12 de set de 2007

É isso aí, Pimentel

O prefeito Fernando Pimentel recuou da idéia de instalar a guarda municipal no Mercado Distrital de Santa Tereza depois que 90,3% da população do bairro se manifestou contra a proposta, em plebiscito realizado no mês passado. Não podia ser diferente. A discussão, agora, é sobre o uso mais adequado para revitalização do mercado como espaço comunitário. Apenas deixar como está não é solução: os mercados distritais, que fizeram sucesso nas décadas de 70 e 80, foram se tornando decadentes, nos últimos anos, na competição com sacolões e supermercados. E o de Santa Tereza não foi exceção à regra...

Olha o Tigrão lá, gente!

O Ipatinga bateu o Criciúma por 1 a 0 nesta terça-feira, no Estádio Heriberto Hulse em Santa Catarina, em partida válida pela 25ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro e assumiu a liderança da competição ao lado do Coritiba. Até o final da rodada pode se isolar no primeiro lugar da segundona...

Caminho sem volta

A idéia vai pegando... São Paulo, Belo Horizonte... agora, o Rio:

"A Lei da Cidade Limpa, que em São Paulo rendeu críticas e louros para o prefeito Gilberto Kassab, está prestes a chegar ao Rio. O prefeito Cesar Maia está entusiasmado com a idéia e debateu o assunto ontem em São Paulo em almoço com Kassab. Hoje, o líder do governo na Câmara Municipal, vereador Paulo Cerri, apresenta projeto que prevê limites e multas para quem inundar a cidade com publicidade.

A medida também impõe a remoção da maioria das placas já instaladas. "Será proibida a instalação de anúncios em vias, parques, praças, zonas de uso residencial, postes e passarelas", adianta Cerri. Com a retirada de propagandas de áreas residenciais, Copacabana seria o primeiro bairro a sofrer mudança drástica no visual".
[Portal Terra, sob o título 'César Maia quer Cidade Limpa no Rio de Janeiro']

13 de ago de 2007

A coisa certa

Nós perdemos a noção do que é uma boa cidade e nos acostumamos à desordem urbana. Quando alguém toma uma medida óbvia, ela é vista, ao contrário, como absurda, até que seus efeitos positivos a aparecer... É o caso do projeto Cidade Limpa, em São Paulo, que vai jogando um facho de luz sobre a realidade e conquistando adesão:

"Pesquisa realizada pelo Datafolha mostra que 63% dos moradores de São Paulo aprovam o projeto Cidade Limpa, que proíbe outdoors e restringe a publicidade nas fachadas dos estabelecimentos comerciais. A pesquisa foi feita com 1.091 paulistanos no último dia 9.
(...)
De acordo com a pesquisa, publicada nesta segunda-feira pelo jornal Folha de S.Paulo, 29% dos entrevistados se declararam contra o projeto, 6% são indiferentes e 2% não responderam.
A pesquisa mostra ainda que, para 54% dos entrevistados, a cidade ficou melhor depois da implantação do Cidade Limpa. Para 30%, a cidade ficou igual e, para 14%, piorou".

5 de ago de 2007

Lan house é pop

"Lan House é a grande novidade nas favelas do Rio, onde jovens lotam essas lojas para se conectarem com a internet. Só na favela da Rocinha existem cerca de cem lan houses e na Cidade de Deus, mais 90, numa confirmação da pesquisa segundo a qual a população com renda familiar de até R$ 300 é responsável por quase 50% dos acessos nesse tipo de lojas". (O Globo, 05/08/07)

31 de jul de 2007

Democracia, estúpido

As vaias do PAN e o "cansei!" da manifestação de domingo parecem incomodar o governo além da conta. Ao contrário, o governo deveria mostrar algum humor frente a essas adversidades e tratá-las como aquilo que, de fato, são: coisas normais da democracia. Na democracia tem-se adversários e eles têm todo direito de se manifestarem. Apenas isso...

Como bom petista, nada me impede, também, de achar o que quiser achar disso. Isso também é democracia... Achar que o "cansei!" é coisa de dondoca paulistana, como disse o Lembo, por exemplo, é direito meu. Ou que as vaias do Rio foram plantadas pelo César Maia, idem. Ou que a imprensa tem um lado golpista que se desvairou nessa crise aérea, ibidem.

A democracia permite o livre "achismo". Em outras palavras, "liberdade de opinião". Para um lado e outro...

Antonioni

Pela manhã, foi-se Bergman; à noite, o diretor italiano Michelangelo Antonioni ("Zabriskie Point"), aos 94 anos.

30 de jul de 2007

Bergman


Morreu nesta segunda, 30, aos 89 anos, o diretor sueco Ingmar Bergman. A genialidade de seus filmes fez parte da minha juventude, quando mudei para BH, nos anos 1970. Foi quando assisti a um deles, com toda sua complexidade, sua carga simbólica, seu suspense, pela primeira vez: "Ovos da Serpente". Depois, assisti alguns anteriores como "Gritos e sussuros" e "Cenas de um casamento". Com Liv Ullmann... Tempos do tal cinema de arte. Cinema autoral. Mais adiante, vi "Fanny e Alexander". Vou revê-los...

29 de jul de 2007

Esse é "o" cara...


Se Bernardinho circulasse por Brasília, seria forte candidato a presidente 2010!

4 comentários sobre a crise aérea


[1] O Globo traz a matéria "Para o Planalto, crise é pior do que a do mensalão". A do mensalão permitia uma certa subjetividade na sua percepção; a crise aérea, não". Essa seria a opinião do próprio presidente e de seus assessores. O ministro Mares Guia, entretanto, sempre otimista, marca data para o fim desse inferno: "em 20 dias". Embora isso possa acontecer, a nódoa ficará: a crise aérea não será esquecida como um patrimônio do governo Lula... Como o apagão elétrico e Carajás para FHC.

[2] Ainda que se prove que o governo não tem qualquer culpa pelos 199 mortos, o acidente mostrou que não teve por sorte, porque deu razões para ter. Na sopa de letras MD, ANAC, INFRAERO nada parece funcionar. O governo perdeu no campo simbólico. Deu-se muito mal na hora H. Demorou 11 dias para mostrar sua face no campo de batalha. Com ou sem culpa, travou, não mostrou capacidade de reação, trocou os pés pelas mãos. Terá que lidar com a percepção que vai se firmando de incompetência gerencial. "Há uma deterioração da gestão pública, e está se agravando" (ministro Ubiratan Aguiar / TCU).

[3] A matéria de Tereza Cruvinel de hoje, n'O Globo, dá conta de que o verdadeiro problema que Jobim assumiu não foi a crise aérea, mas o próprio Ministério da Defesa. A crise aérea seria "tratável", o MD, não necessariamente. Diferente de outros países como a Argentina, por exemplo, a fórmula de submeter militares a comando civil, ainda não funcionou aqui. Nenhum ministro conseguiu se impor efetivamente ali. Esse será o verdadeiro teste de Jobim...

[4] Até que a própria AIRBUS divulgasse o problema da posição das manetes em caso de pouso com reverso pinado, os mil e um especialistas que o JN escalou para explicar a crise não mencionaram o assunto. Falaram de tudo, nada de manetes. Geniais!

27 de jul de 2007

A crise e seus personagens

Uma grande crise é sempre uma grande crise. A imprensa cria o clima apocalíptico e se esbalda, o mais comum dos mortais vira especialista em alguma coisa, um ou dois personagens vão para os céus, outra meia dúzia para os infernos, o governo tromba com ele mesmo... até que surja um herói, sempre com muitas opiniões, todas definitivas, que acalma a patuléia. Sem quê nem por quê, sem que se tenha tomado uma mísera medida, a crise se arrefece, todos voltam para as suas vidas e la nave va...

[O detalhe é que, agora, 199 vítimas não ficaram pra ver o final...]

Dessa vez só o inferno encheu. Aos céus, nem as aeronaves subiram. Ao ministro da Defesa não sobrou opção. Foi sem escala. Os presidentes da ANAC e da Infraero ainda fazem conexão no purgatório. Mas estão a caminho. A tal diretora que fuma charuto então nem se fala: anda pagando em vida. O Marco Aurélio Garcia, que não tinha nada com a história, pegou o avião errado. A Marta voltou às salas de espera na boca de todos os irados... Com gestos e frases horríveis, essa turma fez a alegria do JN...

Entre os coadjuvantes, dois deputados foram parar em Washington. Até agora não entendi pra quê... E apareceu o novo porta-voz da presidência que ninguém aprovou.

O liquidificador de biografias rodou até a assunção de Jobim, a quem não falta autoridade e, sobretudo, consciência da própria autoridade. Na hora, as gracinhas nas entrevistas voltaram...

