31 de jul de 2009

Construindo governança e governabilidade

Os números orçamentários e financeiros de Sete Lagoas são de fato ruins. Olhando apenas os resultados do semestre, temos R$12 mi a menos de arrecadação no comparativo com 2008 e quase R$20 mi com relação à expectativa orçamentária da LOA-2009. Na projeção anual, um mínimo de R$ 10 mi de perda frente ao ano passado e um número entre 30 e 50 mi a menos que o esperado para 2009. Resumindo, o melhor cenário é visto pelo retrovisor: reproduzir os resultados de 2008.


Sobre estes dados, o jornal ‘O Tempo’ deu chamada de capa dramática: “Sete Lagoas está à beira da falência”. Esta não me parece ser a melhor avaliação. Há dificuldades concretas sim, mas não exatamente falência. Meu temor é que uma hiper-valorização de resultados fiscais deficitários remeta a uma hiper-valorização de uma agenda exclusiva de ajuste fiscal. Eu poria as coisas nos seguintes termos: a verdadeira falência sete-lagoana não está no desempenho da execução orçamentária, mas na baixa resolutividade dos serviços sociais básicos, especialmente os da saúde.

Qual a nossa agenda de governança? Precisamos construir um modelo mais estável tanto de gestão de finanças públicas, quanto de gestão social. Uma coisa e outra, ao mesmo tempo. Não dá pra importar os modelos externos que anteciparam o choque fiscal como pressuposto para posterior melhoria da prestação de serviços públicos sociais. A agenda municipal é outra. Mesmo porque a estabilidade fiscal depende do equilíbrio gerencial dos setores sociais. No curto prazo, acho que temos quatro linhas de ação estratégicas: melhoria de arrecadação imediata via cobrança estruturada da dívida ativa; reorganização focalizada da folha da saúde; manutenção de uma política de contenção geral de gastos e priorização de ações de governo (menos fragmentação, mais noção de conjunto). No médio prazo, precisamos ter uma regulação do arcabouço legal, de rotinas, de processos que desenhe um modelo de governança sustentável.

O outro lado da moeda é o da governabilidade. Precisamos compartilhar com a sociedade os desafios da administração municipal: quais os problemas e qual o norte do governo. O poder público não opera com milagres, mas faz escolhas e constrói soluções. É necessário que os sete-lagoanos entendam a lógica do processo: onde estamos e onde queremos chegar. A melhor oportunidade para isso estará, nos próximos dois meses, no debate público sobre o Plano Plurianual 2010-2013. Vamos em frente...

30 de jul de 2009

O secretário e o blogueiro

Já debatemos esse assunto aqui. Uns contra, outros a favor. Qual a liberdade de quem se mete na área pública em participar livremente de discussões em um blog? Defini alguns critérios: um deles, sinto-me livre para opiniões conceituais sobre rumos da gestão pública em Sete Lagoas; não me sinto à vontade para meter o bedelho em área alheia. Outro: blog é blog e é pessoal; blog não é órgão oficial. Mais um: discutir informações já tornadas públicas está no jogo; antecipar informações internas de governo está fora de cogitação. Um último: defender publicamente, em jornais, em ambientes públicos e aqui, naturalmente, minhas posições políticas faz parte; fugir da raia não faz.

Digo isso apenas para me auto-autorizar a trazer para dentro desse blog as informações que apresentei em entrevista coletiva e em entrevista para o jornal O Tempo, ontem; no programa do João Carlos da Rádio Cultura, hoje; e em entrevista com Edson Aquino, na terça passada. Em todas essas oportunidades, o mesmo foco: uma avaliação da conjuntura orçamentária e financeira sete-lagoana, um jogo de projeções e a direção do governo. Fica para o próximo post...

Sabor de bar

Ontem, fomos provar o 'EnCanto Mineiro' do Pablo do Aconchego. Hoje a caravana seguiu e eu fiquei prá trás: um descanso com a família na fazenda. Final de semana roseano em Cordisburgo...

O tempo é o senhor da razão...


28 de jul de 2009

Omeprazol

Ando acompanhando o desenrolar da política nacional e mineira com dois pés atrás. Só 2010 existe. Embora não haja verticalização, ela tende cada dia mais a existir de fato. Já há, por exemplo, uma deliberação do PT em priorizar a candidatura à presidência da Dilma e subordinar a ela todas as coligações regionais. Isto é verticalização. Não é mais uma política de alianças, como antes, que, de alguma forma, respeitava disputas locais. É decisão tipo top down e ponto. E o top dos top que decide e pronto é o presidente Lula. Sempre fui lulista de carteirinha, mas ando muito cabreiro. Os elogios de Lula a Sarney comparados com as críticas que ele fez, no passado, sobre o desastre do mesmo clã Sarney para o Maranhão chegam a ser constrangedores. Prefiro as críticas de antes aos elogios de hoje.

