31 de ago de 2009

Saco é um saco


A campanha do Ministério do Meio Ambiente contra o uso de sacolas plásticas, as fatídicas sacolas de supermercado, é mais do que oportuna. O diabo que é que se tornaram tão habituais que é preciso construirmos uma alternativa prática que facilite as coisas...

Quem quiser entrar nessa parada, o site do MMA tem tudo sobre o assunto: http://blog.mma.gov.br/sacolasplasticas/

30 de ago de 2009

O show de Fisichella


Fisichella fechou com chave de ouro seu fim de semana. Sua Force India mostrou uma surpreendente adaptação ao circuito belga de Spa-Francorchamps. Ainda que a Ferrari tenha obtido sua primeira vitória, Fisichella chegou encostado e pressionando. Roubou a cena. Ver pra crer...

Rubinho perdeu a grande chance de se aproximar de Button. Largou do pior jeito possível, caindo do terceiro para o último lugar. A coisa só não foi pior porque, daí em diante, a sorte lhe sorriu: Button bateu na primeira curva, Alonso perdeu no pit stop, Webber fez besteira, e o motor da sua Brawn GP, mesmo fumando ao final, ainda conseguiu cruzar na 7ª posição.

Os oito que pontuaram:
1. Kimi Raikkonen (FIN/Ferrari) - 44 voltas em 1h23min50s995
2. Giancarlo Fisichella (ITA/Force India) - a 0s939
3. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull) - a 3s875
4. Robert Kubica (POL/BMW) - a 9s966
5. Nick Heidfeld (ALE/BMW) - a 11s276
6. Heikki Kovalainen (FIN/McLaren) - a 32s763
7. Rubens Barrichello (BRA/Brawn GP) - a 35s461
8. Nico Rosberg (ALE/Williams) - a 36s208

Um ano depois, Brasil sai da crise mundial maior do que entrou

Caderno de Economia do Estadão de hoje:

Às vésperas do mês em que se completa um ano da crise global, o otimismo com o País tornou-se consenso

Fernando Dantas, de O Estado de S. Paulo

RIO - O Brasil saiu da turbulência global maior do que entrou. Às vésperas do mês em que se completa um ano da crise iniciada com a concordata do Lehman Brothers, em 15 de setembro, o otimismo com o País tornou-se consensual. “O fato de que o Brasil passou tão bem pela crise tinha mesmo de instilar confiança”, diz Kenneth Rogoff, da Universidade Harvard, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI). Para Jim O’Neill, do Goldman Sachs, e criador da expressão Bric (o grupo de grandes países emergentes, Brasil, Rússia, Índia e China), “o Brasil passou por essa crise extremamente bem, e pode crescer a um ritmo de 5% nos próximos anos”.

O crescimento de importância do Brasil e de outras economias emergentes é uma das características do novo mundo surgido com a crise econômica. Para comentar essa e várias outras mudanças, o Estado ouviu oito grandes economistas estrangeiros e brasileiros: Rogoff; O’Neill; Barry Einchengreen, da Universidade de Berkeley; José Alexandre Scheinkman, de Princeton; Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central (BC) e sócio gestor do Gávea Investimentos; Edmar Bacha, consultor sênior do Itaú BBA e codiretor do Instituto de Estudo de Políticas Econômicas - Casa das Garças (Iepe/CdG); Affonso Celso Pastore, consultor e ex-presidente do BC; e Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco.

Pastore observa que a recessão no Brasil foi curta, de apenas dois trimestres, comparada a quatro em países como Estados Unidos, Alemanha e França. Goldfajn nota que há os países que estão saindo da recessão no segundo trimestre e os que estão saindo no terceiro - o Brasil está entre os primeiros, com várias nações asiáticas. “Mesmo no primeiro trimestre, se olhar mês contra mês, há números fortes de crescimento no Brasil”, acrescenta.

Para Goldfajn, a crise foi um teste de estresse para diversos países, no qual alguns passaram, outros não, alguns tiveram nota boa e outros nota ruim. “Acho que o Brasil tirou nota boa, e agora está todo mundo olhando e dizendo ‘esse cara é bom’”, diz Goldfajn.

Uma das principais razões para o sucesso do Brasil em enfrentar a crise, segundo Pastore, é que ela pegou o País com o regime macroeconômico adequado - câmbio flutuante, bom nível de reservas, inflação controlada, superávit primário, dívida pública desdolarizada e caindo em proporção ao Produto Interno Bruto (PIB). Essa solidez combinou-se com o sistema financeiro capitalizado, pouco alavancado, que estava proibido pela regulação de operar com os ativos perigosos, como os títulos estruturados no mercado americano de hipotecas subprime. “Uma das lições da crise é que países que tinham uma abordagem equilibrada da regulação do mercado financeiro, como Brasil, Austrália, Canadá , não tiveram crise bancária”, diz O’Neill.

A política anticíclica, baseada em corte de impostos e ampliação de gastos públicos, também ajudou, embora esta segunda parte seja criticada pelos efeitos de médio prazo. Para Pastore, os aumentos do funcionalismo e do Bolsa-Família tiveram efeitos contracíclicos, mas “por coincidência”, já que foram decididos antes da crise. “O defeito é que, se fosse política contracíclica mesmo, teria de expandir gastos transitórios, e não permanentes.”

Para a maioria dos economistas, o aumento dos gastos públicos correntes reduz o espaço do investimento, e impede que o Brasil cresça a um ritmo ainda mais forte do que os 4% a 5% que estão sendo previstos. “Não é nem preciso dizer que há um monte de coisas que o Brasil poderia fazer para crescer mais rápido”, comenta Rogoff.

De qualquer forma, o sucesso diante da crise jogou o Brasil no radar dos investidores. “À medida que continuarmos a crescer mais que o mundo, é natural que o País receba um aporte muito grande de investimentos estrangeiros diretos”, diz Pastore, acrescentando que eles aumentaram, mesmo com recessão e queda de lucros nos países que sediam as empresas que investem no Brasil.

A contrapartida dos fluxos de capital é o câmbio valorizado e o déficit em conta corrente, o que significa que o mundo está financiando o Brasil para consumir muito (o que implica poupar pouco) e investir ao mesmo tempo. Segundo Goldfajn, os brasileiros serão um dos povos convocados, junto com os asiáticos, a preencher o espaço deixado pelo fim da exuberância do consumidor americano, atolado em dívidas e necessitado de reconstruir seu patrimônio.

29 de ago de 2009

Que grid é este?

Button? 14º! Alonso? 13º! Hamilton? 12º! Nenhum desses caras sequer chegou à última etapa da classificação. À exceção de Rubinho em 4º, o resto foi surpresa das grandes em Spa-Francorchamps. Fisichella na pole com um Force India, Truli em segundo e duas Sauber entre os cinco primeiros: quem poderia imaginar? Nem as Red Bull deram pressão: Vettel em 8º e Webber em 9º. A corrida, amanhã, promete...

Alô?!

Ontem eu atendi o telefonema de uma dessas moças de empresa de telefone. Eu gosto muito de conversar com elas. Nunca imaginei que a raça humana pudesse ser tão programável. E elas são. E são impecáveis. E são muito simpáticas e muito educadas. E não é todo dia que alguém educado telefona para você e lhe trata bem. E, às vezes, a coisa está pegando, o mundo está acabando e vem aquela voz feminina educada lhe tratando bem. E sempre com muita paciência. E às vezes você não está com paciência nenhuma, mas elas têm toda a paciência do mundo...

