30 de nov de 2009

De Brasília... [I]



Estou em Brasília, a convite do Governo Federal, participando da VII Conferência Nacional de Assistência Social, como delegado nacional. Nesta terça, às 17:30, com a presença do ministro Patrus, está programado o lançamento de duas publicações sobre o CRAS, uma delas que eu tive oportunidade de elaborar, no âmbito do projeto de cooperação internacional com a UNESCO, a que estive ligado até maio passado: CRAS - a melhoria da estrutura física para o aprimoramento dos serviços. Orientações para gestores e projetistas municipais. Às 20:00, participo como expositor da Oficina 18: Pacto de Aprimoramento de Gestão Estadual: indutores de planejamento da política em âmbito municipal, estadual e do Distrito Federal.


Convocada pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) e pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), a Conferência tem como tema “Participação e Controle Social no Sistema Único de Assistência Social (SUAS)”. O encontro reúne cerca de 1,5 mil pessoas e discute a qualidade dos serviços e as experiências bem sucedidas nos municípios, além dos entraves que dificultam uma maior participação dos usuários.

Protesto

(Foto: Javier Soriano/AFP/g1.com.br)

Ativistas da organização 'Anima Naturalist' cobriram, neste domingo, o corpo com líquido vermelho em protesto contra a indústria de peles na Praça Puerta del Sol, em Madri (Espanha).

Pintura

O golaço de Diego Souza, do Palmeiras, contra o Atlético, do meio de campo, pegando um rebote de primeira contra o gol vazio, foi inacreditável. Só vendo prá crer:

LOA


Tivemos, essa semana que passou, a audiência pública sobre a Lei Orçamentária Anual – LOA/2010. A audiência não contou com o mesmo público das anteriores. Os conselhos da área social que vinham sustentando os debates foram pela metade. Mas isso não impediu uma conversa proveitosa. Basicamente, trabalhamos sobre os números estimados para o próximo exercício. Do orçamento total de R$408mi, vimos que teremos uma receita de capital de pouco mais de R$100mi e uma receita corrente líquida de R$302mi. Deduzidas as obrigações constitucionais e legais, as despesas vinculadas e as projeções de folha e de gastos na saúde, com recursos do tesouro, chegaremos a um montante de recursos disponíveis inferior a 20mi. É esse o recurso que teremos para, por exemplo, obras próprias, limpeza urbana e custeio da máquina. Mostramos na audiência o sistema de cotas que utilizamos para sua distribuição entre as várias unidades orçamentárias e os valores insatisfatórios resultantes.

Uma avaliação global desses números para 2010 reforçou a tese de que precisamos priorizar a gestão de receitas (melhoria de arrecadação) e a gestão de despesas (melhoria do gasto público) com suporte de consultoria especializada, associadas a uma reforma administrativa abrangente.

Reiteramos junto aos conselhos e à Câmara o compromisso de continuarmos o processo de planejamento até abril. Nesse sentido, após a contribuição legislativa, que já conta com mais de 100 emendas ao projeto original, a proposta é avançarmos na priorização de ações, na definição de metas a partir de diagnósticos setoriais e na seleção de projetos estratégicos. Assumimos, acessoriamente, o compromisso de realizarmos uma oficina de capacitação, no princípio do ano, para conselheiros, assessores parlamentares, membros de movimentos sociais e outros que queiram participar desse processo. Vamos em frente...

29 de nov de 2009

Eu tô rindo à toa...

[Henrique, autor do primeiro gol, em foto no g1.com.br]

Cruzeiro 4, Coritiba 1. Palmeiras 3, Galo 1. Estava escrito: deixamos o Atlético pra trás, sem chances de entrar no G4. A última rodada pode nos levar à Libertadores e nos deixar em terceiro lugar no campeonato. O Inter saiu da mira, mas o São Paulo e o Palmeiras entraram. O tricolor pega o Sport em casa. Não é tarefa difícil. Já o Palmeiras pega o Botafogo, no Engenhão. O time da estrela solitária precisa ganhar de todo jeito pra não ser rebaixado. Vai ser guerra. Temos que fazer nosso para-casa: bater o Santos e Luxemburgo, na Vila.

Sou Sete Lagoas, meu pai

Cidadão Honorário
Se tem uma coisa que me deixou feliz foi receber, na última terça, nos 142 anos da cidade, o título de ‘Cidadão Honorário’, concedido pela Câmara Municipal de Sete Lagoas.

Caeté
Eu nasci em Caeté, em 1960. No ano seguinte, já estava em Sete Lagoas. Quando me dei por gente, abri os olhos e passei a registrar as primeiras imagens na memória, todas elas eram de Sete Lagoas, na casa de vô Jaime e vó Helena, na casa onde moramos na beira da lagoa, depois, na casa da Plácido de Castro e daí pra frente. Só sei que nasci em Caeté porque está escrito em minha certidão. Tenho boas lembranças de lá, mas nunca como minha terra. Caeté era o lugar do meu avô Bartô, que, na verdade, era ouropretano.

Desde 1938
Vô Jaime e vó Helena vieram pra cá em 1938. Depois da quebra da bolsa e antes do primeiro tiro da II Guerra. Eram da zona da mata, da região de Teixeiras, Viçosa, por alí. Vó era filha de italianos e, como todos os italianos, teve medo de ser perseguida durante a guerra. Vô tornou-se o seu Jaime da fábrica de farinha; vó acabou sendo a dona Helena do SERPAF. Meu pai apareceu por aqui no final dos anos 1940, para estudar, como interno, no D. Silvério. Conheceu a minha mãe e aí começou a minha história e dos meus irmãos. Quando casaram, meu pai era advogado da Companhia Ferro Brasileiro, em Caeté. Foram pra lá. Dois de nós nascemos caeteenses; meus outros 3 irmãos, aqui. Meu pai, João Luiz, em Sete Lagoas, foi secretário de Afrânio, passou pela antiga Companhia Telefônica, depois abriu a Planta7. Mas suas melhores lembranças eram dos tempos de Ouro Preto, dos tempos de advogado e da vida intelectual que prezava. Mãe, Selma, seguiu os caminhos de vó no SERPAF. E, pelo SERPAF, todos nós passamos: eu, por exemplo, durante os tempos de grupo de jovens, ajudei no antigo ‘clube dos engraxates’. Passei pelo Ulisses, pelo D. Silvério, até ir para BH fazer arquitetura. Para BH, eu levei comigo o sotaque, a cultura, os amigos e as memórias de um sete-lagoano. Da gema.

Mãos amigas
O mais bacana dessa história está nas mãos que me deram esse título. O vereador Dalton é amigo antigo. Já fomos colegas de república em BH, já fomos muito próximos e muito distantes. Mas as boas amizades são aquelas que o tempo lhe diz que você deve cuidar para não ver faltar. Muitas coisas nos identificam, outras nos põem em lados opostos, mas pouco importam. Dalton é uma das pessoas mais inteligentes que conheço e juntou à sua inteligência um grande destemor em lutar por suas idéias. Esse destemor o colocou na Câmara. Muitos jamais o compreenderão. Os idealistas, os homens de bem, sim. E Dalton é filho de duas pessoas muito importantes na vida de todos nós lá de casa: Bilu e Dario. Eles sabem disso. Eu passei todo o tempo da solenidade ao lado deles. E ao lado, também, de Jorge Perelló que recebeu a mesma honraria, das mesmas mãos. Em poder compartilhar da amizade de todas essas pessoas está a minha mais-valia.

