temos lições de que ela é volátil, muito variável e contraditória. Aquela história de que nosso inimigo de ontem é nosso amigo de infância de hoje. O certo é que, comumente, as coisas vão e voltam. Ainda assim, em momentos de crise, ignoramos essa volatilidade e, no extremo oposto, agimos com um nível de inflexibilidade total.

As coisas andam assim... Eu entrei, há pouco, no blog do Sílvio de Sá e li coisas curiosas, especialmente, sobre mim mesmo. Não que eu não seja criticável, mas críticas ao léu são duras de roer. Um comentário, por exemplo, recomendou: “deixe o Flávio lá, pois ele pertence a essa turma da elite do PSDB. Que dia que Flávio foi a uma reunião do diretório do PT entre 2004 e 2008? Ah bom!” Ou seja, alguém que não me conhece se sente confortável em falar o que não sabe de mim. Mais do que desinformação, há frivolidade aí: nos anos que ele mencionou, eu não apenas não fazia parte do diretório como, mais importante, estava morando em Brasília, servindo ao governo do PT. Ah bom!... Outro comentário disse que eu, como petista e assim como a Léa, só quero ‘o PODER’! Em resumo: apesar da minha hesitação em vir prá cá, e de vir com apoio do PT, agora, no calor da luta, ou não sou petista ou, por ser petista, sou um oportunista. Difícil, não?!

Li também no blog do Sílvio a sua última postagem, intitulada ‘esse prefeito é uma piada’ e também ela me pareceu um mau sinal desses tempos quentes. Exatamente por estar num momento muito favorável, vitorioso numa eleição disputada no PT, empossado com todo prestígio e valorizado por ter unido o partido em torno de si, Sílvio podia dispensar qualquer golpe pessoal e abaixo da cintura e se fixar no debate político puro.

28 de jan de 2010

O fim do mito Potosí


O corre-corre de ontem me impediu de ver o jogo do Cruzeiro contra os quase 4.000 metros de altitude de Potosí. Da última vez, o resultado lá foi uma lástima, o que gerou uma senhora expectativa para esse jogo. Mas apesar da falta inexplicável do Gilberto, da sua expulsão, do time ficar com 10 jogadores mais da metade do tempo e de ter cedido o empate aos 43 do segundo tempo, é preciso ver o lado bom: o resultado é ótimo. Basta agora não perder, em casa. Na planície, o Real Potosí é um time qualquer...

27 de jan de 2010

Começa hoje a 2ª Conferência da Cidade


Damos início, hoje, à nossa 2ª Conferência. A receptividade da população veio ao encontro de nossas melhores expectativas. A falta de tradição em conferências da cidade, ao contrário da saúde ou da assistência social, por exemplo, deixavam no ar qual poderia ser o nível de interesse da população. A conferência foi organizada, com uma margem de segurança, para um máximo de 300 pessoas. Sem contar as que ainda podem se inscrever, hoje, diretamente no local, e as que participam informalmente, sem inscrição, 302 pessooas inscreveram-se pelo site ou diretamente na Secretaria de Planejamento, até a meia noite de ontem. Muito bom!

Por um problema de última hora, a arquiteta Flávia Brasil não poderá estar conosco na manhã de hoje. Em seu lugar teremos a honra de receber Maria de Lourdes Dolabela, que é PhD em ciências políticas e coordenadora do Observatório de Políticas Metropolitanas da Agência Metropolitana de Belo Horizonte.

Vamos lá...

26 de jan de 2010

Pesquisa Band/Vox Populi - II

Sobre a pesquisa de intenções de voto em Minas Gerais, alguns comentários: (a) nas pesquisas anteriores que eu havia visto, o tucano Anastasia não mostrava nenhum fôlego. Ficava sempre alí entre 3 e 5% dos votos. Nessa nova pesquisa, chegou fácil ao patamar de 15% (e a um provável segundo turno). O governador começou a mostrar serviço... (b) Hélio Costa, que estava nas alturas, com metade das intenções de voto, caiu para um patamar mais realista, beirando um terço das preferências. É bom lembrar que HC sempre começou muito bem e terminou muito mal nas campanhas para o governo do Estado de que participou. Seu maior inimigo parece ser ele mesmo... (c) No PT, a maior presença no Estado de Pimentel, como prefeito de BH, continuou lhe atribuindo alguns pontos a mais do que Patrus. Eu não tenho dúvida de que, na campanha, o Patrus é capaz de se impor mais. O discurso de Fernando e Anastasia são, pela origem, muito burocráticos e nada populares. Patrus faz uma diferença enorme aí... (d) Não entendi porque o Vox Populi ignorou a possibilidade de PMDB e PT lançarem candidatos próprios no primeiro turno e se afunilarem no segundo... Gostaria de saber como os números se mexeriam nesse 4º cenário.

Pesquisa Band/Vox Populi

1. Minas Gerais, 22/01/2010
O portal eBAND deu a seguinte manchete: "Vox Populi aponta disputa indefinida ao governo de Minas Gerais". A pesquisa mostra 3 cenários, alterando os nomes do PT e do PMDB, de forma excludente. Isso, a meu ver, favorece Anastasia. O quadro que eu acho mais provável não foi avaliado: aquele que coloca Hélio Costa e um candidato petista, ao mesmo tempo, contra Anastasia. Os cenários avaliados foram os seguintes:
Cenário 1: Pimentel - PT, 34%; Anastasia - PSDB, 15%. Vanessa Portugal, 4% e Maria da Consolação Rocha - PSOL, 2%.
Cenário 2: Patrus Ananias - PT, 28%; Anastásia, 17%. Vanessa Portugal, 5% e Maria da Consolação Rocha, 3%.
Cenário 3: Hélio Costa - PMDB, 37%; Anastasia, 16%; Vanessa Portugal, 5%. Maria da Consolação Rocha, 2%.

