30 de abr de 2009

Esse cara é muito chato...


Marco Aurélio de Mello não se emenda. Solitariamente, votou pela manutenção integral da Lei de Imprensa. É muito chato... Deus me livre!

Fim da Lei de Imprensa!!!

Entulho insepulto da ditatura militar, que permitia a de prisão para jornalistas, deixou, tardiamente, de existir, hoje. Dos 11 ministros do STF, apenas um votou pela manutenção da lei. Sete votaram pela sua revogação integral. Três pela parcial. Nem estes três souberam avaliar o momento simbólico do qual participavam, da queda desse instrumento de repressão. O voto dissonante não surpreendeu: Marco Aurélio Mello. A sua vaidade pessoal sobrepôe-se sempre a tudo e todos. Vai se tornando irrelavante. Gilmar Mendes, para variar, titubeou. Também não entendeu o dia e a hora. Os homens de bem sabem que, em determinados momentos, palavras são vãs; gestos são compulsórios: basta dedicar-se a ser apenas instrumento do tempo e da história.
O deputado Miro Teixeira, advogado do PDT, defendeu que nenhuma lei poderia influir no conteúdo da informação. “Requeiro que toda essa lei seja banida do mundo das leis, que desapareça a possibilidade de aplicar pena a jornalista sempre que houver causalidade com o direito do povo e que nós possamos ter um país onde o povo possa controlar o Estado e não onde o Estado possa controlar o povo como temos hoje”. Ponto final.

Reflexão

Este texto veio numa mensagem de amigos, sob o título de 'reflexão'. Consta que é de 'Mentor Muniz Neto, diretor de criação e sócio da Bullet,uma das maiores agências de propaganda do Brasil', sobre a crise mundial. Duríssimo!

"Vou fazer um slideshow virtual para você.
Está preparado?
É comum, você já viu essas imagens antes.
Quem sabe até já se acostumou com elas.
Começa com aquelas crianças famintas da África.
Aquelas com os ossos visíveis por baixo da pele.
Aquelas com moscas nos olhos.
Os slides se sucedem.
Êxodos de populações inteiras.
Gente faminta.
Gente pobre.
Gente sem futuro.
Durante décadas, vimos essas imagens.
No Discovery Channel, na National Geographic, nos concursos de foto.
Algumas viraram até objetos de arte, em livros de fotógrafos renomados.
São imagens de miséria que comovem.
São imagens que criam plataformas de governo.
Criam ONGs.
Criam entidades.
Criam movimentos sociais.
A miséria pelo mundo, seja em Uganda ou no Ceará, na Índia ou em Bogotá sensibiliza.
Ano após ano, discutiu-se o que fazer.
Anos de pressão para sensibilizar uma infinidade de líderes que se sucederam nas nações mais poderosas do planeta.
Dizem que 40 bilhões de dólares seriam necessários para resolver o problema da fome no mundo.
Resolver, capicce?
Extinguir.
Não haveria mais nenhum menininho terrivelmente magro e sem futuro, em nenhum canto do planeta.
Não sei como calcularam este número.
Mas digamos que esteja subestimado.
Digamos que seja o dobro.
Ou o triplo.
Com 120 bilhões o mundo seria um lugar mais justo.
Não houve passeata, discurso político ou filosófico ou foto que sensibilizasse.
Não houve documentário, ONG, lobby ou pressão que resolvesse.
Mas em uma semana, os mesmos líderes, as mesmas potências, tiraram da cartola 2,2 trilhões de dólares (700 bi nos EUA, 1,5 tri na Europa) para salvar da fome quem já estava de barriga cheia.

Bancos e investidores.
Como uma pessoa comentou, é uma pena que esse texto só esteja em blogs e não na mídia de massa, essa mesma que sabe muito bem dar tapa e afagar...
Se quiser, repasse, se não, o que importa?
"O nosso almoço tá garantido mesmo..."

Minas no olho do furacão

Portal UAI hoje:

"O aumento do desemprego, depois do estouro da crise financeira mundial, sacrifica mais as pequenas cidades do interior do país do que as regiões metropolitanas, alvo das principais pesquisas sobre o comportamento do mercado de trabalho (...), segundo estudo divulgado quarta-feira pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), vinculado ao Ministério do Planejamento. Entre os estados com economia diversificada, Minas Gerais foi o mais afetado com a dura situação do interior, que amargou queda de 5,3% dos empregos formais. Os dados têm como base o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego.

Só o Amazonas superou a proporção mineira na perda de postos de trabalho, com retração de 6%, mas trata-se de um estado em que predominam atividade econômica muito concentrada e população bem menor, portanto, detém participação bem menos expressiva que a mineira no mercado de trabalho, observou o coordenador do Grupo de Trabalho sobre Crise do Ipea, Milko Matijascic."
(...)

28 de abr de 2009

New Susan Boyle...

Matéria n'O Tempo dá conta de que na última sexta (24), Susan "foi fotografada com um novo visual: os cabelos grisalhos ganharam uma tintura chocolate, o vestido em tom pastel foi substituído por calça e jaqueta, e para completar o conjunto um cachecol tradicional estilo “xadrez Burberry”.

Continua a reportagem: "Desde a sua impressionante versâo de “I dreamed a dream”, do musical “Os miseráveis”, que deixou os juízes do concurso embasbacados, a vida da escocesa tem sido alvo de polêmicas na imprensa internacional. Primeiro, Boyle disse que nunca havia sido beijada e recebeu um convite para fazer um filme pornô".

"Depois, os jornais britânicos fomentaram um debate sobre padrões de beleza. O The Gardian publicou a frase “Susan Boyle é feia? Ou será que somos nós?”, discutindo o padrão hegemônico hoje no mundo".

