31 de mar de 2007

PB

A jornalista Miriam Leitão entrevistou o economista Ricardo Paes de Barros em seu programa "Espaço Aberto", no canal Globonews. A conversa girou em torno do tema da desigualdade brasileira, que é a especialidade de PB. Em torno da queda da desigualdade entre 2001 e 2005 ("resultado fantástico"). Das razões dessa queda (estabilidade e aumento de acesso educacional nas últimas décadas, interiorização da atividade econômica, aumento do salário mínimo e o Bolsa Família). Dois trechos sobre o Bolsa Família:

Sobre o BF ser assistencialista...
"A frase mais importante sobre isso foi dita pelo meu amigo José Márcio Camargo. Ele lembrou que, quando o governo dá uma bolsa de mestrado e doutorado, ninguém acha que é assistencialismo. quando dá uma bolsa de estudo para uma criança pobre, vira assistencialismo (...)"

Sobre a focalização do BF...
"(...) O índice de erro de focalização do Bolsa Família é de 15 a 17%. O programa latino-americano mais famoso, o Oportunidades, do México, que já elegeu e reelegeu muita gente, tem um índice de erro de 20 a 22%. O Famílias em Ação, da Colômbia, é antigo e pior do que o nosso. Melhor que o do Brasil só o do Chile, que tem 20 anos [o BF tem 3...]. O cadastro único é um avanço extraordinário porque hoje o Brasil sabe o nome e endereço de 11 milhões de famílias extremamente pobres (...)"

Uniformização e controle

A coluna do Merval Pereira n'O Globo de hoje aborda a questão da padronização e uniformização dos biocombustíveis para que se transformem em commodity e possam disputar o mercado internacional. É uma visão inovadora que abre perspectivas salutares de mudança na produção, no caso, de etanol no Brasil.

A imprensa tem dado repercussão à polêmica que circunda o assunto, particularmente quanto aos problemas sócio-ambientais relacionados ao plantio exensivo da monocultura da cana-de-açúcar. Comentei sobre isso na última postagem... Proliferam artigos e reportagens sobre mortes por exaustão de trabalhadores na colheita da cana, sobre o impacto das queimadas utilizadas na colheita, sobre contaminação de águas, sobre risco de concorrência da lavoura de cana com a de alimentos e por aí afora. O fato é que o processo atual de produção tem problemas graves que que justificam algumas previsões negativas na hipótese do país se consolidar como liderança mundial do setor.

O processo de uniformização de biocombustíveis, comentado por Merval, que motivou parceria do Inmetro brasileiro com o NIST (o Inmetro americano), no âmbito do Programa Brasileiro de Certificação de Biocombustíveis, é alentador porque pode constituir-se num instrumento eficiente de combate às condições indesejáveis do ponto de vista sócio-ambiental presentes no modelo de produção atual, caso se torne compulsório pelo governo. Isso porque as exigências para certificação não se limitam aos aspectos técnicos do produto, às suas características fisico-químicas etc, mas incluem quesitos sócio-ambientais como não utilização de trabalho escravo, não utilização de trabalho infantil, respeito aos direitos trabalhistas, disponibilização de condições adequadas de trabalho e não utilização de áreas de florestas no plantio de cana e produção de etanol.

30 de mar de 2007

Firmeza no debate...

O encontro Lula-Bush do final de semana reforçou o tema do “etanol” nas páginas dos jornais. Com o tempo, o debate vai ganhando, graças a Deus, maior densidade. Se esse é um tema que veio para ficar, quanto antes os conflitos de posicionamento em torno dele se estabelecerem, melhor será.