Nada de novo

Mendiguei por uma boa notícia ou um bom texto nos jornais deste domingo. Só manchete ruim: ‘UNE é suspeita de fraudar convênios’ (Estadão), ‘Cúpula do DEM admite que situação de Arruda é insustentável’ (O Globo), ‘Criar Igreja e se livrar de impostos custa R$418’ (Folha) e por aí vai. Só restou mesmo aguardar o futebol...

Surpreendente, só a matéria no Portal UAI: ‘Professor de escola pública ganha 11% mais, diz pesquisa’. Essa é uma boa polêmica [clique aqui para ler o texto integra].

Esta é a sua vida


Lula, Dilma e Patrus assistiram, ontem, em São Bernardo do Campo/SP, ao lançamento do filme 'Lula, o filho do Brasil'.

25 de nov de 2009

Eleição no PT mineiro dá mais força para Patrus


Cantar vitória antes da hora é um risco. E uma tragédia quando a vitória não vem. Antes das eleições, o grupo de Pimentel alardeou que teria 60% dos votos e venceria no primeiro turno. Na terça, 24, iniciada a contagem dos votos, o candidato de Pimentel, Reginaldo Lopes, fez pior: comemorou a reeleição em entrevista ao Estado de Minas e à Rádio Itatiaia. E mais: utilizou o próprio site do partido para vender sua tese. Abdicou da posição de presidente e ignorou o decoro que a posição exige. Mas as urnas foram severas com a arrogância. O resultado parcial divulgado hoje (atualizado às 20:15), no site do partido (‘PED 2009 – Novo presidente do PT mineiro será definido no 2º turno’) mostra que Reginaldo não foi reeleito, que ficou longe dos 56 ou 60% de votos propalados, que haverá sim segundo turno em Minas e, o mais cruel!, que somados os votos dados às outras candidaturas, todas elas patrusistas, a eleição mineira deu mais força não a Pimentel, mas a Patrus!

Sou Gléber. Sou Patrus. Sou Minas Gerais.

24 de nov de 2009

O limite invisível entre o público e o privado

Notícia do dia:

De novo a história do uso irregular e pessoal de verbas indenizatórias. No caso, ao invés de aplicação em gastos vinculados ao mandato, os parlamentares usaram, de forma pessoal, para campanha política. Uno más de lo mismo...

"Documentos secretos obtidos pela Folha por determinação judicial apontam que ao menos sete parlamentares usaram recursos da Câmara dos Deputados para custear gastos em campanhas eleitorais de 2008. A informação é da reportagem de Alan Gripp e Ranier Bragon para a Folha desta terça-feira.

De acordo com a reportagem, os deputados Fernando Gabeira (PV-RJ), Jader Barbalho (PMDB-PA), Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), Narcio Rodrigues (PSDB-MG), Giovanni Queiroz (PDT-PA), Fábio Ramalho (PV-MG) e Paulo Rocha (PT-PA), envolvidos nas eleições do ano passado - seja em suas próprias candidaturas ou no apoio de candidatos aliados - utilizaram verba destinada a atividades parlamentares para alugar carros e aeronaves em campanhas e em hospedagem de assessores em hotéis".

23 de nov de 2009

Tamanduá


Eu tinha uma falha intolerável no meu currículo sete-lagoano: entre meus amigos, eu era o único que não conhecia o Tamanduá. Quero dizer, o sítio da família do Tavinho Campelo no Tamanduá. O sítio do Luciano e da Andréa. Fomos, eu e Tiza, minha mulher, pra lá, neste sábado. Aí entendi a razão de todo mundo achar um absurdo eu nunca ter ido lá. Eu nunca vi uma família tão unida, tão alegre, tão musical. E nunca vi amigos tão unidos, tão alegres, tão musicais. Faz bem estar perto de gente assim!

PPA

Isto é política
Em cinco meses no governo, eu participei de 5 audiências públicas. Duas de prestação de contas quadrimestrais; três sobre o PPA. Na próxima semana, teremos a 6ª, sobre a LOA. Nesse tempo, realizamos 6 reuniões com conselhos municipais sobre os mesmos temas. Quem acompanha a vida política sete-lagoana tem dito que esse é um processo novo. E é preciso compartilhar os méritos: não decorre apenas do fato do governo entender que a participação popular blinda as ações públicas; mas também da determinação dos conselhos que souberam tomar a iniciativa e se impor nesse debate.

Entendendo nossas fragilidades
Com razão, o ponto que suscitou mais atenção foi o (ainda) baixo nível de priorização e de definição de metas do PPA. Isso é um problema porque tira, em muito, a gerenciabilidade e o controle sobre o plano. Mas essa situação foi fruto de uma escolha: não arbitrar valores abstratos que não decorressem de um diagnóstico real. Por exemplo: se não temos um diagnóstico sobre a rede física escolar municipal é inócuo informar que faremos 4 ou 5 novas escolas (que não serão feitas...), em tal período. Foi isso que se fez nos planos anteriores, escamoteando uma fragilidade. A decisão, agora, foi explicitar essa fragilidade. O PPA, como protocolado na Câmara, mostra o “estado da arte” do planejamento municipal: a falta de equipes setoriais e central, a inexistência de dados em série histórica etc.

Construindo uma agenda pública
Tínhamos, basicamente, dois caminhos: (a) elaborar um plano formal, utilizando informações lastreadas ou não, levá-lo à apreciação legislativa e ponto; ou (b) ir até onde nossas pernas permitissem até 30 de setembro, ampliar o debate público sobe o plano, especialmente junto aos conselhos, colher as contribuições do processo legislativo e continuar até abril, em um processo contínuo de planejamento. Escolhemos o segundo caminho.

Duas palavras sobre o processo de construção de políticas públicas
Muitas pessoas fixam-se em uma visão clássica de construção de políticas. Essa visão só enxerga um processo racional em estágios progressivos: diagnóstico do problema, estudo de alternativas, formulação de propostas, construção de cenários etc. Não sem motivos, há vários críticos a essa racionalidade, que enxergam limites, acidentalidades no processo e por aí vai. Se fôssemos nos apegar a essa racionalidade clássica acadêmica, estaríamos nos diagnósticos e nos cenários até hoje. É importante considerarmos a cultura local. E para isso o primeiro passo é constituir um grupo permanente de planejamento que se capacite a elaborar e interpretar diagnósticos, formular propostas, ou seja, a planejar. O caminho será tortuoso, mas esse é o nosso caminho possível.

Meu nome é azul

Apesar do empate cruzeirense, esse campeonato está tão estranho, que a rodada acabou não sendo a pior possível. Era para ter acabado com qualquer sonho nosso de ainda entrar no G4, mas pensando bem... Vejam: dos 5 times à frente, mesmo não indo além do empate, aproximamo-nos 2 pontos do Atlético, do Plameiras e do São Paulo (que perderam) e mantivemos a distância do Flamengo (que também empatou). O problema foi o Inter que avançou dois pontos. Culpa do Galo.