"Agora, a opinião pública está discutindo se a cantora de Blackburn, Escócia ocidental, deve mudar seu estilo ou não. Um colunista do jornal “The Sun” disse que não era certo pintar o cabelo e deixá-la glamourosa, porque as pessoas deveriam se apaixonar pela verdadeira Susan. Em meio a polêmicas ou não, Susan Boyle continua surpreendendo a todos".

Mammas of Africa

Qual das mulheres de Zuma será a primeira-dama da África do Sul?
A matéria do Le Monde está no portal UOL:

Segundo a comitiva do próximo presidente - que será eleito dia 6 de maio pelo Parlamento - , a questão não está decidida. Polígamo assumido, Jacob Zuma tem pelo menos três mulheres que podem reivindicar o título honorário de "primeira-dama" da nação arco-íris. Nas monarquias do Golfo, o emir escolhe uma, ou não, e todo mundo fica contente. Em Pretória, a presidência gostaria de saber que nome colocar no escritório reservado à "Senhora Presidente". O dilema é grave, ironizam os jornais.

A tradição zulu, à qual Jacob Zuma sempre se disse "extremamente ligado", aceita a poligamia sem limite de cônjuges para os homens. Aceito na Constituição, o costume pede que seja a mais antiga esposa a herdar o cargo (...).

[Adendo, na verdade são 5 esposas: a esposa mais antiga, Sizakele Khumalo, é tímida e foge da imprensa; a segunda, Kate Mantsho, se suicidou em 2000; a terceira, Nkosazana Dlamini-Zuma, pediu o divórcio após alguns anos de vida em comum; a quarta mulher se chama Nompumelelo Ntuli, tem 33 anos (ele, 67). O casal se uniu em matrimônio no ano passado, segundo o costume tribal, ele, coberto com uma pele de leopardo, e ela, adornada com colares; e a última, uma certa Thobeka Mabhija, revelada pelo 'The Sunday Times', teria gosto 'por luxo e pompa'].

Aos que criticam seu gosto imoderado pelas mulheres, Jacob Zuma, que os humoristas apelidaram de "calças do amor", tem uma resposta pronta: "Muitos políticos por todo o mundo fingem ser monógamos, enquanto têm amantes e filhos não reconhecidos espalhados por aí. Eu prefiro ser honesto: amo todas as minhas mulheres e tenho orgulho de todos os meus filhos".

27 de abr de 2009

Susan Boyle - Britains Got Talent 2009

Competitiva...

A F1 continua com um nível de competitividade que, faz tempo, não se via. A Ferrari segue de mal a pior. 3 míseros pontos em 4 GPs. Massa, nenhum... A Mclaren, perto do início desastroso, até que evoluiu e já anda comemorando até 4° lugar (!). Quem diria?! Na ponta: Brawn GP, Red Bull e Toyota. Barrichello, prá variar, tem mil explicações sobre estratégias erradas, problemas de freios, blá, blá blá, para justificar a poeira que anda tomando do companheiro de equipe...

26 de abr de 2009

Fácil. Extremamente fácil...


Cruzeiro massacra o Atlético com placar de 5 a 0, inverte a vantagem e põe uma mão na taça...

22 de abr de 2009

A criança e a água do banho...

O Congresso Nacional não sai da mídia com a notícia da tal ‘farra’ das passagens. O portal UAI colocou no ar um ‘fórum’ e uma ‘enquete’ sobre o tema. O fórum propõe a seguinte questão aos internautas: ‘Deputados recebem, além do salário, verba extra (indenizatória) para arcar com gastos de alimentação e assessoria, entre outros. Qual a sua opinião?’ As manifestações mais comuns usaram expressões como ‘que vergonha!!!’, ‘uma vergonha nacional’ ou ‘pouca vergonha’. A enquete indaga: ‘O senador Cristovam Buarque sugeriu um plebiscito sobre o fim do Congresso. Você concorda com a proposta?’ O resultado parcial deu 86% de ‘sim’.

Eu gosto do Cristovam, mas essa manifestação dele me soou estarrecedora. Como se diz, a democracia é um péssimo sistema, mas é o melhor que existe. O que exatamente o senador está propondo? Fecha-se o Congresso e faz-se o quê?

Acho que o desabafo do senador vale apenas para por na pauta uma reflexão sobre a importância do Congresso. Nesse caso, se reafirmamos o papel fundamental do parlamento para a democracia, devemos partir desse pressuposto para discutir o que o ‘fórum’ do UAI, no fundo, questiona: quanto deve receber um deputado ou um senador?

Um parlamentar importante para o país deve receber, em minha opinião, o necessário para o desempenho de sua função pública, de forma plena. Sem hipocrisia: não importa se isso é caro ou barato. Um parlamentar patrimonialista, que só age no interesse próprio e com olho na próxima eleição, não merece nada. Imagino que o internauta do UAI, ao opinar, só enxergou esse parlamentar e deduziu que o Congresso é a soma de 513 deputados e 81 senadores exatamente iguais a ele.

Não faltam razões para essa dedução. Não só no Congresso, mas em assembléias legislativas e câmaras municipais, multiplicam-se denúncias sobre deputados e vereadores que fazem tudo por dinheiro: usam notas frias para comprovar despesas com verba indenizatória, capturam parte dos salários dos funcionários do gabinete etc. e tal...

Não tenho dúvida que a imprensa cumpre um papel importante ao denunciar. Mas se ela deixa a discussão na superfície, corre o risco de não contribuir para mudanças reais. Nas questões postas no ‘fórum’ e na ‘enquete’, por exemplo, o que se quer avaliar além do preconceito? Vai-se o escândalo, junto, desaparece a pressão por correções de rumo. Só permanece a erosão na imagem do parlamento. Aquela história de jogar fora a criança junto com a água do banho. Ou pior: jogar a criança e ficar com a água suja na bacia...