Fidel voltou a cena política com um artigo no “Granma” batendo pesado no assunto. Alinhado com Chávez e o petróleo venezuelano, afirmou que a produção de álcool produzirá fome e provocará “a morte prematura de 3 bilhões” de pessoas. Culpa do Bush, claro! A National Geographic alertou que a “produção de etanol pode ser um desastre ecológico”. Sua matéria na internet registrou a polêmica que cerca a questão: “O programa de etanol baseado em cana-de-açúcar adotado pelo Brasil é ‘apropriado para reprodução em muitos países’, escreve José Goldemberg, secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, em uma análise sobre as perspectivas do biocombustível publicada pela revista Science. Mas a expansão descontrolada dos biocombustíveis no Brasil pode significar problemas para a floresta tropical da Amazônia e para o vasto ecossistema do Cerrado, dizem os ambientalistas”. Lula não se furtou: em artigo no Washington Post defendeu a parceria Brasil-EUA para produção de etanol e disse que o dilema entre biocombustíveis e meio ambiente é um “mito”. Contrapôs: “É um primeiro passo importante no sentido de comprometer nossos países a desenvolver fontes de energia limpas e renováveis (garantindo) a proteção ambiental".

A produção de etanol não é, por princípio, nem desastrosa, nem reabilitadora ambientalmente. Tudo vai depender do modelo a ser adotado, dos parâmetros sócio-ambientais fixados e do controle do processo. Esse desenho resultará do tensionamento que se estabelecer agora. Se esse debate não for abrangente, seguramente, vencerão as forças produtivas interessadas apenas na lucratividade que se vislumbra, independente das consequências em perda de biodiversidade, degradação de áreas de cerrado, poluição de águas, avanço de área de plantio sobre floresta, substituição de áreas de agricultura de alimentos e relações trabalhistas adversas. É assim que a coisa funciona hoje... Os ambientalistas, sobretudo os que conciliam a dimensão sócio-ambiental com uma visão correta de desenvolvimento (sustentabilidade), têm que ter uma ação firme, agora!

29 de mar de 2007

Revendo conceitos...

PIB de 2006 é revisado e sobe para 3,7%. "O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quarta-feira, no Rio de Janeiro, os resultados do Produto Interno Bruto (PIB) referentes aos quatro trimestres de 2006. Com o novo cálculo, a economia brasileira teve um crescimento acumulado de 3,7% ao longo do ano e um PIB a preços de mercado de R$ 2.322,8 bilhões. A medição anterior apontava crescimento de 2,9%. Já o PIB per capita cresceu 2,3% no período e atingiu R$ 12.437". (Fonte: Portal Terra / Invertia com Reuters)

Mais de 8 milhões deixam baixa renda no Brasil

"Mais de oito milhões de brasileiros deixaram a baixa renda e ascenderam para níveis da população de maior poder de consumo, de acordo com a pesquisa 'O Observador 2007', elaborada pela financeira francesa Cetelem, em parceria com o instituto de pesquisas Ipsos Public Affairs.
Segundo a pesquisa, as camadas D e E reuniram 84,4 milhões de pessoas em 2006, o que representa 46% da população. No ano anterior, o percentual dessa classe era de 51% dos brasileiros, cerca de 92,9 milhões de pessoas.
Os dados coletados mostram ainda que a população de mais baixa renda migrou para as classes imediatamente superiores. A classe C, por exemplo, que reunia 62,7 milhões em 2005, fechou o ano passado com 66,7 milhões, enquanto as classes A e B receberam 6,3 milhões, de acordo com o jornal O Estado de S.Paulo".
(Fonte: Portal Terra / Invertia)

A edição impressa do Estadão creditou essa mobilidade social a uma combinação favorável de fatores: aumento da massa salarial, inflação baixa e controlada e crescimento do crédito. Destacou também o desempenho mais expressivo na região Nordeste...

28 de mar de 2007

Botox

Os 3 partidos de oposição - PSDB, PPS e PFL - têm assumido publicamente suas crises de identidade. Compreensível... Todos, cada qual a sua maneira, tiraram lições da derrota eleitoral de outubro passado e lançam, agora, projetos para o futuro. Compreensível... Nesse processo, eu fico com uma única dúvida: qual o limite entre reconstrução de identidade e perda de identidade?