Mas como a crise foi longe demais, o risco ficou enorme. Jobim entrou para o tudo ou nada. Por ora, é ‘O’ personagem. Por ora, circula na Esplanada como o mais novo candidato potencial a presidente em 2010. Em uma semana saberemos o que temos de fato: se temos um Deus que tudo acalmará, ou se temos apenas mais um ministro da Defesa. E tudo se acalmará do mesmo jeito...

Para ficar de olho: Primeiro, o presidente terá seu teflon testado mais uma vez, agora numa condição dramática e passionalizada. A mídia conseguiu emplacar a percepção de que ele errou e errou muito... Por outro lado, a jogada de última hora foi competente. Mas perigosa... Muito perigosa... [Disse Tancredo, que não se nomeia quem não se pode demitir...]. O que dirão as próximas pesquisas?

Segundo, uma personagem que não podia ter sumido na crise, desapareceu: a ministra Dilma. A crítica é de que a coordenação do governo não funciona. Em tese, quem responde por esse departamento é ela. Seu prestígio continuará inabalado?

A cartolagem enterra qualquer esporte

O Conselho Mundial de Esportes Automobilísticos da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), reunido nesta quinta-feira em Paris, admitiu o envolvimento da McLaren no caso de espionagem "Ferrarigate", por meio do qual o ex-chefe de design da equipe Mike Coughlan teria roubado informações sobre os carros da Ferrari.

Apesar da constatação, a FIA destacou não existirem evidências suficientes que caracterizassem alterações no Campenato Mundial de F-1, em decorrência da utilização das informações sigilosas. Assim, a entidade decidiu não aplicar qualquer tipo de punição contra a Mclaren.

Ou seja, o ladrão foi pego dentro de casa, mas há dúvida se ele tinha intenção de roubar... Detalhe: foram "apenas" 780 páginas de dados estratégicos sobre a equipe italiana!!!

Cinicamente, o chefe da McLaren, Ron Dennis, disse a repórteres que "a punição foi equivalente ao crime".

Na F-1, os verdadeiros esportistas são os donos das equipe!

25 de jul de 2007

Sensatez

"Com as primeiras informações que estariam vindo da caixa-preta do Airbus da TAM, ressurge um dos aspectos mais lamentáveis da tragédia: a existência de uma torcida para que toda a culpa seja da pista de Congonhas (logo, da Infraero, e logo, do governo), contra uma outra que tenta reduzir essa contribuição, nesta altura inegável, valorizando os problemas da aeronave ou uma fracassada arremetida do piloto. Essa busca do ganho político desserve à busca da verdade, que pode punir, prevenir e contribuir para a superação da crise aérea".

Esse é o primeiro parágrafo da boa coluna de Tereza Cruvinel, no jornal O Globo (Raízes da Crise, página 2) de hoje. Sem se contaminar pela irracionalidade que tem marcado o comportamento da mídia, Cruvinel faz um longo histórico do setor aéreo, com base nos relatos do comandante Malheiros, da veterana Associação dos Pilotos da Varig, que dá as razões da crise atual. Retrocede a Collor e às suas medidas liberalizantes, passa por FHC e o fim do DAC, até o descontrole que estamos vendo. Vale a pena ler!

24 de jul de 2007

Sob a névoa

Há dias, eu estou tentando pensar o que devo ou deveria dizer sobre a crise aérea. Mas estou imobilizado diante da tragédia... Estou impressionado com o que a mídia anda fazendo, mas se eu disser gato, isso será interpretado como defesa do governo. Não concordo com algumas ações do governo, mas se eu disser o que penso, duvido que serei compreendido. Estou com medo da TAM e da GOL que, faz tempo, vêem se aproveitando da crise. Li de tudo. Desconfiei de tudo. Mas o texto abaixo do blog do Luís Nassif foi a única coisa verdadeiramente emblemática desse momento que li. Recomendo ao leitor, antes de qualquer juízo, ler até a última linha...

Viva a catástrofe!
Extraído do blog no Luis Nassif

Os bons tempos voltaram. Sempre que há uma catástrofe nacional, irrompe uma euforia de cabeça para baixo. É como se a opinião pública dissesse: "Eu não avisei? Bem que eu falei, não adianta tentar que sempre dá tudo errado...".

Há um grande amor brasileiro pelo fracasso. Quando ele acontece, é um alívio. O fracasso é bom porque nos tira a ansiedade da luta. Já perdemos, para que lutar? O avião explodindo nos dá uma sensação de realidade. Parece o Brasil indo a pique -o grande desejo oculto da sociedade alijada dos podres poderes políticos, que giram sozinhos como parafusos espanados.

Não é uma ameaça de CPI, não é um perigo de crash da Bolsa. É morte, gás e fogo. E nossa vida fica mais real e podemos, então, aliviados, botar a culpa em alguém.

Chovem cartas de leitores nos jornais. Todas exultam de indignação moral, todas denotam incompreensão com o programa do governo de reformar o sistema, programa muito "macro", mal explicado, "muito cabeça" para a população.

Nada como um desastre ou escândalo para acalmar a platéia. E a oposição, aliada à oligarquia, usa bem isso. Danem-se as questões importantes, dane-se a crise externa, dane-se tudo. Bom é fofoca e denúncia. A finalidade da política é impedir o país de fazer política. Nada acontece, dando a impressão de que muito está acontecendo.

Há uma tradição colonial de que nossa vida é um conto-do-vigário em que caímos. Somos sempre vítimas de alguém. Nunca somos nós mesmos. Ninguém se sente vigarista.

O fracasso nos enobrece. O culto português à impossibilidade é famoso. Numa sociedade patrimonialista como Portugal do séc. 16, em que só o Estado-Rei valia, a sociedade era uma massa sem vida própria. Suas derrotas eram vistas com bons olhos, pois legitimavam a dependência ao rei. Fomos educados para o fracasso. Até hoje somos assim. Só nos resta xingar e desejar o mal do país.

Quem tem coragem de ir à TV e dizer: "O Brasil está melhorando!", mesmo que esteja? Ninguém diz. É feio. Falar mal do país é uma forma de se limpar. Sentimo-nos fora do poder, logo é normal sabotar. O avião da TAM derreteu feito bala de açúcar na boca dos golpistas.

O fracasso é uma vitória para muitos. Não fui eu que fracassei, foi o governo, o “populismo”. O maior inimigo da democracia é a aliança entre o ideologismo regressista e a oligarquia vingativa. Nossos heróis todos fracassaram. Enforcados, esquartejados, revoltas abortadas, revoluções perdidas. Peguem um herói norte-americano: Paul Revere, por exemplo. Cavalgou 24 horas e conseguiu salvar tropas americanas na Guerra da Independência. Foi o herói da eficiência. Aqui, só os fracassados verão Deus.

O que moveu Pedro Simon e Arthur Virgilio foi a esperança do caos. Pedro Simon se acha o missionário da catástrofe. Ele é o ideólogo da explosão de furúnculos. Ele acredita no pus revelador. Virgilio quer levar em seu declínio o país todo com ele, cair destruindo, numa espécie de triunfo ao avesso. Ele é o último bastião do patrimonialismo tradicional, resistindo ao capitalismo impessoal.

Espalhou-se a teoria de que o problema do Brasil é "moral". Este "bonde" funk de neo-udenismo psicótico, este lacerdismo tardio, este trenzinho de "janismo" com "collorismo" visam impedir a modernização do país, sob a capa do "amor". São a favor da moralidade, mas contra a lei de Responsabilidade Fiscal.

Esta onda de moralismo delirante busca impedir a reforma das instituições, que estimulam a imoralidade. Tasso , tocando trombone sob um telhado de vidro, é o grande exemplo. Arthur Virgilio, com boquinha de ânus e vozinha de padre, outro.

Nossos intelectuais se deliciam numa teoria barroca da "zona" geral. O Brasil é visto como um grande "bode" sem solução, o paraíso dos militantes imaginários. Quem quiser positividade é traidor. A miséria tem de ser mantida "in vitro" para justificar teorias e absolver inações. A academia cultiva o "insolúvel" como uma flor. Quanto mais improvável um objetivo, mais "nobre" continuar tentando. O masoquista se obstina com fé no impossível.

Há um negativismo crônico no pensamento brasileiro. Paulo Prado contra Gilberto Freyre. Para eles, a esperança é sórdida, a desconfiança é sábia: "Aí tem dente de coelho, "alguma" ele fez...".

Jamais perdoarão Lula por ter abandonado a utopia tradicional e aderido à "realpolitik". Quase nenhum "progressista" tentou ajudá-lo nessa estratégia. Quem tentou foi queimado como áulico ou traidor, pela plêiade dos canalhas e ignorantes. Talvez tenha sido um dos maiores erros da chamada "social-democracia", talvez a maior perda de oportunidade da história. Agora, os corruptos com que Lula se aliou para poder governar querem afogá-lo na lama.

A "realpolitik" virou "shit politics".