Newsweek

Lula constrói gigante regional único, diz 'Newsweek'

"O Brasil vem se transformando na última década em uma potência regional única, ao se tornar uma sólida democracia de livre mercado, uma rara ilha de estabilidade em uma região conturbada e governada pelo Estado de direito ao invés dos caprichos dos autocratas. A afirmação é feita em artigo publicado na última edição internacional da revista americana Newsweek.

'Contando com a cobertura da proteção de segurança americana, e um hemisfério sem nenhum inimigo crível, o Brasil tem ficado livre para utilizar sua vasta vantagem econômica de seu tamanho dentro da América do Sul para auxiliar, influenciar ou cooptar vizinhos, ao mesmo tempo conseguindo conter seu rival regional problemático, a Venezuela', afirma o artigo.

Segundo a revista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva 'preside uma superpotência astuta como nenhum outro gigante emergente'. O artigo foi publicado menos de um mês após Lula ter aparecido na capa da Newsweek, com uma entrevista exclusiva à revista após seu encontro com o presidente americano, Barack Obama, na Casa Branca".

21 de abr de 2009

Deus compensando a mudança climática...


Está no UOL Notícias de hoje:

O sol passa por um de seus períodos mais quietos por quase um século, praticamente sem manchas solares e emitindo poucas chamas. O sol normalmente passa por ciclos de atividade de 11 anos. Em seu pico, ele tem uma atmosfera efervescente que lança chamas e "pedaços" gasosos super quentes do tamanho de pequenos planetas. Depois deste pico, o astro normalmente passa por um período de calmaria. Esperava-se que o sol voltasse a esquentar no ano passado depois de uma temporada de calmaria. Mas em vez disso, a pressão do vento solar chegou ao seu nível mais baixo em 50 anos, as emissões radiológicas são as mais baixas dos últimos 55 anos e as atividades mais baixas de manchas solares dos últimos 100 anos.

Há uma controvérsia entre astrônomos: segundo uns, não há sinais de que ele esteja saindo deste período; segundo outros, ele vai entrar em um período normal de atividade em breve.

Mais polêmica: por um lado, sabendo-se que em meados do século 17, um período de calmaria - conhecido como Maunder Minimum - durou 70 anos, provocando uma "mini era do gelo", alguns especialistas sugerem que um esfriamento semelhante do sol poderia compensar os efeitos das mudanças climáticas. Por outro lado, como se sabe também que o nível fundamental do sol alcançou seu pico em 1985 e o que estamos vendo é uma continuação da tendência para baixo, que vem ocorrendo há cerca de duas décadas, outros entendidos acham que se o enfraquecimento do sol tivesse efeitos resfriadores, já teríamos visto isso a esta altura.

Design brasileiro II


Uma linha de móveis foi criada por dois universitários brasileiros da Universidade Federal do Paraná inspirada no clássico jogo “Tetris”. Em um concurso, eles desenvolveram peças modulares e coloridas usadas como prateleiras, balcões, camas, estantes, cômodas e criados-mudos destinadas a mobiliar casa de gamers.

Design brasileiro I

Poltrona DIZ de Sérgio Rodrigues

Em abril, o Salão do Móvel de Milão, maior evento de design do planeta, recebe caravanas de arquitetos e decoradores interessados em conferir de perto as tendências e os lançamentos dos mais badalados designers internacionais. A edição de 2009, marcada para iniciar no dia 22, reserva uma surpresa. Desta vez, são os designers brasileiros que prometem agitar a cidade. Em um evento Fuori Saloni, ao lado do Duomo, num palácio antigo, renomados designers cariocas expõem 50 peças. Entre eles estará o genial Sérgio Rodrigues.

20 de abr de 2009

Um estado que funcione...

Manchete da Folha desta segunda: ‘Lula gasta com pessoal o que poupa com juros’. Na matéria, a informação de que os R$ 40 bilhões economizados numa ponta, entre 2006 e 2009, foram aplicados na outra. Dados adicionais: além da folha de pessoal, as despesas de custeio aumentaram em R$ 26,7 bilhões e as de capital - os investimentos propriamente ditos - em ‘apenas’ R$ 14,7 bilhões. A crítica está aí: “Pouco foi feito para elevar os investimentos, necessários para permitir que o país cresça sem solavancos”, diz o texto.

No Estadão: ‘Ritmo do PAC não reflete o discurso de Lula’. “Presidente quer investimento público contra crise, mas até agora seu governo só gastou 28% do que podia”. Seguem dados sobre a lenta execução orçamentária no período 2007-2008 compilados pela CNI. Depois de números e números, vem a identificação do nó: “Ele [o especialista em contas públicas Raul Velloso] explica que o motivo de tanta lentidão está na estrutura ultrapassada da gestão pública”. Mais: “Há ainda questões como projetos executivos mal elaborados, que precisam de revisão no meio do caminho, além de falta de mão de obra qualificada para conduzir os projetos com eficiência. A soma de todos esses entraves resulta na morosidade da execução orçamentária, afirma o vice-presidente da CNI, José de Freitas Mascarenhas”. Mais ainda, diz a matéria: “A opinião é compartilhada pelo presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada (Sinicon), Luiz Fernando Santos Reis. Para ele, se o governo quer usar os investimentos de infraestrutura para combater os efeitos da crise, será necessário mudar a máquina pública”.