Tomemos o caso do PSDB. Há um certo consenso de que o seu grande erro no processo eleitoral foi negar seu passado: negar o período FHC, negar fundamentos ideológicos como o mais emblemático deles, a privatização etc. O partido, com uma trajetória importante e com convicções programáticas legítimas, preferiu pôr tudo a perder. Perdeu o passado, despersonalizou-se e expôs fraturas até então não assumidas: o caráter excessivamente elitista das suas lideranças e a pouca ou nenhuma capilaridade social. Nesse quadro, "o governador [de Minas Gerais] Aécio Neves defendeu ontem a renovação do programa do PSDB para adaptá-lo à nova realidade do Brasil e reaproximá-lo do povo" (EM, 28/03/07). Pergunto: é o programa social-democrata que está superado ou a sua prática político-partidária? Para ir ao encontro do povo o partido está disposto até a desdizer-se? O ideário do partido não corresponde a um posicionamento ideológico que deve ser reposto socialmente ao invés de ser "adaptado"?

Espero que o PSDB não tome como paradigma o seu aliado o PFL ou, a partir de hoje, os Democratas. O PFL mudou de nome, justificou que sua proposta liberal já alcançou seus objetivos (portanto, não defende mais o liberalismo que tinha no nome), defendeu uma reforma no próprio discurso para adequá-lo ao gosto popular e tornou-se alguma coisa que nenhum analista político anda se metendo a explicar. Só não foi capaz de mudar o sobrenome de seus novos velhos líderes: ACM Neto, Fábio Souto, Efraim Filho, Felipe Maia (Maia do RN) e Rodrigo Maia (do Rio)...

Já o PPS, não anda gastando tempo pensando novos nomes, nem novos discursos. O velho PC anda se contentando apenas em fundir-se com os tucanos...

No fundo no fundo, a única conclusão que eu tiro é que os partidos de oposição querem se transformar em partidos populares, com forte vínculo com os movimentos sociais e boas perspectivas eleitorais... como o PT!

Uma das razões de mutação do PFL: queda, ano-a-ano, do número de deputados federais eleitos...

24 de mar de 2007

O céu de Suely

Karim Aïnouz foi diretor de "Madame Satã" e roteirista de "Cinema, Aspirinas e Urubus". É fera! Acabei de assistir seu segundo longa: "O Céu de Suely". Um filme despretensioso, lírico, sensível. Trouxe de "Cinema, Aspirinas..." os atores Hermila Guedes e João Miguel...

Na mosca: " O fantasma da CPI"

Ilimar Franco foi preciso hoje na sua coluna n'O Globo: "Os líderes governistas e oposicionistas continuam com a cabeça no escândalo do mensalão. A oposição imagina que poderá reeditar um ambiente de crise ética, investigando as obras nos aeroportos. Os governistas acreditam que serão vítimas de uma nova CPI do Fim do Mundo, na qual as mortes no acidente da Gol e o caos no sistema aéreo nacional seriam apenas a ponta de um novelo".

Traduzindo: as vítimas do acidente da Gol e os brasileiros nos aeroportos não sensibilizam os políticos. A segurança pública, o crescimento econômico, a crise social nas metrópoles, a reforma política, menos ainda...

[O bate-boca na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara é o retrato mais fiel do que resta da política brasileira]

23 de mar de 2007

Bons tempos que voltam...

Roger Waters, ex-Pink Floyd, está se apresentando agora no Rio. "Dark Side of the Moon", "The Wall", "Atom Heart Mother" fazem lembrar os anos 70 em Sete Lagoas. Bons amigos: Marquinhos, Du Pérez, Jayme... Os bons tempos vão, mas voltam.

A semana...