2. Brasil, 25/01/2010
Resultado parcial (relativo apenas ao Rio de Janeiro) de pesquisa nacional da Band/Vox, que iria ao ar hoje, indicaria um empate técnico entre Serra e Dilma: Serra teria despencado de 40 para 27 e Dilma teria subido para.26%; Ciro estaria com 14 e Marina com 9%. A pesquisa teria aplicado 2.000 questionários em todo o Brasil entre os dias 14 e 17 últimos.

Se esse resultado prevalecer para todo o país, será uma surpresa. Não que eu duvide que Dilma vá passar Serra... Mas eu achava que o governador paulista iria se manter por mais algum tempo no topo. Pelo menos até o lançamento oficial de sua candidatura, quando começaria a sofrer uma erosão mais forte. A coisa parece ter se antecipado... Ciro deve pagar por isso, sendo pressionado a sair do jogo logo, para alavancar de vez a candidatura da Dilma. [O comentário é que Lula não quer a divisão da base, o que acabou derrotando Michelle Bachelet, no Chile]. No PSDB, Aécio, na moita, deve estar delirando, na expectativa de voltar à campanha presidencial nos braços de seus correligionários...

Que isso Lúcia Hippólito?!

25 de jan de 2010

Será mesmo o caso?!

"Com o PT e o PSDB engajados em intensa troca de insultos na polarização da disputa nacional , petistas e tucanos, que em 2008 formalizaram composições para disputar 1.058 prefeituras municipais em todo o país, têm pela frente um ano que exigirá habilidade de equilibrista, pelo menos em 245 cidades no país, onde governam cidades juntos. Há municípios, em que os antigos 'aliados' já estão às turras. É o caso de Sete Lagoas, na região metropolitana de Belo Horizonte, onde o prefeito Mário Márcio Campolina Paiva (PSDB), o Maroca, mostrou o cartão vermelho para a secretária de Ação Social, Léa Braga (PT), ligada a Patrus Ananias, ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome".

Este trecho faz parte da matéria 'Disputa nacional dificulta alianças PT-PSDB nas cidades', de Bertha Maakaroun, no Estado de Minas de hoje. É um associação previsível, ainda que, até onde eu sei e quero acreditar, totalmente imprópria. As razões da saída de Léa, junto com Lisboa e Geyse, foram postas pelo prefeito como decorrentes de uma avaliação pessoal. Esse caráter pessoal é, exatamente, o ponto de conflito com o PT local. Ou seja, a rigor, ou em tese, a questão é de natureza local e nada tem a ver com a disputa nacional e estadual. Mas, na política, é isso mesmo: não há movimento que não gere interpretações, vinculações e versões, todas fora de controle.

É bom lembrar que a coligação, no período eleitoral, entre PT e PSDB aqui em Sete Lagoas também não teve nada a ver com as relações entre esses partidos para além dos limites da cidade, nem mesmo com a mesma coligação em BH, em torno do Márcio Lacerda. Lá, o PT era hegemônico e abriu espaço para o PSDB, fruto de uma relação pragmática entre o então-prefeito e o govenador, incorporando o PSB. Um arranjo artificialmente construído que se viabilizou dentro de uma logíca eleitoral hiper-profissionalizada. Aqui, PT e PSDB estavam fora do poder, há anos, sem representatividade forte nem na Câmara de Vereadores, e formaram uma coligação, com um viés de centro-esquerda, reunindo ainda o PV, o PDT e o PMN...

24 de jan de 2010

Vem cá brilhosa...

Nina vai fazer 90 anos. Contam que ela foi pra casa de vó ainda criança. Criou filhos e netos. Vô se foi, vó se foi, Nina continua aí... A memória às vezes lhe dá uma trégua, certamente pra descansar sua cabeça quase secular de tantas lembranças. Mas seu humor de menina não vacila; segue com ela, intocável. Os casos de Nina em seu velho quarto, cercada de pôsteres de artistas, coleções de bonecas e chaveiros são impagáveis. As histórias de Nina em New York são coisas de outro mundo. Mas as melhores lembranças que tenho de Nina são mesmo à beira do fogão. Uma rainha! Ali, soberana, dava aulas até ao fritar um ovo. Nina tinha uma assistente que lhe picava as cebolas, os alhos, os tomates; e lhe lavava as folhas, os legumes, o arroz. Só então Nina chegava para realizar o mistério da fé. Alquimia pura. Filosofia! Seu feijão preto ‘ao dente’, sem caldo, com pequenos pedaços de baicon fritos, rodelas de cebolas cruas e cebolinhas picadas, regado com azeite, devia ter sido servido, com pão e vinho, na santa ceia. Nina chegava e pedia, à assistente, suas panelas, todas nomeadas: pretinha, rabuda, brilhosa... Quando eu passava correndo pela cozinha e ouvia Nina pedindo, com intimidade, suas velhas panelas, achava igualzinho vô no curral, com suas vacas, sem tirar nem por: ‘vem cá pretinha’; ‘ô rabuda!’...

