29 de set de 2009

Arte ou vandalismo?


Eu não sou daqueles que acham a 'pichação', por definição, um problema. Às vezes, eu vejo umas que são belíssimas e alegram a cidade. Não vejo a cidade como um lugar asséptico, impessoal, hiper-programado como as casas do filme 'Mon Oncle', de Jacques Tati. A rebeldia das pichações, muitas vezes, trazem certa humanidade à paisagem urbana. Mas quando deixa de ser arte e vira vandalismo? A pichação na estátua do escritor Roberto Drummond na Savassi, tanto quento os óculos quebrados de Carlos Drummond de Andrade em Copacabana não deixam dúvida. Lamentável!

Pelos Correios

'Como ser legal', de Nick Hornby, este escritor de quem tanto falo, me chegou dentro de um envelope pardo, pelos Correios. Amigos capazes de gentileza deste tamanho são amigos raros.

27 de set de 2009

Rodada quase perfeita

A torcida contra Corinthians, Avaí, Flamengo e Santos deu certo: dois empates, duas derrotas. O Vitória escapou da urubuzada e venceu. Sobre o Santos, em particular, o Galo ajudou, mas não precisava tanto...

O esquadrão celeste que estava fora do jogo, agora tem 5 times na mira: os quatro primeiros acima e o Barueri estão, no máximo, a 3 pontos de distância. Olha que ainda dá pra tirar um caldo deste campeonato...

26 de set de 2009

Imbecilidade

O governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), teria chamado o ministro Carlos Minc de "veado fumador de maconha", ao criticar o projeto de zoneamento agroecológico da cana-de-açúcar. Mais: teria afirmado ainda que caso Minc participasse da Meia-Maratona Internacional do Pantanal, que será realizada no dia 11 de outubro, o ministro sairia da corrida como vencedor. "Porque senão eu [Puccinelli] o alcançaria e ele seria estuprado em praça pública", disse durante uma reunião com empresários.

O governardor ainda teve a coragem de lamentar a "conotação ofensiva atribuída às declarações". Ora, qual outra conotação é possível atribuir a declarações tão imbecis? Como um cara desses pode ser governador?

Unbelievable


Acreditem: meu time ganhou! E o mais bacana: com um gol em impedimento. Depois de perder dois jogos roubados, nada mais justo...

Não tem solução: depois de prometer deixar esse assunto pra 2010, já estou aqui na torcida, de novo. Tarefa de amanhã: torcer contra Avaí, Flamengo, Corinthians, Vitória e Santos. O Avaí e o Vitória pegam os fracos Fluminense e Botafogo, mas fora de casa. O timão e o rubro-negro têm pedreiras pela frente: São Paulo e Internacional. Já o Santos pega o Galo, no Mineirão. Um empate cai bem... Entre um e outro, os resultados podem ser favoráveis pra nós.

Não subimos nenhuma posição nesta rodada, mas a próxima pode ser uma beleza. Contra o Avaí é jogo de 6 pontos...

Críticas inverídicas interessam a quem?

O jornal Tribuna, em seu editorial do dia 19, cita o meu nome como responsável por ‘engessar’ a prefeitura e inviabilizar verbas do PAC. Atribui a informação a ‘um dos principais articuladores da eleição de Maroca’. Outro dia na Câmara, a mesma conversa de bastidores, de que eu ando travando o jogo. Eu não gosto de críticas difusas e apócrifas. São incontestáveis, não permitem o debate e prestam-se, exclusivamente, a disseminar maledicências. Qual o interesse está por trás disso?

A escolha não está entre ‘engessar’ ou liberar. A permissividade no trato da coisa pública, como a crítica parece sugerir, foi responsável pela cidade caótica e pelo poder municipal ineficiente que temos hoje. E não sou eu quem engessa a administração pública. Na realidade, e o vice-governador abordou este tema em sua palestra no UNIFEMM, há uma semana, tem-se um acúmulo de procedimentos de controle que conduzem à paralisia. O desafio está em dar agilidade à gestão pública sem perder a qualidade dos processos, a perspectiva de controle social e, o mais importante, o compromisso com resultados concretos.

Na Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão, nós temos nos envolvido em um sem-número de temas. Pareceres orçamentários, suplementações, pareceres sobre o plano diretor urbano, planejamento territorial, atendimento de demandas de geoprocessamento, participação na melhoria da qualidade de processos administrativos, acompanhamento de processos gerenciais da Prefeitura fazem parte do nosso dia-a-dia. Com uma equipe de 12 funcionários (isso mesmo e não mais do que isso) temos controle de tudo que entra, tudo que sai e qual foi o tempo de tramitação interna. Conto nos dedos de uma mão e sou capaz de citar nominalmente os processos que demandaram tempo mais alongado seja por sua complexidade, seja por pedidos de reconsideração de posicionamento.

Nesta crítica, em particular, a má fé é tão explícita que os próprios fatos a comprovam: jamais, nesses pouco mais de 3 meses que estou à frente da SMPOG, opinei sobre qualquer obra do PAC. Como posso ser responsável, então, por inviabilizar suas verbas?

Explicando o explicável

Os dois projetos de lei enviados pelo Poder Executivo sete-lagoano à Câmara Municipal sobre perímetro urbano e regiões administrativas geraram um disse-que-disse inesperado. Digo inesperado porque, na prática, esses projetos implicam em alterações tão pouco representativas, que se esperava uma recepção mais tranqüila. Do que eles tratam efetivamente? Apenas de atualizar duas leis vigentes sobre o tema. E embora as alterações promovidas sejam pouco representativas elas são fundamentais para que o IBGE faça o censo de 2010 sobre um mapeamento consistente com o geoprocessamento da prefeitura, de forma a termos informações compartilháveis.

Explico melhor. As leis vigentes são de 1998 e foram elaboradas, ao que se infere, para dar sustentação ao Censo 2000. De lá pra cá, novos parcelamentos implantados modificaram a geometria do velho perímetro. A administração anterior, conforme informação do próprio IBGE, formalizou perante o instituto, que não haviam ocorrido modificações e ratificou o perímetro de 98. Como isso não procede, foram produzidas, agora, as atualizações necessárias e submetidas à apreciação legislativa. Se esta atualização não for possível, o IBGE continuará utilizando o perímetro e as regiões anteriores.

Os comentários e os temores que chegaram ao meu conhecimento, todos eles sem exceção, gozam de um erro crasso: se o perímetro urbano gera direitos a alguém, permite cobrança de IPTU ou autoriza regularização de chacreamentos, por exemplo, estes direitos, essas cobranças e essas regularizações já estão autorizadas desde 1998. A intervenção pontual dos projetos em trâmite não altera rigorosamente nada nesses termos.

Um último ponto: há uma discussão absolutamente pertinente entre o que seja zona urbana, zona de expansão urbana e perímetro urbano. Isso foi ponderado quando da elaboração do projeto. O que pesou na decisão, entretanto, foi o melhor critério para o IBGE. É preciso ter comparabilidade entre o Censo 2010 e o 2000. Para isso, é recomendável que o perímetro urbano a ser utilizado em 2010 esteja vinculado ao de 2000. Não há como ignorar as leis de 1998. É sobre elas, neste caso específico do IBGE, que precisamos agir.

O risco é que, na procura pelo ótimo, tenhamos que rever todo o conceito da legislação atual, tenhamos que produzir reformas mais substantivas, e percamos o bonde do IBGE...

25 de set de 2009

Atestado

Jurei que não ia mais comentar sobre juiz ladrão, mas a CBF acabou, por conta própria, por atestar que o Cruzeiro foi roubado no jogo contra o Palmeiras.

Um dia depois da atuação polêmica na vitória do Palmeiras sobre o Cruzeiro, por 2 a 1, o árbitro Evandro Rogério Roman acabou penalizado. O apitador paranaense foi afastado pela CBF por no mínimo 30 dias.

Durante este período, o árbitro passará por reciclagem, treinamento e voltará a apitar jogos primeiro nas divisões de acesso. Com a punição, Roman só deverá ser relacionado para o sorteio na 31ª rodada da Série A, entre os dias 24 e 25 de outubro.

[...]

Desinteresse

Lamento.
Não, não, não...
Não tenho interesse.
Ando com a alma esgarçada como saco de aniagem velho.
E, por isso, a esta altura, me esforço em dizer 'não' por hábito.
Ando dizendo 'não' por exercício.
Digo 'não' ao vendedor de biju na janela do carro, no sinal.
Digo 'não', no bar, quando me perguntam: mais uma cachaça?
Digo 'não' ao vendedor de jornais, na esquina.
Embora eu continue comprando bijus, tomando cachaças e lendo jornais.
O fato em si não interessa.
Não. Definitivamente não.
Interessa a estética do fato. O ato.
Meu 'não' é emblemático da minha alma em farrapos.
Cada 'não' cose furos, recupera fiapos e reconstitui tecidos.
E, uma vez dito, pronto!
Se como bijus, tomo cachaças e leio jornais; como, tomo e leio por fraqueza
Em paz.
Independente disso, dizer 'não' me redime.
Bijus, cachaças e jornais não têm nada ver com isso...