Ou seja, cotejando coisa e outra, vê-se que há algo de torto no mundo dos jornais paulistanos. Batem cabeça... Em resumo: a Folha diz que o governo gasta demais na máquina e que faltam recursos para investimentos; o Estadão, o inverso, que o governo não consegue gastar recursos existentes para investimentos porque a máquina pública está ultrapassada. Com quem está a razão?

Fato é que, ao final, a questão central não é tratada com a seriedade esperada: sem o fortalecimento da capacidade gerencial do Estado brasileiro o país não anda. [Entenda-se como Estado brasileiro os governos federal, estaduais e municipais e suas estruturas obsoletas, com raras exceções]. A propósito, em entrevista, nesta madrugada, concedida ao jornalista Kennedy Alencar no ‘É Notícia’ da Rede TV, o ex-ministro José Dirceu defendeu os gastos com valorização do servidor público e redimensionamento da máquina pública do governo Lula, esses que a Folha condena, em oposição aos excessos neoliberais do governo FHC e ao desmantelamento do poder central com a tese do estado mínimo.

Há um debate ideológico aí que precisa convergir para um consenso: não se trata de estado mínimo ou máximo, mas, no mínimo, de um estado que funcione. E é óbvio que para a construção deste estado há necessidade de inversão de recursos. A visão preconceituosa de que todo gasto em custeio e folha é, por definição, ruim não ajuda em nada. Diante dos números que traz, as reflexões que a Folha leva aos seus leitores deveriam outras: se o que o governo aplica na reorganização do estado é suficiente ou não e se o faz ou não com competência e na direção correta.

19 de abr de 2009

A Folha deste domingo traz entrevista com o arquiteto Paulo Mendes da Rocha concedida ao jornalista Mario Gioia (Cadermo Mais, 'Cidades Velhas'). Aos 80 anos, o arquiteto radicado em São Paulo está prestes de inaugurar seu primeiro projeto para sua cidade natal, Vitória do Espírito Santo (Cais das Artes). A seguir, um trecho sobre o programa habitacional do governo e sua conexão com o ambiente urbano:

Minha Casa, Minha Vida
De maneira geral, todos os chamados planos habitacionais são erráticos porque não amparam a questão essencial da moradia, que é o endereço.
Habitação tem de ser junto do transporte público, nas áreas mais centrais, onde o acesso ao trabalho é fácil.
A grande questão da habitação é a construção da cidade.
Se você considerar uma cidade como as nossas, com mais de 5 milhões de habitantes, não pode fazê-la inteira pensando em palácios, museus, teatros.
Isso são adereços indispensáveis à cidade. Mas ela é feita de milhões de casas, que têm de saber conviver com o comércio, com acesso à saúde, à educação, ao transporte público.
Portanto, é um problema muito mais complexo do que simplesmente fazer um determinado número de casas, no caso 1 milhão.
Esse contrassenso de se afastar das áreas centrais é até explicável pela ideologia das classes mais ricas.
Mas a cidade bem feita é sempre um espaço democrático. Isso apavora esse pessoal que gosta de morar afastado.
Não percebem que, com isso, destroem a sua própria cidade, a sua própria moradia.
Eu não sei como é que se faz para educar os filhos na adolescência em condomínios fechados. Estão produzindo monstrengos.

19 de abril

Foto de Alex Almeida no UOL: Curumin da etnia dos Caiapós, Pará.

América


Quem diria? Gestos de boa vontade política andam sendo suficientes para desmanchar tensões que pareciam insuperáveis. O novo posicionamento americano na Cúpula das Américas foi um sinal nessa direção. O até há pouco impensável encontro entre Chávez e Obama aconteceu de forma surpreendentemente amistosa. Com direito a sorrisos, apertos de mãos e presente 'com afeto'. De pronto, o primeiro efeito: Chávez indicou, no dia seguinte, o seu novo embaixador em Washington, cargo que estava vago desde setembro.

Lula interveio positivamente na história propondo uma visita de Hillary Clinton à Venezuela e também à Bolívia e um diálogo direto EUA e Cuba para superação do embargo econômico, que ele tratou como uma 'anomalia' no continente.

Durante a semana, o presidente norte-americano já havia suspendido restrições a viagens de cubano-americanos e a transferências de pagamento a Cuba. Se Cuba reagir bem, quem sabe as coisas mudam?! Esse assunto já ficou velho e anacrônico. Está mais do que na hora...

1600

Um protesto ambiental ontem, outro hoje. Na Piazza del Popolo, em Roma/Itália, a WWF colocou 1600 bonecos simbolizando os últimos pandas existentes no planeta. Os pandas já passaram por Nantes, Lyon e Paris...

Vettel

Show de pilotagem de Vettel, sob chuva, na China. A Red Bull acabou com a hegemonia da Brawn GP, com os dois primeiros lugares. A Brawn, de todo jeito, não fez feio: levou as duas posições seguintes. Na disputa interna, de novo, Rubinho ficou atrás de Button. Massa tinha tudo para ir ao pódio. Ganhou dez posições, chegou a ficar em terceiro, mas encostou com motor apagado por pane elétrica. A propósito, a Ferrari vai vivendo o seu calvário: três corridas sem pontuar. Pior resultado desde 1981. Nelsinho, prá variar, vai pondo seu posto em risco. Desse jeito não chega ao final da temporada na Renault.
O resultado de Xangai:
1. S. Vettel (ALE) Red Bull - 56 voltas
2. M. Webber (AUS) Red Bull - a 10s9
3. J. Button (GBR) Brawn GP - a 44s9
4. R. Barrichello (BRA) Brawn GP - a 1min03s7
5. H. Kovalainen (FIN) McLaren - a 1min05s1
6. L. Hamilton (GBR) McLaren - a 1min11s8
7. T. Glock (ALE) Toyota - a 1min14s4
8. S. Buemi (SUI) Toro Rosso - a 1min16s4
9. F. Alonso (ESP) Renault - a 1min24s3
10. K. Raikkonen (FIN) Ferrari - a 1min31s7
11. S. Bourdais (FRA) Toro Rosso - a 1min34s1
12. N. Heidfeld (ALE) BMW - a 1min35s8
13. R. Kubica (POL) BMW - a 1 volta
14. G. Fisichella (ITA) Force India - a 1 volta
15. N. Rosberg (ALE) Williams - a 1 volta
16. N. Piquet (BRA) Renault - a 2 voltas
17. A. Sutil (ALE) Force India - a 6 voltas (acidente)
18. K. Nakajima (JAP) Williams - a 13 voltas (abandono)
19. F. Massa (BRA) Ferrari - a 36 voltas (problema mecânico)
20. J. Trulli (ITA) Toyota - a 36 voltas (acidente)