Não, não sou de todo ingênuo. Entendo perfeitamente bem a lógica da macro-política, para atingir objetivos estratégicos e sou capaz de, em parte, ter um consenso em alguns pontos. Especialmente quando leio Machiavel. No seu melhor sentido e não no que vulgarizam. Mas para quem ainda vê política com um idealismo um tanto utópico e démodé, esse vale-tudo, quando atinge determinado limite, começa a não fazer sentido algum. Prá mim, pelo menos. Respeitadas as lições da história, voltar ao osso das crenças passadas começa a ser tentador.

Tanto mais tentador quanto mais meu filho me propõe debates sobre o tema. Tomo a liberdade de perguntar ao presidente Lula: como defender o seu apoio a Sarney, com essa enxurrada de suspeições, enquanto meu filho lê poesias soviéticas do período revolucionário, assiste ‘Encouraçado Potemkin’ de Eisenstein e lê Noam Chomsky? Impossível, presidente! Vamos combinar, então, você cumpre o seu papel, eu o meu...

Olhando de soslaio o andar da carruagem, começo a temer o futuro: será que por conta dessa regra ‘superior’ de adesão total ao projeto Dilma, seremos obrigados a mais uma coligação em Minas com o PMDB na cabeça de chapa (Hélio Costa)? Ou seja, medidas as proporções, teremos uma repetição do vexame de 2006, com o apoio ao companheiro Newtão? Tendo nomes como Patrus e Pimentel, o PT corre o risco de ir sem candidato próprio? Como animará e fidelizará sua militância neste contexto? E Hélio Costa – que tem fama de boa largada e péssima chegada – vai disputar com chance de derrota para Anastasia? Inacreditável! Em resumo: pela nova ordem, Lula, que poderia ter dois palanques fortes com dois candidatos fortes, em Minas, correrá o risco de ter um só palanque, pela tradição, ladeira abaixo. Isto me deixa temeroso... Ando rezando a Deus para que a regra da convergência ampla, geral e irrestrita, não seja tão ampla, geral e irrestrita assim.

E que não me ironizem os tucanos que me lêem. No ninho tucano mineiro a coisa é igual ou pior. O imperador Aécio dá ordens. Nessa seara estão menos para Machiavel, e mais para o pensamento único de Joseph Stalin. Nenhum tucano sabe o que virá, mas tem certeza que será 100% a favor do que virá. E o enquadramento quando vier, virá de cabo a rabo, pois há sempre o projeto maior a justificar... Vejam um exemplo: na última pesquisa, o senador Azeredo mostrou que era o candidato mais competitivo da turma e que Anastasia era traço. E daí? Não se falou mais disso. Será Anastasia porque Aécio, do fundo de suas reflexões siberianas, quer. Cadê as críticas no jornal? Nenhuma. Tudo dominado. Aécio segue impávido, vento no rosto. Seus companheiros de jornada não serão menos polêmicos do que os sarneys do PT. Apenas lhe darão menos trabalho. É assim que é!

Ando evitando ler noticiários políticos ultimamente. Nenhum problema ideológico. Mas de estômago mesmo.

27 de jul de 2009

As pequenas empresas e a crise

A tese de que Sete Lagoas precisa ter uma estratégica de desenvolvimento de nano e pequenos negócios em torno das grandes empresas que tem atraído não é minha, mas é uma tese que me convence. Cidades com redes de empresas de menor porte têm demonstrado ter um colchão mais grosso para resistir à crise. Sobre isso vale a pena a leitura de matéria na Folha de hoje: Pequenas empresas resistem à crise, contratam e investem

No primeiro semestre de 2009, enquanto as médias e grandes empresas eliminaram 150 mil vagas, as micro e pequenas criaram 450 mil postos de trabalho, segundo dados do Ministério do Trabalho. A informação é de Samantha Lima, em matéria publicada na edição deste domingo da Folha.

(...)

Com esses dados, o saldo de vagas nas empresas menores em 2009 equivale a uma vez e meia o saldo total de postos formais no país no primeiro semestre, que ficou positivo em 300 mil.
Empresários e especialistas ouvidos pela Folha concordam que pequenas empresas não estão imunes à crise, mas sentiram menos os efeitos do que as de maior porte. Entre as explicações para o fenômeno estão o fato de as pequenas empresas estarem mais voltadas ao mercado interno, a estrutura já enxuta --o que impediu que fizessem demissões-- e o próprio aumento do número de pequenos negócios, que foram criados principalmente por quem foi demitido das grandes empresas.

Segundo o Sebrae-RJ, a expectativa de crescimento das pequenas empresas em 2009 era de 7%, e caiu para 3% após a crise. Ainda assim, é o triplo do que o governo federal estima para o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro para este ano. O desempenho seria influenciado, entre outros, pela entrada em vigor, no início deste mês, da lei do microempresário individual.

Recarregando as baterias...

Há semanas, eu tenho trabalhado de segunda a segunda. De manhã, à tarde e à noite. E, mais recentemente, cometi o desvario de, ainda, acompanhar a caravana do 'Sabor de Bar'. Ou seja, 24 horas no ar...

