31 de out de 2009

A vida dos outros


Faz tempo, eu ganhei o DVD do filme 'A vida dos outros' de Florian H. von Donnersmarck (2006) e guardei-o na estante. Eu não sei se os leitores desse blog assistiram esse filme. Se sim, sabem que cometi uma insanidade em não tê-lo visto imediatamente. É de uma sensibilidade enviesada e inesperada. Impressionante. Quem não o viu, deveria vê-lo...

Abu Dhabi




Campeonato decidido, uma disputa de vice de pouco interesse, um grid sem novidades... A única coisa que despertou a atenção nos treinos para o GP de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, foi a maluquice do circuito de Ya Marina. Construído em uma ilha artificial, com uma marina artificial, a coisa é de impressionar: hotel, centro temático da Ferrari, reta interminável, túnel na saída dos boxes... E a corrida será no lusco-fusco do entardecer.

Fernando Fiúza


Minas perde e todos nós perdemos com a morte, hoje, do artista plástico Fernando Fiúza. Só silêncio...

30 de out de 2009

Fechando a rodada.


Ufa! Consegui: o Atlético foi baleado. Agora, a 4 pontos da liderança, já não depende mais só de si mesmo. Confesso que a goleada do Palmeiras sobre o Goiás não estava nas minhas contas. O Palmeiras vinha de uma sucessão de insucessos e, em reação, apostei no empate como um bom resultado. Errei. Ao final da rodada, o Galo e o Inter entraram no nosso radar: 2 pontos e 1 ponto de diferença. Para alcançar São Paulo e Palmeiras vanos ter que remar mais um pouco: 4 e 6 pontos de desvantagem. Ô luta!!!

29 de out de 2009

Vai indo que eu já vou

[Portal Terra: Washington Alves]

O São Paulo dorme líder. O Cruzeiro passa o Flamengo e assume a 5ª posição. Está a 1 ponto do G4, 2 do Atlético e 4 do título. Quem viver verá...

[Ia me esquecendo: esse tal de Thiago Heleno ainda me mata de raiva...]

Outubros

Eu não sei precisar que ano era aquele. Eu tinha pouco mais ou pouco menos de 10 anos, portanto, era alguma coisa perto de 1970. Ou mais. As lembranças infantis guardam apenas os aspectos essenciais; os acessórios, não. Eu não podia saber, àquela época, que guardar o ano daquela viagem solitária com meu pai a Ouro Preto era uma informação importante. Minha memória cuidava de coisas mais úteis. Eu me lembro, por exemplo, que pensei em não ir porque meu sapato, relativamente novo, estava me apertando os pés. Não se comprava sapatos à toda hora, como hoje. E como não tinha jeito de não crescer, os sapatos duravam pouco. E eu me lembro, com detalhes, que eu atravessava uma dessas fases difíceis. E isso me atrapalhava. Mas fui. Viajar sozinho com meu pai, sem minha mãe e meus irmãos, não era coisa comum. E se não era coisa comum, era importante. Isso eu entendia. A viagem de Sete Lagoas a Ouro Preto era longa; diferente de hoje. Meu pai era de Diogo de Vasconcelos que, quando ele nasceu, era parte de Mariana, mas ele dizia que era de Ouro Preto porque havia sido criado lá. Eu achava tudo o mesmo lugar, porque tudo tinha o mesmo cheiro de madeira queimada. E tinha uma eterna bruma. E fazia frio... Nós chegamos e ficamos na casa de um tio. Ficamos hospedados no mirante, ao final de uma escada muito íngreme, na altura do telhado. Para mim, era uma espécie de honraria, porque não podia haver lugar mais inusitado. Eu via a rua, o chafariz, o largo do cinema, a Casa dos Contos, à direita. Ficamos ali, meu pai e eu. E toda essa circunstância era suficientemente rara para eu dar a tudo aquilo um valor solene. E tudo corria por conta de uma festa à noite... Daí, ao escurecer, eu me vesti do jeito que me pareceu mais sério possível. Fomos até um bar, não exatamente um bar, mas um salão. Não tinha ninguém com minha idade, nem com o dobro da minha idade, nem com o triplo da minha idade. Era outubro, como agora, e por isso essa lembrança me vem. Era aniversário de uma coisa que custei a entender chamada GLTA, promovida por um certo Pe. Mendes. Explico: GLTA é, até hoje, o Grêmio Literário Tristão de Ataíde. Era o auge da ditadura, o clima não era muito normal. Era uma festa de senhores e meu pai não parecia muito velho entre eles. Pelo contrário. E isso me deixava feliz. Entre adultos, me contentava em vasculhar aquele mundo ouro-pretano: ficava, um pouco, ouvindo conversas desconexas, ia à rua e voltava. Sobrevivia bem ali.

Busco na memória e ela se nega a me dizer quantas vezes isso aconteceu. Quantos outubros ouropretanos aconteceram. Não foram muitos. A única certeza que ela me dá é que o último foi nos 40 anos do GLTA. Eu havia acabado de entrar pra faculdade e, com certeza, foi em 1978. A festa foi mais elegante, com mais pompa e cicunstância, na Casa dos Contos. Eu já conhecia algumas pessoas daquele mundo, pessoalmente, como o Edgar da Matta Machado, e por ouvir dizer, como a Condessa do Jornal do Brasil, que era o meu jornal da época.

Me pergunto uma, duas vezes, mas não tenho resposta. Em qual daqueles outubros fui apresentado àquele senhor muito branco, de rosto muito sereno, um tanto gordo, que me tratou de maneira muito especial, como se eu valesse alguma coisa? Mas eu tinha noção de tudo: eu só era diferente porque era novo e gostava de coisas que talvez não interessasse a ninguém ali. Lembro-me com perfeição da cena. E, presencialmente, de seu rosto e de seu trato comigo. Para minha timidez, foi uma conversa que durou uma eternidade. Embora eu não soubesse que aquela era uma eternidade importante. Sei que falamos de coisas triviais: minha idade, o que eu pensava, o que eu andava lendo. Não sei bem o quê respondi. Se foi aos 10 anos, devo ter lhe falado aos montes sobre Julio Verne, Mark Twain e Alexandre Dumas. E posso ter dito que havia lido 'Sagarana' de Guimarães Rosa. Se foi aos 18, ou perto disso, posso ter dito que lia Antônio Callado, Darcy Ribeiro, Paulo Freire. E por razões ideológicas, alguma coisa de Vladimir Lenin, 'O Testamento Político', talvez, afinal de contas a revolução tinha nos transformado a todos em comunistas, ainda que não fôssemos. Não lembro bem. Lembro apenas da boa cara de meu pai observando, ao longe, numa roda de amigos, a minha conversa com aquele senhor que se apresentou a mim como sendo Alceu Amoroso Lima.

27 de out de 2009

Lugares comunes

Achei também nos meus guardados inúteis a transcrição do texto inicial do filme 'Lugares Comunes' de Adolfo Aristarain y Kathy Saavedra, basado en la novela El renacimiento de Lorenzo F. Aristarain. É um filme argentino de 2002 que retrata, na vida de um professor (Fernando) obrigado a uma aposentoria compulsória, a decadência econômica daquele país, naqueles anos difíceis. É o monólogo da última aula de Fernando:

Fernando: Guarden los apuntes. No vamos a hablar de Rayuela. Terminen de leerlo los que no lo hayan hecho y léanlo bien, no se dejen engañar por la forma o por el humor de Cortázar: es la historia de amor más desgarrada que conozco.

Mientras habla se levanta de su asiento y se acerca a la primera fila de alumnos.
Fernando: ¿Alguien tiene un cigarrillo? Y fuego. Gracias.

Se lo dan, sorprendidos. Lo enciende mientras vuelve a su tarima, sin dejar de hablarles. Algún alumno pregunta si a partir de ahora se puede fumar. Fernando asiente con un gesto.

Fernando: Espero que sientan el mismo placer que sentí yo al leerla. Si no les mueve un pedo, los que se joden son ustedes. Cuando termine el año casi todos serán profesores. De literatura no saben demasiado, pero es suficiente para empezar a enseñar. Eso no es lo que me preocupa. Me preocupa que tengan siempre presente que enseñar quiere decir mostrar. Mostrar no es adoctrinar, es dar información pero dando también, el método para entender, analizar, razonar y cuestionar una información.

Algunos alumnos lo escuchan con atención. Otros están obviamente distraídos o abstraídos en garabatear las hojas de un bloc de apuntes.