24 de set de 2009

Que 2010 venha logo

O Cruzeiro acaba de perder para o Palmeiras, de virada. Seria razoável xingar o juiz e os dois pênaltis que não foram marcados, dizer que o time pressionou mais, mas... Mas o fato é que uma sucessão de resultados ruins não dá direito a desculpas. Nós não vencemos nenhum time paulista nas últimas rodadas. Perdemos para o Corinthians, empatamos com o Santos, perdemos para o São Paulo e, agora, para o Palmeiras. E em casa. Terrível! Um time que não é competitivo contra o melhor futebol brasileiro está fora da disputa. Eu sou raposa até morrer, mas não sou burro...

Sendo sincero: o 13º lugar, pra mim, está ótimo. É o nosso tamanho este ano...

Gostaria muito que a diretoria visse isso. Os Perrelas são um caso de sucesso. Mas mesmo os casos de sucesso têm prazo de validade. Eu acho que eles já não sofrem mais com nada disto. A lógica dos Perrelas hoje é outra. É apenas comercial, econômica, coisas assim.

Nisso tudo, há casos que vão ficando emblemáticos. O caso Kléber é um deles. Até a poça d'água que sempre tem em frente a minha casa, sabe que Kléber não é um jogador, mas um projeto mercadológico de jogador. A vinda para o Cruzeiro era parte de uma estratégia de recuperação. Se ele tinha - e tem - interesse em ganhar a suprema honra de um jogador, ou seja, dinheiro, ele precisava - e precisa - superar seu lado bad boy. O Cruzeiro e a Libertadores eram um degrau nessa escada. A Libertadores e Kléber acabaram no mesmo dia. Para seu projeto, o Cruzeiro já não tem mais sentido. Ir ou não ir a um churrasco palmeirense na véspera de um jogo contra o Palmeiras é detalhe irrelevante a esta altura. Time é conjunto, paixão, grupo. Kléber está fora...

Eu me pergunto pelo Adilson. Talvez tenha sido o técnico com melhor performance no Cruzeiro recente, pós Luxemburgo e a tríplice coroa (há seis longos anos...). Mas mesmo técnicos que conseguem boas performances nos seus times, mais hora, menos hora, tem que achar a porta da rua. Adilson dá a impressão que já não tem mais o time sob controle. Isso acontece. Uma festa de despedida pode resolver...

A tendência do time é ir se arrastando. Jogando bem e se arrastando. Eu não vou mais dizer que é azar e culpa do juiz. Sorte e azar, juiz que rouba a nosso favor e contra são variáveis do futebol. Eu vou colocar o coração de lado e, de agora em diante, vou minorar o sofrimento.

Pra ficar mais fácil, acho que o time devia esquecer 2009 e planejar 2010, sem Libertadores, apenas com a sul-americana, o rentável Mineiro e o Brasilerão 2010. Ponto.

Com isso, pelo menos, a gente economiza energia conosco mesmo e concentra naquilo que ainda faz sentido: secar o Galo! Esta será minha missão daqui pra frente...

22 de set de 2009

'Vencedor'


Brasil é 1º a obter grau de investimento da Moody's após crise

Bruno Garcez

A agência de classificação de risco Moody's elevou o rating da dívida do governo do Brasil para grau de investimento. Com isso, o Brasil passa a ser o primeiro país a ter sua classificação elevada pela agência desde a crise financeira global.

A categoria determina se um país oferece ou não risco de pagar seus títulos. Quanto mais elevada a classificação, maior a propensão em atrair títulos.

Com a já aguardada decisão, a Moody's passa a ser a terceira agência a conceder a classificação ao Brasil. A Fitch Ratings e a Standard & Poor's já haviam elevado o Brasil grau de investimento no ano passado.

CNI/IBOPE: pesquisa nova no ar

Acaba de ser divulgada a mais recente pesquisa CNI/IBOPE, realizada em meados de setembro. Mais uma rodada de avaliação de candidaturas presidenciais. Agora, não mais tendo a crise internacional como pano de fundo, mas um ambiente de otismismo, com boa avaliação para 2009 e para os próximos seis meses, em quesitos como desempenho de inflação, renda própria, taxa de emprego etc. E também um ambiente de otimismo na avaliação de governo, que volta a crescer, ainda que na margem de erro (69% de ótimo e bom e 81% de aprovação).

Neste contexto, como os candidatos se moveram? Vamos lá:

a) Ciro Gomes parece ser o nome do momento. Em cenários comparativos (ainda sem Marina, com Serra ou Aécio e Heloísa Helena) cresce sempre: vence, se o PSDB vier com Aécio, e passa Dilma e fica em segundo, se os tucanos vierem com Serra. Ou seja, hoje, o que pode não valer para amanhã, mostra-se como o nome mais competitivo da base aliada Lulista;

b) Confirma-se, por ora, o que a imprensa tem propalado: a estagnação de Dilma. Nos dois cenários comparativos acima perde de 3 a 4 pontos. Nos dois, toma poeira de Ciro;

c) A entrada de Marina não faz ainda um tsunami, mas provoca marolas. Com HH no páreo, tem variação de 6 a 8 pontos; sem HH, vai de 8 a 11%. Ou seja, considerando que são números de largada, são bem razoáveis;

d) De quem Marina subtrai votos? Com HH no jogo: não atrapalha a ascenção do Ciro e não tira votos de HH, mas ajuda na corroção de Dilma e de Serra, quando ele representa o PSDB. Com Aécio, de novo, não incomoda Ciro em sua escalada, não tira votos de HH e de Aécio, mas ajuda, em parceria com Ciro, a abater Dilma;

e) E Aécio? Não decola: não sai da faixa de 12%. E, curiosamente, para quem anda tanto na mídia, só consegue um ponto além de HH e seu nanico PSOL e Marina que é estreante na disputa;

f) Serra, quando presente, assegura entre 34 e 35%. Segue imbatível... mas tem um porém: há três meses atrás tinha pelo menos 38%. Começa a apresentar fadiga de material?

g) Para quem gosta de apostas, algumas informações podem ser importantes para previsão do futuro. Fatos que contam contra cada qual: Dilma e HH são as que apresentam maior rejeição (40%), mas Aécio e Marina não ficam muito longe (37%). Fatos que contam a favor: Serra é muito conhecido, o que significa que pode ter pouca margem de crescimento, mas tem a menor rejeição; Dilma, HH e Aécio são conhecidos por menos de 1/3 dos entrevistados, podem crescer; Marina é uma ilustre desconhecida: tem uma avenida pela frente; Ciro tem uma posição interessante que pode ser vantajosa: nem é tão conhecido como Serra, e nem tem tanta rejeição assim. Ainda tem espaço para ocupar.

21 de set de 2009

FGV: renda explica queda de desigualdade no País

No Portal UAI, de hoje:

A renda do trabalho explica 66,86% da queda da desigualdade entre 2008 e 2001, de acordo com estudo do Centro de Políticas Sociais (CPS) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O Bolsa Família responde por 17%, a renda de previdência por 15,72% e as transferências privadas por 0,50%.

No período, os 10% mais pobres da população brasileira tiveram aumento de renda de 72,45%, enquanto para os 10% mais ricos esse crescimento de renda foi de 11,37%. O restante da população, também dividido em grupos de 10%, mostrou maior alta da renda quanto mais pobres eram. Para o economista-chefe do CPS, Marcelo Néri, "esta é a década da redução da desigualdade de renda".

Néri considera a renda do trabalho superior a de transferências governamentais "até para a satisfação pessoal" de quem recebe. Dentro dos programas sociais, porém, ele defendeu o Bolsa Família como o melhor para reduzir a desigualdade, porque atinge realmente os mais pobres. Ele classificou o mercado interno e o Bolsa Família como dupla de ataque contra a crise: "O Pelé é o mercado interno e o Tostão é o Bolsa Família", comparou.

Segundo pesquisa do CPS, o Bolsa Família beneficia principalmente a classe E, enquanto o reajuste do salário mínimo é melhor para a classe D e a previdência, para a classe AB. Néri declarou-se contra o aumento permanente do salário mínimo como o governo pretende fazer, com a consolidação das leis sociais.

Ciro no Canal Livre

Não faltaram, nos jornais de final de semana, artigos críticos ao discurso de Sarney contra a imprensa. Além de outras besteiras, Sarney cometeu o pecado da generalização. A mesma generalização que acomete a maioria da imprensa quando fala dos políticos. No caso de Sarney, a impropriedade é ainda maior porque ele é político, mas também é da imprensa: no Maranhão, ele é dono de tudo, inclusive dos maiores meios de comunicação.

No domingo à noite, não o assunto Sarney, mas o assunto imprensa versus políticos fez parte do programa Canal Livre da BAND com o deputado federal Ciro Gomes. Eu assisti a 2 dos 6 blocos da entrevista, enquanto o sono me permitiu. Enquanto durou, deu pra rir muito. No caso, pelo posicionamento inverso: os jornalistas Casoy, Teles e Mitre querendo, com insistência, levar a conversa para o lugar comum das críticas convencionais generalizadas e o deputado questionando palavra por palavra da fala de cada um, a ponto de, visivelmente, irritá-los.