Um tour rápido pela semana que se encerra:
a) Continuou repercutindo o fogo amigo tucano, envolvendo Serra, Alckmin, Paulo Renato, Rose Neubauer, Chalita..., um e outro querendo se livrar da culpa pelos péssimos resultados dos indicadores de educação em São Paulo. Para ser sincero: não acho graça nenhuma! Esse não é apenas um desafio paulista, mas nacional. A educação anda, em todo lugar, de mal a pior. O país paga o preço. Sem ingenuidades, nesse tema, os políticos deveriam fazer um esforço de convergência;
b) Para além de São Paulo, com a educação nacional também "nos piores lugares do mundo", o governo federal lançou o Plano de Desenvolvimento da Educação. Até a Veja, que só pensa com o fígado, elogiou ["Enfim, um bom pacote", ed. nº 2000], apoiando seu lado meritocrático, o da premiação da melhoria de qualidade;
c) Miriam Leitão, n'O Globo do dia 18, fez um bom artigo sobre a África. Boa notícia: " A África está saindo da sua longa noite. Vinte e sete países africanos estão crescendo mais do que 6% ao ano (...)";
d) Nos jornais hoje: 86% das negociações salariais em 2006 propiciaram acordos acima da reposição da inflação, o que constitui-se no melhor índice desde o início da pesquisa do DIEESE em 1996;
e) Estudo da ASA - Associação Articulação do Semi-Árido - revela que 20% da população brasileira não tem acesso a água potável. Inacreditável! Inadmissível! Esta seria uma das razões da altíssima taxa de mortalidade infantil no nordeste;
f) O apagão aéreo, a dúvida que pesa sobre os controladores, a confusão das companhias, os aeroportos lotados, os atrasos, os blecautes, os alegados boicotes andam merecendo apuração séria que aponte para uma solução segura e definitiva. Mas o papel da oposição foi e tem sido lastimável nesse ponto: a idéia de se aproveitar desse problema para uma CPI (sempre midiática e ruidosa) sobre alegados problemas nas obras da Infraero é inconcebível! Desvios em obras públicas já são objeto de investigação do TCU e, até onde se sabe, o tribunal está de olho no assunto. A oposição parece ter dificuldade em construir um modo de fazer oposição, legítima, firme, capaz de iluminar novos caminhos que a situação não vislumbra..., mas sem os holofotes da denúncia pela denúncia.

O passado incerto

“No Brasil, até o passado é incerto”. A frase atribuída ao ex-ministro Pedro Malan voltou a circular depois da surpreendente divulgação dos novos números das contas nacionais. O resultado da mudança metodológica no cálculo do PIB brasileiro pelo IBGE conseguiu jogar por terra muito do que se falava e se fala sobre o nosso crescimento nos últimos anos.

A taxa de crescimento do PIB da era FHC não equivaleu à dos anos Lula como se disse. Nos 4 mais 4 anos tucanos ela ficou reduzida a 2,3% ao ano, em média; nos 4 anos petistas subiu de 2,6 para 3,1%. O crescimento de 2004, o melhor ano do atual governo, não foi de 4,9, mas de excelentes 5,7%. A relação dívida PIB não está em 52, mas em 46%. A carga tributária não foi de 37,4% em 2005, mas de 33,7. O novo PIB de 2005 de R$ 2,147 trilhões - 10,9% maior que o PIB antigo - colocou o país não como a 11ª, mas como a 10ª economia mundial...

Essa revisão do passado tinha tudo para ser interpretada como uma manipulação governista dos números. Era o que se esperava... Ao contrário, colheu apoio de empresários e especialistas conscientes do trabalho de longos anos do IBGE para ajustar as contas à realidade. Já se sabia, por exemplo, da necessidadede um realinhamento entre os setores produtivos que mudaram muito desde 1997, ano da última revisão (a indústria, a agropecuária e os serviços, que na metodologia anterior tinham participação, respectivamente, de 38, 8 e 54% na produção de riquezas, tiveram seus pesos alterados, agora, para 30, 5,6 e 64%), um dos motivos desse tzunami numérico.

Mas nem tudo são glórias. Chegou-se a conclusão que o investimento na economia foi mais de 3% inferior ao imaginado e ateve-se a preocupantes 16,3%. [Só para comparar: a China tem investido mais de 40%, a Índia e a Tailândia mais de 27...]. Coisa que, cotejada com a informação que grande parte do novo PIB deve-se ao consumo das famílias, deu margem ao comentário que nosso PIB é “gordinho”, mas tem pouca musculatura.