Fernando: Si alguno de ustedes es un deficiente mental y cree en verdades reveladas, dogmas religiosos o doctrinas políticas, sería saludable que se dedicaran a otra profesión, a predicar en un templo o desde una tribuna. Si por desgracia siguen en esto, traten de dejar las supersticiones en el pasillo antes de entrar al aula. No obliguen a sus alumnos a estudiar de memoria, no sirve. Lo que se impone por la fuerza se rechaza y en poco tiempo se borra. Ningún chico será mejor persona por saber de memoria en qué año nació Cervantes. Pónganse como meta hacerlos pensar, que duden, que se hagan preguntas. No los valoren por las respuestas, las respuestas no son la verdad, buscan una verdad que siempre será relativa. Las mejores preguntas son las que se vienen repitiendo desde los filósofos griegos. Muchas ya son lugares comunes, pero no pierden vigencia: Qué, cómo, cuándo, dónde, por qué. Si en esto también aceptamos eso de que "la meta es el camino", no nos sirve como respuesta. Describe la tragedia, pero no la explica. Hay una misión o un mandato que quiero que cumplan. Es una misión que nadie les ha dado pero que yo espero que ustedes, como maestros, se impongan a sí mismos: despierten en sus alumnos el dolor de la lucidez. Sin límites. Sin piedad.

Vai de zelo

Há alguns anos, Caio Pacheco, esse amigo extraordinário, me pediu um artigo sobre planejamento urbano para o jornal Atual que foi lançado, mas, infelizmente, não prosperou. Eu não queria falar tecnicamente sobre o assunto, porque tinha certeza que produziria um texto chato. Foi quanto me ocorreu escrever um diálogo imaginário com o passado, usando para isso o meu avô Jaime Branco. Como sou bom em perder sono, acabei achando, nesta madrugada chuvosa, a versão original desse texto nos meus baús do sótão. Republico. Espero que gostem...

Estou me lembrando aqui do unforgettable encontro que a tecnologia digital agendou entre Nat King e Natalie Cole. Fico imaginando, em meio a essas virtualidades, se nossa geração pudesse encontrar-se com a geração passada, de quando Sete Lagoas era ainda um cisco de lugar. Um só instante, uma só pessoa que fosse. Digamos que fosse Jaime Branco, meu avô, que retornasse para esse devaneio. Eu o procuraria, ao cair da tarde, no fundo da fábrica de farinha, solitário, em frente à banca da oficina afiando as navalhas da canjiqueira. E aproveitaria seu longo silêncio para pôr em dia as novidades. Eu diria de quantos somos hoje, de até aonde a cidade chegou... e imagino sua cara de surpresa, suas frases incompletas “mas ali é a fazenda de fulano...”, talvez eu falasse das dificuldades com a água e ouviria um “isso não existe...” e se eu descrevesse o crescimento da região norte, talvez ele comentasse “tão adiante, queria conhecer as avenidas...” Que avenidas, vô?! (E o som febril do esmeril faria um providencial intervalo).

“Isso não foi pensado?!”, reabria ele a prosa. Não, não foi. Ou em parte foi. Ou foi mas não foi feito. Mas onde eram os trilhos, foi... E daí talvez tangenciássemos para uma conversa sobre o planejamento da cidade. Já não vejo então surpresa nos seus olhos. Talvez sequer tirasse a atenção das navalhas. Ainda que eu usasse todos os adjetivos: estratégico, compreensivo, holístico, racionalista, científico ou mais, participativo, popular... Ainda que eu expusesse com réplicas e tréplicas. E falasse de recursos, de orçamento. De metodologias e processos... (Silêncio! Em resposta, apenas o som ardido do esmeril).

“Cidade é igual gente” quebraria ele o silêncio. “Você acha que planeja o futuro. Pretensão! Você apenas faz sua parte no seu tempo. Educa. De resto, ...” Eu cortaria para argumentar que se faz hoje com vistas no amanhã. Que temos que ser um pouco futuristas. (Só silêncio!). “Não há vidência. Bobagem! Você sabe se o menino tá no caminho, desde sempre. Se desanda no adulto, você lembra da infância. Tava lá o jeito, você não quis ver....” Acho que mais uma vez reagiria dizendo que isso é acreditar no imponderável, que temos que monitorar o processo, que... (e o som irritante do esmeril).

“Ninguém monitora a vida. A cidade não é um, mas muitos processos. Você não controla, apenas sugere... Planejar é propor uma solução para um problema. Coisa real. Não tem nada de futurismo. Quem acha que vê o futuro, apenas se dá conta do presente. A gente nasce antigo, ultrapassado, e custa atualizar no tempo, ficar contemporâneo”. Eu esboçaria uma reação. (E o diabo do som do esmeril agora não vem).

“Não veja a cidade como um problema, mas uma solução. Se tem um problema, ele próprio traz o remédio. Nada vem de fora. Planeje e peleje! Repare! A melhor solução é a mais natural. A que parece óbvia! Não é caso de adivinhar. É de apurar a sensibilidade para enxergar.”

Vejo agora sua imagem sumindo como sua geração, ele levantaria a última navalha contra a luz inexistente da quase noite. Sem enxergar, conferiria com o polegar o fio da lâmina e desligaria o esmeril. Uma figuração. Em meio ao absurdo silêncio, a última palavra, dando razão ao meu amigo Brenão, filho de D.Tereza: “Vai de zelo!”.

26 de out de 2009

Brasileirão

Desde 2003, quando se instituiu o campeonato por pontos corridos, nunca a diferença entre o 1° e o 6° colocados foi tão pequena (apenas 6 pontos). Com probabilidades diferentes, qualquer dos seis times ainda pode ser campeão. Se o nível de dificuldade para cada um desses times puder ser medido pelo confronto direto entre eles, a situação é a seguinte: quem pega a maior pedreira é o Galo, com 3 jogos (Flamengo, Palmeiras e Inter); depois vem o Inter com 2 (SP e Atlético); em seguida, com apenas um confronto, vem Palmeiras (Atlético), São Paulo (Inter) e Flamengo (Atlético); e, por fim, o Cruzeiro que não enfrenta ninguém à sua frente.

Essa situação é uma faca de dois gumes: por um lado, o confronto direto impõe maior dificuldade; por outro, implica em jogo de 6 pontos, aumentando, portanto, a chance do vencedor. Ou seja, o Cruzeiro tem, em tese, menos trabalho, mas tem que vencer seus jogos e depende, ainda, dos resultados dos adversários; ao contrário, a dificuldade do Galo é maior, mas ele depende só de si mesmo. Em resumo, estou com muito trabalho nos próximos dias...

Cinquentão


[Imagem do site oficial de Asterix]

Asterix, o gaulês, de Uderzo e Goscinny, faz 50 anos esta semana...

25 de out de 2009

'A mentalidade não muda'

Eu li, há pouco, no blog ‘No Prelo’, uma postagem intitulada ‘A mentalidade não muda’ que fala, em resumo, do personalismo na definição dos candidatos a deputado nas eleições do ano que vem. Do personalismo e da falta de juízo ou bom senso dos interessados.

Esse post me fez lembrar uma polêmica que prosperou no final das eleições passadas, que dava conta de que Sete Lagoas não elegeu, então, nenhum representante à Assembléia mineira por excesso de candidatos locais que teriam diluído a preferência do eleitorado. Será? Minha dúvida foi se sobraram candidatos ou se faltou liderança...

A quem tiver essa mesma dúvida, sugiro que faça uma breve pesquisa: conte o número de candidatos a deputado estadual, locais e não locais, que tiveram votos em SL em 2006 e compare esse comportamento do eleitor sete-lagoano com o de outras cidades de mesmo porte ou maior. Excepcionalizando BH, onde quase todos os candidatos tendem sempre a ter algum voto, Sete Lagoas foi uma das líderes do ranking. Ou seja, mesmo tendo muitas opções locais, o eleitor ainda se mostrou insatisfeito e foi buscar nomes de fora... A conclusão me parece óbvia e, pelo jeito, vai se repetir em 2010.

Estamos chegando...

[Foto do Portal Terra]

A roubalheira do juiz não valeu de nada. Eu não gosto de reclamar de juiz, mas dessa vez foi um espetáculo à parte. Com 10 contra 12, batemos o Corinthians na casa dele, continuamos com a melhor campanha do returno, subimos mais uma posição e ficamos a 4 pontos do G4 e a 6 da liderança. Difícil continuar subindo? Sim e não: no futebol, nada é impossível... Na sequência, fazemos os 2 próximos jogos em casa contra times que estão na faixa de rebaixamento e veremos os times que estão acima enfrentando-se entre si... Estamos no páreo.