Diga-se o que se quiser do Ciro Gomes: falastrão, polêmico etc. etc., mas não se duvide de sua inteligência e de sua habilidade para o debate. É sempre atento, rápido e vai pra cima... Os jornalistas batiam na tecla de sempre: críticas ao estilo Lula, críticas ao Congresso, essas coisas, e pareciam surpresos com as discordâncias de Ciro, como se discordar não estivesse no trato. Sobre todos os temas, a posição do entrevistado não foi negar os jornalistas, mas perguntar se as generalizações eram corretas. Um exemplo: sobre a ‘farra’ das passagens no Congresso, Ciro dizia que há sim muitos parlamentares ruins e patrimonialistas, mas que há também muitos nomes extraordinários, e indagava: a intenção de que todos se assemelhassem ao deputado que foi mais de 40 vezes a Miami, em 2 anos e meio, que a imprensa tinha, ajudava a quem? Reforçava a posição dos bons ou acabava por salvar o deputado turista?

Sobre Lula, o debate foi mais engraçado. Todo mundo sabe que Ciro Gomes é anti-FHC e anti-Serra até o limite. Provocado pelos jornalistas, defendia Lula, intransigentemente, e fazia um quilo de comparações entre o governo Lula versus o governo FHC, para contrariedade dos entrevistadores.

Quem quiser se divertir com a entrevista, ela está disponível no site do Canal Livre.

20 de set de 2009

O PV na TV

RESPONSABILIDADE...
Uma coisa é ser oposição, outra coisa é ser governo. Sobre isso já falou o próprio presidente Lula, criticando alguns ‘radicalismos’ do passado petista. Governar é fazer escolhas. E parece obrigar os partidos governantes a se distanciarem de temas mais ‘sensíveis’. Alguns ‘purismos’ vão ficando pelo meio do caminho. Isso vale para o PSDB, vale para o PT. Para viabilizar coligações com PFL’s, PMDB’s e partidos de centro-direita, se é que alguém se assume como centro-direita no Brasil, pagam o preço de certa descaracterização. Alguma coisa como partidos adultos e sérios que deixam pra trás idéias de quando eram partidos adolescentes e rebeldes. Com muita infelicidade, Lula também já falou sobre isso quando comentou que ‘se você conhecer uma pessoa muito idosa e esquerdista, é porque ela está com problemas’. Falou de ‘ponto de equilíbrio’, justificando sua amizade atual com Delfim Netto. Lula esqueceu-se, momentaneamente, de muitos velhos esquerdistas com os quais construiu o próprio PT.

... OU REBELDIA?

Ao que parece, nós teremos oportunidade de saber, agora, o que a sociedade brasileira acha disso. Ou, pelo menos, quantos concordam e quantos não concordam. Se os velhos problemáticos, os jovens, aqueles que andam decepcionados com os partidos e os esquerdistas teimosos estão dispostos a concordar com Lula e aceitar que ‘as coisas vão confluindo de acordo com a quantidade de cabelos brancos, de acordo com a responsabilidade que você tem’, que ‘não tem outro jeito’. Ou se tem outro jeito...

Marina Silva parece estar disposta a testar isso, com ‘um outro olhar’. As inserções do PV, ontem à noite, 100% centradas na ex-ministra, fizeram questão de retomar temas ‘sensíveis’ ou ‘puristas’, sobretudo os da sustentabilidade e do meio-ambiente. O PV, sozinho, nunca se mostrou capaz de alavancar esses temas. Mas com a liderança da Marina, está atraindo holofotes e deu sinais, ontem, de que vai jogar o jogo. A provocação que parece ficar é a seguinte: política é assunto apenas para partidos adultos ou ainda permite alguma rebeldia? Esquerdismo e poder são coisas antagônicas? Só as posições de centro (centro-direita ou centro-esquerda) são equilibradas?

Com três titãs - Serra, Dilma e Ciro - instalados no centro, mais ou menos à esquerda, todos com o discurso da responsabilidade que não tem outro jeito, como soará o discurso, em contraponto, com um outro olhar, da Marina? Se acelerar e conquistar corações e mentes menos sisudos vai dar trabalho a quem?

19 de set de 2009

O Senhor da Guerra

[Foto do Portal Terra]

Em meio a uma dura guerra pessoal, depois de um sem-número de longas cirurgias, depois de perder a batalha dos tratamentos revolucionários americanos e voltar à batalha dos tratamentos convencionais no Brasil, depois de passar mal pelos efeitos colaterais da quimioterapia, o vice-presidente José Alencar deixa, mais uma vez o hospital, sorridente, falando de economia, descrevendo com naturalidade sua situação e demonstrando esperança. É de impressionar!

Concentração

O Cruzeiro está de folga no final de semana. O jogo contra o Palmeiras foi adiado para quarta, 23. Coisas da Rede Globo... Mas os cruzeirenses não podem relaxar: é hora de secar o Vitória, o Flamengo, o Avaí e o Santos. E o Atlético, claro! Vamos lá pessoal!

PNAD 2008

O Portal UOL está com uma seção Especial PNAD. Vale a pena uma leitura.

Algumas manchetes:
  • 31,2% dos lares tem computador. Há mais casas com computador do Nordeste do que com máquinas de lavar roupa;
  • Brasileiro vive mais, 'fica mais pardo' e vê as famílias encolherem;
  • A região Norte é a que mais se desenvolve no país;
  • A taxa de fecundidade fica abaixo do nível de reposição. Os nascimentos que, nos anos 1960, já foram, em média, de 6,3 filhos por mulher; desde 2005, ano a ano, vem ficando próximo e abaixo da taxa de reposição: 2,3; 2,1; 1,95 e 1,89 em 2008;
  • Ricos perdem peso na economia, mas aumentam renda;
  • As mulheres são maioria no país, passam mais tempo nos bancos escolares, mas ganham 28% menos do que os homens;
  • O Brasil ainda tem 14,2 milhões de analfabetos; 500 mil deles com idade entre 10 e 14 anos;
  • O trabalho infantil cai 19,2% em um ano;
  • Salário do nordestino cresce duas vezes mais do que a média;
  • O uso de todos os equipamento domésticos tem crescido no país. Apenas o freezer anda em queda;
  • O acesso a rede de esgoto em Minas Gerais, que vinha aumentando ano-a-ano, diminuiu: em 2005 a cobertura era de 74,8; em 2006, 76,9; em 2007, 80,5; e agora 80,4.

18 de set de 2009

PNAD 2008: Desigualdade segue em queda

Começam a ser divulgados os resultados da PNAD 2008. É importante ficar atento. Um dos primeiros deles mostra que a desigualdade social continua em queda: 9% em uma década...

[Gráfico no site G1.com]
Mas a renda do brasileiro continua muito baixa. Metade das famílias tem renda inferior a 1 salário mínimo...

[Gráfico no site G1.com]

Os números não mentem

Cruzeiro é melhor brasileiro do século XX, diz pesquisa

A Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS) divulgou, nesta sexta-feira, um levantamento apontando os melhores times da América do Sul no Século XX. Entre eles, o Cruzeiro aparece como o melhor brasileiro, na sétima colocação da lista, que é liderada pelo Peñarol, do Uruguai.

Para definir a pontuação, o desempenho nas principais competições sul-americanas foi analisado pela IFFHS, que estabeleceu pontuações diferentes entre os casos. Além da Copa Libertadores, Supercopa e Recopa Sul-Americana, foram consideradas também competições como Copa dos Campeões, vencida pelo Vasco, em 1948, e Copa Conmebol, da qual Santos, São Paulo, Atlético-MG e Botafogo foram campeões.

Argentinos e uruguaios dominam o ranking, que conta com três brasileiros entre os dez melhores. Logo abaixo do Cruzeiro, bicampeão da Copa Libertadores e sétimo colocado, aparece o São Paulo, três vezes vencedor da competição. Palmeiras e Flamengo, vencedores também da Copa Mercosul, aparecem na décima e 11ª colocação, respectivamente.

Confira os 10 melhores no ranking de times sul-americanos do século XX:
1° - Peñarol (Uruguai)
2° - Independiente (Argentina)
3° - Nacional (Uruguai)
4° - River Plate (Argentina)
5° - Olímpia (Paraguaio)
6° - Boca Juniors (Argentina)
7° - Cruzeiro (Brasil)
8° - São Paulo (Brasil)
9° - América (Colômbia)
10° - Palmeiras (Brasil)

Massa em Sete Lagoas

Felipe Massa, o governardor Aécio, o prefeito Maroca e dirigentes da IVECO [foto do site globo.com]
A estrela da festa da IVECO, ontem em SL, não foi o novo caminhão Tector, mas o piloto da Ferari, Felipe Massa.