22 de nov de 2009

Meu nome é vermelho III


Depois do jogo horroroso do Cruzeiro, ontem, e do desanimador empate, só sobrou torcer contra o Galo, hoje, no Mineirão. E não é que deu certo?! Galo 0, Colorado 1!

Sabe quantos pontos separam o Cruzeiro e o Atlético, hoje? Já foram 15, agora: zero. O Atlético tem apenas 2 gols pró a mais e um gol contra a menos. Para quem achava que estava disputando o título...

Depois de 3 derrotas seguidas, o Galo joga contra Palmeiras e Corinthians. Pedreiras! O Palmeiras, que não vence há 4 jogos, pega o Galo e depois o Botafogo. Pedreiras! O Cruzeiro tem o Coritiba e o Santos pela frente. Menos mal... A última vaga do G4 está entre esses três times. O Inter pega Sport e Santo André e dificilmente sai do grupo.

O diabo é que com os times mineiros fora do G4 não assistiremos a jogos da Libertadores na Arena do Jacaré. Vai lá Cruzeiro!!!

Meu nome é vermelho II

Duas lições da eleição do PT, hoje, em Sete Lagoas:

Uma: Ninguém é irrelevante no partido. Ainda que o Sílvio tenha obtido a maioria dos votos, avaliando-se os contextos de cada candidatura, todos tiveram votações expressivas. Mesmo o Fábio Nepomuceno, que fez uma campanha mais individualizada, teve 41 votos, ou seja, quase 20% do total...

Duas: as votações para as direções estaduais e nacionais mostraram um nível de convergência muito grande. Sílvio e a sua chapa local tiveram 128 votos, mas a chapa estadual teve 146 e o candidato a presidência nacional preferido pelos petistas sete-lagoanos teve 191. Isso, a meu ver, significa que temos um amplo espaço para construção da unidade partidária pós-PED.

Meu nome é vermelho I

O PT deu um show, hoje, pelo país afora. É o único partido do mundo que elege diretamente seus dirigentes. Os resultados sete-lagoanos expressaram a força local do grupo e do nome de Patrus. Sílvio de Sá elegeu-se, em primeiro turno, o novo presidente do PT local com 128 votos. Juventino teve 78 e Fábio Nepomuceno, 41.

Os votos em chapa, que determinam a composição do diretório e da executiva, resultaram nos seguintes percentuais aproximados: 60% para 'o Partido que muda Sete Lagoas, Minas e o Brasil' (Sílvio); 30% para 'Expressão Democrática' (Juventino) e 10% para 'Coerência Petista' (Fábio).

Para presidência estadual, o nome mais ligado ao Patrus, o de Gléber Naime, teve 132 votos, contra 62 dados a Reginaldo Lopes (ligado a Pimentel). Os votos em chapa foram 146 para 'O Partido que muda Minas' (uma das chapas patrusistas) contra 31 para a chapa 'Minas para Todos'.

21 de nov de 2009

Tião das Rendas IV

Estou me esquecendo de conferir o 'pupagante'... Vejam lá: o contador ultrapassou a barreira de 5.000 visitas!

Cebrap, 40

Ou os tempos do sociólogo e do metalúrgico...



Criado em plena ditadura, o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, o Cebrap, há 40 anos estuda os problemas do País. Agora tem livro e filme sobre sua história.

Quero Patrus Governardor


Quero Patrus Governador. Dêem um pula lá!

Abaixo a burocracia

Na segunda postagem abaixo, eu lamentei que anda sendo duro conviver com a burocracia. Tenho conversado sobre isso com alguns amigos. Se não ficarmos esperto, a chance é de passarmos anos e anos nos dedicando a papéis prá lá e papéis prá cá. A Secretaria de Planejamento é um bom lugar pra isso, por ser responsável pelo orçamento e por atividades-meio importantes. Ou seja, é um lugar para onde conflue naturalmente uma variedade enorme de demandas. E essas demandam passam por cima de você. A questão passa a ser: não perder o foco e tentar sobreviver...

O Portal UAI traz hoje uma matéria de nosso amigo Marcos Avellar sobre o serviço de oncologia municipal: 'Setor de oncologia está ocioso há cinco meses em Sete Lagoas'. [Boa e oportuna matéria, Marcão!] O Ministério credenciou o serviço em junho e só este mês está fazendo o repasse orçamentário. A burocracia ignora a dor de mães e crianças, os dramas pessoais. Impassível, segue seu curso e seu ritmo... Inaceitável!

18 de nov de 2009

Obrigado Manuel Bandeira

Poética

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja
fora de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante
exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes
maneiras de agradar às mulheres etc.
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare
- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.

Sem assunto e sem tempo

Não bastasse o tédio e o humor instável, o excesso de trabalho abate. Tem uma máxima que diz que 'quem trabalha muito não tem tempo para ganhar dinheiro'. Eu gostaria de fazer uma pequena adaptação para o setor público: 'quem trabalha muito não tem tempo de trabalhar'. Você gasta 99% do seu tempo despachando papéis, participando de reuniões boas ou ruins mas fragmentadas e descontínuas, apagando incêndios, atendendo telefonemas e demandas, indo e vindo, e não tem tempo nenhum para os assuntos realmente estratégicos. Terrível!

Sem assunto

A semana segue um tanto entediante. Nenhuma notícia tem tido força para saltar das páginas de jornais para as conversas de botequim. O arranjo Ciro – Aécio levava jeito, mas sumiu até dos próprios jornais. As eleições presidenciais foram excessivamente antecipadas e, enquanto tenderam a um plebiscito PSDB – PT, ganharam velocidade. Era fácil apostar. Mas no momento em que se tornaram menos lineares e simplistas e mais complexas e tortuosas parece que todos botaram o pé no freio e desconfiaram da mesa. Dilma parou, depois avançou, mas continuou no mesmo lugar; Serra caiu, mas ainda lidera; Marina Silva ganhou apoio de Heloisa Helena, Aécio continuou insistindo e fazendo jogo de cena (precisa disso ou morre); Ciro, imprevisível oscilou de ‘a’ a ‘z’. Todos – jornalistas, butequeiros, palpiteiros etc. – decidiram esperar. O assunto ficou em fogo brando. Só os afoitos continuaram gritando e fazendo análises inúteis.

FHC apareceu na cena por conta de um filho com uma jornalista da Globo. Ao que se diz, o ex-presidente ainda não sabe se assume ou não assume o filho. Isso é que é coisa de tucano: o menino já tem 18 anos, ou seja, há 18 anos FHC está em cima do muro. Mas nem isso deu muito pano pra manga...

A bola ficou picando: uma hora era Battisti, outra ‘A fazenda 2’ (que eu não faço idéia do que seja), depois a meia cúpula da alimentação em Roma, aí vinha Dinho Ouro Preto, chuvas aqui e ali, protestos contra aumento de IPTU em BH... Emoção zero!

Depois do fim de semana inglório para os times mineiros, nem falar mal do Galo tem dado IBOPE...

15 de nov de 2009

Fome Zero

Está no Portal UAI:

Brasil é primeiro colocado em ranking internacional de combate à fome.

A organização não governamental (ONG) Action Aid Internacional vai conceder um prêmio ao Brasil pelos esforços no combate à fome. Segundo um ranking organizado pela entidade, o país teve o melhor desempenho na redução do problema, seguido pela China e Índia.

