05/11/2009

Sorín


Sempre que se listam os grandes ídolos cruzeirenses, vêm os nomes de Tostão, Dirceu Lopes, Piazza, Raul Plasmann, Natal e alguns outros. Quase sempre, em maioria, nomes das décadas de 1969/70. No futebol moderno, essa fidelidade ao ídolo acabou se desfazendo. Um jogador, agora, é ídolo por um ano, um campeoanto, no máximo. Contrariando a regra, Juan Pablo Sorín estabeleceu uma relação de identidade rara com a torcida do Cruzeiro. Não foi à toa que 55mil torcedores foram despedir dele, ontem, no jogo contra o Argentino Junior, que o revelou.

04/11/2009

Claude Lévi-Strauss, 1908 - 2009


Morreu, dia 1º, aos 100 anos, o antropólogo francês, Lévi-Strauss. Ele viveu no Brasil na década de 1930, trabalhou na USP, e a partir dessa experiência escreveu "Tristes Trópicos", que é considerada uma das obras mais impotantes do século passado.

03/11/2009

Tião das Rendas III



Ultrapassamos a barreira de 4.000 acessos, em 2 meses e 5 dias. Nesse período, esta página foi carregada cerca de 60 vezes por dia, por 34 visitantes, em média.

01/11/2009

Destinatário errado

Eu recebi um e-mail de uma pessoa que sinceramente não conheço interessada em discutir comigo questões da política mineira e nacional. O tom aliava certa braveza, com um visível gosto pela coisa. Isto é, pela braveza parecia que ela achava que eu tinha culpa no cartório pelo que ela achava que a política tinha virado; pelo gosto, dava a entender que ela tinha certeza que eu pensava como ela e que podia responder às suas questões. Confesso que li com estranheza a mensagem. É que havia nela um pressuposto de que, por me envolver com gestão pública, eu gosto muito de política e entendo muito de política. Eu não gosto, nem entendo nada de política, no sentido habitual da palavra. E, a cada dia, gosto e entendo menos ainda. Eu tenho o mesmo sentimento do brasileiro médio de que a política não é lá essas coisas. Tenho filiação partidária, mas pouca vida partidária. Acho heróico o esforço de muitos amigos que militam no dia-a-dia de partidos. São obrigados a ouvir coisas que não merecem e a conviver com pessoas que não valem à pena. Via de regra, e daquelas regras que comportam raríssimas exceções, o ambiente é difícil. Muita desinformação, muita maledicência, muita intriga, muito jogo de cena. Quase sempre, uma perda de tempo enorme para resultados ínfimos. Ou seja, para as pessoas de bem que estão nessa por puro idealismo são exigidos uma paciência e um sentido histórico de que, em décadas e séculos, a política evolui. É mais ou menos como o planeta terra: se você parar e olhar fixamente para ele, por alguns minutos, não verá nada mudando; mas, em milhões de anos, oceanos sobem e descem, dinossauros surgem e desaparecem, macaco vira gente e tudo é entregue a você do jeito que está hoje. Simples: no conjunto, até que faz sentido; mas, no momento presente, tudo parece muito parado. Em resumo: a coisa não deixa de ser uma profissão de fé. E, em termos de profissão de fé política, devo dizer que eu sou um pouco ateu. E o que acontece e é destaque no noticiário não ajuda em nada à conversão de hereges. Hoje, por exemplo, vi a divulgação de um livro sobre os sarneys maranhenses (‘Honoráveis bandidos’) que, sabia e ironicamente, copiou a capa de outro sobre os acm’s baianos (‘Memórias das trevas’). Dois ícones da política nacional sem os quais, reunidos com alguns outros com o mesmo biotipo, não se governa. Nem o atual, nem os governos pregressos, nem os futuros. Vi, também, que, na quarta ou na quinta, não me recordo exatamente, vereadores suplentes irão a Brasília pressionar o STF a deixá-los tomar posse. Não foram eleitos, mas acreditam que foram. E o mais bizarro: hoje, reabilitaram a Rosane Collor. Francamente...

Se eu professo alguma fé, não é nessa, mas em outra política. Mas isso é outra história...

Voltando a remar...


Assistimos em uma turma de seis a derrota cruzeirense para o Fluminense no Mineirão. Além de Roberto, eu e Luís Márcio (na foto), o Juliano (Sabata's), irmão do Luís, e meus filhos Bê e Lu. Depois de muita alegria, um sofrimento desgraçado... O Cruzeiro deu um show no primeiro tempo e podia ter saído com 4 ou 5 no placar. Fizemos 2, o Wellington Paulista perdeu um pênalti e errou um gol feito e Gilberto meteu uma bola na trave. Mas no segundo tempo, deu um apagão, o time esqueceu-se de voltar a campo e tomou os gols que deixou de fazer. Eu estava começando a acreditar até no título. Agora é voltar a remar para entrar no G4...