17 de set de 2009

Felicidade Interna Bruta vai medir bem-estar dos cidadão com a economia

Portal UAI, de hoje:

Heberth Xavier - Estado de Minas

Ser casado com a deslumbrante, inteligente e ainda cantora de bom gosto Carla Bruni deve autorizar Nicolas Sarkozy a falar em felicidade. Mas o presidente francês está levando isso a sério. Ele lidera um grupo de políticos, economistas e acadêmicos dispostos a acabar com o reinado dos números e cifras na economia. A ordem é mudar um pouco o noticiário e as preocupações econômicas. Quem se acostumou com o PIB, vai ouvir mais a sigla FIB. Sai o Produto Interno Bruto, entra a Felicidade Interna Bruta.

Engana-se quem imagina tratar-se de mais um daqueles sonhos malucos que vez em quando acometem os políticos. Nada disso. Tem gente boa por trás do FIB e, mais importante (para o caso), tem gente técnica e muito preparada. O economista Joseph Stiglitz, por exemplo. Professor da Columbia University e Prêmio Nobel de Economia em 2001, ele defende a tese de que o mundo deveria se preocupar mais em medir o bem-estar das pessoas do que a mera produção econômica. Em outras palavras, deveria priorizar a FIB ao PIB.

Faz sentido. Hoje, as nações são medidas apenas pelo quanto movimentam de dinheiro. Isso traz uma contradição explícita. Um país que se envolver em guerra, por exemplo, poderá ter seu PIB aumentado, o mesmo valendo para doenças, acidentes automobilísticos – basta contribuírem para a circulação de dinheiro.

É para evitar essa contradição que Stiglitz trabalha. Sarkozy contratou o economista americano e também outro Nobel de Economia (1998), o indiano Amartya Sen. Os dois terão que apresentar, em até 24 meses, propostas de instrumentos de medição do crescimento econômico que levem em consideração a qualidade de vida.

O desafio é dar credibilidade a esse cálculo, que se baseará em indicadores aparentemente subjetivos. O surpreendente é que uma das bases a serem estudadas é um pequeno reino budista de apenas 700 mil habitantes no alto das montanhas do Himalaia. É verdade que “budismo”, “pensamento oriental” e “felicidade bruta” são termos que sugerem muita viagem é pouco apego à realidade. Mas o Butão também leva a sério a FIB.

[Clique aqui para ler a versão na íntegra]

'Le Monde': Lula acertou ao falar que crise era "marolinha"

No Portal Terra, hoje:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve uma visão "bastante correta" ao dizer, no ano passado, que a crise no Brasil provocaria apenas uma "marolinha", diz artigo publicado no jornal francês Le Monde nesta quinta-feira.

O diário argumenta que a recessão no Brasil durou apenas um semestre, citando o aumento de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre de 2009, após queda nos dois trimestres imediatamente anteriores, além da recuperação da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e do real.

"A rápida recuperação do Brasil demonstra a precisão da estratégia adotada pelo governo e concentrada no apoio do mercado interno. As reduções de impostos a favor das indústrias de automóveis e de eletrodomésticos mantiveram as vendas nestes nestes dois setores cruciais", afirma o jornal, lembrando ainda que a confiança do consumidor brasileiro jamais chegou a ser abalada.

No artigo, intitulado "A retomada do crescimento mundial se baseia nos Brics", o Le Monde traça o panorama econômico dos países do grupo - Brasil, Rússia, Índia e China - um ano após a queda do banco Lehman Brothers, considerada o marco da atual crise financeira global.

[Clique aqui para ler a versão na íntegra]

16 de set de 2009

Exemplo

No 'Estado de Minas' de hoje:

CÓDIGO DE POSTURAS
Limpeza vai além do outdoor

Flávia Ayer

Proposta para transformar Belo Horizonte numa cidade totalmente livre da poluição visual contém normas rigorosas também para a publicidade de fachada no comércio

Marcos Michelin/EM/D.A press

Passado o mistério em torno do conteúdo do projeto de lei que altera o Código de Posturas, apresentado segunda-feira pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) à Câmara Municipal, é possível notar que o combate à poluição visual vai muito além dos outdoors. As propostas para tornar a cidade mais limpa vão desde o fim do engenho de publicidade, que cobre a visão da Serra do Curral e sua arquitetura, até o tamanho da placa indicativa usada para identificar a padaria do bairro ou o barzinho da esquina.

Tal qual ocorreu há alguns anos na Avenida Afonso Pena, no Centro, a prefeitura quer acabar com a ideia de que, quando o assunto é atrair o consumidor, ganha quem tem a placa maior. E como mexe com os interesses de muitos, certamente, divergências durante a tramitação do projeto podem ser proporcionais ao alcance das mudanças previstas para BH. Enquanto arquitetos comemoram a possibilidade de redescobrir a cidade, as paisagens e suas construções, algumas do início da povoação do município, comerciantes temem que a medida impacte no bolso.

[Versão na íntegra na versão impressa ou para assinantes]

Uma agenda para o planejamento II

Os comentários do Zé Bedelho e do Enio, no post abaixo, esperavam por um duelo ideológico no meu comentário petista à palestra do vice-governador tucano. Havia riscos disto acontecer: se o Anastasia tivesse feito uma fala partidária ou se a platéia explorasse as divergências que de fato existem, e não vejo porque ocultar, entre as visões de mundo do PT e do PSDB. Mas nem uma coisa, nem outra aconteceram...

Acho que a posição em que o vice-governador se colocou, como servidor público, e colocou o debate responderam pelo ambiente de convergência que se estabeleceu. Eu não tenho nenhuma discordância sobre a visão de município, a visão de planejamento e a agenda enunciadas por ele. O debate focou mais o 'estado da arte' da gestão pública brasileira, em sentido amplo, abarcando aí os municípios, do que, no mérito, os diferentes rumos que se vislumbram à frente, onde residem, aí sim, pontos substantivos de confronto.

De mais a mais, a mesa redonda com a participação também do reitor Antônio Bahia e da professora Élida Graziane tornaram a discussão menos linar e polarizada, e mais plural e eclética.

Tudo isto tornou a conversa menos interessante? Não me pareceu e não foi essa a opinião que ouvi. O debate em torno da gestão municipal e, especialmente, sobre do planejamento municipal, são tão incipientes entre nós, que penso que há um longo caminho a percorrer até que as diferenças se tornem relevantes e as proximidades insustentáveis.

15 de set de 2009

Uma agenda para o planejamento

Eu só pude participar das atividades em torno da presença do vice-governador Antônio Anastasia, em Sete Lagoas, ontem, em sua palestra no UNIFEMM, já à noite. Até chegar ao ponto focal do seminário: uma agenda para o planejamento municipal, Anastasia fez uma fala compreensível sobre o papel frágil dos municípios no contexto federativo e outra sobre a deterioração da função planejamento dentro das estruturas de governo, nos três níveis, ao longo dos anos. Como agenda, ele propôs 3 pontos: profissionalização do servidor público (e da gestão), reorganização das estruturas administrativas (recomendando aí, o ‘arroz com feijão’, ou seja, o menos é mais) e instrumentalização que permita uma gestão por resultados.

Hoje à noite, uma mesa redonda, na qual participo ao lado da professora Élida Graziane e do reitor Antônio Bahia, dá continuidade ao seminário, comentando a fala do vice-governador.

13 de set de 2009

A rodada

Alto estilo
O Cruzeiro tem feito jogos muito bons, mas sem vitórias. Hoje, além do bom jogo e da vitória sobre o Inter, em Porto Alegre, apresentou um jogo inteligente e elegante nos pés de Gilberto. Foi o nome do jogo!

Alta aposta
O Galo ganhou em casa e teve a sorte de ver a derrota de todos os seus concorrentes, à exceção do São Paulo. Vou falar uma coisa agora para os meus amigos atleticanos não dizerem, adiante, que falar depois é fácil. Vejam bem: hoje o Galo voltou para o G4. Parece ser essa a aposta e está pagando caro por ela. A preço de ouro, trouxe Renteria e está trazendo Ricardinho. Mas até ontem, seu 5° lugar e a 13ª posição do Cruzeiro não faziam nenhuma diferença. Apenas carimbavam o passaporte de ambos para a Sulamericana. O Cruzeiro está em meio a uma série de jogos duros (SP, Inter, Palmeiras...), depois terá uma mais tranquila. A tendência é, com o tempo, a trancos e barrancos, subir e chegar ao meio da tabela. O Galo vive situação oposta: jogos mais fáceis agora (Atlético-PR, Santo André, Náutico...), pedreiras a seguir. A tendência é ir... e voltar. Se não for à Libertadores, terá jogado fora uma grana que não tem e irá para um ano novo duríssimo. Sem muito a perder, nem a ganhar, prá nós cruzeirenses, está bom de assistir...

Em alta
O América mineiro bateu o ASA-AL por 3 a 1, em Arapiraca, e pôs a mão na taça. Em casa, no jogo final da série C do Brasileirão, tem a vantagem do empate ou de derrota por um gol.

FSP para arquitetos e não arquitetos

Ainda na FSP de hoje, no caderno Mais, uma matéria imperdível. Na capa, ela tem o título de ‘Crise da Razão Econômica’; nas páginas 6 e 7, de ‘Uma era termina... e outra não começa’. São duas entrevistas: uma com o historiador britânico Tony Judt e outra com o sociólogo sueco Göran Therborn.