Carnes e Afins

Cheguei em casa, ontem, com a impressão de que tinha dado um cano na minha passagem pela 'Carnes e Afins', nesse sábado. Seguramente, a cerveja havia ficado de graça. Ou seja, inadvertidamente, acabei por arrumar um bom motivo para voltar, hoje, e me redimir. É, de fato, uma casa muito especial. Um lugar em que a originalidade e a sofisticação não é dada pelos excessos arquitetônicos do ambiente ou por um pretenso desejo de ser original e sofisticado. Tem essas características, mas por outras razões: a qualidade de tudo que vende, a presteza do atendimento e a descontração do ambiente. Muito legal!

Top ten 2000



A revista 'Cahiers du Cinéma', de janeiro, apontou os 10 melhores filmes desta década:

1. Mulholland Drive, David Lynch
2. Elephant, Gus Van Sant
3. Tropical Malady, Apichatpong Weerasethakul
4. The Host, Bong Joon-ho
5. A History of Violence, David Cronenberg
6. La Graine et le mulet, Abdellatif Kechiche
7. A l’ouest des rails, Wang Bing
8. La guerre des mondes, Steven Spielberg
9. Le Nouveau monde, Terrence Malick
10. Ten, Abbas Kiarostami

Muito polêmica esta lista... Acho que o Pablo, que é um cinéfilo, podia trazer pra nós os seus comentários e a sua opinião. Nada de Tarantino, por exemplo? Vamos lá, Pablo!

Domingueira

Quem gosta de piada de economista deve dar um pulo no blog do José Paulo Kupfer. Vai uma aí:

Dois homens estavam passeando num balão e se perderam. Decidiram baixar o balão e perguntar para algum transeunte.
“Ei, você poderia nos dizer onde estamos ?”
“Vocês estão em um balão”, respondeu o transeunte.
“Este homem deve ser um economista”, comentaram entre eles, no balão. “A resposta é precisa, correta, mas não serve para absolutamente nada.”
“E você deve ser um administrador”, respondeu o transeunte.
“Exato. Como você sabe disto ?”
“Você tem uma excelente visão de conjunto, mas não sabe onde está.”

Dilema tucano

Boa sacada do Marcos em sua coluna 'O paradoxo de Serra' no Estado de Minas de hoje: "Neste janeiro de 2010, Serra está perante seu paradoxo. Quando as pessoas queriam mudança, ele era continuidade. Agora quando elas querem continuidade, será que ele consegue não ser visto como mudança?". Marcos se apóia em pesquisas de sua Vox Populi, em 2002 e 2009, que mostram as tendências do eleitorado naqueles anos.

De certa forma, a opinião de Coimbra reforça a tese plebiscitária (8 anos de governo FHC versus 8 anos de governo Lula) que o PT prega para eleição de Dilma...

23 de jan de 2010

Retalhos

- Valéria, leve os meninos de Selma daqui.

Vô Jaime tinha poderes extraterrenos. Nem bem chegávamos, pé-ante-pé, no fundo da fábrica, e ele, sem tirar os olhos do esmeril, já havia captado nossa presença. Nós, no caso, éramos Valéria, sua filha (ou Lelé, nossa tia, o que dá no mesmo), Jayme, meu irmão, e eu. Tudo bem que Jayme ia fazendo confusão demais, mas ainda assim, como vô percebia?

Àquela hora do entardecer, era comum a gente ir à fábrica pelos fundos. E, em tese, era possível se chegar discretamente. Descia-se a escada da cozinha, vencia-se o pátio cimentado, passava-se pelo portão de madeira, depois tomava-se o caminho de grama cheio de milho azedo, ladeava-se, com medo, a porta do porão onde se dizia que havia uma cobra que comia ratos, até o pátio com colunas de lenhas cuidadosamente empilhadas. Juro: era impossível nos ver, mas ele via. Ou pelos movimentos de Jayme ou pela maldita alegria do vira-lata que insistia em ir à nossa frente. O fato é que ele via. Telepaticamente.

- Tá bom pai, já vou... Respondia Lelé, emburrada, dando fim a nossa espetacular aventura.

[A propósito, eu pergunto: vocês já leram ‘Os meninos da Rua Paulo’? Pois é, quando eu li, pensei que seu autor, Ferenc Molnár, havia se inspirado no terreno do fundo da fábrica de vô. Cada vez que procurava por Nemecsek, eu o via guerreando sobre as pilhas de lenha de vô e pensava: sacanagem, essa história não foi em Budapeste coisa nenhuma; esse cara aprontou alguma com vô e roubou a cena do fundo de seu quintal...]

Vô era 3 em 1. De dia, quando entrávamos na fábrica pela porta da frente, nem ligava de nos ver por ali e pular nos sacos de milho. Se ligava, deixava pra lá e nos dava uma lasca do toucinho com que havia acabado de untar a chapa de pixé ou vinha com sal e açúcar para por sobre a placa de biju quente. Ao entardecer, isolava-se no seu mundo e mandava Lelé nos levar de volta. À noitinha, de banho tomado, nos punha no colo, na varanda da frente da casa, e, pacientemente, nos levava a sério.

Tudo era muito parado. À época, não passavam muitos carros à porta, senão os que iam ao hospital, em frente. Só descia a Teófilo Otoni, em direção à ponte do córrego, quem ia à fábrica de tecidos ou adiante. Não me lembro da avenida do lado de cá do córrego. Não havia muita coisa por ali. Quando havia um movimento muito grande em frente a casa, podia-se ver: era a meninada, eu e Jayme no meio, querendo os retalhos de hóstia que irmã Lourdes distribuía...