18 de abr de 2009

God!

Esta foto está no G1 (Foto AP). Retrata o protesto, hoje, na cidade alemã de Colônia, da ONG PETA, que defende o cuidado ético aos animais. Pintados com sangue falso, os participantes defendem a redução do consumo de carnes. Em palavras não se teria 10% do apelo da foto.

O desafio da China

Em post anterior eu comentei que Xangai seria a hora da verdade da Brawn GP. O grid de largada formado nesta madrugada deu sinal de reviravolta. Mesmo sem difusor, a Red Bull emplacou seus dois pilotos entre os três primeiros: Sebastian Vettel e Mark Webber. Entre eles, o difusor provisório desenvolvido pela Renault colocou Fernando Alonso. Barrichello e Button da Brawn GP largam apenas na 4ª e 5ª posição. A boa notícia está aí: pela primeira vez no ano, o brasileiro superou o seu companheiro inglês.

17 de abr de 2009

Hobsbawn: estamos livres para voltar à economia mista, do trabalhismo


O site Conversa Afiada reproduz artigo do historiador marxista Eric Hobsbawm, extraído da Carta Maior e do Guardian.

Socialismo fracassou, capitalismo quebrou: o que vem a seguir?
A prova de uma política progressista não é privada, mas sim pública. A prioridade não é o aumento do lucro e do consumo, mas sim a ampliação das oportunidades e, como diz Amartya Sen, das capacidades de todos por meio da ação coletiva. Isso significa iniciativa pública não baseada na busca de lucro. Decisões públicas dirigidas a melhorias sociais coletivas com as quais todos sairiam ganhando. Esta é a base de uma política progressista, não a maximização do crescimento econômico e da riqueza pessoal. A análise é do historiador britânico Eric Hobsbawm.
[Leia artigo na íntegra]

Comida di Buteco


Em sua 10ª edição, o 'Comida de Buteco' começa nesta sexta e segue até o dia 24 de maio, com 41 butecos participantes. Veja a programação no site oficial.

Há saídas tangíveis?

Eu queria ser economista nesta hora para entender melhor todo o processo. Tudo que tenho lido e ouvido de bons economistas sobre a superação da crise circunscreve-se a medidas macro-econômicas. Em resumo: sem redução brutal da taxa básica de juros e sem flexibilização do superavit primário que gerem uma descompressão orçamentária, não haverá espaço para medidas anti-cíclicas.

A coisa fica centrada, na melhor hipótese, à seguinte equação: redução de juros e ampliação do 'estado de bem estar social', com maior investimento em políticas sociais em sentido amplo, incluindo aí saúde, habitação, saneamento etc. Nesse caso, as políticas sociais deixariam de ser vistas como um danoso aumento do 'gasto público', como preferem alguns, para serem entendidas, ao contrário, como sustentadoras do mercado interno e fomentadora da atividade econômica.

Nessa equação, realisticamente, como fica a questão do tempo? Na velocidade atual, imposta pelo BC, os juros não chegam tão cedo ao patamar adequado. Sem isso, a disponibilidade de recursos para ampliação da ação social do governo tem um limite que já parece dado. De mais a mais, tem-se ainda queda de arrecadação, pressão de municípios por um piso para o FPM, desonerações pontuais na economia etc. que amarram mais ainda o orçamento federal.

Neste contexto, quais as medidas possíveis, de ação imediata, podem interferir positivamente no caso concreto, na crise que já está na rua, marcada, sobretudo, pelo desemprego? A atuação sobre o FPM não é uma delas? Sabe-se que a maioria dos municípios vive do FPM, paga salários de servidores - inclusive de médicos, professores e assistentes sociais - com os recursos que ele aporta. Não seria uma forma bastante descentralizada, muito capilarizada de garantir empregos e manter as políticas sociais no nível local rodando?

E a tal aposta em micro, pequenos e médios negócios? Não seria uma estratégica adequada de diversificação econômica em um estado excessivamente centrado na produção de commodities minerais e agrícolas e que, nesse momento de crise externa, com redução de demanda e crédito, entra em parafuso? Essa conversa pode ter escala? Pode ter valor econômico ou é apenas assunto para velhos idealistas utópicos? Essa discussão sobre mudança de modelo em Minas, que vale especialmente para Sete Lagoas [leia aqui], é conversa prá boi dormir?

A desoneração setorial de tributos também é um assunto menor? O caso do IPI para automóveis não pode se reproduzir virtuosamente em outras atividades? [Tudo bem que o que alavancou o resultado não foi apenas o IPI reduzido, mas a demanda existente com crédito disponível. Mas a redução do IPI teve um papel precipitador ou não?...]. Em Minas, há algo a fazer no setor cafeeiro, siderúrgico e de produção de carnes, por exemplo, todos em crise? Ou são setores que só se resolverão com a recuperação, sabe-se lá quando - dos mercados externos? [Refiro-me a isso não apenas pelo lado business, mas pelo lado 'emprego'da coisa...].