Este fim de semana, tirei para fazer a única coisa realmente razoável para qualquer pessoa: ficar à toa. Fugi da ida ao 'Skina Bar' em Sete Lagoas e passei o sábado lendo 'O Tigre Branco' que eu havia iniciado. Ler é a coisa mais apropriada para uma temporada no estaleiro. Este livro do Adiga foi uma benção. A melhor referência a ele não é o humor, o sarcasmo, a crueldade, mas, acima de tudo isto, o fato de ser 'desconcertante'.

No domingo, fiz a segunda melhor coisa que se pode fazer no estaleiro: assisitir a todos os programas esportivos possíveis e imagináveis: a F1, o jogo do seu time, o jogo do time do adversário, o jogo de volei e a pelada entre não sei que time contra uma equipe desconhecida. Descanso total.

Prá variar, entre a F1 e o volei, dei uma caminhada com a família no Parque das Mangabeiras, coisa que eu não fazia há décadas... Impressionante a beleza do parque e a tranquilidade da vista da serra tão dentro de Belo Horizonte


26 de jul de 2009

O esporte no fim de semana

O final de semana foi marcado pelas imagens angustiantes do acidente com Felipe Massa. Menos do que o acidente em si, as imagens do socorro com Massa escondido por lençóis, a expectativa, o suspense foram prá lá de ruins, sobretudo, porque lembraram as imagens de 15 anos atrás de Airton Senna. Mas, com certeza, os desfechos serão diferentes...

A corrida, pela manhã, foi inesperada. Já se tinha a impensável pole de Alonso com sua Renault, no sábado. No domingo, as Brawn GP saíram de cena e entraram – quem diria... – a Mclaren de Hamilton e a Ferrari de Raikkonen. Ainda assim, a Red Bull continuou dando pistas de ser a bola da vez, com o 3° lugar de Webber. Nas últimas 4 corridas fez o dobro de pontos da Brawn: 56 a 28. Webber (e não o badalado Vettel) foi quem avançou na caça de Button.

A boa notícia foi a vitória do vôlei masculino na Liga Mundial. A ótima notícia, a derrota do Atlético para o Goiás, em casa. O começo da decadência... A média, o empate da equipe celeste com o Fluminense no Maracanã. Um ponto fora é vitória, mas dava prá trazer 3.

25 de jul de 2009

No criado mudo

O que nos salva são os amigos. Na hora de colocar livros no criado mudo, então, a sugestão de um ou outro dá de dez nas nossas tolas escolhas pessoais. Prova disto são os dois livros que ganhei do amigo Chico. Estou no meio do primeiro deles: fantástico! Sou obrigado a compartilhar a indicação: 'O Tigre Branco' de Aravind Adiga. Por favor, não se poupem desse prazer. O outro é 'Alta Fidelidade' do mesmo Nick Hornby de quem já falei aqui um sem-número de vezes. A conferir.

A caravana segue...

22 de jul de 2009

Saudações

Investimento social

A minha relação com o ministro Patrus Ananias vai além da amizade pessoal. Me orgulho por ter sido seu chefe de gabinete, não por essa razão, mas por me filiar ideologicamente ao projeto que o ministro lidera: crescimento com justiça social, sem meias palavras.

Está no ar, no blog do Luís Nassif, um artigo do ministro, seguido por diversos comentários de leitores. Sugiro aos meus amigos que dêem um pulo lá [clique aqui] e leiam, inclusive, os comentários. O artigo está reproduzido abaixo:

A crise financeira que partiu dos países mais ricos em direção ao resto do mundo está dividindo os ônus com todos os outros países. O Brasil, claro, não está completamente imune, embora esteja muito menos vulnerável e coloca-se hoje entre os países com melhores condições de reagir e promover uma retomada de crescimento consistente. Isso é uma comprovação da acertada orientação da política econômica do governo Lula. Mas é também uma demonstração objetiva de que as políticas sociais podem blindar as economias.

Elas protegem os mais desfavorecidos dos efeitos da crise, com o propósito de procurar atacar os desequilíbrios do mercado; elas protegem o poder de compra dos mais pobres, mantendo aquecido o mercado interno, o que ajuda diretamente as pequenas economias, barrando o ciclo da crise.

Um estudo realizado pelo economista Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas, e publicado recentemente, mostra a crise atingindo principalmente os mais ricos: entre janeiro e abril deste ano, houve uma queda de 8,7% na renda média individual das pessoas das classes A e B nas seis principais regiões metropolitanas comparado com o mesmo período do ano passado. Influência da crise global, que atingiu principalmente setores que estão, direta ou indiretamente, ligados ao desempenho do mercado externo.

Por outro lado, no mesmo período, a renda média das pessoas de classe C cresceu 3,9%. A mesma parcela da população que em janeiro deste ano havia perdido para as classes D e E 11% de todo o crescimento que experimentou no governo do presidente Lula. Ou seja, foram muito menos afetados pela crise e estão com elevada capacidade de reação.

Qual o papel das políticas sociais nesse quadro? De que maneira elas contribuem para que o país se mantenha em condições de responder satisfatoriamente, mesmo em situações críticas? Entre os dias 5 e 7 de agosto, promoveremos, em Brasília, o Simpósio Internacional sobre Desenvolvimento Social onde essas e outras perguntas estarão em pauta. Estarão reunidos estudiosos, pesquisadores e representantes de vários países, debatendo modelos e políticas públicas voltadas para o desenvolvimento social postas em prática em países da Europa, África, América Latina e Ásia.