Eu estou pensando em catalogar as técnicas delas: o gerundismo do estou-indo-tentar-fazer isso ou aquilo, o não desliga nunca, o estica conversa, essas coisas. Pode me ser útil algum dia. É uma esperança prá mim. Talvez eu aprenda alguma coisa. É muito funcional. É tão perfeito que eu, então, também estico a conversa, não desligo e tento me expressar no mesmo vocabulário delas. Eu acho que se, um dia, for uma gravação eu não serei capaz de desconfiar.

- Eu gostaria de estar falando com o Sr. João Luiz, disse ela;
- Moça, eu também gostaria de estar falando com Sr. João Luiz, disse pausadamente na minha vez;
- O Sr. João Luiz está?
- Infelizmente não. Mas, por favor, se você conseguir falar com ele você me promete uma coisa?
- Senhor, eu gostaria de falar com o Sr. João Luiz.
- Promete ou não promete?, insisti. Ela riu. E eu me surpreendi porque segundo o meu catálogo elas nunca riem. - Então promete ou não promete?
- Senhor, ele está ou não está?
- Moça, ele não está. Ele saiu há seis anos e nunca mais deu sinal de vida.
- Entendo... Mas eu posso estar falando com ele em algum outro número?, ela me indagou e senti alguma coisa de consternação ou abatimento na sua voz.
- Poder pode. Eu não tenho nada contra. Mas eu não tenho esse número, disse eu tentando dar uma solução para o caso. - Talvez você possa estar conseguindo porque você tem todos os números, não é mesmo?, completei, tentando recuperar o otimismo da conversa e não deixar aquela voz educada muito desanimada. - E vejo que você quer mesmo falar com ele...
- O quê?
- Vamos combinar. Se você falar com ele, dê um abraço nele por mim. Diga que ando com muitas saudades dele.
- [A moça apenas riu, despediu educadamente e desligou].

Desde que meu pai morreu, ninguém mais ligou pra ele. Na manhã sem sol de ontem, eu achei bom saber que a moça do telefone precisava muito falar com ele. Bem normal. Talvez até ela pudesse estar conseguindo.

Olá!

Dois blogueiros passaram por aqui e deixaram suas marcas: o Leandro e a Fernanda. Eu segui as pegadas e me deparei com dois blogs muito legais. Esse blog aqui é meio confuso. O mais poético que consigo ser é quando torço pro Cruzeiro. Já pensei em ter uma linha mais clara. Ou falar de política, ou ficar no futebol, ou apenas comentar livros. Mas sou muito disperso e acabo fazendo uma senhora bagunça. Já o blog do Leandro e o da Fernanda são poesia pura!

[E a Fernanda foi e assistiu ao Galpão. Eu fui e só vi a multidão...]

Amanhã será outro dia

Eu não escrevo para ser lido, senão por mim mesmo.
Por isso mesmo acabo por usar uma caligrafia ilegível.
Como quem anota um recado pendurado ao telefone.
Como quem escreve um bilhete na palma da mão.
Às pressas...
E pensa sempre que vai sobrar um tempo para passar a limpo esses garranchos.
Um dia vai...
Minha vida também é assim.
Faço quase tudo pendurado ao telefone ou apontando na palma da mão.
E preservo o sentimento, claro!, de que, mais hora menos hora, me passo a limpo.
Enquanto isso, vou vivendo essa minha versão rascunho.
Sinceramente, já faz tanto tempo que me sinto familiarizado com ela.
E pode ser que nem me reconheça mais de outro jeito.
Aquela história: meu futuro é claramente promissor, meu problema é o presente...

26 de ago de 2009

Carpinejar não é verbo

Ou é apenas verbo... Fabício Carpi Nejar esteve hoje no 'Sempre um Papo' no UNIFEMM. Não havia planejado ir, mas fui. Momentos imperdíveis de poesia. Daqueles que lhe transportam, desprevinido, para um mundo trancado de emoções, de lembranças, de alegrias, de humor, de silêncio.

Para um dia que terminava cheio de tédio, não poderia haver melhor desfecho...

Em casa visitei o site, o blog e o twitter de Carpinejar. O twitter, especialmente, vale a pena. São poemas e poemas nos 140 caracteres disponíveis. Muito bom!

Os endereços:

25 de ago de 2009

O Direito e a Pobreza

A justiça e o direito nem sempre, quando lidam com a pobreza e o caos urbano, geram resultados justos, inclusivos e ordenadores. As fotos publicadas na galeria do 'Estadão', sobre a reintegração de posse de terreno da Viação Campo Limpo no Capão Redondo-SP, onde mais de 570 famílias moravam desde 2007, mostram apenas insensatez e dor. A incapacidade absoluta da sociedade de dar respostas dignas a problemas sociais. E o pior: no meio da tragédia, as crianças...








110 anos de Borges

Por Ariel Palacios

Borges, José Francisco Isidro Luís — Escritor e autodidata, nascido na cidade de Buenos Aires, então capital da Argentina, em 1889. Não é conhecida a data da sua morte, dado que os jornais — gênero literário da época — desapareceram ao longo de vastos conflitos de que os historiadores regionalistas hoje nos dão conta. As suas preferências foram para a literatura, a filosofia e a ética. Aquilo que do seu trabalho chegou até nós informa-nos suficientemente sobre o primeiro ponto, ao mesmo tempo que deixa entrever incuráveis limitações.

(Esta foi uma irônica biografia que Borges escreveu dele próprio, como se fosse o verbete de uma futura enciclopédia, a ser publicada em 2074 em Santiago do Chile, na qual seria tratado como um escritor secundário. Nesse verbete, sequer seu próprio nome estaria bem escrito...em vez de Jorge Francisco Isidoro Luis Borges, apareceria como José Francisco Isidro Luis Borges. E além disso, em vez de seu ano real de nascimento, 1899, apareceria "1889". Na parte de 'comentários' desta postagem, o futuramente apócrifo verbete completo).

“A memória é uma forma de esquecimento”, costumava provocar o escritor Jorge Luis Borges (1899-1986), cujo maior sonho, afirmava, era o de ser esquecido por seus leitores. O desejo de Borges não pode ser cumprido pelos argentinos, que nesta segunda-feira dia 24 celebram os 110 anos de seu nascimento em Buenos Aires.

[Clique aqui para ler na íntegra a postagem no blog Os Hermanos - Estadão ]
O mineiro Humberto Werneck está lançando, agora em setembro, o 'Pai dos Burros' com 4.500 frases feitas, dessas que se usa no dia-a-dia sem se dar conta da besteira.

"Humberto é reconhecidamente um dos melhores textos do jornalismo brasileiro. E é famoso, justamente, por retorcer a frase-feita, dando-lhe um sentido original. Porque dizer que a vida está de "vento em popa" não tem o menor charme, mas o contrário, de que está de "vento em proa" é mesmo bem interessante".
[UOL - Entretenimento]

Algumas pérolas: "O mundo todo não vale o meu lar", "Jurar de pés juntos", "Num futuro próximo", "O futebol é uma caixinha de surpresas", "Ter um grande futuro pela frente", "Aproveitar o ensejo", "Com a voz embargada pela emoção", "A vida é feita de pequenas coisas", "Por N motivos".