Therborn, sobre a era que não começa, fala da incapacidade da esquerda em geral e da social-democracia em particular de dar uma “resposta vigorosa” para a crise econômico-financeira mundial e sua passividade com relação a três ‘traumas’ anteriores: o fracasso da social-democracia em administrar a crise dos anos 70, a ascensão do capitalismo financeiro nos anos 80 e o fim da URSS.

Mas o mais instigante da matéria está na entrevista, sobre a era que termina, de Judt. Vale a pena uma leitura na íntegra. O mote é o plano de saúde de Obama e as razões de seu, até agora, insucesso. Dois trechos:

“O problema então é a disputa retórica que cerca essa discussão. Os eleitores americanos querem tudo o que o eleitorado austríaco ou sueco quer em termos de saúde ou educação, mas, se você perguntar a eles se querem a social-democracia, se querem a medicina estatal que garante esses direitos e esses sistemas, eles dirão que não.

Há duas razões para isso, uma mais antiga, outra mais recente. A razão antiga tem a ver com a resistência ideológica, retórica à idéia de governo centralizado tomando dinheiro das pessoas para usá-lo nesses programas sociais. Isso sempre foi combatido nos EUA.

Mas a razão mais nova é que o centro de gravidade dos debates sobre políticas públicas migrou para longe das preocupações sociais e se aproximou do discurso econômico, em que as políticas são avaliadas por um critério de ganho para o crescimento econômico ou por um critério estrito de eficiência.

Estamos lidando com um tipo de padrão retórico que tem grande dificuldade de discutir os efeitos sociais de um programa sem antes perguntar pelos critérios de eficiência desses gastos, que obviamente não são o melhor critério de avaliação”.

[...]

“Desde os anos 70, vivemos num mundo com uma linguagem política em que qualquer coisa que não possa ser descrita em termos econômicos não é considerada. Os EUA criaram um vocabulário que o resto do mundo adotou.

Penso, no entanto, que estamos próximos do fim dessa ‘era econômica’.

Creio que nos próximos dez anos, veremos uma renovação das discussões de políticas públicas que aceitam descrever temas sociais e iniciativas de governo sob perspectivas mais amplas, mais éticas ou políticas, se quiser (...)”

FSP para arquitetos

A Ilustrada da Folha trouxe, hoje, uma entrevista com o arquiteto Christian de Portzamparc. Seu escritório está entre os 10 contratados por Sarkozy para reformulação do urbanismo da Grand Paris. Portzamparc retomou, nesse projeto, suas idéias de cidade flexível, com arquipélagos verdes e foco em transporte coletivo.

Por trás de Portzamparc e da proposta do governo Sarkozy está a tentativa de superação do modelo de intervenções urbanas movidas por ‘arquiteturas midiáticas’ que começou com o Beaubourg, na revitalização do bairro de Marais, prosseguiu, no governo Mitterrand, com a pirâmide do Louvre e o Museu D’Orsay, e foi até Frank Gehry e seus museus. Menos intervenções arquitetônicas, mais intervenções no tecido urbano?

Enquanto esse debate segue, na mesma FSP, no caderno Cotidiano, além das enchentes paulistanas da semana, notícias que explicitam sua insustentabilidade: o bairro de Vila Olímpia tem mais helipontos do que pontos de ônibus...

15 minutos

Na sexta-feira, dia 11/09, eu fui ao Banco do Brasil, na agência central de Sete Lagoas. A fila, no segundo andar, chegava até a escada. No mínimo, 40 pessoas contadas. Exatamente na hora em que eu cheguei, liguei pra casa. O telefone gravou: 14:12:41. A hora do atendimento está no comprovante da operação: 15:08:24. O banco dispõe de 5 caixas: 1 para atendimento de prioridades, 2 para atendimento da fila (sendo que 1 deles, vez e outra, atende prioridades) e 2 sempre vazios. O Banco do Brasil é Você. Na fila, claro... Por, praticamente, 1 hora!

Que Rubinho é esse?


Rubinho Pé de Chinelo sempre foi um prato cheio para humoristas. Já para comentaristas da F1 sempre foi tido como competente, experiente e bom acertador de motores. Mas, entre falta de carro e sobra de talento de seu ex-companheiro Schumacher, nunca lhe faltou desculpas para os seus insucessos. Esta temporada começou pondo pingos nos is: sem poder reclamar de carro, equipe e companheiro, infelizmente, Barrichello podia ser bom piloto, mas mostrava que não era competitivo. Vinha tomando um banho de Jenson Button...

As três últimas corridas, entretanto, têm mostrado um Rubinho desconhecido: preciso, determinado e imbatível. Não permitiu mais que seu concorrente na equipe lhe tomasse a dianteira, emplacou 2 vitórias, guiou com muita competência, assegurou a vice-liderança e fez a distância do topo cair de 26 para 14 pontos. Hoje em Monza, largando em 5°, mostrou segurança absoluta na estratégia da equipe. Mas a estratégia só funcionou porque pilotou com perfeição.

O campeonato está aberto? 14 pontos são 14 pontos! Pode ser que tenha demorado demais a se achar. Mas, com quatro corridas à frente, dentre elas a do Brasil, se continuar com a faca na boca pode, no mínimo, tornar esse campeonato fantástico.

Sobre Monza hoje, mais dois comentários: a Mclaren, que vem demonstrando um crescimento tremendo, perdeu na estratégia e na incompetência de Hamilton. E a Force India, de novo, deu um show a parte, pressionando a Ferrari de cabo a rabo. Quem diria?!

9 de set de 2009

Blog do Patrus


Entrou no ar o Blog do Patrus. Recomendo aos amigos sete-lagoanos, petistas ou não, que o visitem. Eu tenho com Patrus, mais do que uma relação de amizade, uma relação política. E uma relação política baseda numa mesma visão de mundo: a de que nosso país, nosso estado e nossa cidade só se devolverão, de forma justa e sustentável, se fizermos uma escolha preferencial pelos pobres e por sua emancipação. E Sete Lagoas tem um motivo adicional para gostar de Patrus: ele é casado com a sete-lagoana Vera Victer. Por essas razões, quero dar o meu testemunho pessoal. Patrus, de Bocaiúva e BH, é um mineiro que conhece Minas como ninguém. Um sertanejo! É um político com extraordinária capacidade de fazer. E de fazer diferente. Mudou Belo Horizonte. Mudou as políticas sociais do pais. E tem um modo singular de fazer política. Não brinca em serviço: tem sensibilidade para compreender nosso mundo e a firmeza para agir. Fico feliz em poder contar, agora, com esse espaço de interação. Minas espera por Patrus!

Liberdade ampla, geral e irrestrita

Está no Portal UAI, hoje, 03:59: 'Acordo mantém censura na internet para campanha 2010'. Sou contra! A internet é um territótio livre e deve ser considerado sob essa ótica. Minha única condição é a proibição de anonimatos. Mas não é assim que pensam os senadores Eduardo Aseredo e Merco Maciel. Infelizmente! A única novidade é que os blogs ficaram de foram da carcomida censura revisitada...

"Acordo fechado nesta terça-feira entre o Senado e a Câmara mantém a censura nos sites de notícias na internet durante a campanha eleitoral de 2010. A proposta faz parte da minirreforma eleitoral que deverá ser votada nesta quarta no plenário do Senado. Pelo projeto, os sites de notícias na internet terão restrições semelhantes às dos jornais e revistas, como a proibição de fazer propaganda eleitoral de candidato.

A censura não atinge, no entanto, os blogs assinados por pessoas físicas, as redes sociais (como Orkut), sites de interação e de mensagens instantâneas (como o twitter)."O texto diz claramente que os blogs, os sítios (sites) de relacionamento e de troca de mensagens vão poder expressar livremente sua opinião", disse o deputado Flávio Dino (PC do B-MA). "Não dá para liberar geral na internet", argumentou. Dino participou das negociações com o Senado para mudar o texto aprovado pela Câmara que, na avaliação de alguns senadores, restringiria totalmente a liberdade de opinião na Internet. O texto negociado com os senadores Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e Marco Maciel (DEM-PE), relatores da reforma no Senado, proíbe o anonimato nos blogs e sites de relacionamento e assegura o direito de resposta a quem se sentir ofendido.

Contrário ao acordo firmado nesta terça-feira, o líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), avisou que vai manter emenda à reforma eleitoral que tira qualquer restrição ao uso da Internet durante a campanha. "A minha tese é que a Internet tem que ser totalmente livre", afirmou o petista
. Ele avalia, no entanto, que sua tese será derrubada na votação desta quarta no plenário do Senado. "O mais provável é que vença a posição dos relatores, que estão enquadrando os sites de notícia da Internet às mesmas regras de jornais e revistas", admitiu Mercadante".

[...]