Tese 3: ‘revertendo a falência’

Em agosto, eu postei o que chamei de ‘tese 1’ sobre o papel regional de Sete Lagoas. Em setembro, a ‘tese 2’ sobre nosso modelo econômico e seus desvios. Quando deixei as teses de lado para concentrar meus esforços secando o Atlético, o Amaro reclamou e me mandou voltar a elas. Meu trabalho em secar o Galo tem dado resultado parcial: eu consigo fazer o time jogar mal, mas não consegui, AINDA, impedi-lo de ganhar. No intervalo, agora, volto às teses. Dessa vez sobre a falência administrativa do poder público municipal.

A tese pode ter o seguinte enunciado: nas últimas três décadas, Sete Lagoas migrou de uma economia agrícola para uma economia industrial, modernizou-se, triplicou sua população, viu seu setor privado ganhar musculatura, mas, sob o primado de um estilo político freqüentemente personalista, patrimonialista e clientelista, investiu apenas residual e pontualmente na máquina pública, fazendo-a, ao final, incapaz de lidar com os fenômenos sociais de uma cidade de grande porte, com todas suas complexidades.

Em 2002, com alguns servidores de Sete Lagoas, eu fui a Ipatinga conhecer a sua solução de geoprocessamento. Ter conhecimento de GIS é uma coisa, vê-lo implantado é outra. Lá, ele era acessível a qualquer servidor, em seu posto de trabalho, em qualquer secretaria, com visualização livre e níveis de edição controlados por protocolos. Na tela, era possível ampliar um quarteirão e saber quem estava adimplente ou não com o IPTU, clicar em uma escola e pedir para que se marcasse no mapa, ponto-a-ponto, a residência dos alunos, verificar os pontos de incidência concentrada de dengue e onde havia ocorrido melhor resposta a políticas de combate. Ou seja, o sistema dava ao poder público capacidade de planejar a fiscalização tributária, reestruturar a relação aluno-escola com redução de impacto sobre o custo do transporte escolar, definir estratégias mais direcionadas para a saúde etc. etc. Esse é um bom exemplo de contraste: em Sete Lagoas, o ‘Geo’ não recebe investimentos há anos, está circunscrito a Secretaria de Planejamento, é utilizado majoritariamente para impressão de mapas, tem pouca informação agregada e só se mantém atualizado pela dedicação de duas servidoras.

Este é apenas um caso emblemático. Diversos outros podem ser citados: a estrutura física precária, o arcabouço jurídico-institucional defasado, a solução inexistente de TI e, sobretudo, a estrutura administrativa obsoleta e a estrutura desvalorizada de carreira e salários dos servidores.

Sou de opinião de que se o poder público não se mover, a cidade também não se moverá. Ou se moverá de forma desordenada e injusta, como vem ocorrendo. Nesse caso, não se trata de discutir um estado-mínimo ou não, mas um estado eficiente, competente e aparelhado para ordenar o desenvolvimento urbano, corrigir distorções do processo econômico e prestar serviços sociais de qualidade. Do tamanho que a cidade exigir. Creio que esta deve ser a prioridade zero para quem quer mudanças.

'Uma referência urbana'

Para quem se interessa por urbanismo, vale a pena assistir a entrevista do arquiteto Benedito Lima de Toledo sobre a cidade de São Paulo no Blog da Garoa.

24 de out de 2009

Comentários sobre a Audiência Pública sobre o PPA

[Foto no encerramento da audiência, disponibilizada no site da Prefeitura de Sete Lagoas]

A Comissão de Fiscalização Financeira, Orçamentária e de Tomada de Contas da Câmara de Sete Lagoas, sob a presidência do vereador João Pena, promoveu audiência pública nessa quinta-feira sobre o PPA 2010-2013. Como convidado, eu apresentei a proposta de PPA do Executivo Municipal e participei do debate.

Achei o resultado foi muito positivo. Primeiro, pela qualidade da platéia, formada, em grande número, por conselheiros municipais de diversos conselhos. Segundo, porque esses conselheiros estavam preparados para o debate e permaneceram até o último minuto, numa sessão de cerca de 5 horas. Terceiro, não exatamente porque se tenha feito uma apreciação positiva do trabalho apresentado, mas pela relevância das questões que ele suscitou.

O PPA envolveu um grande número de servidores públicos na sua elaboração. Daí deriva sua amplitude e seu mérito. Mas ele apresenta, também, pontos críticos que precisam ser enfrentados com determinação. Esses pontos críticos fizeram parte da minha apresentação e eu resumiria, aqui, em 4: necessidade de validação social, necessidade de um maior nível de priorização, necessidade de aprimoramento e maior realismo de metas e indicadores e definição de um modelo de gerenciamento e de acompanhamento social dos projetos considerados estratégicos.

Na sua elaboração, nós tomamos, na Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão, uma decisão aparentemente simples, mas importante: só incorporar na proposta informações confiáveis dos planejamentos setoriais. Ou seja, não inventar metas, nem indicadores. Por isso mesmo, muitas metas foram arbitradas como meta zero. Quer dizer que não foram apropriadas. “O PPA pode ter erros, mas não tem mentiras”: essa foi uma afirmação que fiz, na audiência, e que traduz essa realidade. Talvez tenha sido esse o ponto mais polêmico do debate. Mas, ao final, eu me senti mais seguro do processo. Nos PPA’s anteriores definiram-se metas inviáveis que foram aceitas com naturalidade. Uma naturalidade nada construtiva. A decisão tomada explicita o ‘estado da arte’ do planejamento municipal, mostra que ele precisa avançar e indica aonde é mais importante concentrar esforços.

No âmbito do Legislativo, até a aprovação final da matéria, outras audiências serão realizadas, de forma setorializada. No do Executivo, a decisão, mesmo antes do envio dos projetos de lei à Câmara, foi a favor da composição de uma ‘Comissão Permanente de Planejamento’ que se responsabilizará pelo aprimoramento do trabalho até abril de cada ano, de forma que o PPA ganhe musculatura, progressivamente, e possa instruir com mais precisão as leis orçamentárias anuais.

Outro ponto polêmico da reunião foi a dúvida exposta por vereadores e conselheiros quanto a emendas à LDO e propostas de conselhos, respectivamente, que não teriam sido contempladas na versão final. A nossa avaliação inicial é de que há um problema de interpretação, e que essas propostas foram sim absorvidas. Na secretaria, estamos passando um pente fino nisso. O que não tiver sido contemplado será!

Amigos aos sábados

Raramente, eu assito TV. Só mesmo no final de semana, em casa, em BH. Neste sábado, só rindo: o Fran na TV. Fran é um sobrinho fora do padrão!

Saúde sem saúde


Portal UAI
, hoje:

"Em cerca de 3 mil municípios brasileiros ontem o dia foi de faixas, reuniões em praças públicas, passeatas, distribuição de panfletos, carros de som e palestras para a comunidade. As atividades fizeram parte do Dia Nacional em Defesa dos Municípios, manifestação encabeçada pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) em parceria com entidades representativas das prefeituras de todo o país. O objetivo foi deixar claro para a população as dificuldades financeiras enfrentadas pelos prefeitos – especialmente com as quedas na arrecadação, ao longo do ano, em decorrência da crise financeira mundial.

[...]

A manifestação foi motivada também pelo pedido para a aprovação pelo Congresso Nacional da regulamentação da Emenda Constitucional 29 – que traz as regras de como devem ser os gastos de estados e municípios com a área de Saúde – e o aumento no repasse dos recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). Mais verbas para saúde foi reivindicação feita também pela população: até o final da tarde de ontem, a CNM contabilizou cerca de 40 mil e-mails encaminhados aos deputados e senadores pedindo a aprovação do projeto.

Atualmente, a EC 29 prevê que 15% da receita corrente líquida do município seja destinada à saúde. O Estado deve arcar com 12% e a União com 10%. De acordo com dados levantados pela CNM, os municípios gastaram R$ 89 bilhões a mais que o previsto pela Emenda 29 entre 2000 (ano em que a emenda entrou em vigor) e 2008. Neste período, os estados deixaram de aplicar R$ 33,4 bilhões e a União, R$ 15,6 bilhões.
Em Minas Gerais, enquanto o estado deixou de repassar R$ 5 bilhões para programas e ações em saúde, os municípios gastaram R$ 7 bilhões a mais.

A queda no repasse do Fundeb também preocupa os prefeitos. Comparando-se este ano e 2008, serão R$ 9,2 bilhões a menos – R$ 4,6 bilhões correspondentes às prefeituras. A principal reivindicação dos prefeitos tem sido as dificuldades enfrentadas devido às quedas sucessivas no repasse de receitas. Do total do bolo tributário, 58% dos recursos ficam com a União, 24,7% com os estados e somente 17,3% com municípios".

[...]