16 de abr de 2009

Minas Combate a Crise III - um detalhe

Em post abaixo [clique aqui], comentamos: "De Belini [presidente da FIAT], o efeito da redução de IPI no recorde de vendas do setor e consequente aumento de arrecadação. Ou seja: o governo arrecadou mais sem IPI do que com [IPI]."

Esse cometário deve ser acrescido de outro, também da fala do presidente Cledorvino Belini, que repercutiu no Estado de Minas de hoje: "O grupo Fiat anunciou que vai contratar 742 trabalhadores este mês para empresas do conglomerado instaladas em Betim, na região metropolitana – são 548 vagas para a Fiat Automóveis, 153 para a FPT Powertrain Technologies e 41 na Comau. Do total, 340 vagas já foram preenchidas e as outras serão ocupadas nos próximos dias".

Ou seja, erraram aqueles que rejeitaram a política do Governo Federal de incentivo setorial contra a crise. No caso do IPI para automóveis o resultado foi acertadíssimo: não houve perda de arrecadação, houve manutenção de empregos e, melhor, está havendo expansão de postos de trabalho.

Vai que a moda pega: desempregados não faltam...

Está no G1, hoje: "Um químico desempregado foi preso na terça-feira (14), em Londres, por ter espirrado uma mistura de fezes e urina sobre comida, vinho e livros de criança em diversos estabelecimentos comerciais no Reino Unido. O argelino Sahnoun Daifallah, 42, cumprirá nove anos de prisão, após ser considerado culpado por contaminação.

Segundo as acusações, o homem colocava a mistura em um frasco de produto para matar erva daninhas. (...). Usando o sistema de spray, ele conseguia espalhar as fezes e urina por uma grande área, deixando um cheiro desagradável que causou milhares de dólares de prejuízo".

Brawn GP - a hora da verdade


Depois do sucesso do novo regulamento que trouxe de volta as ultrapassagens na F1 e a alternância de pilotos no pódio e depois de toda confusão nos bastidores com a nova proposta de pontuação do Ecclestone, a polêmica ética suscitada por Hamilton e pela McLaren, o horário maluco da corrida na Malásia e, sobretudo, a guerra de pode-não-pode dos difusores da Brawn GP, Toyota e Williams, a hora da verdade está com local e data marcada: na China, em Xangai, neste final de semana.

Superados esses contratempos, 7 outras equipes vêm também com seus difusores: BMW, Ferrari, Force India, McLaren, Red Bull, Renault e Toro Rosso. A vantagem de Button e Barrichello é prá valer? Ou a diferença estava mesmo e apenas nos difusores? A Ferrari vai dar conta do tempo perdido?

15 de abr de 2009

Crise - a agenda municipal é outra...

A discussão sobre a crise, aquela que preenche os grandes jornais e que ocupa analistas e articulistas importantes tem tido um viés estritamente econômico. Ela dá conta de uma explicação geral (crise global, sincronizada e desigual do ponto de vista regional e setorial), de uma avaliação padrão de impactos no Brasil (atingiu os setores exportadores, especialmente o metalúrgico) e um receituário uniforme (aceleração da queda de juros, redução dos gastos públicos correntes, ampliação de investimentos públicos e privados etc.). O seminário 'Minas Combate a Crise' foi exemplo disto. Muito pouco além disto...

Os municípios, entretanto, com pressão de pessoas à porta - diferentemente do Estado e da União -, com desemprego crescente e com arrecadação descrescente não tem ferramentas para reduzir juros e tem pouca margem para redução de gastos e melhoria de receitas. Tem pouca capacidade de investimento. Não está diante de uma questão simples. Sobre as receitas, só uma operação profundamente profissional tem chance de alterar o quadro. A tendência de curto prazo é de perda de FPM e ICMS que respondem pela maioria delas. Sobre as despesas, é fácil falar em redução de despesas correntes. Mas quando se lembra que duas das principais funções públicas municipais, duas das principais políticas públicas - a da educação e a da saúde - são executadas, eminentemente, através de contratação de pessoal - ou seja, despesas de custeio -, a coisa complica. Um labirinto...

Nos municípios, diferente das páginas dos jornais nacionais, as questões reais e substantivas estão em outro canal. Uma, emergente, é o impacto social da crise. Em Sete Lagoas, por exemplo, fala-se em mais de 4 mil desempregados na siderurgia. Número que pode chegar, de forma agregada, a 8 mil. Oito mil desempregados sem seguro-desemprego dentro de pouco tempo pode ser um barril de pólvora. Problemão! Outra, de fundo, é o modelo econômico. Um modelo concentrador e exportador, como o que caracteriza Sete Lagoas - insistindo no exemplo - é posto 100% em cheque nesta hora. Cadê o colchão de amortecimento, de micro, pequenas e médias empresas, para segurar a onda? Parada torta!

Essa é a agenda municipal, tomando-se Sete Lagoas como referência: numa ponta, buscar soluções emergenciais que dêem conta do problema social; na outra, reestruturar o modelo que faz a economia local rodar. A propósito, esclareço: não quero dizer medidas compensatórias num lado e estruturantes no outro. Não! Estou pensando em medidas econômicas estruturais de curto prazo, já, que esbocem uma nova economia, amanhã. Agora: apostas em incubação de nano negócios, em cooperativas de mão-de-obras pra obras do PAC, em economia solidária para pequenos e médios negócios, em soluções de micro-crédito associadas a assistência técnica para desenvolvimento de bons projetos e planos de negócios etc. Amanhã: encadeamento produtivo articulando a economia moderna de grandes empresas de capital externo (IVECO, AMBEV etc.) com a economia artesanal, nas palavras do velho Milton Santos, de capital local, compatível com a formação do capital humano atual.