"O Pai dos Burros - Dicionário de Lugares-Comuns e Frases Feitas
Autor: Humberto Werneck
Arquipélago Editorial, 205 páginas, preço sugerido: R$ 29,90

23 de ago de 2009

Vox contradiz Datafolha

Os números da pesquisa do Datafolha para Presidência da República, comentada anteriormente, não foram confirmados pelos da Vox Populi, divulgados pelo Jornal da Band, em 13 de agosto. A diferença Serra-Dilma de 21% nos primeiros ficou reduzida para 9% nos segundos. Nestes, Serra teve desempenho bem pior e Dilma muito melhor. Nos quatro cenários avaliados os resultados foram os seguintes:

Cenário 1: Serra 30%, Dilma 21%, Ciro 17%, Heloisa Helena 12%;
Cenário 2: Serra 36%, Dilma 24%, Heloisa Helena 16%;
Cenário 3: Dilma 25%, Aécio 21% , Heloisa Helena 18%;
Cenário 4: Dilma 21%, Ciro 20%, Aécio 17% , Heloisa Helena 12%;

A pesquisa Vox Populi, com margem de erro de 2,2%, foi feita com 2 mil eleitores em 23 estados entre 31/07 e 04/08.

Outra pesquisa Vox, divulgada também no dia 13, agora para Governador de Minas, também trouxe novidades: um desempenho pior de Hélio Costa, que em pesquisas anteriores chegou perto de 50%, um salto de Patrus Ananias, que empatou com Fernando Pimentel, ambos do PT, e a confirmação de que Anastasia não decola (tinha alguma coisa perto de 5% e agora 3%):

Os resultados deram ao ministro Hélio Costa (PMDB) 30% das intenções de votos, seguido do ex-presidente Itamar Franco (PPS), com 28% e do ministro Patrus Ananias (PT), com 18%. O vice-governador Anastasia ficou com 3%. Em um segundo cenário, que mudou o candidato do PT, o ministro Hélio Costa continuou liderando com os mesmos 30%, Itamar Franco passou para 27% e o ex-prefeito Fernando Pimentel ficou com os mesmos 18% apurados para o candidato Patrus. Anastasia também permaneceu com os 3%.

Encontro marcado III

Domingo perfeito! Começou pelo vôlei, passou pela F1, depois a rodada do Brasileirão. O Atlético continuou a pontos rápidos vindo em nossa direção. Já chegou a colocar 15 pontos de frente. Agora são apenas 6. O campeão do gelo caiu para a 6ª posição. A seleção celeste subiu para a 12ª.

Alternativas imperfeitas

Vale a pena a leitura da entrevista de David M. Smick ao G1. O autor de 'O Mundo é Curvo' analisa as consequências da crise econômica mundial e indaga se a China não será a próxima 'bolha' econômica.

[...]

"Nem todos os países Bric (grupos de países em desenvolvimento formado por Brasil, Rússia, Índia e China) são iguais. O Brasil está bem posicionado para enfrentar a crise financeira".

[...]

"Estamos em uma era de alternativas imperfeitas. Nós temos a alternativa de deixar o mercado decidir, o que nem sempre é perfeito. Mas a opção atual traz mais confusão e menos transparência, pois é quase impossível não se politizar (a discussão) quando as decisões de quem ganha e de quem perde são do governo".

Tese 1: 'buraco negro'

Eu tenho participado de bons debates sobre o desenvolvimento de Sete Lagoas e da região. Nestas ocasiões, tenho compartilhado algumas teses que não são originais, nem estão completamente estabelecidas, mas que têm razoável nível de probabilidade. Uma delas é sobre o papel de Sete Lagoas no contexto regional. Sete Lagoas, auto-centrada em si mesma, alavanca ou inibe o desenvolvimento das cidades do seu entorno?

Ao longo dos anos, nós nos acostumamos com a qualificação de ‘cidade-pólo’ que traz, subliminarmente, a idéia de ‘capital’ regional. Ou seja, SL seria uma instância que organizaria as oportunidades disponíveis na direção da compensação de desequilíbrios regionais. Uma instância, no frigir dos ovos, promotora do desenvolvimento não apenas seu, mas da região. Isto ocorre? A tese é que não. Dentro de uma visão de relação de trocas intermunicipais, o que se imagina é que ela tem sido de mão-única no sentido de SL, para onde tudo converge.

Em um debate no UNIFEMM, esta semana, trabalhando sobre esta tese, a professora Daniela Raposo apresentou números importantes. Um deles é que, considerando a região da AMAV, Sete Lagoas sozinha detém 70% de todo o PIB; outro, quando o PIB sete-lagoano se acelera, como em 2003-2005, ele não necessariamente repercute no entorno; mais um: o PIB regional só supera o de SL no setor primário, uma vez que a base do sete-lagoano é industrial. Ou seja, os números conspiram a favor da demonstração da tese de que Sete Lagoas funciona como um ‘ralo’ ou um ‘buraco negro’ que drena as melhores cabeças, os talentos, a força de trabalho, a produção e a poupança de Jequitibá, de Pirapama, de Cordisburgo e de Araçaí, enriquece seu setor de serviços, na área médica e educacional, por exemplo, e dá pouco em troca.

De que serve a constatação desse cenário desequilibrado? Em minha opinião ele dá um pano de fundo para o diagnóstico tanto da realidade regional, quanto da sete-lagoana. Neste caso, sucede-se a ele outra indagação: se esse modelo de desenvolvimento não parece positivo para nossas cidades irmãs, ele o é para Sete Lagoas? De novo, a tese é que não! Seu enunciado seria o seguinte: até certo momento esse modelo concentrador foi importante para criar maior densidade e competitividade aos negócios locais; desse limite prá cá ela passou a apresentar custos urbanos, sociais e ambientais contraproducentes.

O quê fazer? Sete Lagoas deveria adensar a sua relação política com os outros municípios, seja por relações bi-laterais, seja via AMAV. Se a máquina pública sete-lagoana acumular maior capacidade governativa, deveria contribuir para que as prefeituras das cidades menores também avançassem. Se SL avançar na captação de novos negócios deveria contribuir para novos negócios, sobretudo industriais, também nas cidades do entorno. Se SL, com apoio de outras instituições locais, como o UNIFEMM, avançar na captação de projetos, deveria incluir a região nesse processo.

Essa perspectiva de desconcentração econômica regional permitiria escolhas mais estratégicas. SL, em várias atividades, poderia atuar em nível de maior complexidade e as cidades próximas em nível primário. Nada a ver com ficar com o filé e deixar para os outros a carne de pescoço. Tudo a ver com pensar em solução mais estratificada. Se, por exemplo, Cachoeira da Prata aumentasse suas atividades industriais, a um menor custo urbano-ambiental e com melhor desempenho social, ela poderia melhorar a sua oferta básica de saúde e educação, por exemplo, e ajudaria a reduzir a pressão sobre a rede urbana e de serviços sete-lagoana.

Domingão...

O fim de semana era da Mclaren. Não foi. Com 100% de eficiência na pista, logística perfeita da Brawn GP no box e, para coroar, sorte (um erro de 4 a 5 segundos no segundo pit stop de Hamilton), depois de 5 anos, Barrichello voltou a vencer, retomou a vice liderança do campeonato e deu ao Brasil a 100ª vitória na F1.

A propósito, a corrida foi na Espanha, em Valência, em um circuito de rua maravilhoso, que inclui uma ponte super bacana do arquiteto Santiago Calatrava:

Enquanto isso, o time de vôlei do Brasil batia o Japão e emplacava a 8ª vitória no Grand Prix.