Comentário:
Essa situação nacional explica, em parte, os problemas orçamentários que Sete Lagoas está vivendo. Enquanto a arrecadação vem caindo, devendo fechar 2009 com perda de 7% com relação a 2008 e 34% frente a estimativa (na LOA) para este ano, os gastos com a saúde não param de subir: não se aplicará menos do que 32%, quando a obrigação legal é 15%.

8 ou 80

O presidente Lula, ontem, “retomou a ofensiva contra os organismos de fiscalização e controle, reiterando os ataques feitos ao Tribunal de Contas da União (TCU), mas sem citar o órgão nominalmente. Após dizer que o Brasil "está travado", ele defendeu a criação de uma câmara de nível superior, que possa decidir rapidamente sobre a liberação de obras suspensas por liminares da Justiça. "Não é fácil governar com a poderosa máquina de fiscalização e a pequena máquina de execução", declarou” (Estadão online, hoje).

[Foto: uai.com.br]

A oposição mais afoita, como o vice-líder do PSDB no Senado Álvaro Dias, foi logo dizendo que Lula fez 'apologia à corrupção'. O também tucano vice-governador Antônio Anastasia, entretanto, parece não compartilhar da opinião de seu colega de partido e tender a concordar com o presidente. Em palestra no UNIFEMM, há um mês, ele falou que um dos desafios da gestão pública é a superação das amarras dos excessos de controles internos e externos que ‘engessam’ a administração. Não disse com essas palavras, mas disse, basicamente, isso. Lula usou a palavra 'travado', Anastasia, 'engessado'. A mesma coisa...

Em um país marcado pela corrupção e por uma relação, muito frequentemente, promíscua, entre o setor público e o setor privado é importantíssimo o papel dos tribunais de contas, do Ministério Público e do controle social direto. Mas o combate à corrupção não pode desviar o foco principal da ação pública: a prestação de serviços sociais. E os excessos fiscalistas tendem a inverter as prioridades. Antes, era o ‘rouba, mas faz’; a tendência é do ‘nem rouba, nem faz’. Aquela velha história de jogar fora a criança com a água do banho. O 'não rouba e faz!' fica sem vez.

Tudo isso fica especialmente ampliado pela tradição formalista da nossa burocracia pública. Se formalmente está tudo certo, então, está tudo certo, ainda que os resultados sociais não tenham sido alcançados. A obsessão formalista não significa redução de corrupção. Prova disso é que, vira e mexe, os próprios tribunais de contas, arenas maiores da formalidade, aparecem nos jornais em denúncias de corrupção interna.

É bom lembrar o caso de Sete Lagoas e a operação João de Barro. Houve uma ação da PF, bloquearam-se as transferências da União, paralisaram-se as obras e daí? Nada! Os fatos restaram inteiramente esclarecidos para todos nós? Não! Havia corrupção ali? Não se falou que sim, nem que não. A operação foi necessária ou perda de tempo? Ninguém sabe. Por ora, concretamente, a única conseqüência foi social: a população ficou sem obras de reurbanização em áreas de risco, de saneamento e de melhoria no sistema de abastecimento de água, que só agora, dois anos depois, estão sendo retomadas.


22 de out de 2009

Po'parar...

A rodada 31 começou de forma imperdoável. Não é justo dar esperanças a pequenos times que se esforçam para ganhar, daí passam a se achar poderosos, fazem um barulho danado e não vão além disso. O Palmeiras fez sua quarta partida sem sucesso, reuniu 3 derrotas e pôs sua liderança em risco. E atrás dele lá vem o Galo, com chance de ficar a um ponto do 1º lugar. Francamente! É muita ilusão para essa turma. Deus, proteja! Deus, tenha dó!

Lula lança PAC - Cidades Históricas

O PAC Cidades Históricas vai investir na revitalização e recuperação do patrimônio histórico em 173 cidades de todo o País, com investimento previsto de R$ 890 milhões até 2012 - R$ 140 milhões dos quais só este ano. Além do presidente Lula, participaram do lançamento do programa, ontem, o prefeito de Ouro Preto, Ângelo Oswaldo; o governador de Minas Gerais, Aécio Neves; os ministros Dilma Roussef (Casa Civil), Juca Ferreira (Cultura) e Fernando Haddad (Educação), prefeitos e secretários de cidades da região e autoridades locais.

Foto: Ricardo Stuckert/PR

21 de out de 2009

Tião das Rendas II

Mais de 3.000 vezes a página desse blog foi carregada, em pouco mais de 50 dias. Isso aconteceu cerca de 60 vezes por dia. Em média, 33 pessoas passaram por aqui, diariamente...

20 de out de 2009

PT: PED Sete Lagoas

Eu estou apoiando a chapa de Silvio de Sá a presidente do PT/Sete Lagoas. Mais do que trazer para SL o ambiente de tendências em que se organiza o PT nacionalmente, eu apóio o Sílvio por razões locais. Três pontos: a) Compromisso em manter o apoio à coligação que elegeu o prefeito Maroca. Uma das outras chapas propõe ruptura e eu discordo; b) Manter esse apoio sem perder a capacidade de crítica. O PT precisa tensionar para que o governo se aproxime das teses petistas de um governo popular e participativo e com forte ação social. Uma segunda chapa não me parece ter o distanciamento necessário para essa postura; e c) Renovação: alternância de poder faz bem. Os grupos dos outros dois candidatos assumiram a presidência nas últimas gestões. A mudança é positiva...

18 de out de 2009

Faltam 4

A rodada foi feita para o Atlético. Mas o Cruzeirão fez sua parte e se aproximou do G4: agora está a 4 pontos do 3° lugar. Jonathan fez jogada individual e deu um passe açucarado para Thiago Ribeiro rodar e bater. O Goiás está na alça de mira...

[Vídeo em g1.com.br]

Monotemático

Eu estou viciado em Nick Hornby. É que tenho um amigo fornecedor de livros de Nick Hornby. Coisa para se agradecer a Deus. Desta vez: 'Uma longa queda'. Short, Maureen, Jess e JJ vivem uma solidão irremediável. O suicídio é a única resposta para os quatro. O problema é que, numa noite de Ano Novo, o quarteto, que nunca havia se visto, resolve se estatelar no chão pulando, por coincidência, do alto do mesmo prédio. Aí começa a história...

Por ora...

O fim de semana esportivo vai de mal a pior. O Galo ganhou, ontem, e subiu na tabela. E ganhou do São Paulo na casa do adversário. Na F1, Button vai fechando a corrida como campeão. Todo campeão precisa ter sorte e ele, até agora, teve de sobra. A lambança no princípio da corrida, com várias batidas, só o beneficiou. Rubinho, o homem a vencer, até pneu furado teve. Na verdade, todo campeão precisa ter sorte e patrão. E a Brawn fez sua escolha: pegou Rubinho em 1°, no primeiro pitstop, e o devolveu lá atrás, com um carro que não andava. Escolheu Button e pôs fim na brincadeira. Paciência...

17 de out de 2009

78 anos de José Alencar: bravo!

100 Maiores MPB

Pablo, no Marco Zero, fez um post sobre a lista das 100 melhores músicas brasileiras publicada pela revista Rolling Stone. A lista é, de fato, polêmica. Aquela história: se 10 caras se arriscarem a fazer uma, certamente, farão 10 listas diferentes. O curioso é que na enquete da revista as duas primeiras colocadas, Construção e Águas de Março, são mesmo as mais votadas. Daí em diante a ordem se inverte. Asa Branca (4ª), de Gonzagão, por exemplo, ganha pontos e sobe pra 3°, enquanto Carinhoso (3ª), de Pixinguinha [foto] despenca pra oitavo. Vale a pena conferir e tentar confrontar.

Confusão e emoção

O treino de classificação chegou a ficar 1h20' paralisado por causa da chuva. Vettel ficou na primeira sessão; Button na segunda. Webber tinha tudo prá ficar com a pole, mas Barrichello a roubou no último minuto. É inevitável reconhecer: sob chuva o cara é muito bom. Foi emocionante. Uma chuvinha amanhã não seria de todo ruim...

Oiticica

Nos meus tempos de arquiteto, eu pude conhecer trabalhos de Hélio Oiticica. Tanto as peças neoconcretas, quanto os famosos parangolés. Os parangolés, em especioal, me surpreenderam. Eram capas, roupas, tendas, estandartes, tudo ao mesmo tempo. Esculturas 'vestíveis'... Um incêndio, hoje, queimou grande parte da obra deixada pelo artista. Muito ruim.

Renato é um homem nobre

Eu não conhecia o Renato Gomes. Vim a conhecê-lo, agora, como vereador. O Renato foi agredido na Câmara, na última reunião ordinária, e eu gostaria de solidarizar-me com ele. Mais do que apenas repudiar o fato, eu gostaria de aproveitar a oportunidade para, de forma justa, dizer aqui algumas palavras sobre ele.