Erros, acertos e sabotagens

Fim de semana com a família em Sete Lagoas.

ERROS
Fui ao supermercado e comprei filé de linguado para improvisar um ‘ceviche’. Congelado, a coisa prometia; degelado, fim da brincadeira. O prato enchia as vistas, mas o cheiro e o sabor fortes não eram próprios para um peixe cru, cozido apenas no limão. 1 a 0, contra!

ACERTOS
Antes, tinha comprado um curimatã no ‘Só Peixe’. O lugar é 10. O tal do curimatã é um peixe danado de barato. Risco! O objetivo era por um curimatã no forno e tirar um dourado. E não é que a sorte me sorriu?! Assei o peixe temperado com muito limão (no alumínio) . Depois, voltei o peixe ao forno (sem alumínio), pincelado com molho amanteigado de... limão. Com arroz e assado de legumes, fechou bem o sábado. Claro que o vinho ajudou muito...

[Pra ser sincero: um pulo no ‘Carnes e Afins’, com cerveja rápida, baguete e patê de salmão foi essencial...].

SABOTAGENS
O problema é que Tiza acabou com minha arte com um mísero sorvete de manga (importante: manga do quintal daqui de casa que estava congelada...) sensacional...

2ª Conferência: quem vem debater conosco

A programação final da Conferência será divulgada nessa segunda-feira. Por decisão da Comissão Preparatória, ratificada pelo Conselho de Desenvolvimento, cada painel terá a participação de dois convidados de fora, especialistas nos respectivos temas, que possam trazer pontos de vista inovadores, e um convidado de Sete Lagoas, capaz de contextualizar a discussão para a nossa realidade.

Antecipo aqui os nomes que virão contribuir conosco, que formam uma turma da pesada. Seguramente, eles atribuem à nossa Conferência um status extraordinário. O primeiro deles, como já foi divulgado será o Ministro de Estado Patrus Ananias, que irá proferir a palestra magna, na quarta, às 17:00. Para o primeiro painel - 'O Orçamento Participativo como estratégia para a gestão democrática e o controle social sobre a gestão pública' -, na manhã do mesmo dia, virão Maria Auxiliadora Gomes (economista da Secretaria de Planejamento da Prefeitura Municipal de Contagem) e Flávia Brasil (arquiteta da Fundação João Pinheiro). No dia seguinte, para o segundo painel - 'A eficácia do Plano Diretor e da gestão urbana no ordenamento da cidade' - estarão conosco o José Osvaldo Lasmar (economista e diretor-geral da Agência Metropolitana de Belo Horizonte) e Heloisa Soares de Moura Costa (arquiteta e professora do Departamento de Geografia do IGC - UFMG). Por fim, para o último painel - 'A integração das políticas urbano-ambientais e sociais no território' - aceitaram o nosso convite Carla Bronzo Ladeira Carneiro (cientista social, doutora em Sociologia e Política e pesquisadora da Escola de Governo da Fundação João Pinheiro) e Paulo Thomaz Fleury Teixeira (médico-sanitarista, filósofo e consultor do Instituto de Atenção Social Integrada). Timaço!!!

2ª Conferência: delegados


Diferente do caso da saúde ou da assistência social, Sete Lagoas não tem nenhuma tradição em conferências sobre política urbana. Nao se tem registro, por exemplo, do interesse que é capaz de despertar e do provável número de participantes. A Comissão Preparatória só tem elementos para uma avaliação sobre isso a partir das inscrições que estão sendo realizadas. Nessa segunda, a Comissão fará um balanço para verificar, dentre os inscritos, aqueles que desejam participar na condição de delegados.

22 de jan de 2010

Tião das Rendas 2010


Vejam aí: o nosso contador ultrapassou a barreira dos 10.000 visitantes, desde 29 de agosto de 2009. Até dezembro, a média era de 60 acessos/dia, por mais ou menos 34 visitantes. A média hoje subiu para 68 aberturas de página, por 39 frequentadores. Considerando apenas o ano de 2010, de 1º de janeiro prá cá, os números andam bem mais expressivos: em média, este ano, o blog foi visitado, diariamente, 105 vezes, por 60 leitores. Como se diz: 'está juntando cardume!!!'

21 de jan de 2010

Bolsa Família: uma obra para a história

Leiam a íntegra desse artigo no blog do Luis Nassif:

Coluna Econômica – 21/01/2010

Prestes a deixar o cargo – para ser candidato a candidato ao governo de Minas Gerais pelo PT – o Ministro do Desenvolvimento Social Patrus Ananias deixa em seu currículo a montagem do mais bem sucedido programa social do país – depois do SUS (Sistema Único de Saúde) -, o Bolsa Família, considerado o mais bem sucedido programa de massificação de políticas sociais já tentado no mundo.

Levará algum tempo para se produzir a obra definitiva sobre o programa, os desafios iniciais, a consolidação do corpo técnico, a montagem das redes com movimentos sociais, prefeituras, demais ministérios, para o feito de levar políticas compensatórias a 50 milhões de pessoas, 12 milhões de famílias, um quarto da população brasileira.