Assim como o atraso sempre foi uma escolha consciente no século 19, o abismo para nós é um desejo secreto. Há a esperança de que, no fundo do caos, surja uma solução divina. "Qual a solução para o Brasil?", perguntam. Mas a própria idéia de "solução" é um culto ao fracasso. Não lhes ocorre que a vida seja um processo, vicioso ou virtuoso, e que só a morte é solução.

Vejam como o Brasil se animou com a crise atual. Ôba! É o velho Brasil descendo a ladeira! Viva! Os bons tempos voltaram!

Sei que a maioria dos anti-Lula e anti-PT adoram a suposta contundência de Arnaldo Jabor. Leiam só o artigo dele na Folha sobre a tragédia da plataforma P-36, durante o governo FHC.

Trocas efetuadas no texto:

Onde se lê: O avião explodindo
Leia-se: plataforma afundando

Onde se lê: populismo
Leia-se: neoliberalismo

Onde se lê: O avião da TAM
Leia-se: A plataforma da Petrobrás afundando

Onde se lê: Pedro Simon
Leia-se: Luiz Francisco

Onde se lê: Arthur Virgilio
Leia-se: ACM

Onde se lê: Lula
Leia-se: FHC

Onde se lê: social democracia
Leia-se: esquerda

PS – Perdão, Jabor, mas essa foi irresistível.
Atenção, para quem não reparou: esse texto, brilhante, é do Arnaldo Jabor. Apenas os nomes e circunstâncias foram trocados, para montar a pegadinha.

16 de jul de 2007

Roubando a cena...

Os internautas tinham razão. O Brasil, com jeito de figurante, depois de uma campanha horrorosa, tirou a taça da mão dos favoritos, a Argentina, com sua belíssima e convincente campanha. Duas coisas: primeira, não se pode desmerecer o resultado. A vitória foi merecidíssima. O Brasil abriu o placar logo no início com um golaço do Júlio Batista, contou com a sorte na hora certa na bola na trave do Riquelme e no gol contra do Ayala e até a contusão do Elano foi favorável, dando lugar a Daniel Alves que fechou a goleada. Segunda: a vitória não autoriza os precipitados que já andam dizendo que Dunga tinha razão, acabou o futebol arte, futebol é isso mesmo, vale o resultado e ponto...

15 de jul de 2007

Além da Política

Por Petia Botovchenko em http://blog.contrapauta.com.br/

As vaias a Lula na abertura dos Jogos Panamericanos foram inconvenientes, por razões que vão além da política. O significado mais profundo deste evento, aquilo que o qualifica como tradição central da civilização ocidental, merecedora de ser ressuscitada no século XX, é o seu caráter de festa não-político-partidária. Os gregos, em mais uma lição de sabedoria, interrompiam todas as guerras durante os jogos. Jogos só podem ser considerados olímpicos se juntarem no mesmo espaço, sem conflitos ou ressentimentos, aqueles normalmente separados por discordâncias e conflitos de interesse. Se permitirem o congraçamento, temporário que seja, entre adversários. A transformação de Jogos Olímpicos em arena política tem consequências sociais tão perversas e destrutivas quanto a transformação das torcidas de futebol em gangues dedicadas ao vandalismo.

13 de jul de 2007

Bom humor

O G1 estreou esta sexta-feira - 13 cheio de bom humor. Resolveu ser original nos subtítulos das matérias. Numa, que relata o caso do rapaz que teve o pênis amputado pela namorada, não perdoou: "relações cortadas". Noutra, que diz que deputados paulistas têm combustível pago para 13 voltas ao mundo, ironizou: "corrida maluca". O dia promete!

12 de jul de 2007

Vitória da esperança

As enquetes sobre a final da Copa América mostram que nós brasileiros, ao opinarmos, levamos em conta mais a esperança do que a experiência. Mais a paixão do que a razão. Apesar da Argentina ter jogado um bolão em todas as partidas e de nós termos chegado à final aos trancos e barrancos, os resultados dão Brasil. Na enquete Terra, os internautas apostaram 51 a 49 pro Brasil. No G1, 41 a 39. Nesse caso, 20% acham que a decisão vai para os pênaltis e aí só Deus sabe...

Fora do Brasil, as coisas são bem diferentes. No site da própria Copa América, a enquete dá Argentina com larga vantagem: 68 a 21, no tempo normal... Lá e cá, uns e outros não podem estar assistindo ao mesmo futebol...

10 de jul de 2007

Reforma política

"Os políticos, pelo mesmo motivo que as fraldas, têm que ser trocados constantemente"

Essa frase do filme 'O homem do ano' de Barry Levinson, lembrada pela cantora Ana Carolina em entrevista, é oportuna. Põe em pauta um ponto que a reforma política devia contemplar: limitar a sequência de mandatos sucessivos. Muita gente que já não sabe fazer mais nada, há anos em mandatos improdutivos, há anos enveredando por caminhos nada ortodoxos, se veria em apuros...

Festa de São Firmino, Pamplona - Espanha

O touro vem em direção à fotógrafa...

Chega mais...

E passa por cima...

(Susana Vera / Reuters)



9 de jul de 2007

Sabor de Bar

Nota dez para o Sabor de Bar que o Sete Dias está realizando em Sete Lagoas! Fui a 2 bares nesse final de semana: o Bar Vânia e o Ki-Doçura. A 'dobradinha charqueada' com uma inusitada pasta de ora-pro-nobis, do primeiro, e o 'ki-almôndega', do segundo, valem a pena. Nas duas casas, cerveja geladíssima. Só não fiquei muito convencido com o chopp Artesanal...

Fora do festival, ótima pedida para as manhãs de domingo: uma passada no Empório Barreirinho, ao lado da igreja de São Pedro. Boa turma, bom tira-gosto e boas cachaças...

O fim da reforma política

Aconteceu o esperado: a Câmara enterrou a reforma política. Temos que lidar com essa realidade: por mais importante que a reforma seja, nesse tempo de degeneração da política, os deputados não tem capacidade de promovê-la. Eles jamais irão alterar o processo que os levou ao poder. E se o alterarem, o farão de forma precária, oportunista, midiática, parcial, sem a grandeza necessária. A única alternativa é a mini-constituinte. Uma constituinte com finalidade específica, sem poderes para outras reformas constitucionais, formada por membros impedidos de participarem de processo eleitoral por tantos anos. Ou seja, por homens que não estarão legislando em causa própria, mas em nome de uma causa nacional.

5 de jul de 2007

Torcendo para o inimigo. Nem sempre...

Não tem outro jeito... O prazer de ver a seleção da Argentina jogando é proporcional ao desprazer e ao tédio de ver a seleção brasileira. O jogo de ontem contra o Equador foi de matar. O que é aquilo, gente?! Pelo andar da carruagem, nessa Copa América, o Brasil não passará de mero figurante para o belo show argentino. Agora, só vejo jogo do inimigo...

No Brasileirão, rodada infeliz essa do meio da semana... A derrota cruzeirense para o Figueirense fez o melhor time do Brasil cair 3 posições. A única alegria foi o gol aos 46 minutos do segundo tempo do Flamengo no Mineirão. Hahahahaha!!!

30 de jun de 2007

Escalada

Três vitórias consecutivas: contra o Grêmio, o Galo e, agora, o Vasco. Em três rodadas: subimos 12 posições (em 5º lugar ao final da rodada de hoje), o Vasco, que era líder, despencou e o Atlético já ficou prá trás... A torcida fez a diferença: foi o 2º maior público do certame. Vamo que vamo!!!

26 de jun de 2007

Por cidades mais bonitas!

Parece estar sendo bem recebido pela sociedade o projeto de lei que o prefeito Fernando Pimentel encaminhou à Câmara Municipal proibindo a instalação de outdoors na área central de Belo Horizonte e restringindo o número de painéis nos grandes corredores de trânsito.

Acho ótimo! Mas ainda prefiro a solução paulista "Lei Cidade Limpa", muito mais radical. É uma questão de princípio: sou absolutamente favorável a uma gestão urbana muitíssimo rigorosa. Duríssima! A pressão pelo uso do espaço urbano é enorme e merece uma reação forte. Ou as nossas cidades vão virando o que já viraram: poluição de toda ordem, excessos de todo tipo. E nesse caso não lanço mão de nenhum pretexto secundário: reduzir 'estresse do cidadão', reduzir 'irritabilidade subliminar'. Nada disso! Sou favorável por razão puramente estética. Por beleza! Quero cidades mais bonitas, com sua arquitetura exposta, preservada [e não deteriorando atrás de faixas e outdoors]. Quero a cidade limpa, democrática, pública [e sem tantas ocupações privadas].

25 de jun de 2007

Zeeeiro!!!


Em jogo eletrizante, o Cruzeiro fez prevalecer a verdade dos fatos; Cruzeiro 4 x 2 Atlético...