22 de ago de 2009

Teses para debate

Eu vou postar, a partir deste final de semana, algumas teses sobre o desenvolvimento de Sete Lagoas que já venho abordando em conversas com diversos interlocutores. São teses pessoais, mas não necessariamente originais. São teses que surgem naquele contexto de que ninguém pensa nada sozinho, mas apenas sintetiza o pensamento coletivo. Eu quero convidar os frequentadores desse blog a contribuirem nesse debate, valorizando ou condenando essas teses, encorpando ou não as propostas decorrentes. Vamos lá...

Dicionário organizado por jornalista desvenda o discurso de Lula

No Portal UAI, hoje:

Houve um tempo em que um improviso de Lula era esperado por alguns jornalistas muito mais como oportunidade de tirar uma casquinha do que como momento de buscar informações relevantes para o leitor. O preconceito era patente: sem curso superior, tropeçando em construções gramaticais, com sinceridade que beirava a temeridade, o presidente era visto como promessa de deslize, como alguém que fora do script não era capaz de manter a liturgia do cargo. O feitiço, no entanto, desandou: Lula foi conquistando ouvintes qualificados (inclusive estadistas e rainhas), cativando por sua retórica límpida e construindo no dia a dia, pela palavra viva, seu ideário político. Tornou-se um comunicador único, fato reconhecido pelos aliados e adversários mais ferrenhos.

Entender esse processo foi a tarefa que o jornalista Ali Kamel se deu. E escolheu o caminho mais difícil: analisar todos discursos e manifestações espontâneas de Lula, da posse a 31 de março de 2009. São falas públicas, entrevistas e programas de rádio (Café com o presidente) que somam 1.554 textos (847 discursos, 503 entrevistas e 204 programas radiofônicos) que fazem uma inversão no método habitual de análise política: em vez de reunir textos sobre Lula, o jornalista deu consistência e organização às falas do próprio presidente.

[...]

Uma das constatações do autor está relacionada à extensão do vocabulário utilizado por Lula. O presidente, pela contagem feita, utiliza em suas falas um total expressivo de mais de 11 mil palavras. De acordo com critérios científicos, trata-se do vocabulário de uma pessoa com curso superior. É algo cerca de quatro vezes mais que uma pessoa de sua formação escolar utiliza. Lula, no entanto, não se notabiliza apenas por ampliar seu universo de palavras, mas pela capacidade de ser compreendido por quem não navega no mesmo oceano linguístico. Como comunicador, não há como fugir, o “cara” é um fenômeno: ele fala com a desenvoltura de um doutor e é entendido como um colega de botequim.

Dicionário Lula - Um presidente exposto por suas próprias palavras
.
De Ali Kamel, com pesquisa de Rodrigo Elias
Editora Nova Fronteira, 672 páginas, R$ 59,90

21 de ago de 2009

Encontro marcado II

O Cruzeiro, no Maracanã, fez 3 pontos. O Galo, em casa, apenas 1. A distância diminuiu 2 pontos. Como eu disse em outro post: temos um encontro marcado. Lá no meio da tabela... Questão de tempo!

20 de ago de 2009

Currículo


Setores mais afetados pela crise começam a chamar de volta demitidos

No Portal UAI, hoje:

Só nas usinas de ferro-gusa são 900 empregados em dois meses. Férias também são suspensas.

Marta Vieira e Paola Carvalho - Estado de Minas

A recontratação de trabalhadores demitidos depois do estouro da crise financeira mundial e a suspensão das férias coletivas dão sinais de que a rotina das usinas produtoras de ferro-gusa (matéria-prima da fabricação de aço) e da indústria da mineração pode estar começando a voltar ao período pré-crise. Os dois setores foram os mais afetados pela turbulência na economia em Minas Gerais. Cerca de 900 trabalhadores foram contratados nas empresas guseiras de Sete Lagoas, na Região Central do estado, nos últimos dois meses, a maioria deles ex-empregados da própria atividade, informou ontem o sindicato local dos metalúrgicos. O número de fornos religados em Minas tem aumentado desde o começo de julho e já alcança 40 equipamentos, o dobro dos que permaneciam ligados em fevereiro passado, quando as encomendas estavam quase paradas, de acordo com o levantamento mais recente do Sindicato da Indústria do Ferro do estado (Sindifer-MG).

[...]

Por trás da reação dos produtores independentes de gusa e da produção de minério de ferro estão novos contratos de vendas especialmente para a Ásia e a China, em particular. O presidente do Sindifer-MG, Paulino Cícero de Vasconcellos, confirma o movimento de recontratações nas empresas do setor não só em Sete Lagoas, como Divinópolis, Pará de Minas e Betim, embora a entidade ainda não tenha um levantamento do número de admissões no estado. “É o início de uma esperança de retomada. Não sabemos se essa reação terá sustentação”, afirma. As usinas de todo o estado estão funcionando ao ritmo de um terço da média histórica da produção de 450 mil toneladas por mês. Em fevereiro, produziam o equivalente a 15% dessa média.

Em Sete Lagoas, Ernane Geraldo Dias, presidente do sindicato local dos metalúrgicos, estima 15 fornos ligados de um total de 38 equipamentos e 2,6 mil trabalhadores em serviço. A categoria teria chegado a perder 4 mil postos de trabalho em função da crise financeira. “Respiramos melhor, mas fica a dúvida se a recuperação vai se manter”, diz. Para o presidente da Samarco Mineração, José Tadeu de Moraes, os sinais de reação da siderurgia no mundo estão sendo melhores que o esperado. “Nosso estoque está zerado e, se houvesse mais, eu arriscaria dizer que essa produção estaria vendida”, afirma o executivo

[...]

18 de ago de 2009

4 comentários sobre a reforma administrativa

A Câmara Municipal de Sete Lagoas aprovou hoje reforma administrativa proposta pelo prefeito Maroca, no âmbito da Lei Delegada. Quero fazer aqui alguns rápidos comentários. Nenhum deles tem a ver com as variadas interpretações que surgiram nos últimos dias. O ambiente político é sempre pródigo em especulações, em hipotética contabilidade sobre quem-perde-quem-ganha e coisas do gênero. Não foi diferente. Desta vez, entretanto, não li, nem ouvi nada muito consistente...

O primeiro comentário é sobre a amplitude desta reforma. Diga-se: é restritíssima! Ela não produz alterações organizacionais substantivas na estrutura pública. Esse não foi seu objetivo. É uma reforma focalizada. O Executivo tem compromisso com uma reforma de fôlego, à frente.

O segundo é exatamente sobre esse foco. Essa reforma tem o objetivo exclusivo de corrigir o erro provocado pela última mudança de estrutura da Prefeitura, na Lei nº 7.229/2006, com a criação da Secretaria de Infra-estrutura Urbana. Em geral, órgãos de governo vinculam-se à condução de uma política pública (por ex., secretaria da saúde, da educação etc.) ou à atenção a determinado segmento social (por ex., secretaria da juventude, secretaria de promoção de igualdade racial etc.) ou ainda a determinadas funções estratégicas e de suporte gerencial (secretaria da fazenda, da administração etc.). Nada disso inspirou a formação da SMIU que conseguiu reunir coisas tão distintas como licenciamento de obras, gestão de trânsito e transporte urbano, limpeza urbana e manutenção de frota. Desvinculou-se cada uma dessas funções de suas respectivas políticas (licenciamento de obras de políticas urbanas, limpeza urbana de política ambiental, por exemplo), gerando duplicidades e ambigüidades na gestão das mesmas. Esta reforma põe os pingos nos is, reconstruindo essas vinculações.