Só resta esperar para ver as conseqüências: a meta de investimento do PAC já se tornou inalcançável e terá que ser revista; os militantes da Saúde concluíram imediatamente que a emenda 29, que trata dos recursos vinculados do setor, não foi, naturalmente, cumprida e que há dinheiro retroativo a compensar e por aí vai...

Já o mercado, que nunca espera, ajustou-se rapidamente à nova versão da realidade: o risco-Brasil, termômetro da confiança do investidor internacional, pimba!, bateu novo record histórico, recuou 2,2% e estacionou em 175 pontos... Alguns analistas, de olho na melhor relação dívida/PIB já colocaram o país na porta de se tornar um investment grade... O próprio governo aplicou a técnica da paridade do poder de compra (PPP) e concluiu que somos, não a 10ª, mas a 8ª economia. Ou seja, o ingresso para o G-8 está na mão, na frente da Itália!

13 de mar de 2007

Pobres arquitetos...

Steven Levitt é um economista excêntrico. Seu livro apresenta-o como “original e politicamente incorreto”. Não se mete com o tema comum da sua turma, a macroeconomia. Diferentemente, dedica-se a especular sobre o cotidiano. Faz perguntas estranhas e obtém respostas mais estranhas ainda. Interessa-se por coisas como a relação entre a criminalidade e o aborto, entre os professores e os lutadores de sumô, entre a Ku Klus Klan e os corretores de imóveis e por aí afora. Diverte-se, sobretudo, em contrapor-se ao senso comum ou, usando termo cunhado por J.K. Galbraith, à ‘sabedoria convencional’. Levitt encontrou-se com o jornalista Stephen Dubner, do The New York Time, e juntos produziram o best-seller FREAKONOMICS.

Quem se mete a ler livros como esse, acaba lendo o que não quer. Ou seja, quem caça, acha... Pois não é que o cidadão resolveu por abaixo a minha poderosa profissão de arquiteto?! Valha-me Deus: “O delicado equilíbrio entre esses fatores [ele falava dos fatores que determinam o salário dos traficantes de Chicago] ajuda a explicar por quê, por exemplo, a prostituta, em média, ganha mais do que ganha, em média, um arquiteto. Essa não é a impressão que temos. Acharíamos que o arquiteto é mais competente (...) e mais instruído (...). No entanto, as meninas não crescem sonhando com a profissão de prostitutas, de modo que a oferta potencial de prostitutas é relativamente pequena. Sua competência, embora não necessariamente ‘especializada’, é exercida em um contexto muitíssimo especializado. O emprego é desagradável e repulsivo em relação a, no mínimo, dois aspectos: a possibilidade de conviver com a violência e a impossibilidade de constituir uma família estável. E quanto a demanda? Digamos que é mais provável um arquiteto contratar os serviços de uma prostituta do que vice-versa”.

Reeleição merece mais discussão

Temas pouco debatidos não ganham a maturidade desejável. Esse me parece o caso da opinião nacional captada por pesquisa da Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT, sobre a reeleição, divulgada na Folha de hoje:
"Apenas 19% dos eleitores brasileiros apóiam a idéia de acabar com a reeleição para cargos executivos, aumentando os mandatos para cinco ou seis anos, sem possibilidade de os políticos disputarem dois mandatos seguidos.
O apoio ao fim da reeleição sobe para 25% quando a proposta é apenas para acabar com a regra, mas deixando os mandatos de presidente, governadores e prefeitos nos atuais quatro anos. Uma maioria de 52%, entretanto, prefere manter tudo como está, permitindo aos governantes se recandidatar uma vez ao final de seus primeiros mandatos. Outros 5% não têm opinião a respeito".

As mães


A mãe de Alana (13 anos) e de João Hélio (6 anos). Mães e filhos, vítimas da violência no Rio.