Cargos públicos

Vira e mexe o tema dos cargos federais de livre provimento volta às manchetes. É o típico caso em que a imprensa acerta no assunto, mas erra na crítica. Acaba falando abobrinha... O enfoque prevalescente tem sido de que o governo Lula tem ampliado os cargos de DAS para aparelhamento da máquina pública por petistas. A oposição satisfeita adota o bordão e a coisa fica nisso: aparelhamento, aparelhamento e parelhamento. O verdadeiro problema acaba ignorado.

A mesma crítica poderia ser feita aos tucanos na era FHC. Naqueles anos, ao invés de contratação por DAS, usou-se e abusou-se de contratações via organismos internacionais. Mais invisíveis, mais flexíveis. Mas nos tucanos, propagadores do discurso da eficência, do estado-mínimo e do choque de gestão, a pecha não colou e não cola. Nos petistas, maldosamente associados ao socialismo bolchevique, cola fácil. Mas fato é que, um e outro, PSDB e PT, nesse tema, estão devendo ao país.

Por razões opostas, ambos chegaram ao mesmo mal: o absoluto descaso com o estado brasileiro. Os tucanos geraram mais massa crítica sobre o tema, defenderam - goste ou não - um modelo de estado liberal, pautado na eficiência. Bresser-Pereira virou referência na matéria. Reduziram o tamanho da máquina visível, mas incapaz de operar com ela, ampliaram a invisível: as terceirizações via OI, via contratos com empresas e via OSCIP's. O PT, dono ideológico do discurso do estado de bem-estar, do estado necessariamente influente no processo de desenvolvimento, como os tucanos, manteve o discurso sem alterar de fato a realidade. Permanecem os contratos terceirizados aos milhares e, agora, o aumento de DAS. Mais do mesmo...

O redesenho do estado brasileiro, a recomposição de carreiras públicas, a constituição de novas carreiras, a capacitação de servidores, a abolição dos postos terceirizados, a discussão do papel de liderança... nada disso esteve ou está na agenda. Sem uma visão estratégica, tudo acaba em ineficácia e oportunismo: os concursos com cargos existentes, com salários defasados, colocam para dentro da máquina 100 novos servidores num dia e vê 100 sairem no dia seguinte; sem capacidade de atraí-los e mantê-los permanece a dependência com os cargos administrativos das empresas que terceirizam mão-de-obra, a criação de DAS e outros expedientes à mão.

A imprensa prefere martelar que são muitos cargos, sem nenhum parâmetro para sustentar essa tese. Pode ser que não sejam muitos, é provável que sejam necessários, seguramente os aumentos de salários são amplamente justificáveis. Isso é o que menos interessa. No mérito, o que vale a pena conhecer e debater é a natureza de estado que esses cargos, na prática, constróem. Isso a mídia ignora.

23 de jun de 2007

Crise aérea

Inventei de viajar exatamente em meio a essa crise aérea. De BH a Brasília, passei quase impune: atraso de apenas 1 hora. Para os padrões atuais isso é de uma pontualidade britânica. No dia seguinte, de Brasília ao Rio, escapei por pouco. O vôo das 7 da manhã da Gol não decolou, mas consegui seguir pela TAM. Atraso razoabilíssimo! Viva! À noite, do Rio para BH, crise total! O vôo das 21:10 decolou, a duras penas, às 3:30. Cheguei em casa com o sol nascendo...

Juro que tentei manter o bom humor. O quadro é tão absurdo que não é difícil achar motivos para ironias. Mas, de um lado e outro, há um monte de situações angustiantes: mães cansadíssimas com recém nascidos inquietos há horas no colo; idosos longe de casa, inseguros, preocupados com parentes a espera; gente simples completamente perdida naquele caos de aeroporto, essas coisas...

Quanto mais tento entender o problema, menos respostas tenho. Alguns pontos:
Um: a culpa, com aparente razão, é dos controladores. Contam-se mil histórias a respeito. Mas qual a participação das empresas nessa história? Por que, por exemplo, em Brasília, a TAM operava "normalmente", enquanto nenhum avião da GOL decolava?

Dois: como explicar que, enquanto o sistema mostra estar no limite, com visível incapacidade de operar com tantos vôos, as empresas continuam com promoções de bilhetes a R$50,00 que aquecem a demanda?

Três: por que não se definem regras especiais de tratamento de passageiros nesse período de crise, especialmente para o caso de idosos, mães com crianças etc? É razoável ter que aguardar que se completem 4 horas de atraso para que as companhias se vejam obrigadas a fornecer serviços de suporte (alimentação, hospedagem etc), em plena madrugada, em um aeroporto sem nenhuma lanchonete aberta?

Quatro: como explicar que, depois de 9 meses de crise, ela continue sendo tratada nos aeroportos com a surpresa de um imprevisto? O que explica a inexistência de uma estrutura de informações mais qualificada, a incapacidade total dos operadores das empresas de tratar apropriadamente passageiros a beira de um ataque de nervos, a desinformação completa dos representantes da ANAC?

Quinto: Na época do DAC, ao que se diz, o sistema era integrado. Alguém respondia por ele... Agora, a ANAC apenas regula e fiscaliza, as empresas operam e os controladores são de outro mundo porque são militares. Ou seja, ninguém responde por nada. Isso é uma avanço da modernidade?

Sexto: onde está a dificuldade do governo em resolver o assunto? Pode-se compreender que o sistema demande tempo para restabelecimento: formação de novos controladores, solução de impasses, decisão sobre natureza militar ou civil do serviço, modernização de equipamentos etc, mas por que as medidas de hoje demoraram 9 meses? Onde está, de fato, o problema? Por que o governo não comunica melhor sua ação na crise: o que está sendo feito, os cenários à frente, o que a população deve esperar, coisas do gênero? Não é ruim essa falta de coordenação que o governo mostra? (O culpado, antes, era o ministro Waldir Pires. A ministra Dilma entrou como responsável e saiu sem ter culpa de nada, ainda que o problema tenha ficado do mesmo tamanho. O ministro Paulo Bernardo entrou e saiu. O responsável agora é o comandante da Aeronáutica?)

14 de jun de 2007

Reforma política fora de pauta

Esse Congresso...

"[...] Não é mesmo recomendável mudar o sistema de escolha dos que representam o povo num tal quadro de dissenção. Mas o objetivo parece ser este mesmo: passar a impressão de que divergem sobre o que mudar, quando na verdade o que se quer é conservar."
Tereza Cruvinel, O Globo, 14/06/07

12 de jun de 2007

Reforma política em pauta

Ainda que reduzida a pontos centrais, a reforma política parece que vai mesmo entrar em pauta no Congresso. Cinco pontos, pelo menos, devem estar presentes na discussão: voto em lista, voto de legenda, fidelidade partidária, cláusula de barreira e financiamento público de campanha.

Em tese, faz sentido: o voto em lista desmonta o personalismo das eleições e coloca os partidos no foco. Deve conduzir a campanhas mais programáticas. O voto de legenda é decorrência natural do voto em lista. A fidelidade partidária mais ainda: se não há votos uninominais, não há mandatos pessoais. O mandato é do partido. A cláusula de barreira reforça os partidos e desmonta os falsos-partidos de aluguel. Neste contexto, o financiamento público se viabiliza como forma de reduzir a força atual do poder econômico nas eleições. Em tese...

Mas é o momento de sermos menos 'em-tese' e mais 'advogados do diabo'. O voto em lista, que é um pressuposto para esse novo sistema dar certo, vai sim hipervalorizar burocracias partidárias e reforçar, ao extremo, as oligarquias políticas regionais (Os Sarneys maranhenses e os carlistas bahianos vão nadar de braçadas...). Vai dificultar muito a renovação política. É o ponto sobre o qual eu tenho maior discordância. Mas confesso que não vejo uma alternativa. Falar por exemplo em sistema distrital misto pode ser mais tentador. Eu particularmente acho. Mas não partidariza e programatiza as eleições como o voto em lista. O distrital, nesse termos, mantém o personalismo atual...

Eu concordo com o financiamento público exclusivo. Desde que não tentem me provar que ele acabará com a corrupção e eliminará a influência do poder econômico. Na primeira eleição conheceremos novas modalidades de caixa 2. É esperar prá ver... Acredito que o financiamento público tornará a fiscalização mais eficiente e reduzirá o excesso de hoje. Não muito além disso.

Fidelidade partidária se não vier por reforma política virá por imposição, ainda que impertinente, do Tribunal Eleitoral. É a última chance do Congresso fazer o óbvio...

Sobre a cláusula de barreira, meu temor é de, ao banir partidos de aluguel, levar na correnteza partidos fortemente ideológicos, importantes no jogo político, mas tradicionalmente pequenos, como o PCdoB, o Partidão no passado e outros...

Ou seja, entendo os conceitos propostos, mas tenho discordâncias. Por ora, a ordem é acompanhar o debate. Vejamos...