O terceiro refere-se à criação da Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte Público. Esse é um tema sob tensão junto à sociedade e a reforma dá uma resposta afirmativa e tempestiva a ele. Ainda que esta nova secretaria tenha limitações, ela representa um upgrade com relação a solução atual e a efetiva ampliação da capacidade gerencial da Prefeitura sobre a matéria.

O último comentário é de que se tem uma solução do tipo ganha-ganha. Todos os órgãos envolvidos saem fortalecidos: a Secretaria de Obras, pela anexação de serviços urbanos e transporte (frota), a de Planejamento pela anexação do Departamento de Licenciamento de Obras e a do Meio Ambiente pela Limpeza Urbana. E ainda, a de Agricultura, Indústria e Comércio, que com fusão com a de Turismo, transforma-se na Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo; a de Trânsito que não existia e passa a existir; e, de quebra, a de Justiça Social que retoma sua nomenclatura tradicional de Secretaria de Assistência Social.

Exposição Quim Drummond

Imperdível a exposição de Quim Drummond sobre 'Congado', no casarão. A propósito, a projeção de imagens sobre a fachada do casarão é uma idéia genial e surpreendente!

16 de ago de 2009

Suspense...

A pesquisa publicada hoje na FSP deixou um enorme suspense no ar. A principal razão foi que os três principais concorrentes estacionaram. A expectativa de que Serra cairia um pouco mais não se confirmou. A de que Dilma continuaria sua trajetória ascendente também não. E a de que Ciro perderia fôlego com o papo de sua candidatura ao governo paulista, idem. Na sequência de pesquisas Datafolha de março/2008, novembro/2008, maio/2009 e agosto 2009, os números de Serra foram 38, 41, 38 e agora 37%. Os de Dilma 3, 8, 16 e 16%. E os de Ciro 20, 15, 15 e 15. O jogo travou...

A neblina ficou mais densa com os números de Heloisa Helena. A previsão dos analistas era de que com a briga de titãs, HH e o seu PSOL iriam para a lona. Não foram. Nesse caso, viu-se também uma estabilidade e uma estabilidade em alta: 14, 11, 10 e agora 12%.

A possível candidatura da ex-ministra Marina Silva fez cravar, nesta última pesquisa, sua posição de largada: 3%. Muito? Pouco? Eu acho imponderável. A plataforma que o PV lhe oferece não é lá essas coisas. E contra o discurso 'desenvolvimentista' de Serra e Dilma pode ser que ela perca energia. De qualquer forma, todos os analistas preferiram ver riscos para os dois líderes com o 'fato novo' chamado Marina. Mas a verdade é que a sua presença não moveu o mundo, pelo menos por ora: Serra teve 36% das intenções de voto contra 17% de Dilma Rousseff, 14% de Ciro Gomes e 12% Heloisa Helena. Melhor esperar as próximas pesquisas...

Os cenários em que o tucano mineiro Aécio Neves entrou na disputa não lhe foram nada favoráveis. Em um, em substituição a Serra, Ciro liderou com com 23%, Dilma ficou com 19%, Heloisa Helena com 17% e Aécio Neves, na lanterna, com 16%. Em outro, com Marina no páreo, de novo Ciro ficou na frente com 21%, seguido por Dilma com 19% e Heloisa Helena com 17%. Aécio Neves com 15% só superou a estreante Marina Silva e seus 3%. Ainda em um último em que Serra voltou para o jogo, o governador paulista bateu no teto e o governador mineiro no piso: Serra, ficou com 32%; Dilma com 16%; Ciro, 14%, Heloisa Helena, 12% e Aécio, mais uma vez, comeu poeira com 10%. Ou seja, contra Serra, no mesmo PSDB, os números mostraram que Aécio continuou carta fora do baralho.

Sobre Lula, bom... Lula seguiu em alta: 67% contra 69 da última pesquisa e ainda muito perto de seu recorde de 70%. A empacada de Dilma, portanto, não foi culpa dele. Isto significa que, ao que deu a entender a pesquisa, Dilma, suas alianças e suas estratégias terão que mostrar força própria daqui prá frente. Nesse caso, a permanência do Ciro Gomes no páreo, com seu enorme apetite em bater em Serra, poderá ser mais vantajosa do que sua saída, com a inevitável antecipação do segundo turno Serra versus Dilma.

Anacrônico...

Kennedy Alencar, em seu blog no dia 09/08/2009:

"(...)

Não se ouviu nos últimos tempos uma ideia inovadora do governador de Minas. O jovem Aécio é um retrato do político tradicional. O PSDB liga Lula a Sarney na crise do Senado, mas o tucano mineiro trabalha nos bastidores a favor do presidente do Senado.

Em Belo Horizonte, Aécio decidiu criar um grande centro administrativo. É uma tentativa anacrônica de invocar JK contratando um projeto de Oscar Niemeyer para concentrar num só lugar o governo de Minas e suas secretarias. No mundo inteiro, busca-se revalorizar o centro das grandes cidades. O poder público tem papel fundamental nisso, mas Aécio preferiu fazer sua obra faraônica no caminho do ainda distante aeroporto de Confins. Os gastos reais estouraram a previsão.

(...)"

Encontro marcado

O Galo era líder. Não é mais. Estava no G4, com um pé na Libertadores. Não está mais. Aos poucos vem vindo ao nosso encontro, lá embaixo da tabela...

15 de ago de 2009

Woodstock, 40 anos

Joe Cocker – With a Little Help
The Who – My Generation
Santana – Soul Sacrifice
Jimmy Hendrix – Star Spangled Banner
Country Joe McDonald – Feel Like I’m Fixing to Die
Janis Joplin – Work me Lord
Richie Havens – Strawberry Fields Forever
Arlo Guthrie – Coming Into Los Angeles
Creedence Clearwater Revival – Born on the Bayou
Grateful Dead – Mama Tried
John Sebastian – Younger Generation
Sly & The Family Stone – I Want to Take You Higher
Canned Heat – Goin up the Country
Jefferson Airplane – White Rabbit
Crosby, Stills and Nash – Suite Judy Blues Eyes
Ten Years After – I´m Going Home

[Copiado do blog Páginas Heróicas Digitais de Jorge Santana]

Estômago

Tinha tudo pra ser mais um filme brasileiro cheio de estereótipos: rodoviária, ônibus, nordestino, putas, etc. etc. Mas 'Estômago', de Marcos Jorge, com João Miguel e Fabíula Nascimento, surpreende pela originalidade do roteiro, pela leveza e pelo suspense...

Woodstock, 40 anos

Apresentação de Joe Cocker no último dia do festival

Woodstock, 40 anos

Tempestade e lama. 400 mil pessoas. Engarrafamento. 'Paz e amor'. A era de Aquários. Jimi Hendrix, The Who, Janis Joplin, Joan Baez com seis meses de gravidez. Uma fazenda em Bethel (não Woodstock), NY. US$ 18 o ingresso ou uma pulada de cerca básica. 'Prazeres legais e ilegais'. Exaustão e fome. Nenhuma catástrofe...

Woodstock, 40 anos


14 de ago de 2009

Correndo atrás...

Ando sendo o pior da turma da caravana. Mas às vezes consigo chegar a tempo...