Os resultados que estamos alcançando com as políticas sociais no Brasil colocam nossa experiência em evidência. Temos firmado acordos de cooperação com países da América Latina, da África e do Leste Europeu, inclusive com apoio de instituições internacionais de fomento, como o Banco Mundial. Mas temos muito a aprender. Entramos no debate com a perspectiva de promover a troca que enriquece nossa possibilidade de análise e de planejamento.

O exemplo do que vem acontecendo com a classe C exemplifica o poder das políticas sociais. Afinal é um segmento que vem crescendo justamente a partir do efeito dessas políticas. Ao mesmo tempo, é interessante perguntar: para onde vai o dinheiro dessas pessoas? Onde eles estão empregando o dinheiro que estão gastando a mais.

Com base em pesquisas anteriores que avaliaram impacto de nossos programas sociais, podemos fazer algumas inferências sobre hábitos de consumo dessa parcela da população. Já foi comprovado que os beneficiários do Bolsa Família empregam a maior parte do dinheiro do benefício com alimentos. Logo em seguida vêm as despesas com material escolar, roupa, material de construção para pequenas reformas. Um estudo do Ibase mostrou que esses mesmos beneficiários estão também tendo acesso a crédito e, com isso, comprando bens duráveis, principalmente geladeira e fogão.

O dinheiro dos mais pobres é gasto por aqui mesmo, alimenta o comércio local, gera oportunidades de negócio e, consequentemente, de trabalho e renda. É um dinheiro que dinamiza as economias locais, promove o desenvolvimento econômico. Mas também há algo que ainda não temos como medir com pesquisas, mas que podemos perceber conversando com as pessoas. Em uma publicação feita pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome uma reportagem mostrou a história de uma beneficiária que, com a ajuda do Bolsa Família, está conseguindo manter as três filhas em cursos de informática e inglês. As pessoas usam os benefícios para melhorar de vida, para crescer, para avançar nos seus direitos e oportunidades. Assim, quebra aquele elo danoso que faz a pobreza passar de uma geração para outra.

O que nós queremos é que as oportunidades passem de uma geração para outra. E que continuem crescendo até que estejam acessíveis para todos e que todos cresçam junto com o país. Com as políticas sociais já provamos que é possível aliar desenvolvimento econômico com justiça social.

O Sabor de Bar segue imperdível


A árdua tarefa da caravana segue com todo gás, melhor, gás que nada, segue movida a cervejas geladíssimas e tira-gostos surpreendentes. Ontem foi a vez da 'francesinha' do Claudinho da Cabana do Peixe. Hoje vamos conferir o 'cambito' do Nosso Bar. Haja saúde!

Gripe A pode custar até 4,8% do PIB global

Eu tenho a impressão que não nos demos conta ainda de todo estrago que a gripe suína nos causará. O Valor Online de hoje traz matéria que impressiona e alerta:

Uma pandemia da gripe A (suína) poderá trazer deflação e retardar por um ou dois anos a recuperaçao da economia do planeta. O Banco Mundial estima que o custo econômico poderá variar de 0,7% a 4,8% do PIB global, dependendo da gravidade da infecção. Na pior hipótese, 70% dos custos econômicos resultarão do absenteísmo e do esforço individual para evitar o avanço da doença. A consultoria britânica Oxford Economics estima que se 30% da população for atingida pelo vírus o PIB mundial cairá 3,8%, representando perda de US$ 2,5 trilhões.

Até o momento, os maiores custos econômicos da epidemia se concentraram no México, onde a renda do turismo caiu 43%. No Brasil, pequenos setores ganham mercado, como os de máscaras cirúrgicas e antissépticos.

19 de jul de 2009

O homem na Lua: 40 anos

Esta foto não faz justiça ao que realmente vimos naquela noite. Era 1969. Nós morávamos na praça da prefeitura, não onde minha mãe mora hoje, mas onde é a Alterosa Imóveis. Os televisores da época pareciam móveis e o nosso ficava em cima de um 'barzinho' pé palito. Coisa dos anos 60. O assunto era duplamente inacreditável: primeiro, porque meio mundo duvidava e colocava a história na conta de mais um efeito especial americano. Ou seja, propaganda enganosa, mania de superioridade, por aí... Segundo, porque a imagem exigia um enorme senso de criatividade e fé. Era preciso olhar sem piscar e acreditar nos mais velhos de que aquilo era aquilo. Na tela em preto e branco o que se via, de fato, era um mundo de chuviscos.

Jaime e Helena, meus avós, vieram para conferir junto conosco a odisséia. A reunião familiar deu mais solenidade ao caso. Para mim, isso reforçou a tese de que era tudo verdade porque meus avós e meus pais não iriam se meter numa fria dessas. O engraçado foi que, à época, havia uma intercambista americana rotaryana na casa de meus avós. Ela veio junto, mas se negou a ver o grande feito do país dela na tela cheia de mistérios da nossa TV. Acho que ela só veria e acreditaria se a imagem fosse absolutamente realista, nítida e a cores. Americanos não tem a mesma capacidade brasileira de interpretar e reconstruir a vida. O imaginário para eles não existe, só a realidade. Em qualquer arte, adoram o ultra-realismo. Defeito deles... Sei que, naquela noite, tomei uma birra daquela americana que cruzou nossas vidas nos anos 60 que acho que dura até hoje. Mocinha metida!