11 de jun de 2007

Parada Gay: 3,5 milhões de pessoas!!!


Quem consegue explicar essa história? É extraordinário... As matérias mostram que tinha gente de todo tipo, GLS e não GLS, crianças e adultos, velhos e novos. E muita festa. Uma festa sem políticos, expontânea, autêntica, popular, sem preconceitos... Três milhões em meio de pessoas é gente demais!!! Impressionante!!!

Papo furado

Nenhum argumento justifica o cancelamento da concessão do canal RCTV pelo Hugo Chávez na Venezuela. A imprensa, em qualquer lugar do mundo, é sectária, é parcial, defende interesses. Em qualquer lugar é um quarto poder. E poderosíssimo! A nossa Rede Globo é exemplo disso. Estimula o que quer, esquece o que não quer. Interfere em eleições presidenciais. Edita debates, manipula, inventa, reinventa... Mas a forma de lidar com isso é politicamente, à luz do dia, explicitando divergências, condenando atitudes. É imprensa versus imprensa. É opinião versus opinião. É a luta democrática contra oligarquias e grupos hegemônicos conservadores. Cassar concessões é atitude dos fracos. O nome disto é autoritarismo. Não há outro nome.

7 de jun de 2007

SAAE x COPASA

No dia 9 de maio, assisti do começo ao fim a audiência pública sobre a eventual substituição do SAAE pela COPASA na concessão dos serviços de saneamento de Sete Lagoas. Cinco comentários:
a) Quem se manifestou a favor de qualquer uma das posições e contra a outra, o fez por razões puramente ideológicas. Não foram mostrados elementos objetivos para qualquer decisão;
b) O que precisa ser discutido não foi posto a público. Qual a lógica de investimento da COPASA? Qual engenharia econômica permitirá a ela investir e obter resultados positivos? Por outro lado, qual a condição de recuperação econômica do SAAE?
c) Conclusões de que o SAAE não tem capacidade de investimento foram feitas de forma absolutamente precipitadas. Não tem hoje. Poderá ter depois de um processo de reestruturação e adoção de outro modelo de gestão?
d) A maioria das pessoas com quem conversei sentiam falta desses elementos objetivos. Intuitivamente, essas pessoas tendiam a concluir que o sistema, seu número de usuários, sua base tarifária etc, é atrativo e pode ser rentável e viável sob uma boa gestão. Nesse caso, tanto faz se será o SAAE ou a COPASA. O que vale para um, vale para o outro. Interessa o modelo de gestão.
e) Patético: muitos diziam, com ironia, que a vantagem que a COPASA, de fato, oferece é a de proteger o sistema do nosso ambiente político, que quebrou o SAAE. Por pouco, numa audiência promovida pela Câmara Municipal, não se chega à conclusão que a concessão deve ser dada à COPASA para proteger a população setelagoana da própria Câmara Municipal... Inacreditável!

Planejamento familiar... ufa!!!

Acertadíssima a decisão do governo de colocar o 'planejamento familiar' como uma prioridade. Não faz nenhum sentido o que a Igreja anda falando a respeito. É uma questão de justiça. Os pobres têm direito aos mesmos benefícios que tem a classe média. Por falta de acesso, entre eles, duas vezes mais mulheres têm mais de 3 filhos. Planejamento familiar é sobretudo acesso a informação. Por falta de informação, proliferam casos de gravidez precoce, casos de abortos em condições precaríssimas, famílias com muito mais filhos do que são capazes de criar... Ou seja, a falta de planejamento familiar cria problemas muito graves de saúde pública que podem ser previnidos. Com dignidade...

CPI's inúteis...

Para que servem as CPI's do Congresso? Para rigorosamente nada. Nem o holofote que coloca sobre os seus membros midiáticos tem tido algum efeito. Na hora de contar os votos, até nisso, foi um vexame. A Tereza Cruvinel fala na sua coluna de hoje do papel que a CPI da Navalha poderia prestar ao país abrindo a caixa preta da relação incestuosa das empreiteiras com o poder público. Não prestará! Grande parte dos políticos é financiada por elas. Não mexerão nisso. A descoberta da Gautama foi um acidente de percurso. O objetivo era investigar uma coisa e esbarraram em outra...

Irrelevantes, acabam gerando momentos deprimentes. Na CPI do Apagão Aéreo, o depoimento dos sargentos controladores de vôo foi assutador. Um assunto complexo, que envolve investigações nada simples, que responderá pela morte de 154 pessoas, que alinha diferentes poderes foi tratado com a banalidade usual. O senador Demóstenes Torres, extrapolando suas funções foi capaz de sentenciar precipitadamente, no ar, ao vico e a cores, um dos controladores como responsável pelo acidente. Isso não é papel do congresso. Isso é papel da Justiça. Lamentável...

Um mês fora do ar...

Imperdoável! Um blogueiro não tem esse direito... Ao trabalho...

9 de mai de 2007

Direita e esquerda segundo Touraine e Mendes

Recomendo a leitura da coluna do Merval, n’O Globo de hoje. Merval fez a cobertura das eleições francesas e fala, agora, do processo pós-eleitoral, especialmente do “pacto presidencial” proposto por Sarkozy e do “alargamento” de sua base que isto provoca, sobretudo, sobre os centrista de Bayrou...

Mas o mais interessante está na discussão que ele retrata sobre esquerda e direita, trazendo para a cena o sociólogo Alain Touraine e o professor Cândido Mendes. Merval reconhece que “a clivagem entre direita e esquerda, que havia perdido sua importância no primeiro turno, quando muitos da esquerda votaram em Bayrou, voltou a aparecer com força no segundo turno, como não poderia deixar de ser, pela polarização do debate”. E que esta clivagem esteve presente em pontos de conflito da campanha como, por exemplo, no apoio à democracia direta da esquerda versus o apoio à democracia representativa da direita. Touraine e Mendes entram no artigo polemizando sobre a validade ou não e sobre o sentido dessa categorização:

A Diferença entre direita e esquerda “na essência histórica da democracia representativa” era a correspondência entre a divisão de classes e a divisão política, “a direita representando os conservadores e a esquerda, o mundo do trabalho”. Não é mais assim... AT

“A democracia representativa desapareceu porque, de uma parte, os grupos sociais mais representativos, os que reúnem as classes sociais, se fragmentaram, não se sabe mais o que representa o quê”. AT

“A oposição no nível político se esvaziou; a oposição do tipo sindical se esvaziou, e hoje o que há é o sistema hegemônico mundial”. AT

Sobre a ‘hiperfragilidade’ dos governos Merkel, na Alemanha, e Prodi, na Itália, e a ‘ampliação excessiva do espectro político nas negociações em busca de um consenso impossível’, pergunta-se: “onde parará essa transação, uma vez perdida a referência das polaridades? Onde terminarão as concessões?” CM

Dentro da ‘confusão instalada’, destacando os movimentos de base da democracia “que quase todos os dias colocam em discussão as dimensões culturais, de personalidade, do corpo, da natureza”, ‘passamos de uma sociedade de partidos para uma sociedade civil'. AT

“Há um deslocamento do nível de polarização, mas há uma polarização muito forte entre a hegemonia global e o indivíduo, o sujeito, o local. Não há uma diminuição da polarização, mas uma troca de nível da vida pública”. AT

8 de mai de 2007

Direita e esquerda

As eleições francesas, independente de seus resultados, trouxeram novidades que merecem reflexão. Uma delas, é que elas parecem ter feito emergir novamente a diferenciação entre esquerda e direita, tão tênue mundo afora. Sarkozy é direita porque defendeu teses da direita. Royal é esquerda porque defendeu teses da esquerda. Nada de preconceitos no uso desses atributos, como aqui, mas pura definição ideológica. Os franceses, que compareceram maciçamente às urnas, mesmo os que desprezam essas colorações, sabiam muito bem que tinham duas posições nada parecidas à escolha. Ainda que na economia essa demarcação tenha mostrado seus limites, com o menor liberalismo de Sarkozy, isso não foi suficiente para mimetizar as posições. Aliás, esse movimento de ‘modernização’ da direita parece ser tendência no velho mundo, renovando também o discurso econômico de Cameron no Reino Unido, fortalecido pelas perdas trabalhistas. E mesmo para adiante do velho mundo, para além mar, esse movimento de pretensa ‘modernização’ parece comover até os Democratas, ex-pefelistas, brasileiros. A despeito dessa tal modernidade, entretanto, no campo dos costumes, aqui e lá, não há aproximação alguma. Aí a direita é sempre profundamente conservadora, de Sarkozy a Le Pen, de Maia a Bornhausen...

6 de mai de 2007

Perdi todas

Domingo infeliz. Perdi todas as apostas.
Perdi com Ségolène Royal na França.
Com o Cruzeiro em Minas.
Com o Bota no Rio.
Com o azulão em São Paulo.
Literalmente: um domingo dos piores!