Algumas vezes, ouvi críticas ao Renato porque ele não teria uma ação suficientemente performática como vereador. Que, como líder do prefeito, não teria aquele desembaraço típico dos políticos. É quando me vem uma certa vergonha da política e de nossa hipocrisia coletiva. Passamos a vida falando que queremos um novo modo de fazer política e, na hora ‘h’, queremos que os novos políticos se comportem exatamente como os velhos políticos: rápidos, espertos, bons atores, falastrões...

Renato tem me parecido o oposto disso. É tímido. É simples. E parece que vai seguir assim. E eu torço por isso.

Eu estou como secretário há quatro meses. Como vereador ou como líder, jamais fui procurado por ele para tratar de qualquer assunto pessoal. Mas fui procurado diversas vezes por outras razões. Todas públicas e nobres. Logo que cheguei, fui convidado por ele para participar da reunião semanal de sua equipe de mandato. Diga-se de passagem, uma equipe muito qualificada. Depois, fui procurado para participar de uma reunião com conselhos sociais para ouvi-los e receber a proposta desses conselhos para o PPA. Foi, provavelmente, a melhor reunião que tive oportunidade de participar, nesse tempo. Adiante, fui procurado para tratar de assunto ligado aos congadeiros, ao novo ponto de cultura Cecília Preta. Mais recentemente, o Renato me contatou quando chamou para si a defesa dos projetos de lei sobre perímetro urbano e regiões administrativas. O assunto ia pro brejo, ele percebeu a importância e reverteu o quadro. Em todas essas situações, frente a congadeiros ou conselheiros, nunca vi o Renato se metendo a besta, envaidecido, tentando roubar a cena. Eu o vi silencioso, atento, colaborativo, tomando a palavra de forma democrática e respeitosa.

Reunião com conselhos sociais e o vereador Renato Gomes em 19/08/09

Eu acredito que um novo modo de fazer política pressupõe menos jogo de cena e mais sensibilidade e enraizamento social. Eu vejo Renato seguindo esse caminho. E quero muito que ele tenha sucesso. Ele pode fazer a diferença que políticos mais ‘exuberantes’ não farão.

Quim

!

16 de out de 2009

Brasil é líder no combate à fome entre emergentes, diz ONG

Portal Terra, hoje:

O Brasil é líder no combate à fome entre os países em desenvolvimento, de acordo com um ranking elaborado pela ONG antipobreza Action Aid e para marcar o Dia Mundial da Alimentação, na sexta-feira.

Segundo o documento, o País demonstra "o que pode ser atingido quando o Estado tem recursos e boa vontade para combater a fome". A lista foi elaborada a partir de pesquisas sobre as políticas sociais contra a fome em governos de 50 países.

A partir da análise, a ONG preparou dois rankings - um com os países em desenvolvimento, onde o Brasil aparece em 1º lugar, e o outro com os países desenvolvidos, liderado por Luxemburgo.

Em último lugar na lista dos desenvolvidos está a Nova Zelândia, abaixo dos Estados Unidos. Entre os países em desenvolvimento, a República Democrática do Congo e Burundi aparecem nas últimas colocações.

Segundo a diretora de políticas da Action Aid, Anne Jellema, "é o papel do Estado e não o nível de riqueza que determina o progresso em relação à fome".

Brasil
O documento elogia os esforços do governo brasileiro em adotar programas sociais para lidar com o problema da fome no País e destaca os programas Bolsa Família e Fome Zero.

"O Fome Zero lançou um pacote impressionante de políticas para lidar com a fome - incluindo transferências de dinheiro, bancos de alimentação e cozinhas comunitárias. O projeto atingiu mais de 44 milhões de brasileiros famintos", diz o texto.

Segundo o relatório, o programa ainda ajudou a reduzir a subnutrição infantil em 73%. A ONG afirma ainda que o Brasil é "exemplar" no exercício do direito ao alimento e cita a Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (Losan 2006) e o Ministério do Combate à Fome como medidas de que exemplificam que o direito à alimentação está sendo cada vez mais reconhecido como direito fundamental.

Apesar do aspecto positivo, a ONG afirma que o Brasil "ainda tem áreas em que pode melhorar" e cita o desafio de incluir os trabalhadores sem terra e pequenos agricultores nos programas sociais de alimentação.

"É imperativo que famílias em pequenas fazendas também estejam protegidas da expansão dos enormes programas industriais de biocombustíveis do Brasil", afirma o relatório.

Índia
Em segundo lugar no ranking dos países em desenvolvimento aparece a China, seguida por Gana (3º) e Vietnã (4º). A Action Aid destaca a redução no número de famintos na China - 58 milhões em dez anos - e elogia os esforços do governo em apoiar os pequenos agricultores.

Em contrapartida, o documento critica a Índia onde, segundo o relatório, 30 milhões de pessoas teriam entrado para a taxa dos famintos desde a metade dos anos 90.

Além disso, a ONG destaca que 46% das crianças estão abaixo do peso e subnutridas no país. "A fome existe não porque não há alimento suficiente na Índia, mas porque as pessoas não conseguem chegar até ele. O governo indiano enfrenta um enorme desafio para proteger os direitos dos pobres", diz o texto.

Ricos
Não só os esforços e as políticas dos governos de países em desenvolvimento e mais pobres são criticados no documento divulgado nesta sexta-feira. No ranking dos países desenvolvidos, atrás de Luxemburgo está a Finlândia (2º) e a Irlanda (3º), com a Nova Zelândia(22º) e os Estados Unidos (21º) nas últimas colocações.

A ONG acusa o governo neozelandês de ordenar cortes acentuados no incentivo oficial à agricultura e classifica o incentivo do governo americano à agricultura como "mesquinho".
"A contribuição (desses países) para expandir programas de segurança social permanece insignificante", diz o documento, agregando Grécia, Portugal e Itália.

15 de out de 2009

Reunião com conselhos

[Quim Drummond]

A convite do prefeito Maroca e da Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão, secretários e membros de diversos conselhos da área social se reuniram, hoje, na Casa da Cultura, para uma primeira conversa sobre o PPA 2010-2013 e a LOA 2010.

Eu fiz uma apresentação com 5 pontos: um panorama dos números municipais, especialmente, da receita, em série histórica desde 2002; uma breve colocação sobre o ciclo orçamentário; uma nada breve apresentação das 8 diretrizes e dos mais de 40 programas que compõem o PPA; uma apresentação geral sobre a distribuição de recursos na LOA; e uma avaliação crítica do resultado final, enfatizando os próximos passos para aprimoramento desses instrumentos.

Essa não é uma prática comum em Sete Lagoas, mas, de parte a parte, o que eu observei foi uma participação marcada pela franqueza, pela abertura para o debate e pelo interesse genuíno em tornar esses documentos estratégicos e determinantes para a gestão pública municipal.

Acho importante destacar a presença do prefeito Maroca, não de forma apenas protocolar, mas presente ao debate e valorizando a interlocução com esses atores sociais.

Na próxima semana, no dia 22/10, o tema prossegue em uma audiência pública na Câmara de Vereadores (PPA), que se completa com uma outra no dia 05/11 (LOA).

Por entender que é necessário criar uma cultura de planejamento e que esses instrumentos orçamentários podem e devem evoluir, o Executivo Municipal constituirá uma Comissão Permanente de Planejamento. Paralelamente a ela, propõe-se a continuidade dessa relação com os conselhos e movimentos sociais para que, a cada revisão anual, haja avanços objetivos nesse trabalho.

Coletiva do prefeito

[Quim Drummond]

Eu participei, ontem, junto com os secretários Túlio Avelar e Eduardo Betti, de coletiva convocada pelo prefeito Maroca. O resumo com os principais pontos abordados está disponível no site da Prefeitura e no setelagoas.com.