Haiti, por e-mail

Artigo muito esclarecedor, que recebi por e-mail, sobre a tragédia no Haiti:

Terremoto é desastre natural, mas a pobreza extrema, não

Fonte: Brasil de Fato - Eduardo Sales de Lima e Igor Ojeda

Mídia relaciona efeitos graves do terremoto com a pobreza extrema, mas não diz por que o país caribenho é tão subdesenvolvido


As imagens das TVs de todo o mundo mostram um verdadeiro inferno. Destruição total, corpos estirados, homens e mulheres aos prantos. Os relatos dos repórteres nos jornais que foram a campo não são diferentes. Saques a supermercados, violência, desespero.

Quase em uníssono, os meios decretaram: os efeitos do terremoto de 7 graus na escala Richter ocorrido no dia 12 no Haiti são ainda mais graves devido à extrema pobreza em que vive a população do país, o de menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do hemisfério ocidental. A análise um tanto óbvia não é incorreta, mas a imprensa em geral “esqueceu-se” de explicar o porquê de tanta miséria, praticamente naturalizando o subdesenvolvimento acentuado do Haiti.

“É preciso que se diga que se, de fato, as causas da tragédia são naturais, nem todos os efeitos o são”, opina Aderson Bussinger Carvalho, advogado e ex-conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que visitou o país em julho de 2007. “É preciso saber que indústrias exploram a mão-de-obra barata haitiana, cujos produtos são exportados para o mercado dos EUA, assegurando imensos lucros que não se revertem em favor do povo. As casas construídas somente com areia, a ausência de hospitais, a falta de luz e água... tudo isso vem de antes do terremoto”, afirma.

Pobreza extrema

Atualmente, 80% dos haitianos vivem abaixo da linha de pobreza, sendo que 54% se encontram na extrema pobreza. A mortalidade infantil é de cerca de 60 mortes para cada mil nascimentos (no Brasil, a proporção está em torno de 22 para mil), a expectativa de vida é de 60 anos e o analfabetismo atinge 47,1% da população.

Além disso, o país sofre com a falta de infra-estrutura e indústria nacional. As estradas são bastante precárias, assim como as áreas de energia, telecomunicações e transporte. Dois terços dos haitianos dependem da agropecuária para sobreviver, enquanto apenas 9% trabalham em fábricas, em sua maioria nas chamadas maquiladoras, unidades especializadas em produção de manufaturados para exportação que se utilizam de mão-de-obra barata. “Durante o ano de 2009, percorremos todo o Haiti. Nossa brigada percorreu dez departamentos e conhecemos a situação de pobreza em que vive a imensa maioria da sociedade haitiana”, relata José Luis Patrola, militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e integrante da Brigada Internacionalista Dessalines da Via Campesina, que atua com as organizações camponesas do país.

Triste e estranha realidade para uma nação que foi a segunda das Américas a se tornar independente (da França) e a primeira a abolir a escravidão, em 1804. Ou seja, que tinha tudo para oferecer uma vida digna para seus habitantes.

Construção histórica

“A pobreza extrema do Haiti é uma construção histórica bi-centenária, produto da incessante intervenção colonialista e imperialista, em boa parte devido precisamente a ter sido o Haiti a primeira e única nação negreira onde os trabalhadores escravizados insurrecionados obtiveram a liberdade. Isso após derrotar expedições militares francesa, inglesa e espanhola”, explica Mário Maestri, historiador e professor do Programa de Pós Graduação em História da Universidade de Passo Fundo (UPF), no Rio Grande do Sul.

Segundo ele, a partir de então, o Haiti passou a ser temido pelos EUA, pois poderia servir como exemplo aos escravos estadunidenses. Assim, o país passou a “ser objeto de bloqueio quase total, desde seus primeiros anos, pelas nações metropolitanas e americanas independentes. Já em 1825, foi obrigado a pagar, sob pena de agressão militar, pesadíssima indenização à França. Conheceu nas décadas seguintes intervenções militares dos EUA, que, mesmo após a desocupação, em 1934, transformaram o país em semi-colônia, sobretudo através das sinistras ditaduras dos Duvaliers, Papa-Doc e seu filho [entre 1957 e 1986]”.

De acordo com Osvaldo Coggiola, professor de História Contemporânea da Universidade de São Paulo (USP), o Haiti não é uma exceção na região em que se encontra, mas um caso extremo da dominação imposta pelos países centrais do capitalismo. Assim, para ele, “atribuir seus males à incapacidade da sua população, descendente de escravos forçados a trabalhar na ilha pelos colonialistas franceses, é um conceito abertamente racista. A classe dominante, ela sim, é corrupta até a medula. Se chegar ajuda para o governo local, vão roubar, para vender e chantagear a população”.

Casas amontoadas

Além da pobreza, outro fator vem sendo apontado como potencializador dos efeitos do terremoto, embora ambos estejam fortemente vinculados: a grande quantidade de pessoas vivendo nas cidades (especialmente na capital, Porto Príncipe) em casas amontoadas e construídas precariamente, o que fez com que desabassem mais facilmente. Segundo Patrola, o desastre deixou evidente a precaridade do sistema urbano no Haiti. “Porto Príncipe e as favelas de Cité Soleil e Bel-air foram construídas de forma espontânea com a ausência de recursos mínimos de construção civil. Isso potencializou a destruição”.

Aqui, outra triste e estranha realidade: como se explica que um país cuja agricultura representa 28% do PIB (no Brasil, esse índice é de 7%) possua um índice de êxodo rural tão acentuado e tenha 47% de sua população vivendo na zona urbana?