5 de mai de 2007

Combate ao aquecimento: barato e viável

Essa é a conclusão do 3° relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas que os jornais estamparam hoje. A ONU diz que o aquecimento pode ser controlado a um custo "insignificante". Que para limitar o aumento da temperatura média em 2° será preciso gastar entre 0,2 e 3% do PIB global em 2030. Esses recursos permitiriam uma redução de até 85%, em 2050, do volume de emissões de gases em 2000. Ao contrário, afirma que não fazer nada custará caro: o não combate ao aquecimento poderá gerar prejuízos de até 20% do PIB mundial. Além de investimentos em tecnologia, o relatório menciona um ponto crítico: a necessidade de mudança do padrão de consumo individual. Ou seja, os governos precisam tornar possível essa mudança individual. A propósito, o diretor do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto do Meio Ambiente e Desenvolvimento do Reino Unido, Saleem Huq, frisou: "- Podemos reduzir as concentrações de gases? Claro que sim. Mas há dois aspectos que precisam ser alcançados: o tecnológico e o político. Esse último é o mais difícil". A política que deveria ser a arte de solucionar é sempre, em todo lugar, a arte de dificultar...

Pimentas

Roberta Caldo - Mercado Khan el Khalili, Cairo

Deus!...

Está no Estado de Minas de hoje. Duas siamesinhas de 1 ano e 9 meses, Vitória e Mariana, recuperam-se bem da cirurgia de separação a que foram submetidas na Santa Casa, há uma semana. Já respiram sem aparelhos e experimentam as primeiras sensações da vida nova. Mas o curioso é que elas não estão alegres... "as duas se olham o tempo todo, como se sentissem saudade uma da outra e tivessem perdido uma parte de si mesmas".

"De acordo com a coordenadora de enfermagem do CTI Pediátrico, Raquel Helena da Silva, as meninas foram preparadas psicologicamente para a cirurgia, mas até o momento elas demonstram tristeza, por causa da separação. 'A psicóloga do CTI mostrava uma boneca azul e outra vermelha que estavam juntas e depois explicava que elas iam se separar. Mostrava que cada boneca ocuparia um berço. Não sei até que ponto elas entenderam, o fato é que depois da cirurgia as duas ainda não deram uma palavra, nem chupar o dedinho, que era o costume, elas quiseram', conta Raquel".

3 de mai de 2007

Tá no blog do Zé Dirceu...

Já postei aqui, algumas vezes, comentários sobre os problemas sócio-ambientais relacionados à lavoura da cana, nesse momento em que só se fala em etanol. O Zé Dirceu, em seu blog, hoje, postou um comentário muito interessante, que vale a pena ser lido. Vai aí...

Com a “febre" do etanol e do biodiesel, a imprensa passou a pautar o noticiário sobre as péssimas condições de trabalho e de vida de nossos trabalhadores rurais cortadores de cana, os novos escravos do século XXI. Já falei aqui como essa mesma mídia tratava o PT quase como criminoso pelo apoio que dava as lutas e rebeliões dos cortadores de cana na década de 80. Agora, antes tarde do que nunca, assumiu a bandeira de melhores condições de vida para os antes chamados bóias-frias, por razões que só a própria razão conhece.

Tenho opinião formada que devemos é eliminar essa forma de trabalho. Já cortei muita cana em Cuba e sei muito bem o que é. Temos que caminhar para a mecanização do corte, que acaba também com a queima da cana. É uma visão errada a que procura manter os cortadores alegando que ficarão desempregados com a mecanização.

Primeiro ela veio para ficar. No Estado de São Paulo, 45% da cana já é cortada por máquinas. E nas regiões Centro-Oeste e Sul, 36%.

Segundo, o que o Estado, governos federal, estadual e municipal, tem que fazer, e os empresários e trabalhadores, por seus sindicatos, é dar ao trabalhador formação profissional para os novos tempos.

Temos que criar mais empregos em todo pais - 2 milhões por ano pelo menos. Em geral, a agro indústria e o crescimento dos serviços absorverão esses trabalhadores, que precisam, repito, estar em capacitados para tanto.

Enquanto não vem a mecanização e a profissionalização, proponho que as centrais sindicais assumam a luta pelas 6 horas de trabalho, alimentação quente e farta, piso salarial e segurança no trabalho. Vamos defender nosso trabalhador e não apenas ficar lamentando sua situação.

1 de mai de 2007

1º de maio

Feriadão. Dia do Trabalho. Com assento no governo, as duas principais centrais sindicais não tem como usar palavras de ordem à moda antiga. A Força vai de meio ambiente; a CUT de inclusão social. Emoções fortes só a la Bolívia. Hoje é dia do companheiro Juan Evo Morales Aima aprontar uma das suas...

Há 13 anos...

... morria Ayrton Senna. No dia 1º de maio de 1994, Senna morreu tragicamente durante o Grande Prêmio de San Marino, em Ímola, na Itália, após bater sua Williams na curva do Tamburello...

Há 30 anos...

... surgiam as mães da Praça de Maio. No dia 30 de abril de 1977, 14 mães desafiaram a ditadura argentina, reunindo-se na Praça de Maio, em frente a Casa Rosada, para exigir informações sobre seus filhos sequestrados. 18 mil pessoas desapareceram durante a ditadura militar que governou a Argentina de 1976 a 1983...

A polêmica ambiental

O assunto voltou com a força toda. Depois do embate do final do ano, que se encerrou com relativa vitória da ministra Marina, inclusive naquilo que o PAC trouxe sobre matéria ambiental, a contenda desenvolvimento versus licenças ambientais está de volta aos jornais. A manchete é que o IBAMA está inviabilizando obras importantes para o país em razão de um comportamento 'onguista' associado ao uso de estratégias pouco convencionais de criação de impedimentos judiciais em lacunas da lei. Alguns comentários:

1. Há 30, 40 anos quem percebeu a relevância da questão ambiental não foram as cabeças iluminadas do tal setor produtivo, tampouco os arautos da nova matriz energética. Foram exatamente os ambientalistas, hoje reunidos em ONG's, agora tão criticados;
2. Em tempos de aquecimento global, fora os discursos de produção limpa, revisão de padrão de consumo, tecnologias poupadoras de recursos etc e tal, na prática, o Brasil segue como um dos 5 maiores emissores de gás carbônico, a nossa redentora cultura da cana para produção de etanol segue sem regulação sócio-ambiental, as máfias ambientais como a do carvão seguem a vida... Ou seja, nada, concretamente, diz que os ambientalistas e suas armas pouco ortodoxas já não são mais necessárias;
3. Digo isso para concluir que embora seja óbvio e exigível que os procedimentos de licenciamento ambiental devam guardar absoluto profissionalismo, racionalidade e segurança jurídica, nada me diz que o tensionamento dos setores ambientais, dentro e fora do governo, deva ser arrefecido frente às exigências do 'progresso'. Sustentabilidade, por ora, não existe...
4. Quando me refiro a 'profissionalismo, racionalidade e segurança jurídica' estou pensando que devam ser feitas escolhas, as mais adequadas. Que não existe impacto ambiental zero. Que o enfrentamento do tipo 'nada-pode' pode levar, contraditoriamente, a escolhas ambientalmente piores. Mas vejo os mesmos termos serem utilizados, por exemplo, para expressar 'simplificação de procedimentos' em favor de interesses não propriamente públicos;
4. Há um enorme preconceito em tudo isso. É fácil associar ambientalismo com amadorismo. Mas me responda quem puder: os setores de planejamento do governo - não deste governo apenas, mas também - são menos amadores? O que imperra mais o processo: a falta de licenças ou a falta de projetos?
5. A propósito, matéria no Correio do dia 29/04 traz o seguinte título: "Vários responsáveis - Atraso no licenciamento ambiental para projetos de infra-estrutura não é culpa somente do Ibama. De 10 projetos pesquisados pelo Correios, apenas um - o das hidrelétricas do Rio Madeira - está parado no órgão". A reportagem lista as obras da usina Belo Monte no Rio Xingu, da ferrovia Transnordestina, da duplicação da BR-101 no Nordeste, da integração da bacia do Rio São Francisco, de Angra 3, das perimetrais do porto de Santos, da BR-163 - Cuiabá/ Santarém, do gasoduto Urucu-Porto Velho e da Br-230 - Transamazônica como obras 'liberadas, mas paralisadas';
6. Quem pode me garantir que o não licenciamento, até o momento, das usinas do Madeira decorrem de inoperância do Ibama e não de má instrução de projeto? Há muita fumaça aí...

29 de abr de 2007

£¢ºº@¨*!!!?*£££

O título desta postagem é um palavrão impronunciável que eu estou pronunciando desde o término do jogo do Cruzeiro x Atlético. Eu estou dizendo impropérios aos céus, porque aos responsáveis por aquela tragédia na terra é perda de tempo.