12 de ago de 2009

Pelé, Tostão e o ataque social mágico


Valor Econômico, 18/02/2009

Marcelo Neri

O presidente Lula disse que o Brasil está indo bem, apesar da crise, antes mesmo "de colocar Pelé em campo". Ou seja, reduzir a Selic e os spreads bancários que, como tudo que está no alto, podem cair. Agora, por que não colocar um outro mineiro em campo, ao lado do rei: o velho e bom Tostão, leia-se, mais transferência de renda transitória aos mais pobres que consomem boa parte dela. É ótimo para pobreza e é ótimo para demanda. Moeda que lubrifica economias primitivas, neutralizando em parte a contração do crédito das regiões modernas. Tostão joga bem sozinho, caindo pela esquerda, e ainda faz tabelinha com Pelé.

Na verdade, podemos elencar 11 instrumentos, ou amortecedores dos impactos da crise externa no Brasil. Nessa metáfora futebolística, a escalação dos 11 titulares da minha seleção brasileira de combate à crise seria: 1. reservas internacionais; 2. arrecadação fiscal (responsabilidade fiscal com alta carga tributária, exemplo: queda do IPI dos automóveis); 3. política monetária (taxa de juros básica, spreads bancários e depósitos compulsórios todos altos); 4. sistema financeiro (sistema bancário privado regulado e saneado (Proer) e bancos públicos saneados e estabelecidos (os países desenvolvidos começam a estatizar seus bancos); 5. economia ainda fechada; 6. exportador de comida; 7. boa demografia; 8. adaptabilidade do brasileiro à crise; 9. rede de proteção social operante (Bolsa Família: aumento na faixa de elegibilidade de R$ 17 per capita), salário mínimo (reajuste de 6,5% real no piso de aposentadoria em 2009), seguro-desemprego (passa de três a cinco meses para cinco a sete meses mais aumento do benefício impulsionado pelo mínimo); 10. mercado interno aquecido e 11. investimento público. O PAC melhora a logística econômica (ex: estradas) e social (saneamento básico), além de injetar demanda no sistema. Uma espécie de novo New Deal tupiniquim concebido quando a crise ainda não era anunciada.

Num país de 180 milhões de técnicos de futebol, travestidos na crise em técnicos de economia, escalação é polêmica. Durante crise econômica, ou futebolística, não há consenso em Brasília, Washington ou Caracas. É sempre arriscado discordar do presidente, o saudoso João Saldanha que o diga, mas o verdadeiro camisa 10 da seleção é o nosso mercado interno, fazendo dupla de área com o tal Tostão do Bolsa Família. Esta é a dupla de área que vai ao fim e ao cabo suprir a nossa demanda de gols. Sei que a escalação da economia fechada como cabeça de área gera dissenso, como nos idos da era Dunga, em 1990. É verdade ainda que as reservas internacionais são o nosso goleiro titular - tem hoje inúmeras reservas internacionais, desculpem o trocadilho, mas isto era antes algo impensável no Brasil. Porém mais do que trazer os inúmeros craques verde-amarelos que estão fora de campo, é preciso que os que estão lá joguem melhor. Em particular, podem atuar mais sintonizados com a crise em curso. Temos ainda de evitar o salto alto (lembre-se do fiasco da Copa de 1966, mesmo com Pelé e Garrincha).

Agora, é preciso acima de tudo adotar um esquema tático que favoreça o potencial do inegável conjunto de talentos brasileiros. Da mesma forma que há quase 10 anos criamos o tripé mágico na macroeconomia - metas de inflação, câmbio flutuante e responsabilidade fiscal -, que hoje constituem a base da nossa bem montada defesa macroeconômica. Houve revelações recentes de peso na área social, um verdadeiro ataque de Rs, a saber: Bolsa Família, o PAC e Ações de Acesso a Mercados dos Produtores Pobres. Na integração deste tripé com o da linha de defesa macroeconômica está a chave da vitória. O Brasil precisa de esquema tático que utilize todo nosso potencial. Antes de explicar o tripé social mágico, um parênteses: por que não incorporar a ele o "PAC educacional"? Resposta: além de evitar o termo "quadrado mágico", fracassado em 2006, o nosso foco aqui é o curto prazo da crise em curso. As ações de preservação dos estudantes dos choques estão no Bolsa Família e nas suas condicionalidades educacionais.

O Bolsa Família dá ao pobre, de certa forma, o acesso aos mercados consumidores, mas é preciso ir além e partir para o ataque social: dar o mercado aos mais pobres. Na emancipação dos beneficiários do Bolsa Família há a questão semântica: ao invés de "portas de saída" do programa, preferimos a abertura das "portas de entrada" dos pobres aos mercados. Os pobres não precisam ser protegidos dos mercados, mas precisam ser integrados a eles através de ações educacionais, de provisão de microcrédito, de microsseguro, de comercialização de produtos e serviços etc. Nesse aspecto, há alguns talentos esquecidos atuando nas áreas mais pobres do Brasil, em particular o Crediamigo do Banco do Nordeste, que acabou de ser escolhido pelo BID o melhor programa da América Latina no campo do microcrédito. Complementarmente defendo, desde a Copa de 2002, a colateralizacão das bolsas sociais. Convoca eles, presidente!

O trabalho de estratégias de acesso a mercados consumidores pelos pobres é embrionário no Brasil, mas é o nosso mais promissor craque do futuro, como foi Ronaldo em 1994 e Kaká em 2002. Nossas pesquisas mostram que, na visão dos pequenos produtores, o principal desafio já antes da crise era: falta de demanda. As políticas públicas olham os pequenos produtores de maneira muito passiva. Falta empoderá-los face aos mercados. Teremos de driblar bloqueios ideológicos que defendem a retranca social. Em particular, falta visão clara sobre dois pontos: I) nas mudanças no interior da economia, quem perde e quem ganha demanda, fruto da crise e das ações contra ela. II) faltam políticas que permitam aos próprios produtores pobres nichar sua demanda. Não só o que gera demanda, mas como a oferta encontra esta nova demanda. A injeção de demanda necessária é o ponto-chave da sociedade mundial hoje, mas estamos olhando a economia de maneira muito agregada, sem enxergar os detalhes dos grupos emergentes e dos que afundam, seja na descoberta de nichos de mercado, seja na ampliação de redes sociais aos perdedores (vide www.fgv.br/cps/crise). Em crise é preciso aproveitar melhor as parcas oportunidades disponíveis. O que vai dar mágica ao nosso time de craques é um esquema de jogo integrado da defesa econômica ao ataque social.

Marcelo Côrtes Neri , chefe do Centro de Políticas Sociais do IBRE/FGV e professor da EPGE/FGV

11 de ago de 2009

Hornby

Sei que ando excessivamente hornbyano. Entre um vôo de ida a Brasília e outro de volta e uma noite sem sono li o seu 'Alta Fidelidade'. Se você nunca leu esse cara e esse livro, leia!

10 de ago de 2009

De volta...


Depois de uma temporada fora do circuito, voltei à caravana do 'Sabor de Bar', neste sábado, no Quintal da Rosa...

Uma última palavra sobre o simpósio do MDS

Se você me perguntar o que mais me marcou no Simpósio do MDS eu acho que posso lhe responder com alguma segurança. E a minha resposta tem a ver com as circunstâncias. É que participei do simpósio depois de mais de 5 anos de ter ido para Brasília e de não ter mais, hoje, qualquer vínculo com o Ministério e estar, portanto, a uma distância regulamentar de tudo aquilo. Eu pude comparar, sem paixões, o que se passava ali com o que eu vivi há 5 anos e nos anos que se seguiram.