8 de set de 2009

Pondé

A Ilustrada da FSP, de ontem, 07/09/2009, trouxe um artigo muito provocador de Luiz Felipe Pondé, intitulado 'McLanche Infeliz'. É uma crítica ao tormento que se impõe à família contemporânea. Quem puder ler, leia!

"Pobre Família. Esmagada entre teorias sobre seu fim ou sua transformação em mera empresa que gera jovens consumidores e gestores de carreira, a família se despedaça sob a bota da instrumentalização da vida. [...]"

"Deixe-nos em paz com nossos filhos mal educados, com maus hábitos alimentícios, viciados em televisão e computador, aos berros para ganhar o McLanche Feliz. A negação da liberdade vem acompanhada da afirmação do que é a liberdade certa. Liberdade sempre pressupõe o desgosto e uma certa desordem indesejável. [...]"

Brasil sobe oito posições em ranking de competitividade


O Brasil subiu oito pontos no ranking de competitividade elaborado anualmente pelo Fórum Econômico Mundial, em parceria com a Fundação Dom Cabral, divulgado nesta terça-feira. Com esse resultado, o País passa a ocupar a 56ª colocação, em um grupo de 133 economias.

O Relatório de Competitividade Global 2009 mostra que o Brasil melhorou sua posição graças, principalmente, a avanços nos pilares de estabilidade econômica e sofisticação do mercado financeiro. Nos dois casos, o País subiu 13 posições. O professor da Fundação Dom Cabral, Carlos Arruda, disse que o Brasil ainda está longe dos "dez mais" do ranking, mas que o país "foi o grande destaque do relatório este ano".

"Se considerarmos sua dimensão e o fato de o país vir sistematicamente ganhando posições, sem dúvida o Brasil foi o grande destaque este ano", diz Arruda, que é coordenador da pesquisa no Brasil. Nos últimos três anos, o país subiu 16 posições.

BRIC
O Brasil apresentou o melhor desempenho entre os quatro principais países emergentes, os chamados Bric. China e Índia subiram um ponto cada, enquanto a Rússia caiu 12 - aparecendo atrás do Brasil, pela primeira vez.

[...]

7 de set de 2009

Mundo cruel

Meu time jogou o seu melhor jogo, ontem, e ainda assim perdeu de virada. Êta futebol injusto... E, para piorar, o Galo venceu, também de virada, fora de casa. Tem base? Está tudo fora do lugar...

A verdade dos fatos é outra. No ranking atualizado da IFFHS, o Cruzeiro é o único time brasileiro entre os top ten. O Galo só aparece na distante 190ª posição...


5 de set de 2009

Solidez

Primeiro tempo
O jogo era 100% argentino. E belíssimo! Verón distribuia o jogo com passes perfeitos. Messi mostrava toda habilidade. Tévez, muita presença. Mas faltava finalização. O Brasil errava todos os passes, não conseguia sair para o ataque. Até os 23 minutos, quando o Brasil marcou em lance de bola parada. E o gol teve um efeito adicional: desorganizou os comandados de Maradona. Aí veio o jogo de sempre, quando estas seleções se encontram: jogo truncado. A solidez do time brasileiro foi ficando clara: suportar um jogo habilidoso do adversário é mérito. Não jogar bonito, mas não perder oportunidade também é. E aos 29, apareceu a segunda chance, de novo a partir de bola parada: Brasil 2 a 0. O domínio continuou do time de lá. Nos últimos 10 minutos, o jogo deles não tinha a mesma beleza, mas passou a ter chutes a gol: aos 36, aos 42... No primeiro tempo prevaleceu a nossa maturidade.

Segundo tempo
Jogo dramático para os caras. Jogo menos bonito, mais agressivo. Menos conjunto, mais atuação individual. Eles avançaram, nós recuamos. Mas a pressão total argentina parava na defesa total brasileira, muito bem posta. Isso até os 19 minutos: golaço deles com chute fora da área. 2 a 1: placar perigosíssimo. Chance enorme do estádio virar um barril de pólvora. Mas esse risco só durou 3 minutos. Enfim o contra-ataque brasileiro funcionou. E bem: 3 a 1. Por 5 minutos o Brasil conseguiu baixar e tocar a bola. Mas foram só 5 minutos. Dos 30 em diante, muita pressão deles, boas chances de gol, mas a nossa defesa funcionou. Defesa que funciona é mérito. Ainda que os contra-ataques não correspondam. Final de jogo: Brasil classificado pra Copa com 3 rodadas de antecedência. Maradona sem unhas, nem dedos.

Estatística

Essa história de blog é engraçada. Você escreve e não sabe por quê, nem pra quê e nem pra quem. Eu nunca escrevi diário, mas deve ser parecido. É meio terapêutico: você esquece o dia-a-dia, inventa moda, põe a cabeça prá pensar coisa e outra que lhe interessa. É mais ou menos como cantar no banheiro. Você vai se acostumando e canta. E descobre que faz bem. O risco é o pobre coitado do vizinho ouvir. Aqui, o risco é alguém entrar e ler.

Eu sabia que tinha uns leitores razoavelmente fiéis. Sobretudo quando falo mal do Atlético, eles dão a cara, aí eu sei que eles existem e continuam no pedaço. Eu até já me programei: quando os comentários desaparecem, eu falo mal do Atlético. E, na hora, minha solidão diminue significativamente. Agora, resolvi ser mais tecnológico e instalei um contador de visitantes. Vejam só: em uma semana a página do blog foi carregada 412 vezes por 144 leitores de primeira viagem e 99 que insistiram em voltar. Confesso que fiquei prá lá de satisfeito: igual a mim, existem outros 242 amigos que ficam procurando assunto na internet. Se essa turma anda gostando da prosa, eu não sei; mas que eu ando gostando da visita, ah disso eu não tenho dúvida. Sejam sempre bem-vindos...

Tese 2: 'integralidade'

No dia 23/08, eu postei a primeira tese que gostaria de debater sobre a relação de Sete Lagoas com a região. Hoje eu quero propor uma discussão sobre uma segunda tese a respeito do modelo de desenvolvimento próprio de nossa cidade. E eu começo por uma indagação: nós efetivamente escolhemos esse modelo ou ele resulta de escolhas externas? A opinião mais convicente é que já fomos mais influentes em nossas escolhas, mas hoje nossas vantagens geopolíticas e estratégicas falam por si e conduzem o processo, com baixa intervenção local, especialmente de natureza pública, que veio se limitando a uma ação acessória e reativa.

O que caracteriza o modelo atual? Todos sabemos que, em meados do século passado, nosso desenvolvimento era baseado na atividade rural e em indústrias urbanas artesanais. Depois do anos 1960 assentou-se, com sucesso aqui, a indústria do gusa. No final do século e na virada para o XXI, a agropecuária já não era tão relevante, tampouco as indústrias artesanais e o gusa passou a compartilhar sua hegemonia com indústrias modernas e de capital transnacional. Essa associação deu maior impulso ao crescimento econômico local, colocando Sete Lagoas no 8º lugar do ranking do PIB estadual, galgando 3 posições no curto período de 2 anos (2003/2004). Ou seja, nosso processo de industrialização parece ter sido bem sucedido. Foi mesmo?


No post anterior, comentei que, regionalmente, Sete Lagoas tem concentrado o desenvolvimento. De fato, o gráfico acima mostra que, enquanto todas as cidades vizinhas mantiveram uma relativa inércia, entre 2002 e 2006, a curva do PIB de SL seguiu trajetória fortemente ascendente, que definiu o crescimento regional total. O que se pretende defender, agora, é que, na nossa economia industrial moderna, esse mesmo padrão de concentração regional é reproduzido internamente: na contramão do nosso crescimento, o nível de distribuição de oportunidades e renda é muito baixo. Prova disto é que, em 2000, mais de 73% das pessoas ocupadas em SL acima de 10 anos ganhavam menos de 3 salários mínimos. Ou ainda, embora nosso PIB seja muito superior ao das cidades vizinhas, nosso PIB per capita não o acompanha. E mais: entre as 15 maiores cidades mineiras, a população pobre sete-lagoana cadastrada no CADÚNICO do Governo Federal, em 2008, era a 13ª com menor acesso a renda.