Ser desclassificado pelo Brasiliense era uma zebra. Vá lá... Na mesma semana, perder para o arquirival era intolerável. Tá bom... Mas perder por 4 a 0, sem direito a culpar o juiz, é uma tragédia!!! E-n-o-r-m-e!

Depois daquele 4º gol, então, só resta um silêncio melancólico...

Se eu fosse o Alvimar Perrela eu diria: "quem foi o imbecil que deu aquela saída de bola depois do 3º gol? Fora!... Quem foi aquele cidadão que achou que podia voltar para o gol, tranquilamente, de costas para o jogo? Fora!!... Quem foi o treinador dessa turma? Fora!!!... E quem contratou esse monte de incompetentes? Eu? Fora!!!!

O outro lado do etanol

A alternativa energética do séc. XXI com modelo de produção do séc. XVII

Os jornais de hoje exploram o lado dramático, exclusivo e insustentável da lavoura da cana-de-açúcar para produção de etanol, com manchetes fortes. "A desigualdade do Etanol - Combústível se expande à custa de relações de trabalho arcaicas e concentração de renda" é o título da matéria d'O Globo. Diz lá: "Os cortadores de cana vivem à margem da lei e trabalham no limite da exaustão (já morreram 18 trabalhadores em São Paulo, com suspeita de exaustão), enquanto os usineiros mantém a prática antiga de se fecharem em oligarquias pós-modernas, mantendo a concentração de renda nas mãos de poucos".

A Folha de São Paulo não pegou mais leve: "Cortadores de cana têm vida útil de escravo em SP - Pressionado a produzir mais, trabalhador atua cerca de 12 anos, como na época da escravidão". Apoiando-se em pesquisa da UNESP, a matéria compara a vida útil no trabalho na lavoura da cana com a dos escravos nos séc. XVIII e XIX.

Jamais chegaremos a um modelo de desenvolvimento inclusivo? Toda oportunidade será sempre apropriada desigualmente? O capitalismo será sempre gerador de desequilíbrio, transferindo para o Estado o papel de resgatar direitos que ele, por princípio, corrompe?

28 de abr de 2007

SEM-JUÍZO

Dálcio, n'O Correio Popular

França: emoções fortes

A oito dias das eleições, apenas 5% separam Royal e Sarkozy

"PARIS - A candidata socialista à Presidência francesa, Ségolène Royal, diminuiu a distância em relação a seu rival conservador, Nicolas Sarkozy, que continua liderando as pesquisas, a oito dias do segundo turno das eleições presidenciais francesas.

Sarkozy venceria com 52,5% dos votos, uma queda de 1,5 ponto em cinco dias, enquanto Ségolène Royal recupera posições, somando 47,5% das intenções, segundo uma pesquisa do instituto Ifop, que será publicada na edição de amanhã do jornal Journal du Dimanche". G1, 28/04/07

Ninguém segura Stephen Hawking


Há 4 décadas circulando em uma cadeira de rodas, o físico britâncio não desiste. Não fala, respira por um furo na garganta, não tem nenhuma autonomia, mas é capaz de se meter em um vôo parabólico para saber o que é a sensação de gravidade zero. Em uma fração de segundos, uma fração de prazer. Olha a cara do Hawking!

Brasilienses

[1] A CCJ do Senado, em votação apertada (12 a 10), aprovou a redução da maioridade penal para crimes hediondos. Duvido que isso dê em alguma coisa, além de apaziguar a insaciável fúria nacional. Bobagem! O Estado brasileiro não dá conta nem dos adultos hediondos, menos ainda dos adolescentes hediondos. Na prática, não muda nada. A lei não é o problema, mas seu cumprimento...
[2] Desde quando se entende que a relação entre Meio-Ambiente e Minas e Energia deve ser de convergência? Que nada!!! Nesse lugar, quanto mais conflito melhor. Sem conflito, o MME ganha de W0. Com conflito, o MMA perde, mas morre lutando...
[3] Diabos! Por falar em brasilienses, o Brasiliense mandou o meu Cruzeiro pro espaço...

Centrão V - Boom boom

A cantora Gretchen, nas palavras de seu próprio site oficial ,a "pioneira do setor retro-rebolativo" e a "rainha do bumbum", filiou-se ao PPS para tentar disputar a Prefeitura de Itamaracá (PE). Começa, na semana que vem, uma preparação com aulas particulares sobre política. Faz todo sentido...

A nossa coleção de pérolas, que vai de vento em popa, ganha mais um adepto: o ex-ministro Raul Jungman. Ao comentar esse tento do PPS, Jungmann disse que "o PPS é light, aberto, fundamentado no mundo da cultura e do trabalho". Bonito isso, não?! É o velho partidão no conforto light do centrão...

SAAE ou COPASA em Sete Lagoas: uma discussão inexata

No nosso quintal, só mazelas. No do vizinho, as frutas sempre mais doces...

Não consegui concordar plenamente com nenhum dos artigos que li, com nenhuma das opiniões que ouvi sobre o assunto. Não estou armado para essa discussão, mas também não quero acatar nada pacificamente. Alguns pontos fundamentais precisam fazer parte da equação para compreendermos o jogo e apostarmos:

1. A comparação que tem sido feita tem um prejuízo de origem: compara-se uma autarquia municipal quebrada com uma empresa pública capitalizada. Esquece-se que o SAAE não quebrou sozinho. Em parte, sua derrocada deveu-se a má gestão, uma atrás da outra. Mas em grande parte, deveu-se a ingerência do mundo político na sua gestão. Com amplo conhecimento público! O ex-prefeito Cecé, por exemplo, transferiu para o SAAE a competência pela limpeza urbana sem contrapartida orçamentária e financeira. Durante anos o dinheiro da água e do esgoto financiou indevidamente esse serviço. Ninguém quis enfrentar esse tema porque significava ter que discutir como financiar a limpeza, o que é impopular. Todo mundo viu, calado, o SAAE se descapitalizar. Nesse contexto, a COPASA também se daria mal...

2. Grande parte da receita do SAAE escoou, literalmente, em ligações irregulares. Os vereadores criaram todo tipo de dificuldade para evitar uma fiscalização eficaz. Os mecanismos mais triviais foram impedidos. Também eram impopulares...

3. Há anos se joga pra platéia. Brinca-se com um assunto sério. Vê-se, sem emoção, um patrimônio público setelagoano ser dilapidado... Troca-o por voto... A má gestão do SAAE sempre deu voto. A entrada da COPASA, que não brinca em serviço, vai alterar esse quadro? Encerrará esse populismo gerencial?

4. O quê significa ‘não brinca em serviço’? Significa que trata os fatos com objetividade... A tarifa de água e esgoto de Sete Lagoas é classificada como atrativa. Entende-se que ela determina um ambiente economicamente favorável. Mas a manutenção desse ambiente pressupõe algumas medidas adiante: uma, a substituição do peso político (leia-se decisão da Câmara) na fixação da tarifa por um critério econômico previsível de correção. Ninguém vai investir sem garantias; e uma segunda, a autorização para uma prática de gestão ao modo privado, o que exclui, de imediato, o populismo vigente de não-fiscalização;

5. A pergunta que não quer calar: se o serviço é ou será rentável para a COPASA porque não foi para o SAAE, que detém esse monopólio há anos?

6. Admitindo-se a entrada da COPASA, o que os nossos negociadores devem exigir em benefício da cidade? Investimento? Claro! A COPASA estará assumindo um ativo que não vale pouco e um ativo maior ainda que é a garantia de um público consumidor cativo de 200 mil pessoas... Uma ETE? Claro! É parte da contrapartida... Pra valer: qual a garantia de qualidade do serviço e de tarifa justa? [Um detalhe: a COPASA não é exatamente um consenso onde ela já está...]

7. Mais: qual o modelo de gestão de concessão o município vai adotar: vai criar uma agência reguladora como alguns sugerem? Ou vai adotar o mesmo modelo puramente político, irracional, esquizofrênico e descompromissado com os resultados que usa na gestão da concessão de transporte coletivo?

8. Esse mundo de propaganda da COPASA em Sete Lagoas é pura aposta ou ela já conta com o ovo... Que ela já ganhou uma licitação que sequer começou todo mundo já sabe...

Para encerrar, descendo do muro, minha posição pessoal: a) qualquer que seja a decisão, ela tem que colocar no horizonte tangível a solução do problema do tratamento de esgoto e da construção de alternativa de abastecimento por coleta superficial; b) Isso é negócio! Para entrar, a COPASA tem que pagar o máximo, para permanecer, o SAAE tem que mostrar o coelho da cartola...