“Pela eliminação das culturas agrárias locais pelos produtos importados, inclusive os das famosas 'ajudas internacionais'. O subdesenvolvimento eliminou as florestas locais, pois o carvão é quase a única fonte de energia no interior. Em 1970, o Haiti era quase auto-suficiente em alimentação, hoje importa 60% do que come”, responde Osvaldo Coggiola. Segundo dados da ONU, entre 2005 e 2010, a população das cidades haitianas cresceu 4,5% por ano.

Migração

O historiador Mário Maestri explica que a revolução de 1804 teve como consequência a divisão dos latifúndios existentes em lotes familiares, que retomaram as tradições camponesas africanas, proporcionando uma independência alimentar. No entanto, “as intervenções imperialistas, com a colaboração das frágeis e corruptas elites negras e mulatas, desdobraram-se para metamorfosear a agricultura familiar-camponesa em mercantil. Levantes camponeses foram duramente reprimidos, para reconstituir a grande propriedade”, diz.

Patrola, da brigada da Via Campesina no Haiti, responsabiliza ainda as políticas neoliberais mais recentes pelo “desmonte” do campo. “A abertura comercial está destruindo a agricultura haitiana. O Haiti é o quarto importador de arroz dos Estados Unidos”, diz.

O resultado de todo esse processo vem sendo uma grande migração para a cidade. E hoje, de acordo com Maestri, as enormes massas de miseráveis urbanos são vistas como mão-de-obra extremamente barata para as indústrias maquiladoras que se estabeleceram no Haiti.

Estadista global

Lula receberá prêmio inédito de Estadista Global
Daniela Milanese, da Agência Estado


LONDRES - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva receberá o prêmio de Estadista Global do Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), no dia 29. Esta é a primeira edição da homenagem, criada para marcar o aniversário de 40 anos do Fórum.

Conforme a organização do evento, o prêmio tem o objetivo de destacar um líder político que tenha usado o mandato para melhorar a situação do mundo. "O presidente do Brasil tem demonstrado verdadeiro compromisso com todas as áreas da sociedade", disse o fundador e presidente do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab, em nota à Agência Estado.

Segundo ele, esse compromisso tem seguido de mãos dadas com o objetivo de integrar crescimento econômico e justiça social. "O presidente Lula é um exemplo a ser seguido para a liderança global."

[...]

Para saber mais clique aqui, aqui ou aqui.

Programa Leila Dias

Hoje, às 9:00 da manhã, eu estive na Rádio Eldorado divulgando a 2ª Conferência da Cidade. A Leila tem um gás e tanto. Foi uma boa conversa...

Estréia arrasadora


Cruzeiro 6 x 0 Uberlândia. Não há o que comentar...

20 de jan de 2010

Programa Sem Censura

Eu acabo de voltar do programa do João Carlos, na Rádio Cultura. O principal objetivo da entrevista foi prestar esclarecimentos e divulgar a nossa 2ª Conferência Municipal da Cidade. Na primeira metade do tempo, a conversa versou sobre esse tema, a outra metade sobre política: a exoneração e a carta da Lisboa, a exoneração da Léa e a posição do PT, minha situação nesse jogo, as intrigas envolvendo meu nome e o do secretário de Obras, essas coisas. Eu disse, quando perguntado, que não me negava a responder nada, que não havia assunto proibido pra mim e me posicionei da forma que todos os leitores desse blog já conhecem. O papo com o João é sempre muito tranquilo, o tempo é longo e é possível abordar os assuntos pautados com calma.

Quero registrar aqui um ponto recorrente em todas as minhas idas ao programa do João Carlos: o grande interesse dos ouvintes sobre o tema do planejamento. O melhor é que as perguntas, nessa hora, são sempre diretas e relevantes. Alguns exemplos: a solução para o grotão do Canaan/ Santa Luzia, a utilização de piso intertravado ou paralelepípedo no calçamento dos bairros, os problemas da saúde. O governo precisa ter um desempenho positivo de arrecadação esse ano para não ficar refém do orçamento e avançar na capacidade de responder às demandas sociais...

Sobre a Conferência, acho que foi uma oportunidade extraordinária de convidar os sete-lagoanos a participarem.

[Em tempo: obrigado a Maria Augusta, ao Lambreta, a Heloisa, a Cristina, ao Jaiminho, ao João Soares e a Chica pela audiência e pelas intervenções].

A lista de livros de Marcelo Rubens Paiva

Em seu blog, Marcelo Rubens Paiva, a pretexto do fato da FUVEST ter anunciado que vai unificar os livros para os vestibulares da USP e UNICAMP, para os próximos 3 anos, fez suas indicações:

1. Odisséia, de Homero [o big bang do pensamento ocidental]
2. Dom Quixote, de Cervantes [o começo do romance]
3. Hamlet, de Shakespeare [no comments]
4. Crime e Castigo, de Dostoievski [o personagem dialético]
5. Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis [precisa dizer?]
6. O Triste Fim de Pilocarpo Quaresma, de Lima Barreto
7. O Processo, de Kafka
8. Por Quem os Sinos Dobram, de Hemingway [o diálogo na literatura]
9. Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa [nada a temer, é um livro lindo]
10. Memórias Sentimentais de João Miramar, de Oswald de Andrade [reinventou tudo]
11. Vidas Secas, de Graciliano Ramos
12. Capitães de Areia, de Jorge Amado
13. Cem Anos de Solidão, de Gabriel Garcia
14. O Apanhador no Campo de Centeio, de J D Sallinger [pro universo teen]
15. O Complexo de Portnoy, de Philip Roth
16. Pé na Estrada, de Kerouac [o começo da contracultura, que mudou o mundo]
17. Orlando, de Virgina Woolf

Ele encerra dizendo: "Eu sei, faltaram Camus, Proust [chatinho que dói, mas...], Joyce [os contos], Flaubert, Thomas Mann, Tosltoi, Mário de Andrade, Conrad, Nelson Rodrigues e especialmente poesia. Fazer o quê? Lista é assim, não cabem todos".