18 de jul de 2009

Sabor de Bar: não dá prá perder...


Começa hoje (sábado) e segue até o dia 16 de agosto a 5ª edição do Festival Sabor de Bar em Sete Lagoas. Além da cerveja gelada e do tira-gosto especial, o festival traz este ano como novidade o “Prêmio Cantores de Bar”, com objetivo de valorizar os profissionais da música que ganham a vida nos bares sete-lagoanos. Eu estou, orgulhosamente, na caravana que hoje visita o Simor’s Bar (av. Renato Azeredo, 1129 – Centro), a partir de 15 horas. Ainda esta semana, teremos a árdua tarefa de ir à Cabana do Peixe (dia 21), ao Nosso Bar (dia 22) e ao Pão com Bola (dia 23). Vida difícil!

A programação, os bares, os endereços, os tira-gostos e os cantores estão em http://www.sabordebar.com.br/index.html.

Quebra-cabeça da crise

Embora Sete Lagoas tenha tido uma reversão na queda de emprego, com a apresentação, em maio, do primeiro saldo positivo de contratações com carteira assinada, todas as análises econômicas continuam conservadoras com relação a superação efetiva da crise, a retomada de atividade econômica e a reversão do quadro de desemprego, antes de 2010. Especialmente sobre a siderurgia sete-lagoana, este tem sido o prognóstico de curto prazo.

Mas algumas notícias vão pondo peças num quebra-cabeça a ser montado. Duas de hoje, no Estadão Online:

Notícia 1:
De Adriana Fernandes e Fabio Graner, da Agência Estado: ‘Investimento estrangeiro dobra em fevereiro e soma US$ 1,9 bi’ - Ingresso de recursos vindos do exterior soma US$ 3,898 bilhões nos dois primeiros meses do ano, segundo o BC.

O ingresso de investimentos estrangeiros diretos (IED) no Brasil dobrou em fevereiro, na comparação com o mesmo mês de 2008, somando US$ 1,968 bilhão. O resultado é ligeiramente superior ao projetado pelo Banco Central no mês passado, que esperava um fluxo de IED de US$ 1,8 bilhão.

(...)

O chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes, destacou como importante o fato de a economia brasileira, a despeito da crise financeira internacional, continuar recebendo "fortes" ingressos de IED. Ele fez questão de ressaltar que o volume de IED registrado em fevereiro, de US$ 1,968 bilhão, é o maior para o mês desde 1999, quando o fluxo foi de US$ 4,62 bilhões.

Notícia 2:
De Fernando Nakagawa e Renata Veríssimo, também da Agência Estado: ‘Reservas brasileiras batem recorde e somam US$ 209,576 bi' - Volta de fluxo cambial positivo no País possibilita intervenções do BC no mercado cambial e aumenta reservas

As reservas internacionais brasileiras atingiram na quinta-feira, 16, um novo recorde histórico, totalizando US$ 209,576 bilhões, pelo conceito de liquidez internacional. O valor mais alto já atingido pelas reservas, até então, havia sido de US$ 209,386 bilhões, em 6 de outubro de 2008. O novo valor representa uma elevação de US$ 265 milhões em relação aos US$ 209,311 bilhões registrados na quarta.