14 de out de 2009

Humor específico

Não faço a menor idéia do que transformou meu humor de ontem pra hoje. Ontem, eu estava muito médio. Talvez tenha sido o Cruzeiro. Quando meu time ganha no final de semana, acho que o mundo melhora. Antigamente, quando eu levantava feliz, assobiando absorto e chutando pedra na rua era tiro e queda: a chance de estar apaixonado era total. Podia ser uma segunda-feira, a noite passada podia ou não ter sido ótima e, tendo muito ou pouco a fazer, eu só tinha interesse no filme em cartaz na sala Humberto Mauro, lá pelas 8. Nove entre 10 vezes em que acordei feliz, eu gastei quando tinha 15, 20, 20 e poucos anos. E confesso que não tenho saudades. É que dava muito trabalho. Hoje eu tenho uma agenda apertada; aos 18, francamente, eu não tinha agenda. Ninguém aos 18 tem. Tudo lotado. E talvez eu não tenha saudade porque, ao meu modo, gastei na juventude todo o tempo que eu precisava gastar na juventude. Ou seja, não acho a vida aos 50 ruim. Diferente, quem sabe. Ultimamente, quando eu levanto alegre, passo no supermercado, compro um bom vinho, os ingredientes de uma massa, ou passo no açougue e compro os pertences de um cassoulet, enfurno em casa com a família e vou em frente. Ou, às vezes, a simples expectativa de ir em frente na história do livro que estou lendo, já me abala o suficiente pra me satisfazer. Se for sábado, deito e passo o dia lendo. Mas, durante esses dias, ando gastando minhas dobras de tempo devorando ‘Gomorra’ de Roberto Saviano, que não é exatamente um livro alegre e nem motivo para uma felicidade súbita. De forma que hoje estou com a sensação de uma alegria específica. Meu pai falava que tinha fome específica. Quando esta espécie de fome lhe acometia, ele abria a geladeira e não achava nada que casasse bem com sua fome específica. É mais ou menos isso. Estou com uma felicidade específica. Desavisada, inútil, sem rumo.

13 de out de 2009

Nem todos os nossos problemas tem solução 'COPASA'

Eu já postei, neste blog, várias vezes sobre a questão SAAE e COPASA. Uma, duas, três, quatro, cinco, seis, ene vezes. Sempre com a mesma convicção: transferir nossos problemas para a COPASA não significa que nossos problemas serão resolvidos. O Diário do SAAE traz, hoje, uma matéria esclarecedora: 'Vereador de Varginha questiona COPASA sobre falta de água em bairros da cidade'. Vale a pena ler... [clique aqui]

12 de out de 2009

Foguete


Cruzeiro vence o clássico no Mineirão, deixa o Atlético na beira do abismo do G4 e sobe para o 7º lugar. Faltam apenas 3 posições e 5 pontos para entrar na briga pela Libertadores.

10 de out de 2009

Síntese de Indicadores 2008

Especial do Estadão traz Síntese de Indicadores Sociais de 2008 do IBGE: 'desigualdades sociais ainda são desafio' - mulheres, crianças e negros ainda enfrentam mais dificuldades.

Algumas manchetes:

  • Metade das famílias brasileiras vivia com rendimento per capita inferior a R$ 415 em 2008;
  • A taxa de analfabetismo funcional entre pretos e pardos é superior à média nacional, de 21%, e cerca de 10 pontos percentuais à de brancos, com 15%;
  • De acordo com a pesquisa, a maioria das crianças e adolescentes de até 17 anos vivia, em 2008, em situação de pobreza (44,7% do total) ou extrema pobreza (18,5%);
  • Os brasileiros brancos tinham, em média, em 2008, quase dois anos a mais de escolaridade que pretos e pardos. A diferença se reflete no rendimento médio mensal, de 3,7 salários mínimos para os brancos e 2 para os negros.;
  • O levantamento mostra também que a desigualdade de rendimentos entre homens e mulheres permanece. A diferença média no Brasil, em 2008, era de R$ 330.

E tem gente que ainda discorda de políticas afirmativas para estes segmentos sociais...

Mais de política sete-lagoana

Eduardo Betti se firmou como um nome de consenso para a nova Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte Urbano. O prefeito Maroca acertou duplamente: na iniciativa de criar esta secretaria, respondendo à altura o problema que Sete Lagoas vem enfrentando neste campo, e no nome do titular, que dá à Secretaria a estatura adequada.

Leite derramado

Eu deitei muito tarde e acordei muito cedo. Virei de lado e peguei o livro 'Leite Derramado' de Chico Buarque. Eu havia lido 3 ou 4 capítulos. Na preguiça deste sábado, de uma vezada só, fui até o fim daquela saga decadente e delirante. Haja angústia! Um livro em que a melhor leitura está nas entrelinhas, no que não está expressamente dito, no subtexto. Na narrativa desordenada das memórias centenárias do velho moribundo, Chico esconde um quilo de contrabandos. Leve e engraçado e, ao mesmo tempo, pesado, soturno e triste.

O tortuoso caminho do bom senso

Eu postei, dias atrás, um comentário ('Explicando o explicável') sobre os projetos de lei do Executivo que tratam da atualização do perímetro urbano e das regiões administrativas do distrito sede de Sete Lagoas. A reação inicial dos ambientalistas foi contrária, enxergando nos projetos o que eles, de fato, não tinham. Ao contrário do temor que emergiu, a ocupação e o uso do solo não são orientados pela definição de perímetro, mas por outras leis específicas: plano diretor, lei de uso e ocupação de solo, legislação ambiental etc. Nada disso fica prejudicado pelos projetos em discussão. A tendência, segundo quem entende do legislativo, era de que não passariam, muito menos no pouco tempo de urgência necessário. No final da semana anterior, a coisa piorou: o IBGE comunicou que não havia mais prazo hábil e a Prefeitura se preparou para solicitar a devolução dos projetos. Final de linha: os bairros posteriores a 1998 seriam recenseados como rurais e haveria uma perda de consistência na apropriação dos dados do Censo 2010. Esta semana, felizmente, parece que tudo se reverteu. O IBGE dilatou os prazos por mais duas semanas, houve uma movimentação muito positiva da Comissão de Meio Ambiente da Câmara para elucidar as dúvidas, a agência local do IBGE participou do processo de forma esclarecedora e as condições, que eram ruins, parecem ter se tornado bastante favoráveis à aprovação dos projetos. Vamos torcer...

PPA e LOA

O Poder Executivo protocolou no último dia 30, junto à Câmara Municipal, a proposta do Plano Plurianual – PPA 2010/2013 e da Lei Orçamentária Anual – LOA 2010. A elaboração desses instrumentos envolveu mais de 50 servidores municipais e teve a participação direta do prefeito e de todos os secretários. A Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão procurou desenvolver o trabalho da forma mais estruturada possível: em final de julho, foram distribuídos para todas as secretarias ‘kits’ com as informações setoriais constantes no PPA e na LOA vigentes, com a evolução da receita nos últimos anos e sua projeção até 2013 e com formulários básicos para organização de dados para os novos produtos; em início de agosto, foi realizada uma oficina de capacitação para os servidores; durante os meses de agosto e setembro, a equipe de orçamento da SMPOG deu suporte a todas as equipes setoriais; no princípio de setembro, o secretariado debateu a proposta de diretrizes ou macro-objetivos do novo PPA; e em meados de setembro foram distribuídas as cotas orçamentárias para fechamento da LOA.

O resultado final deve ser avaliado criticamente. De forma positiva, ele tem essa dimensão coletiva. Ele deu oportunidade à organização de equipes setoriais integradas de planejamento. Todo mundo sabe que, em todo lugar, as estruturas setoriais de planejamento acabaram. O êxito desta iniciativa levou à decisão do governo de manter uma Comissão Permanente de Planejamento para aprimorar continuamente estes produtos. Outro ponto forte é a densidade do trabalho em si. Ele reúne um conjunto de ações de governo muito abrangente e procura ter um sentido estratégico, coisa que não é comum nas leis orçamentárias sete-lagoanas. Mas tem também fragilidades. Em pelo menos dois aspectos é necessário avançar: no refinamento dos projetos prioritários (sobretudo na melhor definição de seus indicadores) e no debate social em torno deste trabalho.

Especialmente sobre este último ponto, já foram realizadas reuniões com alguns conselhos, mas é preciso aumentar essa interação. A expectativa é que se crie, junto com o Legislativo, um ambiente de discussão desses projetos de lei, nesse e nos próximos dois meses. A Câmara já definiu as datas das audiências públicas, a primeira delas, sobre o PPA, no próximo dia 22/10. O Executivo, por sua iniciativa, inicia esta semana uma rodada de conversas com diversos conselhos municipais.

Nos próximos dias, eu vou aproveitar esse blog para divulgar alguns aspectos do PPA e da LOA e fazer algumas reflexões pessoais a respeito destes temas. Espero contar com a contribuição dos frequentadores deste espaço.

9 de out de 2009

Fora Kléber

O Cruzeiro perdeu a chance de vender o Kléber, depois das Libertadores. Os planos do jogador são focados exclusivamente nele e nada no clube. Sem o título continental, seu interesse acabou. E sua entrada no time, nas raras vezes que aconteceu, só serviu para contaminar a equipe e prejudicar o desempenho dos outros atacantes. Wellington Paulista, por exemplo, virou outro depois que o Kléber passou a viver no departamento médico. As manchetes de hoje dão conta de que ele vai operar, por causa das dores no púbis, e só volta em 2010. Ou seja, não volta! Melhor assim.