Prá mais adiante, vale uma palavra sobre capacitação, qualificação, formação e educação. Fica para outro post...

Minas Combate a Crise II - um apanhado

Participei, ontem e hoje, do Seminário ‘Minas Combate a Crise’ promovido pela Assembléia Legislativa, pelo Governo do Estado e pelos Diários Associados. Como todo seminário, tempo perdido e tempo ganho; bons e maus momentos. Gente que vê a crise com muito pessimismo e gente que insiste em não ver crise alguma.

O presidente do BC Henrique Meirelles fez o para-casa: mostrou a estabilidade econômica brasileira, sua melhor condição relativa pra lidar com a crise e vislumbrou sinais de recuperação. “Soluções improvisadas e isolacionistas transformam crise externa de curto prazo em crise interna de longo prazo”.

Confesso que tive pouco interesse para as palestras sobre o panorama internacional. Paulo da Cunha da Tandem Global Partners focou o ambiente americano, o dito epicentro da crise. Preocupações com o padrão de desemprego e com o volume expressivo de recursos no sistema financeiro fora dos bancos tradicionais, nos fundos, na mão de investidores e em financeiras com baixa regulação. O presidente da Gávea Investimentos (leia-se Armínio Fraga) Amaury Bier deu a volta ao mundo, descartou qualquer recuperação em 2010 e não viu o que Meirelles via, ou seja, um melhor desempenho brasileiro no processo.

O ministro Luppi exalou otimismo e apostou em recuperação rápida. Passou do ponto... A professora Sulamis Dain da UERJ manteve um otimismo ponderado. Comentários bem acolhidos contra a ‘privatização de lucros e socialização de prejuízos’, endosso à política social como um diferencial para o país e à necessidade de relaxamento das restrições fiscais aos estados, pela União, que comprometem a capacidade deles de enfrentamento à crise.

Clélio Campolina do Parque Tecnológico de BH ressaltou o fato de a crise ter posto, abruptamente, o Estado na economia, após o domínio neo-liberal. Mas enfatizou o despreparo do Estado, que precisa retomar o planejamento ‘consistente’, associando medidas conjunturais e estruturais, se quiser dar conta do recado. Alguns pontos: manutenção do investimento, especialmente em infra-estrutura de transporte, ciência, tecnologia e inovação, repactuação federativa e reforma tributária, fortalecimento da base econômica. Na mesma mesa, Tadeu de Souza do DIEESE bateu e rebateu na mesma tecla: quem está pagando pela crise, até agora, são apenas os trabalhadores. E ponto! Não teve muito IBOPE... Marcos Coimbra, que não é do IBOPE mas da Vox, apresentou a pesquisa comentada aqui em outro post.

Na tarde final, uma mesa da pesada. Boa parte do PIB estadual: Gerdau (da Gerdau, of course), Belini (FIAT), Gilman (secretário da Agricultura), Barroso (do Desenvolvimento Econômico), Paulo Paiva (BDMG) e Brumer (USIMINAS). Tema: panorama setorial e superação da crise. Um rápido apanhado... De Gerdau, foco na consolidação da competitividade e na necessidade de aumento da capacidade de investimento público como resultado de uma melhoria de gestão. De Belini, o efeito da redução de IPI no recorde de vendas do setor e consequente aumento de arrecadação. Ou seja: o governo arrecadou mais sem IPI do que com. De Paulo Paiva, necessidade de medidas imediatas de contenção de juros, apesar das dificuldades, e de maior oferta de crédito, o que pode resultar, inclusive da desoneração da produção, de melhoria de gestão pública para um esforço de investimento, especialmente em infra-estrutura; e, claro, créditos anti-cíclicos (capital de giro para MIPME’s, por exemplo). De Brumer, o ‘olho na solução, não na crise’, a necessidade de quebrar paradigmas (por que não reduzir os juros em 4 pontos?), a ampliação de parcerias em infra-estrutura, a necessidade de planejamento de longo prazo, a redução de complexidade tributária, a maior exigência de sustentabilidade. Em síntese: muita convergência, divergências sutis.

Comentário final: pouquíssimas análises sobre os impactos sociais da crise. Menções muito genéricas sobre problemas mais prementes de desemprego, fim de seguro-desemprego, insustentabilidade familiar. Sobre os dramas reais do cidadão comum. Citações quase inaudíveis sobre fomento a micro e pequenas empresas... Isso não é assunto da economia? A alternativa será empurrar esse problema para a assistência social?

Minas Combate a Crise I - No stress


Pesquisa Vox Populi sobre a percepção da crise pelos mineiros, apresentada hoje no Seminário 'Minas Combate a Crise', mostra resultado curioso. 87% dos mineiros sabem da crise, 63% esperam que ela vai gerar aumento de desemprego e 50% acreditam que haverá retorno de inflação. Notícias, em tese, ruins... Ainda assim, 40% deles se dizem pouco preocupados e 19% não estão nem aí para o problema. Segundo o cientista político Marcos Coimbra, isso revela que “que as pessoas acreditam na sua capacidade de se virar” frente a períodos de incerteza. Alguma coisa como: esta não é a primeira, nem será a última crise. Sobrevivi às outras, sobreviverei a mais esta. Simples assim.