Nepotismo

Esse é um daqueles assuntos que já deviam ter ficado para trás na história. Nessa altura do campeonato, ainda ser um tema relevante é deplorável. Não bastasse a má fama que causa ao Judiciário, a prática contamina também os executivos estaduais. Está nos jornais de hoje: o nepotismo alcança 8 dos 27 estados. Empregam parentes na administração estadual os governadores de MG, PR, MA, AL, CE, MT, TO, PA. Minas Gerais inclusive... Dispensável!

12 de mar de 2007

Brasil entre os 5 maiores emissores de gás carbônico do mundo

A notícia está no portal Uai. Em números absolutos, estamos entre os 5 maiores poluidores do mundo. Em números per capita, com compreensível atenuação, temos índice típico de país em desenvolvimento. Diferentemente do padrão do primeiro mundo, a nossa indesejável participação nesse ranking decorre da nossa ainda alta taxa de desmatamento, que é responsável por 2/3 da 1,5 tonelada de carbono emitida por habitante/ano: "O Brasil, a Indonésia e alguns outros países tropicais têm um padrão de emissões de gás carbônico completamente diferente do mundo industrializado. Lá, é queima de combustível fóssil. No Brasil, na Indonésia e em outros poucos países, é muito mais o uso da terra, o avanço da fronteira agropecuária sobre a floresta", explicou o especialista [o climatologista Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais].

Choque de gestão

Está na Folha deste domingo: Minas e RS são os estados que menos investem em saúde. Respectivamente: 6,87 e 4,99, abaixo dos 12% constitucionais. Ou seja, a conta da propalada eficiência fiscal é paga com menor investimento social. Simples assim...

11 de mar de 2007

González-Iñarritu


Uma sucessão de acasos desata três histórias intercruzadas. Intensas, tensas, nervosas... Uma mistura de preconceitos, dramas pessoais e barreiras étnicas, sociais e lingüísticas, simultaneamente, no Marrocos, no México, nos EUA e no Japão. Babel é menos puzzle que '21 gramas', mas não menos forte. E tão denso quanto 'Amores Perros'. Iñarritu, Iñarritu & Iñarritu!

O país do etanol

O etanol tornou-se a vedete do mês com a visita do presidente americano George W. Bush. É ou seria o momento oportuno para uma discussão mais profunda do assunto pela imprensa. Mas pouca coisa tenho encontrado a respeito: a maioria das matérias que circulam está contaminada por um excesso de otimismo e euforia pela perspectiva de nos tornamos uma potência energética.

Não é que falte razão para esse otimismo. O Brasil, de fato, está na frente nesse campo. Enquanto o mundo tem apenas cerca de 10% de bioenergia em sua matriz energética, já chegamos a quase 30%. Isso é fantástico! Do ponto de vista tecnológico temos um acúmulo real. Se junto com os EUA produzimos quase 70% do etanol mundial, nossa produtividade e nossos custos com o etanol da cana-de-açucar são muito mais vantajosos do que o etanol de milho deles. Mas se tudo isso é verdade, ainda assim o otimismo deve ceder a um realismo que ponha na mesa os aspectos sociais e ambientais da questão.

Se a bioenergia, no gasto energético, apresenta vantagens ambientais, é preciso garantir essas vantagens também na sua produção. A colheita de cana vai continuar utilizando a queimada no processo? O aumento de produção vai se dar por aumento de produtividade e utilização de terras improdutivas ou vai ocupar terras hoje destinadas a produção de alimentos? Ou vai fazer crescer a fronteira agrícola sobre áreas de florestas? Mais: como se fará a mitigação dos problemas inerentes ao fato de ser uma cultura homogênea extensiva?

Do ponto de vista social, a cultura da cana vai continuar utilizando mão-de-obra de bóias-frias em condições trabalhistas e de segurança no trabalho absolutamente impróprias? A lucratividade projetada para o setor vai propiciar melhores condições salariais para os trabalhadores? Qual estratégia para a garantia de empregos frente a tendência natural de mecanização?

Espero que essas questões estejam na agenda daqueles que formulam políticas para o setor. E torço para que a imprensa traga esse assunto ao debate público, contribuindo para que esse caminho de desenvolvimento, com sustentabilidade sócio-ambiental, seja uma escolha madura da nação brasileira.