17 de jul de 2009

A paixão é azul

Para economizar: a parada não está legal. Tentei pensar aqui uns argumentos para responder aos comentários feitos na minha última postagem, mas estou achando melhor esquecer. A turma atleticana, o Amaro, a Flávia não estão perdoando. Fazer o quê? Sabe de uma coisa? Eu acho que atleticanos têm mesmo é que comemorar e pegar no pé. Já imaginou se eles estivessem solidários? Eu lá quero solidariedade de atleticano? Vamos parar como isso: nós cá, eles lá. Isto não é festa beneficente, é futebol. E futebol é um time contra o outro e uma torcida prá lá de irritada com a outra. Sabidamente, os atleticanos têm o maior estoque mundial de fogos guardados em casa. Isso está no ‘Guinness World Records’. Todo ano eles compram fogos prá comemorar alguma coisa, um campeonato do gelo, quem sabe, e a coisa dá em nada e eles estocam. Têm que gastar e a hora é esta. Pronto. Direito deles. Quanto mais gastam fogos, quanto mais enchem minha caixa postal de mensagens, mais eu me transtorno. E é esse transtorno que me mantém um torcedor cruzeirense de futebol. [Vou avisando: estou usando a palavra transtorno por educação, já que as palavras mais apropriadas podem destruir a reputação deste blog]. Futebol prá mim é só paixão e ira. Técnica é detalhe. E é nisto que eu me ligo. Senão, ia torcer por Nadal ou Federer no tênis. Aquela coisa elegante: você gira a cabeça para um lado, depois para o outro, depois para o outro, depois para o outro, assim sucessivamente até dar no placar final que, desde que inventaram o tênis, é sempre o mesmo e você já sabia disso. Pura técnica. Tem base um jogo que não tem empate? Tem base um jogo que a torcida se cumprimenta no final? Que pára na hora da chuva? ‘Tô fora! Ou então eu torceria pelo basquete. Resultado normal: 102 a 94. Pensa bem, gente: c-e-n-t-o-e-d-o-i-s?! Isto é placar? Por isso que americano gosta de basquete: ninguém perde a carreira. Corre lá, dois, volta cá, três. Americano gosta disso. Eles não gostam de esporte, eles gostam de movimento, de velocidade. Futebol americano, aqueles gladiadores, aquela coisa que parece jogo de jaca na época do ginásio, aquela correria doida, aquele movimento insano: aquilo é esporte? Não é. Eu gosto de futebol porque parece com a vida: você tenta, tenta de novo, tenta outra vez e não dá em nada. Você é o melhor, mas o pior leva. Você treina, você contrata jogador, você ganha dez mata-mata, você acerta o time que é uma beleza e sabe no que dá: em nada. Você perde uma partida ganha e morre. Ponto: morre. E começa tudo de novo. Igualzinho a vida. E por isso, porque continuar apaixonado pelo futebol, por continuar um cruzeirense alucinado, atendendo às provocações atleticanas, já estou com ingressos comprados pra domingo: Cruzeiro e Corinthians, cadeira central, portão 7A. E seja o que Deus quiser. E Deus que se cuide...

16 de jul de 2009

[...]

G1.com.br

Eu gosto de futebol porque gosto de futebol. Na verdade, gosto exageradamente de futebol. Às vezes, eu penso que talvez gostasse menos se, por ajuda divina, soubesse tocar um instrumento. Eu penso: se eu tocasse violão, eu não gostaria tanto de futebol. O diabo é que sou uma nulidade em matéria de futebol tanto quanto em matéria de tocar violão. Em compensação, torço como ninguém e em fanatismo ando só. Vá lá: coisas da vida...

Tenho amigos que também dizem que gostam de futebol. Mas dizem que gostam do ‘bom’ futebol. Pode ser um jogo do Atlético, pode ser um jogo do Cruzeiro. Gostam do toque, da habilidade, do truque de gênio, do detalhe sofisticado. Confesso: eu não! Não gosto de futebol assim à distância. Não assisto nenhum jogo imparcialmente. Quando eu assisto uma pelada da terceira divisão, eu me pergunto: e como seria esse time se jogasse contra o Cruzeiro? É verdade: só isso me interessa. Eu vejo futebol com paixão. Tenho raiva, tenho ira, tenho alegria, tenho decepção. Mas não tenho razão.

Devo dizer: só torço pelo meu time. Para todos os outros, em qualquer situação: torço contra. Ponto! Para todas as usuais desculpas para torcer pelo adversário, eu só digo não. E não é um não ideológico. É um não normal. Um terminantemente não! Não porque não. Sou contra...

Para o Atlético, então, esquece...

Hoje, ao ver a derrota do Cruzeiro, de virada, na final da Libertadores, em pleno Mineirão lotado, não consigo ter explicações inteligentes. Mas tenho explicações sensatas: todas impublicáveis.

Agora o futuro: o time não levou nada, está na faixa de rebaixamento do Brasileirão e, com certeza, terá que formar nova equipe. Ramires, aquele que era volante-meia-atacante, o elemento surpresa, já não entrava mais em campo, não entrou hoje, e já está de malas prontas. Kléber, o enfant-terrible, aquele que era um gol e um cartão vermelho, aprendeu a se comportar e aproveitou a oportunidade. Veio de troco, hoje vale grana e não demora. É assim mesmo... Prá quase todos a Libertadores foi ótima, já para nós pobres torcedores...

[Agora, cá entre nós: o Aécio precisava convidar o pé-frio do José Serra prá assistir ao jogo? Desde quando paulista palmeirense torce prá time mineiro?]

15 de jul de 2009

XXI SEMANA ROSEANA

Associação dos Amigos do Museu Casa Guimarães Rosa, o Museu Casa Guimarães Rosa, a Superintendência de Museus e a Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais realizam, em parceria com Academia Cordisburguense de Letras Guimarães Rosa, a Câmara Municipal de Cordisburgo, a Prefeitura Municipal de Cordisburgo e a Via Social – Projetos Culturais e Sociais a XXI SEMANA ROSEANA, com o tema: A LOUCURA NA OBRA ROSEANA, de 29 de Julho a 01 de Agosto de 2009.