Em 2004 a conversa era outra. O Bolsa Família era um problema e o mundo era contra. O mundo ou a grande mídia e quem ela conseguiu influenciar. Foi uma avalanche de críticas a um programa emergente, que praticamente não havia incluído ainda ninguém novo, mas que vivia um intenso processo de inclusão por migração de cadastros pré-existentes, e que foi responsabilizado pelo que não havia feito: por focalização incorreta. No ano seguinte, o PBF continuava um problema e a crítica permanecia. Em 2006, o PBF começou a virar um caso de sucesso, a oposição já não era tão contra assim, mas exigia uma tal ‘porta de saída’. Ou exigia um prazo máximo de recebimento de benefícios pelos seus destinatários. Ou seja, a adoção de um programa mais consistente de transferência de renda no Brasil ainda parecia coisa de outro mundo e seguia envolvida em forte resistência, com qual argumento fosse. Fecha a cena.

Passados não mais do que 3 anos, abre-se outra cena. No simpósio, o quadro era rigorosamente outro. Para todo o mundo (literalmente) ali presente programas de transferência de renda não constituíam nenhuma novidade, todos os países tinham e têm algo parecido e o interesse era objetivo: avaliar resultados, avaliar o melhor desenho, o melhor desempenho gerencial, comparar opções. Qualquer consideração a mais era acessória à integral compreensão de que não apenas programas de transferência, mas ações de proteção social, de responsabilidade estatal, em sentido mais amplo, são necessárias e precisam continuar por um período longo para obter os resultados esperados: no caso brasileiro, reduzir o nível de desigualdade social a patamar civilizado.

Hoje, o Bolsa Família e o conjunto de programas do MDS são referências mundiais em combate à pobreza e à desigualdade. Têm números para mostrar. O MDS e o governo brasileiro tornaram-se interlocutores importantes sobre o tema, no cenário internacional. A principal marca do simpósio decorreu, prá mim, da inevitável comparação de 2009 com 2004. Apenas isso.

9 de ago de 2009

11 a 11

Eu me senti muito mal depois de postar o texto '12 a 9'. Quase voltei atrás e apaguei. Mas aí eu pensei: 'agora, Inês é morta'. É que depois de ler o que havia escrito, por mais razão que eu tivesse, achei que a coisa soava apenas como uma boa choradeira. Coisa de atleticano e não de cruzeirense. Prá que chorar se futebol é assim mesmo? Eu reclamaria se o juiz tivesse roubado escandalosamente para o meu time? ...

Tive uma outra recaída e nova vontade de deletar o diabo do post depois do jogo seguinte do Cruzeiro. Outro jogo, agora em casa, e, de novo, duas expulsões e uma derrota. Essa reincidência melou meus argumentos: que história tinha sido aquela de juiz ladrão se, bastou um jogo, a coisa se repetiu? Era melhor reconhecer: o time perdeu a Libertadores e a cabeça, tudo estava fora de controle. A seleção celeste que tinha tudo pra ser o melhor time do ano, estava, com apenas alguns dias, nem um mês depois, concorrendo ao de pior da temporada.

Como são as coisas, como é a vida e como é o futebol... Não apaguei o tal post, resolvi encarar o problema, fiz uma auto-crítica, pus a cabeça no lugar, sentei na frente da televisão e entrei em campo com outro espírito. Deu no que deu: Curitiba 1 x 3 Cruzeiro. Começamos a rodada no rebaixamento e terminamos em 14º. Tranquilo!

O Senado, a mídia... e nós

Eu acabo de ler o post 'O Senado e a mídia: o jogo do perde-perde' no blog do Luis Nassif e não tenho como não confessar certo mal estar. Tanto maior por ser o Nassif um cara muito confiável e muito sensato, de quem eu sou um leitor assíduo. Nassif não defende Sarney, mas coloca a questão do desgaste do Senado como acima dele e resultado da exploração da mídia. Ao final, depois de colocar todos os senadores - Simon, Virgílio e Álvaro Dias - no mesmo saco alagoano e maranhense, ele diz que "Enfim, virou um jogo de perde-perde. Justamente por isso, a partir desta semana, instaura-se a paz. O modelo tornou-se totalmente disfuncional, sem ganhadores. O próximo capítulo terá que ser o da reforma política."

Meus receios são três. O primeiro é de estarmos num mundo político em que ninguém é responsável por mais nada. Todas as ações individuais são desculpáveis pelos erros coletivos. Alguma coisa como: as pessoas fazem o que fazem não porque são ruins, mas porque o modelo é ruim e leva a isso.

O meu segundo receio é de ficarmos, nós cidadãos comuns, censurados na nossa opinião. Melhor, de nossa opinião ser sempre desqualificada por ser desinformada e manipulada pela mídia e pela disputa de poder que ela esconde. Ou seja, doravante, no máximo, vamos ser apenas dententores de visões ingênuas e incompletas dos fatos por não sabermos da 'verdade' que se passa nos bastidores. Qualquer juízo sobre sarneys, gilmares, renans e companhia é e será sempre tolo.

O terceiro é de estarmos condenados a acreditar em papai-noel como única forma de resgate de nossa abalizada opinião futura. Em outras palavras: se quisermos ter direito a alguma manifestação pessoal amanhã o jeito será torcer por mudanças no modelo político. Mudanças como a tal reforma política... que nunca virá! Como disse outro leitor de Nassif em um dos 128 comentários no blog: "E quem fará a reforma política? Renan ou Virgílio? Agripino ou Sarney? Collor ou Álvaro Dias? Heráclito ou Tasso? Marisa Serrano ou Kátia Abreu? Simon ou Mão Santa?".

O duro é ter que concordar com Luís Nassif. Infelizmente. Com ou sem receios.

Usucapião

O Amaro tem sido um leitor frequente desse blog. Ele fez um comentário, em uma das postagens abaixo, de matar de bom. Não pela referência que ele fez ao blog, mas pelo comentário em si, pelo que ele tem de extraordinário. Ele compara este blog a uma 'praça pública'. Eu diria que não é o espaço, mas são as pessoas, como Amaro, que conformam a praça... A seguir as palavras dele:

"Max Weber já defendia que a natureza dos políticos deveria ser dotada de duas personalidades, a pública e a privada (pessoal)... onde ambas fossem paralelamente conduzidas... Não tem como ser político sem deixar de ser pessoa, mas tem como adotar postura deixando de ser político.

Aqui vc realiza um pensamento que não é novo, mas que é a representação autêntica de um pensamento que deveria ser reproduzido. Já disse antes, aqui mesmo no seu blog, que vc havia construído um espaço virtual aconchegante, que simula perfeitamente um espaço real inexistente em Sete Lagoas: as praças públicas. É na praça que lemos o noticiário... que discutimos futebol... que observamos as modificações no comportamento social humano... que falamos de política... que congratulamos com o outro... etc...

O seu blog é para alguns (no qual me incluo) uma praça virtual no qual passamos algum tempo do dia... E como as praças, o seu blog, a muito, deixou de ser apenas um espaço seu...

DESPRIVATIZAMOS o seu espaço!"