Dia Nacional de Conservação do Solo

Hoje é o Dia Nacional de Conservação do Solo. O Globo Rural de hoje trouxe reportagem sobre boas práticas relacionadas ao tema. Especialmente sobre incentivos governamentais que tem gerado bons resultados. Lembrei-me de experiência que conheci em Alagoas, no lançamento da Agência de Fomento do estado, no mês de março. Ao apresentar a experiência da Agência de Fomento da Amazônia, seu representante comprovou em que medida determinados financiamentos públicos acabam, pela forma como são aplicados, ocasionando impacto ambiental negativo. Citou, como exemplo, o PRONAF federal, que é o crédito mais barato no mercado, voltado para agricultores familiares. O financiamento produtivo pronafiano na Amazônia tem sido gerador de desmatamento, segundo ele. A agência de fomento local matou a charada: articulou o empréstimo com recursos reembolsáveis do PRONAF para plantio, com créditos acessórios para plantio de espécies nativas e ações ecológicas, como tratamento de dejetos (sacos plásticos, sobretudo) nas ocupações ribeirinhas. Estas boas práticas, se efetivadas, são bonificadas, reduzindo o valor total do débito tomado. Na mosca!

Um parêntese: sobre o Globo Rural, acho que devia ser obrigatório nas escolas. É uma raridade na televisão brasileira. Imperdível!

14 de abr de 2009

Lexotan

O governo destinará até R$ 1 bilhão para ajudar os municípios a enfrentarem a crise econômica mundial. A ajuda financeira será custeada pelo Tesouro Nacional. Por determinação de Lula, será feita de modo a garantir que todos os municípios recebam neste ano pelo menos o mesmo valor do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) liberado no ano passado. Em 2008, foram desembolsados R$ 51,3 bilhões do FPM, o maior valor da história.

“Os prefeitos pleiteavam um piso igual à média do FPM dos últimos três anos. O presidente quer manter o clima de investimentos no Brasil. Marcamos um golaço”, disse o ministro José Múcio Monteiro. Se fosse adotada a média, a ajuda seria inferior, já que o FPM em 2007 foi cerca de 20% menor do que o de 2008, segundo Bernardo. “O governo está dando às prefeituras a garantia do pico do FPM, a garantia do tempo das vacas gordas”, reforçou o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).

Se dependesse da equipe econômica, só os municípios cujas receitas dependem principalmente do FPM seriam socorridos. Lula, no entanto, determinou a ajuda geral e irrestrita. Outro meio bilhão só será repassado às prefeituras caso se repita a redução no repasse do FPM de maio a dezembro. O ministro do Planejamento apostou ontem que isso não ocorrerá. “As perdas serão muito fortemente localizadas até abril”, afirmou Bernardo.

13 de abr de 2009

Cascão


O corte de cabelo a la 'Cascão' de Ronaldo, na Copa de 2002, com todo mérito, encabeçou a lista dos penteados mais feios da história entre jogadores de futebol, elaborada pelo tablóide inglês The Sun. Na lista, publicada nesta segunda-feira, o fenomenal corte do Fenômeno deixou prá trás até mesmo a polêmica cabeleira do colombiano Valderrama.

Segundo "The Sun", Ronaldo arruinou todas as fotos da comemoração do título da seleção brasileira com seu cabelo.

Maradona

Aqui ao lado do meu escritório, tem um café super recomendável: Café com Tango. O nome vem do dono portenho Ricardo e da brasileira Malu. Um expresso sem defeito, uma carta de sanduíches originais para todos os gostos e sucos naturais. Tudo dentro de um espaço mínimo (não maior do que 2,5x5m) com um máximo de organização e o melhor astral. Uma dica: sanduíche de bifeburger na ciabata com tomate, alface e pimenta doce e um suco de frutas vermelhas. Vale a pena dar um pulo lá, antes das 7:00 da noite. Rua Marília de Dirceu, 151.


"El rey es Pele, pero Dios es argentino"

9 de abr de 2009

Spectrum


Vale a pena ver o blog português Spectrum em http://spectrum.weblog.com.pt.
Postagens rápidas, inteligentes e bem humoradas. A figura aí foi roubada de lá. É um adesivo que um grupo de amigos produziu, em Lisboa, para colar em carros sobre a calçada e sobre a faixa de pedestre. Civilidade pura!

Nova Berlim


San Isidro, a pequena cidade a 30 km ao norte de Buenos Aires, está copiando de Berlim o que não devia ser sequer lembrado: exatamente o muro. Para separar sua população rica da população pobre de San Fernando, o alcaide Gustavo Posse insiste na construção de um muro de mais de 1,5 km, sob o pretexto da insegurança: "No tenemos otra intención más que cuidar a nuestra gente".

"El muro es una involución. Estoy asombrada. En lugar de separar, hay que construir", reagiu a presidente argentina Cristina Fernández de Kirchner. E em conformidade com ela, o Ministério do Interior exigiu a suspensão da obra por considerá-la "una decisión incorrecta que atenta contra la democracia".

"Este anacrónico muro de Berlín es una ofensa discriminatoria que cercena el derecho del vecino a circular libremente, a acceder a la escuela y a los centros de salud (de uno y otrolado), y complica el tráfico", assinalou Gerardo Amieiro, alcaide do outro lado do muro, de San Fernando.

Aqui no país vizinho, a cada dia mais, avançamos na aceitação pacífica e incondicional dos condomínios fechados. Não mais condomínios em arredores urbanos, mas condomínios inseridos - ou melhor não inseridos: protegidos - na malha urbana, com seus indefectíveis muros e guaritas. Com a mesma cabeça do Sr. Posse, em nome da segurança, vamos pondo a perder o direito de ir e vir e a noção de democracia urbana. Vamos reforçando as desigualdades e diferenças sociais e extratificando o território em guetos de ricos e pobres.