PROGRAMAÇÃO
Dia 29/07 – Quarta-feira
10h - Apresentação do Grupo de Contadores de Estórias Miguilim

Abertura da XXI Semana Roseana
Paulo Brant – Secretário de Estado de Cultura MG

11h – Apresentação e debate: Museu Casa Guimarães Rosa e Semana Roseana: novos rumos
Local: Galpão Vicentino

14h - Lançamento do Portal Grande Sertão
Apresentação da Banda de Música Vitalina Corrêa
Local: Museu

16h - Apresentação Teatral do Grupo Caminhos do Sertão
Local: Em frente ao Museu

Noite Cultural
19h - Desfile Temático sobre a obra de Guimarães Rosa
Grupo da Terceira Idade Estrelas do Sertão/Grupo Miguilim/Jovens da Comunidade
Apresentação de Danças
Local: Em frente ao Museu

Dia 30/07 – Quinta-feira
10h - Mesa Redonda: A Loucura na Obra Roseana
Drª Márcia Marques de Morais – PUC Minas
Leonardo Magalhães Gomes – Historiador/ BH MG
Drª Vima Lia Martim – FFCLH/USP/SP, diretora da CELP/USP

14h - Abertura de Exposição de Bordados
“De Danúbio ao São Francisco – Guimarães Rosa para todos”
Grupo Teia de Aranha – SP
Projeto e Curadoria: Beth Ziani
Local: Museu

Noite Cultural
19h30min - “O Riachinho Sirimim”
Narração: Grupo Miguilim
Dramaturgia e direção: Dôra Guimarães
Local: EE Mestre Candinho

21h - Apresentação Teatral do Grupo Caminhos do Sertão
Local: Em frente ao Museu

Dia 31/07 – Sexta-feira
10h - Conferência: “Museu e comunidade: novas perspectivas no campo museológico”
Mário Chagas – Unirio/RJ; Ibram
Local: Galpão Vicentino

16h - Lançamento de Livros:
Saudades de Rosa e Sertão – Fotografias
Autor: Germano Neto
Editora: Edusp

Um Pequeno Tratado de Brinquedos Para Meninos Quietos
Texto: Selma Maria e Anne Vidal
Ilustrações: Anne Vidal
Editora: Peirópolis
Local: Museu

18h - Solenidade na Academia Cordisburguense de Letras Guimarães Rosa
Encerramento do ano do Centenário de Nascimento do Patrono
Posse Acadêmica
Lançamento de Livro
Local: Academia de Letras

Noite Cultural
19h30min - “Dito e Miguilim
Narração: Grupo Miguilim
Dramaturgia e direção: Elisa Almeida
Local: EE Mestre Candinho

21h - Apresentação do Grupo Embaixadores da Lua – Vale do Jequitinhonha - MG
Local: Em frente ao Museu

Dia 01/08 – Sábado
Caminhada Eco-literária: “A Loucura na Obra Roseana”
7h - Café Sertanejo / Local: EE Mestre Candinho
8h - saída
Informações:
Brasinha – (31) 9266 3360 / Fábio – (31) 9288 3202/ José Maria - (31) 9267 4807
E-mail: caminhosdoser-tao@hotmail.com

19h - Entrega das Medalhas João Guimarães Rosa
Câmara Municipal de Cordisburgo
Local: EE Mestre Candinho

Noite Cultural
21h - Apresentação de Teatro de Bonecos “Operação Romeu + Julieta”
Grupo Casa Volante

22h - Show Maurício Tizumba/ BH MG
Local: Em frente ao Museu
Oficinas

29 e 30/07 - Oficina Memória Viva da Estação
Professora: Elizabeth Ziani - SP
Horário: 14h
Local: Museu Casa Guimarães Rosa
Público: Aposentados da Rede Ferroviária

30/07 - Oficina de Plantas Medicinais
Professor: Padre Carlos
Horário: 08h30min - Teoria

13:30h - Prática
Local: Órgão de Educação
Público: Comunidade e visitantes em geral

29 a 31/07 - Oficina de Leitura
Professora: Rosa Haruco – SP
Horário: 13h30 às 16h
Local: Associação de Amigos
Público: Acima de 12 anos

29 a 31/07 - Oficina de Xilogravura
Professoras: Vilma Rabelo, Beatriz Valdez e Maria Emília Moura – MG
Público: Acima de 12 anos
Turma 1 - Manhã (15 vagas)
Horário: 8h30min às 12:00h
Local: Órgão Municipal de Educação
Turma 2 – Tarde (15 vagas)
Horário: 13h30min às 16:30h
Local: Órgão Municipal de Educação

29 a 31/07 - Oficina de Bordados
Responsável: Grupo da Terceira Idade Estrelas do Sertão - MG
Horário: 13h às 16h
Local: Associação de Amigos do Museu
Público: Acima de 12 anos

29 a 31/07 - Oficina de Teatro
Professor: Gustavo Falabella Rocha
Horário: 13h às 1700h
Local: EE Mestre Candinho
Público: Grupo Miguilim – Iniciantes
Inscrições:
Associação de Amigos do Museu Tel (31) 3715 1929
Informações:
Museu Casa Guimarães Rosa Tel (31) 3715 1425
Associação de Amigos do Museu Tel (31) 3715 1929

Site:
www.cordisburgo.mg.gov.br

12 de jul de 2009

Tudo errado...