A crise e os pobres

O habitual, em tempos de crise, é que os pobres paguem o preço. Sem ideologias, isso é o que as estatísticas dizem. No simpósio do MDS, números e números, tabelas e tabelas demonstraram coisas co-relacionadas. Um exemplo, como mencionado abaixo, a crise de 1980: o seu impacto sobre o capital se reverteu em 15 anos, o impacto social só uma década depois... Daí a surpresa com os resultados apontados pelo IPEA sobre a redução da pobreza metropolitana brasileira, durante a atual crise mundial.

Tostão

Marcelo Néri da Fundação Getúlio Vargas disse, no Simpósio Internacional, que, no atual governo, a macroeconomia é a defesa do time e as políticas sociais o ataque. O Bolsa Família não seria o centro-avante, o Pelé, mas quem dá o último passe, o Tostão. Talvez esteja exatamente aí, nessa metáfora, a diferença entre os governos Lula e FHC. Fala-se muito que um foi continuidade do outro, na economia. Se for verdade, a diferença é que Lula recuou a linha de ataque de FHC para a defesa e montou outro ataque mais agressivo. Como no futebol, um detalhe que faz toda diferença...

Desenvolvimento Social

Eu desertei da caravana do Sabor de Bar, dei um tempo no trabalho na secretaria e fui a Brasília participar do ‘Simpósio Internacional sobre Desenvolvimento Social’, organizado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Foram três dias de debates a partir de diferentes visões sobre políticas de proteção e promoção social, de diferentes experiências de combate à pobreza e à desigualdade ao redor do planeta e do confronto de opiniões sobre o papel dessas políticas igualitárias em momento de crise mundial.

O primeiro recado veio de Rebeca Grynspan (Diretora do PNUD para América Latina), na conferência inaugural: ‘não podemos transformar crises conjunturais em crises estruturais’. O exemplo foi a crise do início dos anos 1980. Se, então, do ponto de vista econômico, o PIB mundial só recuperou o patamar pré-crise, 15 anos depois; do ponto de vista social, os níveis de pobreza, que aumentaram progressivamente ao longo dos anos, só voltaram a se enquadrar nos padrões anteriores 25 anos depois, já em meados desta década. O risco é que a crise atual subtraia, exatamente, os ganhos sociais mundiais posteriores a 2005.

O presidente Lula, que prestigiou o evento na abertura e no encerramento, deu, na largada, o tom da conversa: ‘o que reduziu o impacto da crise no Brasil foram os investimentos do governo e o crescimento do mercado interno de consumo provocado pelo conjunto das políticas sociais’. Em resumo: o mercado que tudo regularia e bastaria, por si, desprezando a importância dos governos nacionais, transformados em ‘estados mínimos neoliberais’, nada regulou, não se bastou e viu, precisamente, na ação dos governos, mundo afora, o único socorro real.

Nos dois dias seguintes sucederam-se nos painéis ministros de estado brasileiros, representantes de organismos multilaterais (dentre eles, Flávio Comim do PNUD e Lais Abramo da OIT), representantes de governos estrangeiros e nomes da academia especializados no tema como Guy Standing, Armando Barrientos e William Cobbett do Reino Unido; Marcelo Néri, Paes de Barros, Raquel Rolnik (ONU), Francisco Menezes, Aldaísa Sposati e Márcio Pochmann do Brasil; Joan Subirats da Espanha; Fernando Filgueira do Uruguai (CEPAL); Harjit Annand e Santosh Mehrotra da Índia; Wiseman Magasela da África do Sul; Paungky Sumadi da Indonésia; Veronica Silva e Martin Hopenhayen (CEPAL) do Chile e Joakim Palme da Suécia. Defensores da renda mínima universal (um Bolsa-Família para todos, pobres e ricos), de um lado, e defensores da transferência de renda focalizada e condicionada, como adotada no Brasil, de outro. Exemplos de políticas pautadas por benefícios individuais e por estratégias comunitárias. Soluções de primeiro mundo e soluções de países em desenvolvimento. Um debate rico, diverso, múltiplo, mas com uma centralidade: a relevância de políticas estatais de combate à desigualdade e à pobreza, para o que o Brasil só se despertou tardiamente.

5 de ago de 2009

Na crise, 503 mil brasileiros saíram da pobreza

Do portal UAI, de hoje:

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) calculou que, apesar dos efeitos nocivos da crise mundial iniciada há um ano, 503 mil pessoas deixaram a condição de pobreza nas seis principais regiões metropolitanas do país. O levantamento do Ipea comparou o número de pobres existentes, no Brasil, antes e durante a crise financeira internacional.

De 2002 para cá, temos 4 milhões de pessoas a menos vivendo em condições de pobreza no conjunto dessas seis regiões. Na comparação do período atual com o período anterior à crise, verificamos que 503 mil pessoas saíram da pobreza”, disse o presidente do Ipea, Márcio Pochmann, no lançamento do estudo Desigualdade e Pobreza no Brasil Metropolitano Durante a Crise Internacional: Primeiros Resultados.

O estudo abrange as regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, do Rio de Janeiro, de São Paulo e Porto Alegre. Segundo Pochmann, parte da redução se deve às políticas nacionais que visaram proteger a base da pirâmide social.

“Houve uma série de decisões que ajudaram a criar uma rede de proteção social àqueles segmentos mais vulneráveis da população brasileira”, afirmou o presidente do Ipea. “Entre elas, houve a elevação do salário mínimo e a ampliação do programa Bolsa Família, que impediram que o Brasil aumentasse a pobreza, como havíamos observado em outros momentos de crise”, completou.

O estudo comparou o número de pobres entre outubro de 2007 e junho de 2008 com o do período entre outubro de 2008 e junho de 2009. Das 503 mil pessoas que saíram da condição de pobreza – cuja renda per capita da família é de meio salário mínimo –, quase 63% localizavam-se na região metropolitana de São Paulo.

2 de ago de 2009

Crise sem fim

A crise no Senado parece não ter fim. A expectativa de que o recesso parlamentar daria um refresco no assunto não se confirmou. A situação de Sarney é cada dia pior. A censura à imprensa - ao Estadão -, hoje, por decisão judicial, com proibição de publicação de gravações que envolveria o senador e seu filho em nepotismo, medidas secretas e coisas do gênero, relembrando os anos negros da ditadura, só aumentou o mal estar na véspera do retorno das atividades da Casa. A semana promete...

12 a 9

Sou daqueles que acha que jogo de futebol bom é jogo roubado. Melhor, meio roubado. O que nos põe, sempre, na mão do juíz. Na mão, não; no apito do cidadão. Mas para correr tudo bem, a favor ou contra, tem que ter um certo limite. Juiz que não aparece, que peca pela discrição, não ajuda; juiz que exagera descaradamente para um lado, é péssimo. Seu time merece ganhar ou perder um jogo com suspeita de favorecimento, mas nunca um 100% roubado.

O jogo de hoje no Olímpico foi um desses casos de excesso. Primeiro, o juiz expulsou um do Cruzeiro; o que, com ou sem razão, era razoável. Com 10, o Cruzeiro foi lá e marcou. Aí o cara se perdeu: expulsou mais um, deixou o time celeste com 9, poupou o Grêmio de cartões, validou gol impedido e... deu no que deu: construiu uma goleada. Miserável!

"A expulsão de Jonathan foi justa, mas a de Thiago Ribeiro não. Os cruzeirenses ficaram na bronca com Evandro Rogério Roman, que realmente não teve critérios iguais para as duas equipes, prejudicando os mineiros".
[Superesportes - Portal UAI]