Segundo o diretor internacional da Action Aid, Adriano Campolina, o principal motivo para que o Brasil seja o líder do ranking foi o fato de 10 milhões de pessoas terem saído da pobreza extrema nos últimos anos. De acordo com ele, o Brasil conseguiu a redução combinando o crescimento econômico com políticas de combate à pobreza e agricultura familiar.

“A fome é um fenômeno muito complexo, você não consegue acabar com ela imediatamente. Mas a redução do Brasil foi extremamente substancial, não só rápida como sustentada. Foram políticas coordenadas que deram ênfase à transferência de renda e ao mesmo tempo à agricultura familiar e à produção sustentável”, destacou Campolina.

Nesta segunda-feira, quando terá início em Roma a Cúpula Mundial de Segurança Alimentar, promovida pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), a ONG pretende entregar o prêmio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele participa da abertura do evento e deverá apresentar as experiência brasileiras que conseguiram reduzir a subnutrição no país como o Bolsa Família, o Fome Zero e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae).

Sulamericana

Os fatos: o Cruzeiro esteve à porta do rebaixamento, agora está à porta do G4. O Atlético achou que disputaria o título, agora nem no G4 está. Pôs 15 pontos de frente; hoje, só um ponto nos separa. Estamos subindo e eles caindo... Em resumo: por ora, nós remamos calados e eles remaram fazendo barulho para chegar ao mesmo ponto.

D. Canô conhece bem Caetano


Eu fui a Santo Amaro da Purificação no ano passado. Aproveitei e fui até a casa de D. Canô, mas, na hora, estava de portas cerradas. A casa é branca, delicada e soberana. Uma maravilha! Disseram-me que se esperasse o entardecer, talvez D. Canô me recebesse, como recebe a todos. Pena que estava a trabalho e não pude esperar. Hoje, li nos jornais que D. Canô vai pedir desculpas a Lula pelas críticas de seu filho Caetano. D. Canô faz isso porque conhece muito bem Caetano. Como D. Canô, eu gosto muito de Lula. Eu o conheci pessoalmente e é o cara mais inteligente e carismático que já vi. Ainda assim, não acho Lula inatacável. Mas acho que seus pontos vulneráveis não estão onde Caetano quer que estejam. Ele disse que Lula é analfabeto, “que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro”. Eu respeitaria críticas políticas de Caetano, mas não preconceitos. Nem dele, nem de ninguém. Se bem que em matéria de política, Caetano não é lá essas coisas. Pediu a benção de ACM, quantas vezes viu ACM. Como se ACM fosse uma mãe de santo baiana. Como se, pela aparência, pudesse ser confundido com Dorival Caymmi. E não é e não pode. ACM foi um dos mais perversos homens da ditadura que pôs Caetano pra fora do país. Cada vez que Caetano, baianamente, exortava ACM eu achava que ele perdia o direito à homenagem que Roberto Carlos lhe fez com ‘debaixo dos caracóis dos seus cabelos’. Caetano criticou Lula para elogiar Marina Silva. Mas para dizer que gosta de Marina Silva não é necessário falar besteira. Marina dispensa comparações. Basta gostar.

Por um triz

[O trio implacável no Mineirão, hoje, contra o Grêmio]

Por pouco, pouco, muito pouco, pouco mesmo. Até o último minuto estava tudo perfeito: derrota do Galo e vitória cruzeirense. Íamos subindo duas posições, passando o Galo e o tirando do G4. Mas o miserável do Grêmio fez um gol absolutamente desnecessário no apagar das luzes... Não subimos as duas posições, o Galo continuou à nossa frente e ainda ficamos na alça de mira do Internacional. Mas o fracasso alvinegro valeu a pena ver. A diferença caiu para um mísero ponto. Se o Atlético tropeçar, a gente atropela. E ele só tem pedreiras pela frente: Inter, Palmeiras e Corinthians.

12 de nov de 2009

Improbabilidade cósmica

Está lá no UOL Política:

A questão
Os deputados federais têm direito a verba indenizatória. Como funciona: eles usam dinheiro próprio para despesas relacionadas à atividade parlamentar (gastos com aluguel, transporte, combustíveis, consultorias, divulgação da atividade parlamentar, material de escritório, serviços de escritório e serviços de segurança), juntam as notas, comprovam e são reembolsados. O teto para o ressarcimento é de R$ 15 mil mensais, mas o parlamentar pode superar o limite em um mês ou mais, contanto que não ultrapasse R$ 90 mil no semestre.

A curiosidade científica
Um estudo da ONG Transparência Brasil, divulgado ontem, mostrou que a probabilidade de um deputado apresentar, em um único semestre, notas fiscais que somem exatamente R$ 90 mil, quantia máxima da verba indenizatória, é de 0,0002% ao quadrado. No entanto, 59 deles conseguiram a façanha de atingir esse exato montante, todos os meses, ao longo de dois anos, em 2007 e 2008.

"Para que o fenômeno se repita simultaneamente em quatro semestres seguidos para 59 deputados, a chance de que isso seja obra do acaso resulta inferior a 1 para 10 elevado à 84ª potência, um número que é dez mil vezes maior do que a quantidade de átomos do universo (cerca de 10 elevado à 80ª potência)"
, diz o texto da ONG.

"Embora seja impossível afirmar taxativamente que todos esses casos configurem má-intenção e que tenham resultado de 'massagem' deliberada de notas fiscais por parte dos deputados em questão, semelhante coincidência seria cosmicamente improvável para o conjunto deles. Na vida real, uma impossibilidade."

Detalhe
A bancada de Minas Gerais na Câmara dos Deputados foi a que teve mais representantes pedindo o teto de verba indenizatória por quatro semestres consecutivos: foram 11 deles.

Meu comentário
Eu acho traquilo. "Na vida real, uma impossibilidade". Mas os deputados não vivem na vida real, portanto, para eles, nada é impossível. A ONG está sendo muito cética. Essa capacidade de contrariar estatísticas já foi comprovada, no passado. Sabe-se, por exemplo, que o deputado João Alves teve a sorte suprema de ganhar mais de 200 vezes na loteria...

11 de nov de 2009

Dilma se move...


Vox Populi: Serra lidera com 36% para 2010; Dilma sobe

Pesquisa da Vox Populi, divulgada pelo Jornal da Band, aponta que o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), lidera as pretensões de voto para as eleições presidenciais de 2010 com 36%. O levantamento mostra uma recuperação da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), que passou de 15%, registrado na pesquisa de outubro, para 19%. Serra, no entanto, tinha 40% no último levantamento. A Vox Populi ouviu 2 mil eleitores em 170 cidades de todos os Estados, menos no Acre, Roraima e Rondônia, entre os dias 31 de outubro e 6 de novembro. A margem de erro é de 2,4 pontos percentuais.

No cenário, o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) registrou 13%, Heloisa Helena, 6%, e a senadora Marina Silva (PV-AC), 3%. Com o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), na disputa, Dilma aparece com 20%, Ciro com 19%, Aécio, 18%. Heloisa Helena, 8%, e Marina Silva, 4%.

O governador mineiro aparece como o candidato com menor rejeição (5%), seguido de Ciro (8%), Heloisa (10%), Serra (11%) e Dilma (12%).