8 de mar de 2007

Em nome da razão II

O Pablo, de Sete Lagoas, postou um comentário, logo abaixo, concordando que "o regime em separado seria a melhor forma de coibir a tão propagada universidade do crime". Essa observação me motiva a falar um pouco mais sobre o artigo do governador Serra porque era exatamente esse ponto do texto que me interessava. Não estou convencido de que as mudanças propostas no Estatuto da Criança e Adolescente são necessárias. Especificamente sobre isso, minha opinião é de que antes de alterar o estatuto precisamos aplicá-lo. E aplicá-lo em plenitude, seja na efetiva punição de jovens infratores, seja na disponibilização de medidas sócio educativas adequadas para esses jovens. Mas estou, sim, convencido de que o nivelamento, por baixo ou por cima, dos jovens infratores é um erro. É nesse aspecto que a posição do governador me pareceu oportuna.

Eu tento sempre olhar o problema também pela ótica da juventude que está sendo empurrada para o crime. Estamos vivendo uma 'onda jovem': estamos hoje com a maior população jovem da história... e o país pouco tem a oferecer a esses jovens. Os resultados são ou deveriam ser previsíveis. Quando os resultados mais perversos acontecem não podemos, com maior ou menor hipocrisia, pensar apenas em punição. Temos que pensar em punição com reabilitação e ressocialização. Esse é o desafio! E saber diferenciar os crimes, separar a ampla maioria de infratores leves da ínfima minoria daqueles propensos a crimes hediondos é muito importante. Isso coibe a 'universidade do crime', a que, com propriedade, o Pablo se refere...

4 de mar de 2007

Em nome da razão

O governador José Serra, de São Paulo, com artigo n'O Globo de hoje, entra no debate que mobiliza a sociedade sobre a violência praticada por adolescentes. Sem negar o caráter social do problema, o governador aborda o assunto sobre a ótica do 'papel do Estado na defesa dos cidadãos'. Traz reflexões que devem ser consideradas.

Ao descartar a redução da maioridade penal (que acha de difícil aprovação e execução) e ponderar que o número de jovens efetivamente violentos, capazes de cometer crimes hediondos, é relativamente pequeno, Serra centra sua proposta na mudança do art. 121 do Estatuto da Criança e do Adolescente que prescreve o período máximo de internação de 3 anos e a liberação compulsória aos 21 anos. Propõe a ampliação desse limite de internação para 10 anos para adolescentes excepcionalmente violentos e supressão, para esses casos, da liberação compulsória. E ainda, regime de internação em separado desses jovens daqueles que cometeram penas leves (que 'nivela os crimes por baixo'); e ao completarem 18 anos, regime também em separado dos adultos em sistema penitenciário convencional.

Notas sobre um escândalo

Sugiro a quem for assistir ao filme inglês 'Notas sobre um escândalo' (que acaba de estrear nos cinemas) que, além de prestar atenção no fantástico duelo de interpretação entre a duríssima e dominadora Judi Dench (de Shakespeare apaixonado, Chocolate, Chegadas e partidas, Orgulho e preconceito) e a frágil e sedutora Cate Blanchett (de O aviador, Chegadas e partidas), não se descuide da enervante trilha sonora de Philip Glass. É meio filme...

Sete Lagoas que se cuide

Em dezembro foi divulgado o crescimento dos PIBs municipais. Comentamos aqui o desempenho de Sete Lagoas, na onda das cidades de porte médio, que saltou para o 8º lugar em Minas. O Globo deste domingo traz notícia que deve abrir os olhos das autoridades setelagoanas. Tomando o caso do Mato Grosso, o jornal destaca que a "criminalidade acompanha o dinheiro". A matéria dá conta que o cruzamento de dados mostra coincidência de 70% entre o Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros e os índices de expansão do PIB municipal. Das 54 cidades mato-grossenses listadas entre as 556 com maiores índices de assassinato do país, 38 estão também na lista das 556 que tiveram maior expansão do PIB...