20 de jun de 2009

Bandeira

Posso escolher um poema?
Um meio poema?
Eu recitaria apenas duas estrofes de Leminski:
“um homem com uma dor
é muito mais elegante”
Tão bom isso, não?
Minha dor na dor mais que admitida de um homem elegante!
Isso conforta, sabia?
Mais um poema?
Para não dizer de mim, eu lembraria Neruda:
“Saudade é quando o amor ainda não foi embora, mas a amada já”
Quer merda maior?
Dor e saudade...
Drummod deve ter pensado nisso quando perguntou:
“Como acordar sem sofrimento?”
e por misericórdia ele mesmo respondeu:
“Ninguém responde, a vida é pétrea”.
Ou seja, somos propriamente inanimados...
Quintana compadece:
“Cada pessoa pensa como pode...”
E detona logo os doloridos elegantes, saudosos e pétreos:
“Há noites que eu não posso dormir de remorso por tudo o que deixei de cometer”.
Remorso é dor...
Cometimento é arroubo.
Em resumo: a dor ou o arroubo.
Melhor: a elegância ou a saudade pétrea...
Melhor ainda: a elegância e a saudade pétrea.
Bandeira poria um fim nessa conversa fiada:
“Não quero saber de lirismo que não é libertação”...

Flávio - Bsb, 02/02/2007

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