Apagão

[Foto g1.com.br]

Pela primeria vez, Itaipu parou. São Paulo, Rio (foto) e Espírito Santo foram 100% atingidos. Mais 7 estados foram afetados...

Sem comentários

Flávia, Amaro, Amigo Celeste, Celso, Anônimo... os comentários neste blog continuam sendo muito bem-vindos. Não é possível que vocês não estejam exultantes com a extraordinária aventura do vestidinho cor de rosa. Até o NYT tem o que dizer a respeito e vocês nada?! Aquela história: o 'pupagante' continua ótimo (só ontem, 55 amigos deram uma passada aqui e abriram essa página 105 vezes), mas o jogo parece ruim porque a torcida não diz um 'a'. Francamente!

Tá bom, tá bom... eu vou voltar a falar mal do Galo prá ver se a coisa anima...

10 de nov de 2009

O vestinho cor de rosa III

Enfim, eis aí ao lado, o famoso vestidinho cor de rosa... A sua fantástica história continua no topo das paradas de sucesso. Nada nesse mundo lhe tira da moda... E, por falar em moda, o Terra Moda primou pelo tratamento impecável que deu, hoje, ao assunto. As frases foram pérolas puras: "[a expulsão da aluna] coloca à prova todas as conquistas femininas perseguidas e conquistadas desde sempre e até agora"; ou: "a quarentona minissaia é tendência atualíssima. Os últimos desfiles nas principais capitais mundiais - leia-se Nova York, Londres, Milão e Paris - trouxeram vestidos e saias curtos, curtíssimos". Ainda: "mais de quatro décadas depois, o poder do vestido curto mantém-se inalterado. Não fosse assim, a coleção Giorgio Armani para o verão 2010, apresentada em Milão setembro último, não teria sido, de cabo a rabo, com peças curtas, sim, muito curtas". E, embalada, a matéria não se esqueceu de mencionar maio de 68, Woodstock, LSD, heroína, cocaína, liberdade sexual e pílulas anticoncepcionais. Coisas que, naturalmente, a pessoa dona do moderníssimo vestidinho cor de rosa tinha inteira e absoluta consciência que representava, naquele dia 22 de outubro, quando ela se meteu dentro dele e foi à escola. Atitude!

Apesar de todo esse significado profundo, a UNIBAN continuou com humor instável, cunhando mais frases imperdíveis. Depois de voltar atrás na expulsão e receber 'exigências' da moderna criatura dona do vestido, sentenciou: "não estamos falando de nenhuma pop star". Ora, como não?! Não era até o dia 21, agora, é pop star legítima e made in UNIBAN. Com fama internacional. Por que tanta modéstica?!

Enfim: alguém aí pode me dizer se o planeta terra saiu de órbita?

9 de nov de 2009

O vestidinho cor de rosa II

Dois especialistas em marcas institucionais - um da Global Brands, outro do Grupo Troiano de Branding - avaliaram o estrago que a história do vestido curto rosa choque causou para a Universidade Bandeirantes, a UNIBAN. Em resumo, ambos entenderam que a universidade errou no tom arrogante e preconceituoso, cometeu um equívoco, tomou um xeque-mate e vai precisar, daqui pra frente, de muita grana pra reconstruir sua imagem. A frase mais reveladora foi a seguinte: "A Uniban tratou um problema de 3 graus na escala Richter, que não mata ninguém, de tal forma que o elevou para 7 (magnitude de terremoto considerada de grande proporção) sem muito esforço".

Para tornar as coisas mais animadas os deputados federais Ivan Valente (PSOL-SP) e Angela Portela (PT-RR) resolveram apresentar, nesta segunda-feira, um requerimento para que a Comissão de Educação da Câmara realize audiência pública para discutir a expulsão da aluna da UNIBAN, em São Bernardo do Campo.

Eu estou louco ou tem gente demais com tempo de sobra?

O vestidinho cor de rosa

A coisa está ficando dramática. Ou cômica... Vejam a manchete de hoje do Portal Terra: "Aluna expulsa levantou a saia, diz advogado da UNIBAN". Que diferença faz se a coisa já era curtíssima, não é mesmo? Ou seja, há uma contradição aí: ou era curto, de fato, e não precisava ser levantado ou foi levantado e não era tão curto assim. Uma coisa ou outra. O melhor é que, amanhã, o elevado nível da saia e o elevado nível do debate estarão nas páginas do NYT.

A questão do Patrimônio Histórico em SL

Diversos proprietários de imóveis em torno da lagoa Paulino procuraram a prefeitura para externar preocupação com notificações que receberam do Conselho do Patrimônio informando que seus imóveis haviam sido tombados. Em minha opinião, mais do que esperar a ação da prefeitura, esses cidadãos deveriam se dirigir diretamente ao conselho com uma consulta formal sobre a legalidade do processo de tombamento realizado, sobre os critérios utilizados, as restrições impostas e outros quesitos que entenderem necessários. Esse diálogo é importante não apenas para esclarecer a questão concreta, mas para contribuir para melhor atuação do conselho e ampliação do debate em torno do tema. Eu quero aqui fazer algumas ponderações sobre isso:

a) Primeiro, quero lembrar que esse assunto sempre foi muito mal tratado em Sete Lagoas. Conjuntos importantes como os imóveis da primeira metade do século passado em torno da rede ferroviária e mesmo os imóveis de época na área central, quase todos, foram ao chão a troco de nada. Emblematicamente, é deprimente ver a ausência do casarão no início da Avenida Monsenhor Messias demolido para dar lugar a um estacionamento;
b) Quero lembrar também que essa causa sempre se manteve de pé por iniciativas pessoais inteiramente meritórias. Não é necessário citar nomes. Essas pessoas, ao longo dos anos, tem sido responsáveis por travar uma luta fundamental para a nossa cultura e nem sempre bem compreendida;
c) Quero lembrar ainda que os conselhos não são subordinados ao poder executivo, são órgãos paritários, portanto, com representação social. A atuação dos conselhos, especialmente o do Patrimônio Histórico, deve ser valorizada porque são peças insubstituíveis para a implementação de políticas públicas;
d) Feitas essas ressalvas, quero focar em um ponto: a forma extremada e polarizada, portanto, imprópria, que essa discussão tem assumido, ao longo desse ano. A meu ver, os casos que emergiram da ‘Casa José da Rocha’, do ‘Cine Rivello’ e esse mais recente dos imóveis do entorno da lagoa não estão favorecendo o amadurecimento do tema e a definição de uma estratégia de abordagem, socialmente acordada, mas estão sendo utilizados apenas para multiplicar juízos pessoais e críticas genéricas e acirrar posições. O limite para mim foi quando um político local, com naturalidade, comentou o assunto, generalizou a crítica a todos os defensores do patrimônio, propondo, ao final, a demolição do Teatro Redenção que ‘enfeia’ a Avenida Monsenhor Messias. Ou seja, estamos indo longe demais e precisamos construir, rapidamente, um espaço de racionalidade e negociação...
e) Está claro que essa polarização não conduz à solução do problema. Não ajuda, por exemplo, a encontrar uma solução para o ‘Cine Rivello’ que lhe atribua uso público e, se possível, cultural, sem prejuízo para os seus proprietários. Não assegura que os imóveis que reconstituem nossa memória e conformam ambiências que nos são características sejam efetivamente preservados;
f) O aprofundamento do debate sobre o tema precisa ter, do meu ponto de vista, compromisso com os seguintes pontos: um, com o bem público e a função social da propriedade e não apenas com o interesse privado, mas sem desobediência a critérios legais e ritos processuais adequados que resguardem interesses legítimos de cidadãos; dois, com a efetiva preservação do patrimônio histórico e cultural, através da conquista da adesão social aos critérios, conceitos e estratégias definidos; três, com o aperfeiçoamento do sistema de gestão cultural e do patrimônio municipal, sobretudo com a valorização dos seus conselhos (ou seja, nada de jogar a criança fora com a água do banho)...