[Fonte: dados compilados pela Prof. Daniela Raposo/UNIFEMM]

Neste quadro estamos necessariamente à deriva ou temos a chance de fazer escolhas? Eu acredito que podemos e devemos escolher. Desde que nossas escolhas sejam ‘a’ mais ‘b’ e não ‘a’ contra ‘b’. Diagnósticos objetivos são importantes; críticas parciais não ajudam nada. A indústria do gusa, por exemplo, todos sabemos que atua com mão-de-obra de baixa formação e, por regra, com níveis salariais baixos. Este é um problema sempre sujeito a críticas. Mas tem o lado da virtude: sua grande capilaridade movimenta fortemente nosso mercado interno. Quando entra em recessão e desemprega, pára Sete Lagoas. E ainda tende, pelo menos em parte, a formar poupança interna e reinvestir localmente. As indústrias modernas também têm prós e contras. De um lado, do ponto de vista de impacto social, não têm muita capilaridade, não exigem mão-de-obra local muito qualificada e não alteram substantivamente o quadro salarial prevalecente. Tampouco internalizam seus ganhos. Mas, por outro lado, têm uma capacidade contributiva importante para a municipalidade e geram um enorme fluxo financeiro, com atração de outros negócios, o que poderia ser explorado mais estrategicamente. Nossas escolhas deveriam focar o lado positivo e compensar o negativo. Isto é óbvio, mas não foi feito: há anos, não há nenhuma ação para atribuir mais integralidade à nossa economia. Um exemplo: nem uma, nem outra das nossas atividades principais tem capacidade de fomento e apropriação de inovação produzida localmente. O gusa porque prescinde de inovações permanentes, as indústrias novas porque importam inovação. Somente empresas de nano, pequeno e médio porte podem construir um ambiente local inovador, em interação com nossos centros de conhecimento. E ainda são mais geradoras de oportunidades e mais distributivas. Creio que, do ponto de vista do poder público, essa deve ser a nossa aposta! Nossa experiência nesse ramo é restritíssima. Temas como economia solidária, micro-crédito, novos arranjos produtivos e adensamento de cadeias produtivas existentes não nos são familiares. Mas precisam se tornar.

Modelo

Relatório da ONG SOS Mata Atlântica e do INPE / Instituto Nacional de Pesquisa Espacial, divulgado esta semana, mostrou que Minas Gerais foi o estado que mais destruiu a Mata Atlântica, no período 2005 a 2008 [FSP, 05/09/09].

4 de set de 2009

Salvação

O estresse é coisa milenar. Jesus usou essa palavra, com muita propriedade, antes do estresse da sua própria crucificação. A prova está na saída do túnel da Lagoinha:

"E disse Jesus: vinde a mim todos que estais estressados, opressados e cansados. Eu vos aliviarei".

Plutão

Eu aprendi a desenhar projetos em prancheta com régua T, esquadros, papel tela – depois vegetal -, e caneta nanquim. Quando começou a se falar em CAD, ou ‘desenho assistido por computador’, eu duvidei. Talvez fosse apenas disputa de mercado: eu era bom em letra de arquiteto e corria o risco de perder essa vantagem. Não sei; sei que duvidei. Mas com o tempo me enquadrei e gostei. E arrumei um jeito de desenhar no CAD com o mesmo detalhismo que desenhava na prancheta. Vício... Logo depois apareceu a transferência de arquivos por modem, computador a computador. Discado igual telefone. Meio esquisito, mas compreensível. Já não era mais necessário ir à copiadora levando um disquete. Nós, arquitetos e motoboys, comemoramos a inovação. Quando apareceu a internet, eu estava sentado, esperando, na frente de um computador. Era muito esquisito e 100% i-n-c-o-m-p-r-e-e-n-s-í-v-e-l. Como tinha ocorrido com o fax. Quando comprei o primeiro fax – aliás, permutei com um cliente – e cheguei ao escritório com um esperto sorriso tecnológico, quase apanhei da Tiza. Tiza tem muito senso prático; eu não. A coisa não tinha serventia nenhuma. É que ninguém tinha outro para eu usar o meu. Quase ninguém, para ser exato: eu só tinha como me comunicar com o tal cliente meu. Mas já era legal... Pois bem, quando chegou a internet, como eu ia dizendo, eu estava lá esperando. Acho que eu já esperava aquilo há anos, embora não tivesse capacidade de entender o que estava se passando. O único provedor era do Banco Rural. Tinha um domínio enorme, alguma coisa como brhomeshopping, não me lembro bem. Mas me lembro que me apressei para não chegar atrasado e entrei na parada. Prá nada! A coisa não fazia muito mais do que o modem para transmitir arquivos. E rolava uns e outros raros e-mails entre amigos inteiramente sem assunto. Meio bestas. É que ninguém tinha sido treinado para usar aquilo. Parecia brinquedo de gente velha. Uma piada aqui, outra ali... Só quando apareceram as primeiras ferramentas de busca, eu fui obrigado a levar aquela parafernália a sério. É que, um belo dia, desafiei e digitei: “Negro com os olhos em brasa, bom, fiel e brincalhão” e a tal internet discada (que só hoje eu sei que era lentíssima) respondeu: “... era a alegria da casa o corajoso Plutão. Fortíssimo, ágil no salto [...]”. Aí, achei melhor parar de brincar e levar a coisa sério. A desgraçada tinha informações confidenciais de minha infância. Ajoelhei e rezei. Pedi perdão e passei a respeitá-la. E respeito até hoje. Embora - confesso -, vez e outra, ache tudo meio irreal.

blog.planalto ou planalto.blog?


O Palácio do Planalto lançou o blog do Lula. Pra quem é governista ou anti-governista, mas procura notícias do governo é o endereço certo. Seu lançamento foi amplamente divulgado, tanto quanto a crítica que logo se fez: ele não permite comentários. Nem mesmo comentários com moderação. Mas como a internet é terra de todos, a solução veio em dois segundos com o clone do blog do Palácio. É muitíssimo parecido e reproduz com exatidão as matérias do original. Com um detalhe: permite comentários! Fatal!!!

Em entrevista ao Portal G1, a criadora do blog alternativo Daniela Silva disse que não teve o objetivo de que ele representasse uma crítica ao blog original. Segundo ela, "o blog foi criado para mostrar que é possível uma participação política na internet".

A assessoria da Presidência da República informou que não tomará nenhuma iniciativa contra o clone, por considerar que a internet é um território livre e que a cópia dos textos está dentro das regras estabelecidas.

É demais...

Essa história do Senado Federal, com base em relatório sobre reforma eleitoral do senador mineiro Eduardo Azeredo, querer censurar a internet, especialmente blogs e redes de relacionamento, é o fim da picada. Por uma razão muito simples: é inaplicável! Querer comparar o ambiente livre da internet com as concessões de rádio e TV é maluquice pura. Gabeira, de pronto, citando Thoreau, defendeu a desobediência civil. O melhor da internet é a liberdade de expressão. Prá que mexer nisso?

2 de set de 2009

É muito...

Constitucionalmente, de duas uma, ou deveria ser direito do cidadão saber jogar bola ou tocar violão. Não saber nem uma coisa nem outra, sob todos os aspectos – políticos, religiosos, filosóficos, humanos – é inadmissível. E eu sou um desses casos inadmissíveis, privado desses direitos básicos. Agora, tudo bem, isso não faz tanta falta assim, mas na adolescência, cá entre nós, era (ou, no meu caso, seria) uma mão na roda na hora de fazer amigos ou arrumar namoradas. Por essas deficiências divinas, no caso de ‘jogar bola’, por exemplo, acabei um torcedor fanático. Medida compensatória, naturalmente. Quando ligo a TV, posso até não saber quais são os times em campo, mas, automaticamente, começo a assistir e acabo assumindo a preferência por um ou outro, sobretudo se algum deles tem azul na camisa, e vou em frente... Ah! E lá pelos 12 anos, para tentar melhorar o nível de compensação ou reduzir o de frustração me meti a ver F1. Com o mesmo exagero, óbvio! Em resumo, já beirando os 50, ainda acho que ir ao Mineirão ou passar a noite acordado vendo uma corrida no Japão é das coisas da vida que não se pode perder de jeito nenhum, ainda que não sirva para nada.

Todo torcedor razoavelmente informado tem notícias sobre o que se passa nos bastidores. Bem, saber mesmo o que se passa, não sabe, mas imagina e imagina sem ingenuidades. Negócios mal explicados em vendas de jogadores, escalações publicamente injustificadas, malas pretas, juízes esquisitos, de tudo se comenta. Na Fórmula 1, por sua vez, todo mundo está cansado de saber que há mais nos paddocks do que chefes de equipes, pilotos, mecânicos, celebridades e mulheres bonitas. Vira e mexe uma mutreta entra na parada. Mas todo torcedor, quando senta na arquibancada ou no sofá em frente a TV faz força prá esquecer essas intrigas todas e apenas torcer pelo seu time ou pela sua equipe, pondo fé que tudo ali é sério. O máximo que se admite, nessas horas, é juiz ladrão no futebol e o miserável jogo de equipe na F1. O resto é claro que é sério. Aquela coisa de o que o que o olho não vê o coração não sente e se continua torcedor.

Essa lenga-lenga toda é apenas para comentar que esse papo que está rolando na F1 está fora do combinado. Confusão envolvendo capo di tutti i capi de uma equipe, uma equipe e um piloto para forçar uma batida e definir um resultado? Nelsinho Piquet nesta tramóia toda? Inacreditável! Para qualquer padrão de sacanagem é sacanagem demais...

1 de set de 2009

Pré-sal: Mercadante

O senador Mercadante [PT] está postado comentários, em série, defendendo o projeto do governo sobre o pré-sal, no seu twitter. Para quem se interessa pelo tema, vale a pena dar um pulo lá...

Pré-sal: Almeida e Beluzzo

A melhor análise sobre o assunto do dia, o ‘pré-sal’, está no artigo ‘Riscos e oportunidades do pré-sal’ assinado pelos economistas Júlio Gomes de Almeida e Luiz Gonzaga Beluzzo, publicado na seção Tendências e Debates da FSP, de hoje. Vale à pena a leitura na íntegra, disponível apenas para assinantes.