Que beleza!


A seleção celeste deixou Barueri, Corinthians, Santos e Avaí pra trás, assumiu a 9ª posição e colocou Vitória, Grêmio e Flamengo na mira.

Mas não há escolhas fáceis na vida: ao bater impiedosamente o Goiás, nós o impedimos de subir ao G4 e destronar o Atlético. Fazer o quê? O Galo até que fez a sua parte: tomou uma surra de 3 a 1 e ajudou o Fogão a se livrar do rebaixamento...

7 de out de 2009

Cultura inútil


Única foto da 1ª viagem ao Pólo Sul é encontrada na Austrália


A única fotografia conhecida da expedição que alcançou pela primeira vez o Polo Sul foi encontrada nos arquivos da Biblioteca Nacional da Austrália, segundo informações da agência estatal AAP.

Harald Ostgaard Lund, um historiador norueguês, descobriu a imagem após analisar durante meses mais de 700 mil imagens da galeria digital da instituição. A fotografia, datada de 1911, mostra o explorador norueguês Roald Amundsen na sua chegada ao ponto mais meridional do globo.

Ela foi tomada pelo fotógrafo australiano Edward W. Searle e incluída em seu álbum Vistas da Tasmânia. O historiador viajou à Austrália no começo do ano na busca dos originais das cópias das imagens cedidas pela família de Amundsen ao Museu Nacional da Noruega.

6 de out de 2009

Judt

Em mesa redonda, no dia 15/09/2009, no UNIFEMM, eu usei duas frases do historiador britânico, Tony Judt, que eu queria ter replicado aqui. Em tempo:


5 de out de 2009

Um pouco de política sete-lagoana

A saída de Gustavo
Pessoas, blogs e jornais esforçaram-se para ver mais do que há de fato na saída do Gustavo Paulino do secretariado do Maroca. O primeiro a deixar o barco, saiu por desencanto etc. e tal foram alguns dos comentários. A possibilidade de Gustavo ter razões pessoais e profissionais para deixar o governo é ignorada. Mesmo se sabendo que ele é, seguramente, a pessoa mais próxima, pessoal e politicamente, ao prefeito.

Eu lamento a sua saída pela perda em si, independente das suas razões. Eu nunca fui próximo ao Gustavo, temos opiniões políticas muitas vezes conflitantes e temos estilos diferentes, mas, tanto na transição, quanto nesses pouco mais de três meses em que convivi com ele, tive enorme facilidade em lidar com o seu jeito franco, decidido, alegre e de posições claras. É um privilégio conviver com gente assim. Eu gostaria muito que a possibilidade de trabalharmos juntos se estendesse e Gustavo, ainda que momentaneamente sem cargo, continuasse na área.

A chegada de Eder
As pessoas são insubstituíveis, mas os secretários se sucedem. Só ouvi comentários positivos, e muito positivos, ao Eder Bolson, que passou a ocupar a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo. O Eder trará boas energias ao governo.

As denúncias de superfaturamento e a CPI
“Este governo não rouba e não deixa roubar”. Esta é a verdade. Se há denúncia, que haja apuração, que não haja pré-julgamento e que, em havendo erro, que se puna, exemplarmente. Ponto! E o prefeito já determinou, formalmente, a apuração dos fatos. De qualquer forma, os primeiros levantamentos dão conta de que a denúncia de superfaturamento de equipamento de análise de urina é infundada. Sendo ou não, acho que toda denúncia tem que ser apurada. Sempre haverão denúncias e não podemos lidar com elas com naturalidade. Com naturalidade, nunca, mas com serenidade e seriedade, sempre. Mais informação concreta e menos fofoca é o que precisamos...

Ufa!

Eu tinha 3 casamentos na agenda do final de semana. O primeiro, na sexta, eu perdi porque cheguei tarde a BH. Troquei por um vinho, em casa. O de sábado e o de domingo não. Tinha que trabalhar, mas estava cansado e, então, esta parte eu pulei. Entre um casamento e outro, devorei o livro 'Como ser legal', de Hornby, que ganhei de um amigo. Na madrugada de domingo, ainda fiz a besteira de levantar para ver a F1. Mas em 5 minutos eu já estava dormindo de novo. Só acordei, automaticamente, para ver a bandeirada e o título de Rubinho indo embora. Com tanta atividade, me descuidei do Atlético. O miserável viu e aproveitou. Ainda deu tempo de dar uma força ao Cruzeiro na Ressacada. Mas o desgraçado do meu time só anda empurrado. Quando achei que tinha feito minha parte... pronto: a tradicional vacilada. Dos males, o menor: o empate nos deu duas posições e nos deixou com 3 times na mira. Vamos em frente. Boa semana para todos!

4 de out de 2009

Duerme, 'la negra'


Duerme, duerme negrito
que tu mama esta en el campo, negrito
Duerme, duerme movila
que tu mama esta en el campo, movila

Te va a traer codornizes para ti
Te va a traer rica fruta para ti
Te va a traer carne de cerdo para ti
Te va a traer muchas cosas para ti

Y si el negro no se duerme
viene el diablo blanco y ¡zaz!
le come la patita
chicapumba, chicapumba, apumba chicapum

Duerme, duerme negrito
que tu mama esta en el campo, negrito

Trabajando
trabajando duramente
Trabajando si
trabajando y va de luto
Trabajando si
trabajando y no le pagan
Trabajando si
trabajando y va tosiendo
Trabajando si
pa' el negrito chiquitito
pa' el negrito si
Trabajando si
Trabajando si

Duerme, duerme negrito
que tu mama esta en el campo, negrito

A humanidade tem jeito

Flávia da biblioteca é leitora deste blog. Assim como Amaro, ela já se deu conta que este blog é como a casa-da-mãe-joana, onde todo mundo manda. Flávia me mandou um recorte de 'O Tempo', de 30/09/2009, com ordem para eu postar, com uma notícia de arrepiar: "Solidariedade: Família de refém quer ajudar filho de assaltante". A matéria dá conta que a família de Ana Cristina Garrido, a comerciante que passou mais de uma hora como refém do assaltante Sérgio Ferreira Pinto, até que ele fosse morto pela polícia, demonstrou interesse em dar apoio à família do bandido, que teria um filho de 3 anos. "Desde que eles nos vejam também como pessoas normais. Nós somos trabalhadores (...). Ele foi mais uma vítima da sociedade (...)" disse Fábio, marido de Ana Cristina.

No bilhete que veio junto da matéria, dentre outras ponderações, Flávia disse: "Acredito que a atitude desta família, além de demonstrar um enorme respeito ao próximo, nos dá também um grande exemplo de consciência social". Eu concordo que é uma atitude de gente de outro mundo... Comenta aí, Flávia...

Melancolia

Eu passei a freqüentar mais BH em 1975. Em 77, mudei pra lá, depois entrei pra faculdade de arquitetura e segui em frente. Foram os últimos anos da ditadura. Pré-anistia. Anos estranhos. Eu lia o velho Jornal do Brasil por influência de pai. Lia a coluna do Castelo e os artigos de Tristão de Ataíde. Lia o jornal Movimento e o Pasquim. A ditadura ainda era pesada. Mas, naqueles dias, era mais fácil interpretar o mundo. Fernando Henrique Cardoso, Celso Furtado, Darcy Ribeiro, Prestes, Dom Hélder, Dom Pelé, depois Lula e os sindicalistas, eram do nosso lado. Delfim Netto, do milagre econômico, todos os militares no poder, a turma da Arena, não. Não tinha coluna do meio. A coluna do meio tinha nome: dedo-duro, pelego, coisas do gênero. O que se tinha era o lado de lá e o lado de cá. O Brasil falava português, como hoje, e o resto da América Latina, espanhol, como hoje. Não havia Mercosul, mas havia mais identidade. Não se conversava com ninguém numa mesa de bar que não tivesse lido ‘As veias abertas da América Latina’, do uruguaio Eduardo Galeano, ou ‘Cem anos de solidão”, do colombiano Garcia Marquez, ou ‘Quarup’, do brasileiro Antônio Calado, ou algum poema do argentino Jorge Luís Borges. Muitos amigos pegaram o ‘trem da morte’ e foram a Machu Picchu, no Peru. Fazia parte. Eu não gostava muito, mas aceitava as poesias de Thiago de Melo. ‘Roda viva’ de Chico ainda repercutia. Eu participava de pastorais de esquerda que eram de esquerda e o CCC era de direita. Quando fui ver Mercedes Sosa no Palácio das Artes, o ambiente era esse. Talvez, hoje, por saber que ela está à beira da morte, tenha sido tomado por certo clima de melancolia. Me peguei assobiando ‘volver a los 17’ várias vezes nesta tarde. E me peguei recitando mentalmente longos trechos do chileno Pablo Neruda que adorava e vi que continuam guardados numa gaveta da memória. Coisa como ‘desde el fondo de ti, y arrodillado, un niño triste como yo, nos mira’ ou suas histórias sobre Temuco e a Araucania ou sobre o piano de sua infância. “Para escribir también me hicieron falta por el mundo las goteras. Las goteras son el piano de mi infancia. Mi padre siempre hablaba de comprar un piano que, además de permitir a mis tías tocar mi adorado vals "Sobre las Olas", pondría sobre nuestra familia ese título inexpresablemente distinguido que da la frase: "tienen piano". Mi padre, en los momentos que le dejaba libre su vida de movilidad perpetua, porque era conductor de trenes, llegaba hasta medir las puertas por donde iba a pasar aquel piano que nunca llegó. Pero el gran piano de las goteras duraba todo el invierno. A la primera lluvia se descubrían nuevas goteras de voz dulce que acompañaban a las viejas goteras. Mi madre repartía sus cacharros, lavatorios, jarros lecheros y otros artefactos. Cada uno daba un sonido distinto, a cada uno le llegaba del cielo tempestuoso un mensaje diferente y yo distinguía el sonido claro de un lavatorio de fierro enlozado del opaco y amargo de un balde abollado. Esa es casi toda la música, el piano de mi infancia, y sus notas, digamos, sus goteras, me han acompañado donde me ha tocado vivir, cayendo sobre mi corazón y sobre mi poesia”. Eu não tinha sequer 18 anos e, por certo, fui, naqueles dias, o melhor que poderia ser e que jamais, lamento, consegui ser adiante.