Pobres gastam mais que ricos

O mundo está mudando e tem gente que não quer enxergar... Capa do Estadão de hoje traz a matéria "Pobres já gastam 5% mais que ricos", assinada por Márcia de Chiara. Ela comenta estudo que mostra avanço do consumo das classes D e E do Norte e Nordeste em relação às classes A e B do Sudeste.

"Os pobres do Norte e Nordeste estão consumindo mais que os ricos do Sudeste. Nos últimos 12 meses até setembro deste ano, as classes D e E das regiões Norte e Nordeste do País gastaram R$ 8,8 bilhões com uma cesta de alimentos, produtos de higiene pessoal e limpeza. Essa cifra é 5% maior que a desembolsada pelas camadas A e B (R$ 8,4 bilhões) que vivem no Sudeste do País no mesmo período com esses itens, revela estudo exclusivo da LatinPanel, maior empresa de pesquisa domiciliar da América Latina.

Em igual período do ano passado, a situação era exatamente inversa: o gasto das camadas que compõem a base da pirâmide social no Norte e Nordeste com bens não duráveis havia sido 5% inferior ao das classes A e B do Sudeste. "Houve uma reversão", afirma Christine Pereira, diretora da empresa e responsável pela pesquisa".

[Clique aqui e leia a matéria na íntegra]

Deu no 'The New York Times'...

[Folha Imagem]

No dia 22 de outubro, a figura se meteu num micro vestido rosa choque e foi à universidade. Os jornais comentaram, no dia seguinte, que ela foi humilhada pelos colegas, o que numa universidade é de se causar espécie. A coisa foi parar no Youtube, como tudo hoje em dia. A Glorinha Kalil não quis ser moralista, mas disse que roupas próprias ou impróprias para determinados lugares dão conta da personalidade da pessoa. A pessoa disse que ia entrar como uma ação contra a UNIBAN pelo constrangimento e pela falta de segurança. Esse final de semana, a UNIBAN, alegando “flagrante desrespeito aos princípios éticos da dignidade acadêmica e à moralidade”, deu o trôco e expulsou a criatura. Ou seja, de vítima, ela virou bandida da história. A UNE achou o ato "esdrúxulo". A secretária de Ensino Superior do MEC disse que o Ministério vai pedir explicações à escola e que o caso lhe “parece ter um forte caráter de gênero”. A Ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres disse que foi "absoluta intolerância e discriminação". Não bastasse, o assunto foi parar na mídia internacional, em jornais como o americano The New York Times e os do Reino Unido, Telegraph e Guardian. Francamente: tem cabimento?

8 de nov de 2009

Devagar e sempre


O Atlético não teve competência para segurar o Flamengo em casa. O resultado não foi ruim (foi ótimo!), mas podia ser melhor, se tivesse ficado no empate. Nossa vitória, ontem, nos pôs em 4º. De qualquer jeito, iríamos cair para o 5º. A não ser que o Galo ganhasse. Mas esse é um preço muito caro que não se paga... O Galo ficou na alça de mira (agora a apenas 2 pontos, já foram 15); o Flamengo e o Palmeiras no radar. Ou seja, ainda dá prá chegar... Incrível a reação do Fluminense, que era lanterna há 3 rodadas atrás: pôs o Galo, nós e, agora, o Palmeiras em fila e liquidou. Aliás, depois de meio campeonato, o Palmeiras perdeu a liderança. O Barueri cooperou e empatou com o Inter. Ou seja, na rodada, dos times à nossa frente, só não nos aproximamos do Flamengo. Tiramos 2 pontos de diferença para o Inter (e o superamos na tabela) e o SP e 3 para todos os outros... Nada mal.

[A maior vantagem da derrota atleticana é que se poderá dormir em BH, esta noite]

Anselmo Duarte, 1920/2009

O Pagador de Promessas
Palma de Ouro, Cannes 1962

FHC versus Lula

Vale a pena a leitura de artigo 'O autoritarismo popular, segundo FHC', de Maria Inês Nassif, publicado no Valor do dia 05/11 e disponível no blog do Luis Nassif. Um trecho:

[...]

"A definição – ou acusação – imputada a Lula pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em artigo recente publicada em dois jornais paulistas (”Folha de S. Paulo” e “Estado de S. Paulo”), e reiterada em entrevista ao colunista Vinicius Torres Freire, ontem, na “Folha”, de exercer uma “Presidência imperial”, ou ser o artífice de um estado de “apatia com autoritarismo popular”, não parece plausível. Não dá para “acusar” alguém de ser popular. FHC também o foi no seu primeiro mandato e venceu as eleições para a reeleição no primeiro turno, em 1998. Não dá para “acusar” alguém por estar no poder, se essa pessoa foi eleita. FHC também foi, duas vezes. E, como Lula, também tentou, embora não com tanto empenho, fazer o seu sucessor.

Como Lula, Fernando Henrique Cardoso foi vitorioso como principal articulador de uma nova agenda política e econômica – no seu caso, o discurso vitorioso foi o de rompimento com a agenda nacional-populista de Vargas que ainda estava entranhada na sociedade. Como Lula, FHC teve que fazer valer o seu projeto num regime presidencialista com forte dispersão partidária. Ninguém o acusou de autoritário por isso. E não existe nenhuma objetividade numa acusação de autoritarismo se a pessoa que está sendo acusada se submeteu às urnas e mantém-se estritamente no jogo político institucional (ainda anteontem, Michael Bloomberg se elegeu, pela terceira vez, prefeito de Nova York)".

[...]

Walled In

Assistam a animação 'entre muros', que reconstrói virtualmente o muro de Berlim, criada pela Deustsche Welle...

A liberdade é invisível

O Estadão traz, hoje, um artigo muito ruim de se ler. Depois de 20 anos da queda do muro de Berlim, os alemães insistem em conservá-lo na memória. O lado ocidental reclama de ter sido penalizado com transferência excessiva de investimentos para o lado de lá; e o oriental de que se sente, agora, menos seguro do que antes. Duríssimo... Segue transcrição integral da matéria do enviado especial a Berlim, Lourival Sant'Anna:

'Muro invísivel' ainda divide alemães
Para alemães ocidentais fim da barreira representou fardo econômico; Orientais têm saudades do pleno emprego

Vinte anos atrás, a queda do Muro de Berlim despertou nos alemães - e, em grande medida, na humanidade - uma euforia e um otimismo sem precedentes. Se aquela barreira, por quatro décadas intransponível, podia abrir-se de forma tão fácil e inesperada, então nada mais parecia impossível. Com o passar do tempo, para muitos alemães, a barreira destruída passou a significar uma proteção perdida...