24 de abr de 2007

3 más notícias

[1] O Mercado Distrital de Santa Tereza vai virar sede da guarda metropolitana: a burocratização de um espaço público...
[2] O Mercado Distrital do Cruzeiro vai virar centro gastronômico: a exclusão e o fim da pluralidade e da diversidade...
[3] A área livre da antiga FAFICH vai dar lugar a uma escola infantil: tudo a favor de escola infantil, mas não na única área livre do Santo Antônio...


Em 1999, eu participei de um grupo de arquitetos contratado pela Prefeitura para elaboração de projeto resgatando a verdadeira vocação da área: transformar-se no Parque Santo Antônio. O projeto unificou os terrenos da municipalidade e da UFMG, preservou apenas as edificações relevantes, interviu no sistema viário para eliminar transtornos na principal entrada do bairro e ampliou a área livre, de lazer e esporte. Não se pode criar uma falsa oposição entre escola infantil pública e parque. São equipamentos complementares! Mas um não pode invalidar o outro. Por que não desapropriar alguma área privada do entorno? E muito importante: por que não ouvir a população do Santo Antônio antes de qualquer decisão?!...

23 de abr de 2007

Eu sou desse tempo

Olha que coisa mais inusitada: "Com mais de cem anos, mimeógrafo ainda tem mercado" é o título da matéria do G1, de hoje, sobre o velho aparelho patenteado em 1887 por Thomas Edison. "Mais de cem anos depois de sua invenção, os mimeógrafos ainda são largamente utilizados em todo o país. Só uma das fabricantes nacionais, a gaúcha Menno, produz cerca de mil duplicadores todos os meses. A maioria tem as escolas como destino final, segundo a empresa". (...) "O aparelho é capaz de produzir cópias de papel a partir de uma matriz feita em estêncil (um tipo de papel impermeável) e com o uso de álcool. Muita gente se lembra do mimeógrafo pelo produto final, que em geral tem o texto roxo". Que ótimo! Eu não me lembrava mais nem dos textos roxos, nem do tal do estêncil...

22 de abr de 2007

Red Bull Air Race

E eu lá sabia que existia essa doideira? Passei o dia de olho... Eu e um milhão de cariocas que foram à Enseada de Botafogo conferir. Pode ser coisa de maluco, mas é o esporte mais plástico que já vi! As fotos nos sites e jornais de hoje não me deixam mentir...

O comentarista

Melhor que os posts deste blogueiro são os comentários do Pablo. Os posts estão virando apenas pretextos para provocar a ação demolidora do comentarista. O Pablo está por inteiro no 'Blog do Pablo' [Marco Zero] nos Links aí ao lado. Se bem que o Pablo é mais assíduo aqui do que lá. Lá, sem patrão, ele vive matando serviço...

21 de abr de 2007

Com a corda toda

Andei sumido... Deixei o blog de lado, por uns dias, pra cuidar da vida. Depois de 3 anos em Brasília estou retornando hoje a Belo Horizonte. Talvez, uma hora dessas, poste alguns comentários aqui sobre essa experiência brasiliense. Talvez não. A vida é muito rápida... Novos projetos ocupam, num minuto, o coração e a mente da gente. Por ora, mala pronta, vida nova... com a corda toda!

Brasília, 21 de abril de 2007

Centrão IV - Que ideologia o quê?

O jornalista Jorge Moreno, em sua coluna Nhenhenhém n'O Globo de hoje, presta uma inestimável colaboração à nossa coleção de pérolas sobre a marcha triunfal e épica de todos os políticos ao grande e infindável centro. Está na nota 'Ideologia': "O neto está à direita do avô e o pai, à esquerda do filho. A tese é confirmada pelos próprios ACM Neto e Rodrigo Maia. Para o DNA, uma espécie de Luciana Genro às avessas. E ainda assim, Neto e Rodrigo estão à esquerda de Onyx Lorenzoni. Se é assim, então Onyx é quase um Le Pen dos Democratas". Perfeito! A ideologia foi mesmo pr'as cucuias...

Números para confundir o coração

A realidade que as estatísticas revelam é um troço danado. Vira e mexe, você acaba se sentindo um idiota diante dela. Por exemplo: o coração nacional se abalou diante da morte do menino João Hélio. Aí vêem as estatísticas da violência e dissem que isso é besteira: "... todo santo dia 130 pessoas são assassinadas e outras 80 são vítimas do trânsito aqui mesmo..." (FSP, 20/04), ou seja, todo santo dia cai um Boeing de Joões Hélios no Brasil. Que coisa, né?!

França: com o coração na mão

Os franceses vão às urnas nesse domingo. Mas ninguém faz idéia do que acontecerá... As eleições, que pareciam reduzidas a um duelo entre o candidato de centro-direita Nicolas Sarkozy e a socialista Ségolène Royal, vêem adquirindo cores mais emocionantes desde o início de fevereiro. O elemento surpresa não atende mais, como em 2002, pelo nome do sempre candidato direitista Jean-Marie Le Pen, mas do centrista François Bayrou, que chegou a colar nos favoritos em meados de março. Pesquisa da agência AFP de 15 de abril deu Sarkozy à frente com 30%, Royal com 26% e Bayrou, em queda, com 18... Mas em se tratando dos imprevisíveis franceses tudo pode acontecer... Dá-lhe Ségolène!!!

O desconhecido Bayrou de olho no lugar da charmosa Royal

10 de abr de 2007

Campeonato Mineiro: marmelada

No domingo, postei comentário sobre o campeonado mineiro brincando: "Marmelada: o Atlético ajudou na vitória do Democrata no último jogo, escolhendo seu próprio adversário das semifinais? A ver...". Dito e feito: dois dias depois, a confirmação! O Democrata de Valadares não apresentou laudo do Corpo de Bombeiros atestando a capacidade mínima do seu estádio, o José Mammoud Abbas - o Mamudão - e optou, como mandante de campo no 1º jogo, pelo... (surpresa!!!)... Mineirão! Ou seja: o Atlético fará seus dois jogos em casa... Detalhe importante: todos os jogadores do Democrata pertencem ao Atlético. Coincidência pura!

Que mundo animal!

Não só a raça humana anda abandonando os filhos recém-nascidos. O mundo animal resolveu adotar a moda: primeiro, Knut, o urso solar alemão, foi abandonado e chegou a ter sua morte defendida por ambientalistas. Depois, Layla, a rinoceronte branca concebida artificialmente, perambulou, sem-pai-nem-mãe, pelo zoológico de Budapeste. Agora, é a vez do pequeno Bilbo, um lêmur-do-bambu, primata natural de Madagascar, em forte risco de extinção, que foi largado pela mãe no zoológico de Estocolmo...

9 de abr de 2007

Alunos pobres do ProUni dão show

Os alunos beneficiados com bolsas do ProUni tiveram as melhores notas no ENADE de 2006, o antigo provão.

O programa dá bolsas de estudo para alunos de famílias pobres que tenham feito ensino médio em escolas públicas ou em escolas particulares com bolsas de estudo. As bolsas são integrais para alunos de famílias com renda de até R$ 570 por pessoa e parciais para alunos com renda familiar de até R$ 1.140 por pessoa. Para permanecer com a bolsa do ProUni, durante todo o curso, o estudante tem que ser aprovado em 75% das matérias.

O ProUni foi criado há um ano e meio. Os primeiros alunos com bolsas foram avaliados em novembro do ano passado pelo Enade. O resultado oficial só sai em maio mas o Ministério da Educação (MEC) já corrigiu as provas dos estudantes das faculdades particulares.

O resultado revela que os alunos do ProUni conseguiram as melhores notas em todas as áreas de ensino avaliadas nas particulares. No curso de psicologia, por exemplo, os alunos do ProUni conseguiram nota 47,5. Os que não são do programa atingiram 40,8. No curso de administração, os alunos do ProUni ficaram com nota 40,2. Os alunos sem bolsa obtiveram nota 32,5. No curso de medicina: alunos com bolsa, nota 36,4; alunos sem bolsa, nota 28,8.

Centrão III - Todos Democratas

Colecionando pérolas... França, Oropa e Bahia. Em todo lugar, segue a marcha cerrada rumo ao centro. O DS - Democratici di Sinistra - o partido da Democracia de Esquerda italiano, que tem sua origem ligada ao velho PCI (Partido Comunista Italiano), ao fundir-se com o Margherita, de origem católica, responderá, a partir de agora, pelo incomum nome de Partido Democrático. Os democratas de lá têm origem comunista; os democratas de cá são filhos da ditadura militar. Nenhum problema: todos democratas!!!

Comentário de Fernando de Barros Silva, na FSP, hoje: "Seja como for, em ambos os casos, o esforço de 'desideologização', a busca pelo lugar comum democrático, sem maiores especificações, tudo enfim joga água no moinho dos que apostam na irrelevância crescente da política e no esgotamento dos partidos como catalisadores de demandas coletivas e veículos de transformação social". Assino embaixo...