30 de abr de 2008

Falácias modernas

A virtual coligação PT-PSDB para a prefeitura de BH transformou-se num daqueles assuntos sobre o qual é proibido divergir. Quem é contra é equivocado, 'faz política olhando pelo retrovisor', coisas do gênero. São esses os adjetivos que se lê na imprensa mineira. Ordem unida: pensamento único.

O tema merece uma discussão ideológica. Mas como ideologia virou papo cabeça, deixo de lado. Quero comentar os argumentos pragmáticos com que o assunto vem sendo bravamente defendido pelos modernos. O mais recorrente tem sido o partidário. Uma alegação: uma coligação histórica entre dois partidos social-democratas, os mais importantes do país, que se digladiam sem razão. Tudo com um tom de já-era-hora... Fosse verdade seria lindo. Por trás disso, entretanto, de lado a lado, vem as patetices. Os equivocados, por exemplo, alegam as diferenças partidárias. Que é isso, companheiro? Qual identidade havia entre o PT e Newtão? E qual há entre Quércia e todos os partidos – PT, DEM e PSDB - que o querem enlouquecidamente? De seu lado, os modernos falam em partidos, mas tomam o PSB, que é um partido até onde sei, e fazem-no depositário do arsenal de possíveis candidatos do governador que não é do PSB, mas do PSDB. Tem lógica partidária isso?

Outra alegação é regional: Minas unida contra os paulistas. O exemplo de Minas para o Brasil. Morro de vergonha desse provincianismo extemporâneo. Qual a modernidade disso?

Uma última é sobre a importância da boa relação entre prefeito e governador para o bem da cidade e do estado. Claro que isso é ótimo. Claro que a boa relação Aécio e Pimentel foi ótima para as duas administrações. Claro que eles merecem aplausos. Mas isso não é virtude, é obrigação. A política quer vender caro para a patuléia aquilo que é próprio dela. Ou deveria ser. Uma pergunta: como é que fica o resto do país?

Por correção intelectual, o fato real deveria ser posto sem tantos pretextos e justificativas: esta é uma coligação personalíssima e competentemente construída. Para subirem um degrau cada um, o prefeito e o governador sabem que têm adversários dentro dos próprios partidos, precisam de novos aliados e precisam limpar a praia. Normal... Arquitetaram essa aliança com prazo, tanto que o governador alistou seus candidatos no PSB a tempo. São profissionais. Do alto da popularidade que têm sabem que, juntos, elegem quem quiserem. As regras eleitorais para prefeitos favorecem quem tem tempo de televisão, portanto, quem tem mais apoio. O Márcio Lacerda pode vir a ser o melhor prefeito; hoje é um desconhecido. Se o governador tivesse filiado o poste em frente ao Palácio, também o elegeria...

Essa é a questão central pra mim: do ponto de vista prático, o prefeito de Belo Horizonte já está escolhido. É absolutamente desconhecido, até no mundo político, e permanecerá assim. A população que ratificará a escolha só saberá no que deu lá na frente. Como os paulistanos com Pitta ou os cariocas com Conde. À moda da velha república ou da ditadura, o prefeito da capital mineira está escolhido por um acordo de cavalheiros. Ao que se dá o nome de modernidade.

A coisa está de cabeça pra baixo... Isso é a política ou o fim da política? Para responder a essa dúvida, eu discordo até da idéia de que o que se tem é um erro de condução e que um acordo mais amplo, com um nome mais conhecido, como o da Gazolla, seria uma solução. Para mim a solução é a disputa democrática com um candidato do governador, outro do PT, o tal Márcio do PSB, a Jô do PC do B... A disputa é coisa boa: lutamos tanto para ter isso e vamos trocar por uma carteirada? Ainda que a disputa venha a mostrar o óbvio: a política anda tão personalista que ninguém sequer consegue ter um sucessor natural. Nem o prefeito, nem o governador, nem o presidente. Precisam maquinar acordos modernos...

27 de abr de 2008

Boemia, aqui me tens de regresso...

Inspiradíssimo pela vitória celeste nesse domingo, com toda humildade, resolvi reassumir esse poderoso blog. Volto à luta. Amigos, me aguardem...