Do muro físico não restam vestígios. Na fúria de livrar-se dele, os alemães o arrancaram completamente. Foi preciso reconstruir um trecho de 1.300 metros, convertido em galeria a céu aberto, para relembrá-lo. Ao contrário do passado nazista, que os alemães - pelo menos os ocidentais - ocuparam-se em remoer para não repetir, o "Muro da Vergonha" eles fizeram tudo para esquecer. Mas ele insiste em continuar vivo, no que os alemães chamam "die Mauer im Kopf" ("o Muro na cabeça").

A relação dos alemães em geral e dos berlinenses em particular com a queda do Muro - e com a reunificação que dela resultou - depende, naturalmente, de que lado eles estavam, de quando nasceram e do lugar que passaram a ocupar na nova Alemanha. Por razões óbvias, os berlinenses ocidentais, prisioneiros dos 165 km de muro e cerca que os rodeavam, são os maiores entusiastas de sua queda. Os alemães ocidentais normalmente queixam-se da maciça transferência de recursos - mais de 1 trilhão - para o lado oriental, em investimentos na infraestrutura e na assistência social, com que eles arcam na forma de um "imposto solidário", além do alto déficit público que esses gastos geraram.

Pesquisa divulgada em março pela revista Der Spiegel mostra que 57% dos alemães orientais defendem a antiga República Democrática Alemã (RDA). Dos entrevistados, 49% concordaram com a frase: "A RDA tinha mais lados bons que ruins. Havia alguns problemas, mas a vida era boa." Outros 8% escolheram a opção: "A RDA tinha, na maior parte, coisas boas. A vida lá era mais feliz e melhor que na Alemanha reunificada de hoje." Os alemães têm um nome para isso também: "Ostalgie", ou nostalgia do Leste.

Segundo outra pesquisa, da Associação Social de Solidariedade Popular (criada na ex-RDA), 38% dos alemães orientais consideram-se vencedores da reunificação; 23%, perdedores; e 30% dizem que ela lhes trouxe perdas e ganhos.

Os jovens alemães orientais desempregados sonham com o "pleno emprego" desfrutado por seus pais. Os aposentados dividem-se entre os satisfeitos e os descontentes com o benefício que recebem. Muitas mães invejam a liberdade que suas mães tiveram de deixar os filhos na creche ou escola e trabalhar o dia inteiro. Por fim, há os de meia-idade que não se adaptaram ao mercado de trabalho e os que continuaram sendo úteis na nova economia.

Jörg Schäfer, de 50 anos, tinha 2 quando o Muro foi construído. Sua mulher, Jana, de 48, nasceu no ano de sua construção. "Só conhecíamos o país dividido. Crescemos com esse fato", dizem, ambos formados em engenharia de transportes em Dresden. "Podíamos gostar ou odiar, não tínhamos como mudá-lo. Foi muito surpreendente quando ele caiu de forma tão fácil."

Schäfer trabalhava numa estatal de logística para exportação. Sua área era a então União Soviética. Quando sua empresa foi absorvida pela equivalente estatal da Alemanha Ocidental, seus colegas encarregados de França e Itália foram demitidos. Ele ficou. Sua experiência era útil para os ocidentais. Seis anos depois, foi contratado por uma empresa privada.

"CHORÕES"
Jana trabalhava na estatal de ferrovias, também absorvida pela equivalente ocidental. "No começo, foi difícil", diz ela. "Sentíamos que nos olhavam de cima para baixo." Os ocidentais veem os orientais como acomodados que esperam tudo do Estado - o que lhes valeu o apelido de "jammer Ossies" (orientais "chorões"). Já o "besser Wessi" (ocidental "sabe-tudo") é tido como arrogante e individualista. Os salários dos orientais eram 50% mais baixos que os dos ocidentais. Hoje, pelo menos nas estatais, equipararam-se. No mercado, continua havendo discrepâncias, até porque o Leste em geral é mais pobre e seu custo de vida, mais baixo.

O casal continua morando no mesmo apartamento alugado da prefeitura, em Mitte, que, com a queda do Muro, voltou a ser o centro de Berlim. O aluguel subiu de forma incalculável, mas os salários deles, também. Os 850 que pagam hoje por mês representam 20% da renda familiar; na época da RDA, o aluguel era 15% da renda.

Os profissionais de áreas técnicas tiveram mais chances do que os das ciências humanas. O cientista político Nikolaus Werz, da Universidade de Rostock, na Alemanha Oriental, conta que, logo após a reunificação, dos 20 professores da Faculdade de Ciências Econômicas e Sociais, só 4 eram do Leste. Em muitas faculdades, não restou nenhum. Foram avaliados por bancas formadas por professores ocidentais e reprovados. "Até 1989 aqui não havia ciência política pluralista", explica Werz. "Só marxismo-leninismo."

Formada em ciência política na Universidade Livre de Berlim, Anja Weinhold, de 33 anos, está desempregada. Ela trabalhava num call center, mas foi demitida quando ficou grávida, em 2007. Seu contrato era por horas, e a empresa reduziu seu turno a zero, o que a lei permite. Anja recebe 300 de seguro-desemprego, e o Estado paga seu aluguel. O marido, que faz pós-graduação, recebe uma bolsa de 800. "Somos pobres. Na RDA, só não trabalhava quem não queria", diz Anja.

Vaidades

O artigo de FHC, ‘Para onde vamos?’, publicado no final de semana, virou assunto. É um apanhado de críticas pessoais a Lula, que acaba pondo a público, menos as críticas ao presidente e mais o incontido sentimento de ciúmes do ex. Não se propõe ali um debate sério. Bate-se, apenas, nas velhas teclas com que se critica usualmente e se quer estigmatizar Lula e o PT. Nada de novo. O PSDB de FHC perdeu discurso e capilaridade social e apega-se a um monte de vulgaridades. Eu estava torcendo pelo silêncio do presidente. Mas ele acabou por responder, ontem, com ironias. Sinceramente, não vejo respostas possíveis, de parte a parte, que não presenteiem a todos nós com o que de pior ambos podem nos oferecer: um duelo de vaidades.

7 de nov de 2009

Remando...

Devolvemos contra o Sport a virada que tomamos do Fluminense e entramos no G4. Mas é preciso ter muita calma nessa hora. Nada de torcer pelo Atlético... O importante é que nem ele, nem o Flamengo saiam do radar. Um empate fica de bom tamanho. O negócio é manter a concentração: 100% Fluminense e Barueri...

5 de nov de 2009

Sorín


Sempre que se listam os grandes ídolos cruzeirenses, vêm os nomes de Tostão, Dirceu Lopes, Piazza, Raul Plasmann, Natal e alguns outros. Quase sempre, em maioria, nomes das décadas de 1969/70. No futebol moderno, essa fidelidade ao ídolo acabou se desfazendo. Um jogador, agora, é ídolo por um ano, um campeoanto, no máximo. Contrariando a regra, Juan Pablo Sorín estabeleceu uma relação de identidade rara com a torcida do Cruzeiro. Não foi à toa que 55mil torcedores foram despedir dele, ontem, no jogo contra o Argentino Junior, que o revelou.