Como ia dizendo, naqueles dias, era mais fácil interpretar o mundo. Agora é dificílimo. Os partidos se multiplicaram, os velhos partidos se transmutaram. E os lados de cá e de lá se misturaram. O MDB da resistência tornou-se PMDB. E o PMDB tornou-se uma coligação com posições ideológicas de 'a' a 'z'. A Arena de anteontem, o limite da direita, tornou-se PFL ontem, e DEM hoje. Ou seja a turma da ditadura, que não gostava nada de democracia, agora atende pelo nome de Democratas. O Partido Comunista Brasileiro, o PC da clandestinidade, depois d'O PC é legal', o partidão, agora é PPS. E apareceu o dissidente PCdo B. E o Partido Socialista, o PSB. E o PT e o PSDB. E por aí vai. A maluquice é quando se faz a chamada e se observa quem do passado foi parar aonde no presente. Ou quando se observam os movimentos políticos atuais com olhos saudosistas. O que, nestes dias, a um ano das eleições, época de troca-troca de partido, chega a ficar bizarro. Não dá trabalho, por exemplo, achar um partidário do PPS com malas prontas para o DEM e vice-versa. Ou seja, da então esquerda clandestina diretamente para o partido da ditadura... Era impensável. Empresário da FIESP indo da Avenida Paulista, sem escala, para o socialismo também anda mole de se ver... Não era possível! Mundo complexo, muito complexo... Ou cômico.

3 de out de 2009

Isto tem a ver conosco...

Ameaça ao Cerrado se volta para o norte

"Com mais de 50% da área destruída ou alterada, Cerrado registra migração do desmate para região preservada".

A matéria está no caderno Vida & Meio Ambiente, no Estadão Online e vale a pena ser lida integralmente.

"De um lado, a Amazônia, ícone máximo da ecologia mundial. Do outro, a Mata Atlântica. E no meio delas, o Cerrado. Espalhado por mais de 2 milhões de km², do litoral do Maranhão até o norte do Paraná e oeste de Mato Grosso do Sul, o Cerrado é a pele que recobre quase um quarto do território brasileiro. É o segundo maior bioma do País, com um mosaico de cenários que variam de dunas e campos a chapadas e florestas.

Tem aproximadamente a metade do tamanho da Amazônia, só que com uma ferida muito maior: 835 mil km² de terras desmatadas, suficiente para cobrir uma França e um Reino Unido. A Amazônia perdeu 100 mil km² a menos - uma diferença do tamanho de Santa Catarina. Em muitos aspectos, é o bioma mais ameaçado do Brasil. Mais até do que a Mata Atlântica, que, apesar de estar reduzida a só 7% de sua cobertura original, conta com um movimento ambientalista forte a seu favor.

Já o Cerrado nem é citado na Constituição. É como se não existisse. Apenas 11% de suas terras estão protegidas por unidades de conservação e terras indígenas, comparado a mais de 45% no bioma Amazônia".

Sosa

Mercedes

Mercedes Sosa, 'La Negra', está em estado grave, em Buenos Aires. Estou me lembrando de um show dela em BH, no Palácio das Artes. Ainda estávamos na ditadura. Ela pôde entrar no Brasil, mas não podia fazer o que mais queria: retornar à Argentina. Recordo vivamente o ambiente de forte emoção quando ela cantou, aos brados, 'Canción con Todos', um hino de união à América Latina, àquela época, toda sob duras ditaduras. E quando cantou 'Gracias a la vida', em homenagem à chilena Violeta Parra.

Salgo a caminar
Por la cintura cósmica del sur
Piso en la región
Más vegetal del tiempo y de la luz
Siento al caminar
Toda la piel de América en mi piel
Y anda en mi sangre un río
Que libera en mi voz
Su caudal.

Sol de alto Perú
Rostro Bolivia, estaño y soledad
Un verde Brasil besa a mi Chile
Cobre y mineral
Subo desde el sur
Hacia la entraña América y total
Pura raíz de un grito
Destinado a crecer
Y a estallar.

Todas las voces, todas
Todas las manos, todas
Toda la sangre puede
Ser canción en el viento.

¡Canta conmigo, canta
Hermano americano
Libera tu esperanza
Con un grito en la voz!

2 de out de 2009

Patrus premiado


"Deixo hoje a cidade de Hamburgo, na Alemanha, onde ontem recebi, com profunda alegria, o 1º Prêmio Políticas do Futuro, concedido ao trabalho realizado na Prefeitura de Belo Horizonte na área de segurança alimentar e nutricional.

Ao receber o prêmio das mãos da representante da Nigéria no Conselho da ONG World Future Council, Hafsat Abiola-Costello, defendi que a superação da fome e da miséria é um desafio a ser vencido por toda a humanidade, o que somente será possível com vontade política e com a cooperação e o compromisso solidário de todos os atores sociais em nível internacional".

Rio 2016: trabalho à frente...

Mais do que a febre de números: turistas, investimentos, efeitos multiplicadores, o comentário mais relevante que eu ouvi hoje, feito por Paulo Godoy, presidente da ABDIB, na Globonews, foi sobre a necessidade de evolução institucional brasileira. Alguma coisa como: são sete anos para organizar uma Olimpíada e, no modelo atual, onde tudo é feito para não funcionar, não chegaremos lá. Se o estado continuar pouco profissional e operando mal, se o sistema de controle continuar controlando tudo e nada e a justiça embaralhando as cartas não vai dar. O PAC anda sofrendo com isso...

Rio 2016: emocionante! IV

Rio 2016: emocionante! III

Rio 2016: emocionante! II


Um país com o vento a favor. O primeiro a sair da crise econômica e com melhoria na avaliação de grau de investimento da Moody's. Protagonista na valorização do G-20 sobre o G-8. Sede da Copa do Mundo de 2014. E, agora, sede do maior esportivo do mundo, as Olimpíadas em 2016, no Rio de Janeiro, pela primeira vez na América do Sul.

Na cerimônia de escolha em Copenhague, Lula fez um discurso rápido e emocionante. Transformou o discurso pró-Chicago de Obama numa fala insípida. Tornou-se o centro das atenções e deu um shou à parte...

A expectativa que é os jogos criem empregos e aumentem a massa salarial (leia mais sobre isso). E gerem um impacto econômico estimado em US$ 14 bi, com os investimentos públicos e privados e os gastos do Comitê Organizador e seus efeitos multiplicadores amplos e diversificados na economia do País (leia também sobre isso).

Rio 2016: emocionante!

Manchete do Portal Terra no anúncio das Olimpiadas 2016 no Rio:

"Lula reza, chora, supera Obama e dá show em Copenhague".

1 de out de 2009

Tião das Rendas


Em um mês e um dia 1.900 vezes a página deste blog foi recarregada. Entre visitantes de primeira viagem e reincidentes, em média, 32 pessoas frequentaram este espaço, por dia. No mês, o pupagante chegou a 1.110 internautas meio sem o que fazer, em busca de assunto. Deus conserve!