No fundamental, os autores trabalham com as seguintes idéias: a primeira, de que “a regulamentação atual do setor não é compatível com a abundância. Ela foi concebida para a escassez, ‘para se achar petróleo’”. Daí o modelo de concessão. Com isso eles aderem ao modelo da partilha que “permite a apropriação da riqueza por parte do Estado”.

Outra idéia é que “a concentração nas mãos da União é a condição para a universalização das políticas sociais e de investimentos em infra-estrutura”.

Ao se preocuparem com a avalanche de moeda estrangeira que advirá do petróleo, os autores não são os primeiros na advertência contra a ‘doença holandesa’. Para quem não sabe, esse conceito diz de quando a riqueza decorrente de recursos naturais acaba gerando uma atrofia na riqueza do trabalho e da agregação tecnológica e um sucateamento do parque industrial. Nesse tema, eles defendem aplicações conservadoras e de longo prazo para as receitas derivadas da exportação do petróleo, garantindo-as para as gerações futuras. É onde entra a história dos fundos soberanos: mais investimentos e menos ‘traquinagens’ especulativas.

Sobre a destinação dos ganhos do pré-sal, os autores concordam com o governo com a prioridade no desenvolvimento social, sobretudo em educação e em inovação tecnológica, mas alinham aí o apoio à modernização da infra-estrutura e ao investimento em formas alternativas de energia, além da criação de um fundo para estabilização das receitas fiscais.

As idéias finais do artigo referem-se à gestão desta nova riqueza. Almeida e Beluzzo citam como paradigma a Noruega que criou uma estatal para gerir a participação do governo nos projetos partilhados e administrar o fundo soberano. Essa empresa teria funções de planejar o ritmo de exploração, supervisionar a política tecnológica, fomentar setores estratégicos como os de bens de capital, suprimentos e serviços que abastecem o setor, mobilizar fundos para promover a cadeia produtiva do petróleo e financiar novas prospecções. Por aí...

Pré-sal: Valor Econômico


Matérias no Valor Online de hoje avaliam as medidas, de ontem, do governo brasileiro sobre o pré-sal como 'estatizantes' e forlalecedoras do papel da Petrobrás e da União.

Para irmos formando convicção sobre esse assunto, seguem alguns trechos dos textos publicados:

Pré-sal reforça viés estatizante
Regras para a exploração de petróleo na camada pré-sal são traçadas para se tornar um ativo na campanha de 2010

Depois de mais de um ano de discussões e vários adiamentos, o governo enviou ontem ao Congresso, com pedido de urgência constitucional, quatro projetos de lei com as novas regras para a exploração de petróleo e gás na camada pré-sal. São ações de cunho nacionalista e estatizante, traçadas na medida exata para se tornar um ativo político do governo na campanha sucessória de 2010.

Os projetos de lei instituem o regime de partilha da produção para essa nova área; criam a Petro-sal, estatal com capital 100% da União destinada a administrar as novas reservas; instituem também o Fundo Social, na verdade um fundo soberano; e definem como a União capitalizará a Petrobras em US$ 50 bilhões. O atual sistema de distribuição de royalties permanecerá até que lei específica faça mudanças.

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Aumento do poder estatal preocupa setor
Pré-sal: Para empresários, regras impõem limites à participação privada na exploração das novas áreas

O papel destinado à Petrobras no pré-sal e o poder de veto garantido à nova estatal (uma parte da regulação ainda pouco clara) preocuparam muito as empresas privadas do setor de petróleo e gás. "O que vimos limita bastante a participação do capital privado. Temos inúmeras empresas trabalhando no Brasil e precisamos preservar essas conquistas. Não podemos desconstruir o que já conseguimos ao longo de 12 anos, atraindo capital e 76 empresas privadas", disse o presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), João Carlos de Luca, após a solenidade de anúncio do marco regulatório para exploração de petróleo na camada do pré-sal, ontem, pelo governo, no Centro de Convenções, em Brasília. "A competição é boa para a Petrobras também", completou.

Ele reconhece o papel de liderança da Petrobras, mas alerta para o fato de que, no médio e longo prazos, uma operadora única limita muito a participação e o desenvolvimento de uma indústria de petróleo e gás forte, com atração de tecnologia, capital, recursos humanos e múltiplos atores. "Nos preocupa porque o projeto é tão grande e ambicioso que há espaço para todos", diz De Luca.

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Novas regras fortalecem a Petrobras e a União
Pré-sal: Estatal será única operadora e cobrança de royalties foi mantida

Depois de 14 meses de discussão e de sucessivos adiamentos, o governo enviou ontem ao Congresso, com pedido de urgência constitucional, quatro projetos de lei estabelecendo regras para a exploração de petróleo e gás na camada pré-sal. Um dos projetos propõe a instituição do regime de partilha da produção; outro cria a Petro-sal, estatal com capital 100% da União destinada a administrar as reservas do pré-sal a serem licitadas daqui em diante; o terceiro projeto institui o Fundo Social, que aplicará os recursos arrecadados no pré-sal em projetos na área social (saúde, educação, ciência e tecnologia, meio ambiente e cultura) e também em investimentos rentáveis; o quarto projeto de lei institui mecanismo para viabilizar a capitalização da Petrobras.

O novo marco regulatório não altera as regras do modelo de concessão em vigor no país desde 1997. Valerá apenas para as áreas de petróleo da camada pré-sal ainda não licitadas - 29% de toda a área do pré-sal, com reservas de 9,5 a 14 bilhões de barris, foi licitada com bases nas regras antigas.

As novas regras fortalecem a Petrobras, que será a operadora de todos os campos de petróleo do pré-sal a serem leiloados. A estatal terá participação mínima de até 30% nos consórcios privados, podendo elevar essa fatia nos leilões. Além disso, poderá explorar sozinha, sem licitação, alguns campos escolhidos pela União. Por fim, a empresa terá direito a uma capitalização por parte da União, equivalente a até 5 bilhões de barris de petróleo em reservas.

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Governo destina R$ 10 bilhões para plano habitacional em 2010

Portal UOL, hoje
Com um volume inédito de recursos em subsídios para a população de baixa renda, o novo plano habitacional do governo Lula é a principal inovação do projeto de Orçamento da União para o ano eleitoral de 2010, informa a reportagem de Gustavo Patu para a Folha .

Batizado de Minha Casa, Minha Vida, o programa terá, segundo dados parciais divulgados ontem, R$ 10 bilhões para despesas a fundo perdido, a maior parte destinada a famílias com renda até três salários mínimos. Pelas regras já definidas pelo governo, as famílias mais pobres pagarão prestações mensais que vão variar de R$ 50 a 10% de sua renda.

[Leia artigo na íntegra aqui]

Imprensa estrangeira destaca "independência" com o pré-sal

No Portal Terra / Invertia, hoje:

A imprensa internacional destacou nesta terça o anúncio da "independência brasileira" por parte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nessa segunda-feira, ao falar sobre as regras para a exploração do petróleo do pré-sal brasileiro. As publicações ligam o pré-sal com as disputas eleitorais de 2010, citam as promessas de Lula e contestam o sucesso na extração de petróleo em águas tão profundas.

O Wall Street Journal realçou as promessas de riqueza e desenvolvimento feitas por Lula, mas afirma que o País terá que superar as dificuldades encontradas por gerações de governantes sul-americanos: "transformar a riqueza de vastos recursos naturais em uma máquina de desenvolvimento", afirma a publicação.

Já o jornal americano The New York Times enfatizou a "mudança nacionalista" do País, que fortalece a atuação estatal da Petrobras na exploração da camada. O Times afirma que as companhias petrolíferas estrangeiras serão "limitadas a papéis subservientes à Petrobras".

Já o jornal espanhol El País diz que os anúncios de Lula sobre o pré-sal almejam as eleições de 2010. Segundo o jornal, a pressa em aprovar o projeto no congresso brasileiro, reflete uma preocupação do governo em evitar uma manobra da oposição que possa causar uma "sangria", além de evitar que a discussão eleitoral possa afetar os objetivos do pré-sal.

O WSJ destacou os planos do governo brasileiro de aumentar o controle sobre a exploração do petróleo do pré-sal, com o intuito de obter uma parte maior dos lucros e fundos com uma programação "ambiciosa". O jornal classifica como "fortes alegações" a interpretação das autoridades brasileiras acerca dos baixos riscos de perfuração. A confiança de sucesso na extração do petróleo em águas tão profundas é questionada por observadores, segundo o WSJ.

O periódico britânico The Guardian lembra que o objetivo de Lula é injetar "bilhões de petrodólares no combate à pobreza", assim como repercute as afirmações de Hugo Chávez quando da descoberta da camada, chamando o presidente de "sheik Lula". Ao mesmo tempo, o Guardian afirma que as companhias petrolíferas do mundo reagiram de forma "nervosa" ao anúncio do marco regulatório.