4 de nov de 2009

Claude Lévi-Strauss, 1908 - 2009


Morreu, dia 1º, aos 100 anos, o antropólogo francês, Lévi-Strauss. Ele viveu no Brasil na década de 1930, trabalhou na USP, e a partir dessa experiência escreveu "Tristes Trópicos", que é considerada uma das obras mais impotantes do século passado.

3 de nov de 2009

Tião das Rendas III



Ultrapassamos a barreira de 4.000 acessos, em 2 meses e 5 dias. Nesse período, esta página foi carregada cerca de 60 vezes por dia, por 34 visitantes, em média.

1 de nov de 2009

Destinatário errado

Eu recebi um e-mail de uma pessoa que sinceramente não conheço interessada em discutir comigo questões da política mineira e nacional. O tom aliava certa braveza, com um visível gosto pela coisa. Isto é, pela braveza parecia que ela achava que eu tinha culpa no cartório pelo que ela achava que a política tinha virado; pelo gosto, dava a entender que ela tinha certeza que eu pensava como ela e que podia responder às suas questões. Confesso que li com estranheza a mensagem. É que havia nela um pressuposto de que, por me envolver com gestão pública, eu gosto muito de política e entendo muito de política. Eu não gosto, nem entendo nada de política, no sentido habitual da palavra. E, a cada dia, gosto e entendo menos ainda. Eu tenho o mesmo sentimento do brasileiro médio de que a política não é lá essas coisas. Tenho filiação partidária, mas pouca vida partidária. Acho heróico o esforço de muitos amigos que militam no dia-a-dia de partidos. São obrigados a ouvir coisas que não merecem e a conviver com pessoas que não valem à pena. Via de regra, e daquelas regras que comportam raríssimas exceções, o ambiente é difícil. Muita desinformação, muita maledicência, muita intriga, muito jogo de cena. Quase sempre, uma perda de tempo enorme para resultados ínfimos. Ou seja, para as pessoas de bem que estão nessa por puro idealismo são exigidos uma paciência e um sentido histórico de que, em décadas e séculos, a política evolui. É mais ou menos como o planeta terra: se você parar e olhar fixamente para ele, por alguns minutos, não verá nada mudando; mas, em milhões de anos, oceanos sobem e descem, dinossauros surgem e desaparecem, macaco vira gente e tudo é entregue a você do jeito que está hoje. Simples: no conjunto, até que faz sentido; mas, no momento presente, tudo parece muito parado. Em resumo: a coisa não deixa de ser uma profissão de fé. E, em termos de profissão de fé política, devo dizer que eu sou um pouco ateu. E o que acontece e é destaque no noticiário não ajuda em nada à conversão de hereges. Hoje, por exemplo, vi a divulgação de um livro sobre os sarneys maranhenses (‘Honoráveis bandidos’) que, sabia e ironicamente, copiou a capa de outro sobre os acm’s baianos (‘Memórias das trevas’). Dois ícones da política nacional sem os quais, reunidos com alguns outros com o mesmo biotipo, não se governa. Nem o atual, nem os governos pregressos, nem os futuros. Vi, também, que, na quarta ou na quinta, não me recordo exatamente, vereadores suplentes irão a Brasília pressionar o STF a deixá-los tomar posse. Não foram eleitos, mas acreditam que foram. E o mais bizarro: hoje, reabilitaram a Rosane Collor. Francamente...

Se eu professo alguma fé, não é nessa, mas em outra política. Mas isso é outra história...

Voltando a remar...


Assistimos em uma turma de seis a derrota cruzeirense para o Fluminense no Mineirão. Além de Roberto, eu e Luís Márcio (na foto), o Juliano (Sabata's), irmão do Luís, e meus filhos Bê e Lu. Depois de muita alegria, um sofrimento desgraçado... O Cruzeiro deu um show no primeiro tempo e podia ter saído com 4 ou 5 no placar. Fizemos 2, o Wellington Paulista perdeu um pênalti e errou um gol feito e Gilberto meteu uma bola na trave. Mas no segundo tempo, deu um apagão, o time esqueceu-se de voltar a campo e tomou os gols que deixou de fazer. Eu estava começando a acreditar até no título. Agora é voltar a remar para entrar no G4...

Apesar do desastre, que acaba com a semana logo no domingo, foi bom ter ido ao Mineirão. Campo cheio e a companhia de bons amigos não têm preço. Ainda encontramos o Eduardo da FELT. Faltou o Pe. Vantuir, que é frequentador do portão 8...

A rodada começou, ontem, com dois resultados indesejáveis e um irrelevante. Os indesejáveis: São Paulo e Flamengo deviam ter ficado no empate com Barueri e Santos, mas acabaram ganhando por placar apertado. O empate, nos dois casos, teria sido perfeito. Quase... O SP dormiu líder e o Flamengo no G4.

O domingo esportivo começou em Abu Dhabi inteiramente sem graça. A pista belíssima mostrou-se chatíssima. E o resultado previsibilíssimo: Rubinho não alcançou seus objetivos e ficou em 3º no campeonato. Mas quando o relógio bateu 4 da tarde, o assunto voltou a ser o Brasileirão e a adrenalina subiu. Palmeiras empatou: bom. Inter perdeu: ótimo! A nota triste ficou por conta do miserável do Galo que ganhou. Quase que dava um vexame igual ao do Cruzeiro, mas se virou a tempo. A seleção celeste saiu de campo no primeiro tempo com o 4º lugar assegurado. Mas...

O sinal vai abrir

Eu não sou muito bem humorado com a turma do sinal. Hoje, eu estava desatento, quando me apareceu um garoto com cara muito simpática, do alto de seus mais ou menos 10 anos, no sinal da Prudente, em frente ao Pitágoras. Eu abaixei o vidro e ele, antes de me pedir qualquer coisa, me olhou e disse surpreso: - O senhor também usa brinco? Eu respondi: - Pois é... E perguntei o seu nome. Rápido, ele foi afirmativo: - Beto! E mal completou o nome, falou para outros dois, um pouco à frente: - O cara aqui é dos nossos. Quando os outros dois se aproximaram, eu entendi que “o cara aqui é dos nossos” era de uma gentileza tremenda. Eu só uso um miserável brinco e a meninada era um festival: brincos e piercings pra dar e vender. Passei-lhe umas moedas, o Beto me perguntou qual era o meu nome e eles voltaram para onde estavam, numa mureta no passeio. O sinal abriu, eu arranquei e só ouvi um grito: - Valeu, Flávio! Ou seja, em 2 minutos, eu estava 100% incluído na turma...

Queda do muro de Berlim, 20 anos


Encontro histórico dá início a celebrações
Em Berlim, Gorbachev, Bush pai e Kohl recordam o fim de uma era.


"O ex-presidente americano George H. Bush (o pai), de 85 anos, subiu no palco apoiado numa bengala; o ex-chanceler Helmut Kohl, de 79, sentado numa cadeira de rodas. Apenas Mikhail Gorbachev, o último presidente da União Soviética, aos 78 anos, caminhou sem auxílio. Vinte anos depois, os três protagonistas da queda do Muro de Berlim, da reunificação da Alemanha e do fim da Guerra Fria reuniram-se ontem no Palácio Friedrichstadt, na capital alemã, para receber homenagens e lembrar o episódio que mudou a configuração do mundo".