O domingo não andou nada bem para o esporte nacional. Na F1, a equipe Brawn GP decidiu confessar quem é o seu primeiro piloto. Prá não deixar dúvidas, aprontou com Rubinho que fez sua parte na largada. Errou no primeiro pit stop, aprontou no segundo e chamou Button antes de Barrichello no último. Resultado: pôs Button, que ia mal, na frente do brasileiro. A troco de 1 ponto para Button, empurrou Barrichello escada abaixo, para o 4º lugar na classificação geral. A única notícia boa foi Massa em 3º, atrás dos dois carros da Red Bull.

De quebra, no jogo-treino no Mineirão, os reservas e a meninada do Cruzeiro não deram conta do Atlético e tomaram de 3, com direito a vexame do goleiro Andrey, no último gol... O Galo assumiu a ponta e o Cruzeiro ficou na beira do rebaixamento.

Nada, entretanto, que mude o humor da quarta: 'Libertadores, campeão!'

4 de jul de 2009

Saindo da crise

Cresce número de contratações em Sete Lagoas

Pesquisa realizada pelas professoras e economistas do UNIFEMM Adriana Noce e Daniela Raposo aponta que Sete Lagoas, consoante aos resultados do federal e estadual, registrou a criação liquida de 211 vagas de emprego formal na economia municipal em maio, o que representa o primeiro mês de saldo positivo nas contratações via carteira assinada, após as continuas quedas do emprego formal registradas a partir de outubro de 2008 até abril deste ano.

Leia aqui a versão integral do estudo.

3 de jul de 2009

O papel de MG

Eu não tenho nenhuma identidade política com o ex-prefeito do Rio, César Maia, e seus factóides. No passado, já prestei mais atenção às suas análises políticas, que eram originais. Hoje, erra mais do que acerta...

César Maia mantém uma mala direta eletrônica intitulada 'Ex-Blog de César Maia'. Quem se inscreve, recebe mensagens diárias. Eu estou na lista. Nem sempre leio, mas às vezes um assunto interessante desperta a minha atenção. Hoje foi um desses casos.

CM faz uma análise curiosa sob o título 'A IMPORTÂNCIA DE MINAS GERAIS EM 2010!" Na conta dele, SP e o Nordeste têm, cada qual, 20% dos votos nacionais. A tendência é que se anulem, eleitoralmente. O Sul tem 15% e o NO-NE 10%. Isso dá certa vantagem à oposição a Lula. O Rio tem palanques demais e não consegue pender para lado nenhum. Sobra Minas. Na matemática cesarista, para onde MG for, vai o Brasil.

Lições de lá prá cá – Comentários

Os dois textos que postei abaixo (Lições de lá prá cá I e II) não foram escritos por arquitetos urbanistas, nem por gestores públicos, mas por um empresário e um jornalista. E todos dois trataram de assuntos urbanos com muita propriedade. Ambos olharam para a cidade de São Paulo e, em grande parte, para coisas que não nos dizem respeito. Mas, em certos momentos, fizeram referência a problemas - exponencialmente mais graves na capital paulista, é verdade -, mas com os quais convivemos também aqui em Sete Lagoas.

Odebrecht, ao falar do crescimento urbano por processo migratório, tratou da questão da degradação dos centros urbanos, da distância centro-periferia e da demanda resultante por transporte. Aponta dois rumos de solução: repovoamento das áreas centrais ou investimentos comerciais nos bairros que reduzam a relação de dependência deles com o centro urbano.

Novaes fez uma descrição do cenário metropolitano: falta de solução para população de baixa renda, irregularidade urbana de macro-investimentos, ineficácia de investimentos públicos, pressão sobre o meio-ambiente etc. etc. E encerrou, citando o professor José Souza Martins, sobre “ser grave que não se discutam macro-políticas urbanas - só projetos localizados que tratam de interesses localizados”.

O que me chama a atenção nesses dois artigos é a visão orgânica que seus autores têm de cidades. Isso entra naquela categoria: coisas óbvias com as quais concordamos, mas não levamos em conta na prática. Na prática, em SP ou Sete Lagoas, a tendência é procurar a solução de problemas, tal qual eles se apresentam. Um exemplo: a questão do trânsito. Quer-se uma solução sem que se alterem as variáveis do problema. Todos nós – do motorista particular que circula sozinho em seu carro ao lojista que precisa de carga-descarga na porta – queremos soluções que preservem nossos direitos. A visão global fica subordinada a visão pessoal-pontual.

A gravidade que os problemas urbanos vêm tomando sinaliza, entretanto, na direção de soluções mais heterodoxas. No atacado não há solução ortodoxa que dê conta e qualquer mediação é impagável. No fundo, ambos os artigos indicaram caminhos inversos: a intervenção passa pela reinterpretação do problema. Visão coletiva, macro-políticas, redimensionamento do fenômeno, abordagens múltiplas e não lineares...

Potência e controle

O comentário do Paulo do Boi na postagem 'Thriller', logo abaixo, é fantástico:

Puxa vida! Meus alunos de teatro, adolescentes do SERPAF, só falaram dele esta semana. Então, fizemos uma reflexão sobre a morte do ídolo. Os alunos chegaram a conclusão de que potência sem controle não vale nada...

Fechou o assunto...

Libertadores: e nós lá, na final...