A carta de Maria

Eu não sou um amigo tardio da Maria Lisboa; já me sinto um velho amigo. E mais do que amigo sou um admirador do seu trabalho. Quando sua exoneração tornou-se pública, ao ver os primeiros oportunistas de plantão insinuarem com críticas baratas, me apressei em defendê-la aqui, não por amizade, mas por justiça.

Durante esses dias, tenho conversado muito com a Maria. Há um processo a ser vivido e ele faz emergir um mundo de reflexões pessoais e políticas. Sobre cada um de nós, sobre o prefeito, sobre o mundo político sete-lagoano, sobre o governo, sobre esse momento ‘lastimável’.

Somente na noite de ontem, tomei conhecimento de sua ‘carta aberta ao prefeito’ já então tornada pública. Tive uma primeira reação de silêncio; depois, de incompreensão; enfim, de discordância. Em silêncio, achei legítimo o direito de Maria manifestar sua visão sobre esses assuntos que lhe tocam diretamente. Por incompreensão, me perguntei se aquele era de fato o melhor instrumento. Por fim, conclui negativamente.

Vejo com muito receio cartas públicas escritas em momentos como esse. Há um sem-número de reações possíveis, todas fora de controle. Tanto podem atingir o destinatário, quanto o próprio remetente. Nos comentários dos blogs, por exemplo, não faltou quem visse na carta um ‘tapa de luvas’ no prefeito, como quem enxergasse uma Maria ‘muito amargurada com esta demissão’. No calor da luta, cartas assim se tornam, ainda, um prato feito para a oposição ou um gerador de manchetes bombásticas para jornais, não necessariamente dentro do foco do que, efetivamente, está escrito.

Eu tenho um ponto de discordância central: o risco de personalização do debate. Com ou sem a intenção de Maria, a carta transcendeu o caráter de uma ponderação política e repercutiu como uma crítica pessoal ao prefeito. Nesse caso, eu posso concordar com a tese de que o prefeito não anunciou adequadamente o ‘porque’ da exoneração da Maria, como concordo; mas não posso ignorar que, de sua parte, ele não se meteu com a biografia de ninguém. E imagino que ele não o fará.

Sobre a história da ‘cidade do interior’ versus ‘capital’, sei que é uma fala recorrente de Maroca, no sentido de que aqui a política é mais pessoal, mais próxima e lá, mais impessoal e distante. Torço, então, para que o sentido dado na carta de que a competência da Maria (que não tenho dúvida que ele tenha mencionado) é imprópria para cá, seja um ruído de interpretação.

Não quero terminar esse comentário sem, entretanto, valorizar um trecho importante da carta. Eu tenho insistido, nas últimas postagens, no tema do ambiente político degradado de Sete Lagoas. Não me refiro ao prefeito (como alguns leram), mas, ao mundo que cerca o poder público com interesses inconfessos e língua solta. É bom lembrar que, desde o início do governo, Maria foi vítima desse ambiente, sempre bombardeada e objeto até de uma inominável campanha ‘fora Maria’. Diferente de hoje, poucas vozes a defenderam, então. Coisas da política... De cadeira, portanto, Maria deixa um conselho ao prefeito que merece ser registrado por todos nós:

“Por favor, não avalie Sete Lagoas pelos grupos clientelistas que tentam diminuir o valor da cidade e fazer valer seus interesses sobre as necessidades de todos. Com isso, Prefeito, a cidade pode vir a perder as chances de mudanças que a sua eleição havia anunciado. Sete Lagoas é muito maior e os cidadãos que vivem nesta Sete Lagoas, maior e mais generosa, vão saber diferenciar o joio do trigo, vão saber identificar aqueles que querem o bem da cidade e aqueles que só querem se aproveitar do poder”.

Maroca, o PT e eu

Eu disse, em outro post, que não sou o melhor comentarista, no momento, para o assunto conflitivo governo versus PT. Ainda assim, não quero me furtar a me posicionar sobre isso.

Como todos sabem, a exoneração da Léa Braga, na semana passada, está sendo a gota d’água dessa história. O prefeito faz uma avaliação de caráter pessoal de seu secretariado e do seu governo, enquanto o PT entende que essas avaliações precisam ser negociadas, politicamente, dentro da coligação vitoriosa nas últimas eleições. No embate, a temperatura subiu!

É bom lembrar que essa divergência de entendimento retrocede à transição do governo e continuou por todo o seu primeiro ano. E sobre ela, tanto o prefeito, quanto o PT conhecem a minha opinião: eu acho o pleito do PT correto e gostaria que o PT tivesse mais presença – institucional – nas decisões políticas e estratégicas do governo.

Nesse quadro, ainda na transição, entre o amigo Maroca e os amigos petistas, eu entendi que a única conduta ética admissível era manter um alto grau de franqueza e transparência. Eu alertei ao PT que não era o interlocutor do partido junto ao prefeito, que esse era um papel – institucional – de sua direção; e alertei ao Maroca que a minha participação no processo era pessoal e não diminuía o contencioso junto ao PT. Nem na transição, nem nos sete meses que estou no governo, deixei de reiterar essa posição. Maroca e o PT sabem disso.

Eu tenho clareza que governo e partido (ou partidos) não devem se misturar, especialmente quando se tem um governo de coalizão. É preciso que preservem suas identidades. Não por outra razão, no recém concluído processo de eleição direta do PT, eu fui o primeiro, ou um dos, a defender que a presidência não deveria ser assumida por qualquer filiado com participação ativa no governo. Mesmo no governo, é legítimo que o partido tenha uma posição crítica que mantenha em disputa suas concepções e orientações políticas [... sobre isso é bom lembrar Nelson Mandela]. E quem está no governo jamais terá essa posição de independência.

Eu coordenei a transição e não tinha intenção de assumir qualquer papel no governo. Ainda que esse seja um assunto privado, tornou-se público. Mudanças de vida, complicadas do ponto de vista profissional e familiar, nunca são fáceis. Mas, acreditem ou não, dois motivos me fizeram decidir voltar pra cá: um, é que não me lembro de outra experiência que tenha me fascinado tanto quanto a de participar da administração pública em Sete Lagoas. Brasília foi uma experiência grandiosa, você tem uma rara oportunidade de pensar o Brasil, todos os números têm muitos zeros, mas falta chão e gente. O que sobra aqui... Outro motivo decisivo, a minha amizade com o Maroca e a minha enorme confiança em sua sensibilidade política. O fato do PT estar no mesmo projeto pavimentou o caminho.

Eu acho muito ruim o eventual distanciamento do PT do governo e acho que isso tem conseqüências, sim, importantes pra mim. Não do ponto de vista de constrangimentos, como bem disse o presidente Sílvio de Sá ao Sete Dias, mas de força política. Explico: minha visão pessoal de governo coincide com o projeto e o ideário petista, e só com essa visão posso contribuir no governo. Não tenho outra. Tendo o PT, a direção e as lideranças partidárias e os vereadores do partido como aliados - não meus apenas, mas do governo -, essa dimensão coletiva dá maior densidade a esse projeto político. Sem eles, pra mim, o projeto é o mesmo, a direção de trabalho segue inalterada, mas há uma perda de torque.

De toda forma, não concordo com a referência a uma carreira ‘solo’ minha no governo, como alguns observadores da cena política cogitaram, com a saída do PT. Isso é inadmissível: eu nunca exporia o governo a um personalismo desses. Enquanto, nas questões centrais, eu puder compartilhar posições com outros secretários e, decisivamente, eu puder compartilhá-las com o prefeito Maroca, de minha parte, eu vou sustentar meus compromissos com o governo, com minha equipe da secretaria e com os amigos que tenho na cidade.

[Termino com parênteses: quero dizer que não vejo política como uma ciência exata, o lugar das certezas e das posições inflexíveis, como tantos parecem ver. Pelo contrário, acho que ela é essencialmente pedagógica, para não dizer dialética: a gente só aprende a fazer política no embate, na dúvida, no risco. Há dias que a turbulência é menor; há dias que ela é maior. Há dias que os apocalípticos estão mais exaltados; outros dias, menos. Um dia você ganha, no outro perde. Tem dias que é o fim do mundo; outros, não é nada disso. Política é isto aí. 'Nuvens!' E nada impede que o mundo dê voltas e que o mal estar de hoje desapareça. Inclusive no que diz respeito ao governo e ao PT. Vou trabalhar por isso.]

19 de jan de 2010

Estão abertas as inscrições da 2ª Conferência Municipal da Cidade



As inscrições podem ser feitas, a partir desta terça-feira, no site www.setelagoas.mg.gov.br ou diretamente na Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão, pelo telefone 31-37720108.

Concertación perde no Chile

Depois de 20 anos no poder, desde o retorno da democracia no Chile que pôs fim ao período Pinochet, a união multipartidária de centro-esquerda Concertación perdeu as eleições nesse domingo. Ela não conseguiu eleger o sucessor de Michelle Bachelet. O bilionário de direita Sebástian Piñera venceu o segundo turno com 51,6% dos votos, contra 48,3% de Frei.

A importância do trabalho da Concertación nesses anos, com resultados indiscutíveis contra a desigualdade no país, ampliando empregos e construindo uma relação de seguridade social importante no Chile, e a alta popularidade de Michelle Bachelet, com inéditos 81% de aprovação, não foram suficientes para convencer os chilenos. Há indicativos de que a Concertación teria errado em escolher Eduardo Frei, ex-presidente do Chile (1994-2000), o que teria evidenciado certa dificuldade de evoluir, de se reciclar e de repropor uma plataforma de avanços para o Chile.

Piñera, membro da conservadora Coalizão pela Mudança, parece ter percebido esse final de ciclo e se antecipado. Caminhando para o centro, defendeu melhorias sociais e soube dar ao seu discurso conservador, um sentido progressista.

Como bem lembrou o blogueiro João Villaverde: "Se é verdade que a história é dialética, em certos momentos os valores conservadores tornam-se mais modernos que os progressistas" [Eric Rohmer, mestre da Nouvelle Vague e crítico da Cahiers du Cinéma]. Parece ter sido o caso...

Tudo a lamentar pela derrota da Concertación, mas nada a lamentar pelo sucesso da democracia chilena. Isso é o mais importante! Sobretudo quando recordamos que há 20 anos atrás, um pouco mais, um pouco menos, toda a América Latina - Brasil e Chile, inclusive - vivia sob obscuras ditaduras.