Apesar do desastre, que acaba com a semana logo no domingo, foi bom ter ido ao Mineirão. Campo cheio e a companhia de bons amigos não têm preço. Ainda encontramos o Eduardo da FELT. Faltou o Pe. Vantuir, que é frequentador do portão 8...

A rodada começou, ontem, com dois resultados indesejáveis e um irrelevante. Os indesejáveis: São Paulo e Flamengo deviam ter ficado no empate com Barueri e Santos, mas acabaram ganhando por placar apertado. O empate, nos dois casos, teria sido perfeito. Quase... O SP dormiu líder e o Flamengo no G4.

O domingo esportivo começou em Abu Dhabi inteiramente sem graça. A pista belíssima mostrou-se chatíssima. E o resultado previsibilíssimo: Rubinho não alcançou seus objetivos e ficou em 3º no campeonato. Mas quando o relógio bateu 4 da tarde, o assunto voltou a ser o Brasileirão e a adrenalina subiu. Palmeiras empatou: bom. Inter perdeu: ótimo! A nota triste ficou por conta do miserável do Galo que ganhou. Quase que dava um vexame igual ao do Cruzeiro, mas se virou a tempo. A seleção celeste saiu de campo no primeiro tempo com o 4º lugar assegurado. Mas...

O sinal vai abrir

Eu não sou muito bem humorado com a turma do sinal. Hoje, eu estava desatento, quando me apareceu um garoto com cara muito simpática, do alto de seus mais ou menos 10 anos, no sinal da Prudente, em frente ao Pitágoras. Eu abaixei o vidro e ele, antes de me pedir qualquer coisa, me olhou e disse surpreso: - O senhor também usa brinco? Eu respondi: - Pois é... E perguntei o seu nome. Rápido, ele foi afirmativo: - Beto! E mal completou o nome, falou para outros dois, um pouco à frente: - O cara aqui é dos nossos. Quando os outros dois se aproximaram, eu entendi que “o cara aqui é dos nossos” era de uma gentileza tremenda. Eu só uso um miserável brinco e a meninada era um festival: brincos e piercings pra dar e vender. Passei-lhe umas moedas, o Beto me perguntou qual era o meu nome e eles voltaram para onde estavam, numa mureta no passeio. O sinal abriu, eu arranquei e só ouvi um grito: - Valeu, Flávio! Ou seja, em 2 minutos, eu estava 100% incluído na turma...

Queda do muro de Berlim, 20 anos


Encontro histórico dá início a celebrações
Em Berlim, Gorbachev, Bush pai e Kohl recordam o fim de uma era.


"O ex-presidente americano George H. Bush (o pai), de 85 anos, subiu no palco apoiado numa bengala; o ex-chanceler Helmut Kohl, de 79, sentado numa cadeira de rodas. Apenas Mikhail Gorbachev, o último presidente da União Soviética, aos 78 anos, caminhou sem auxílio. Vinte anos depois, os três protagonistas da queda do Muro de Berlim, da reunificação da Alemanha e do fim da Guerra Fria reuniram-se ontem no Palácio Friedrichstadt, na capital alemã, para receber homenagens e lembrar o episódio que mudou a configuração do mundo".

31/10/2009

A vida dos outros


Faz tempo, eu ganhei o DVD do filme 'A vida dos outros' de Florian H. von Donnersmarck (2006) e guardei-o na estante. Eu não sei se os leitores desse blog assistiram esse filme. Se sim, sabem que cometi uma insanidade em não tê-lo visto imediatamente. É de uma sensibilidade enviesada e inesperada. Impressionante. Quem não o viu, deveria vê-lo...

Abu Dhabi




Campeonato decidido, uma disputa de vice de pouco interesse, um grid sem novidades... A única coisa que despertou a atenção nos treinos para o GP de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, foi a maluquice do circuito de Ya Marina. Construído em uma ilha artificial, com uma marina artificial, a coisa é de impressionar: hotel, centro temático da Ferrari, reta interminável, túnel na saída dos boxes... E a corrida será no lusco-fusco do entardecer.

Fernando Fiúza


Minas perde e todos nós perdemos com a morte, hoje, do artista plástico Fernando Fiúza. Só silêncio...

30/10/2009

Fechando a rodada.


Ufa! Consegui: o Atlético foi baleado. Agora, a 4 pontos da liderança, já não depende mais só de si mesmo. Confesso que a goleada do Palmeiras sobre o Goiás não estava nas minhas contas. O Palmeiras vinha de uma sucessão de insucessos e, em reação, apostei no empate como um bom resultado. Errei. Ao final da rodada, o Galo e o Inter entraram no nosso radar: 2 pontos e 1 ponto de diferença. Para alcançar São Paulo e Palmeiras vanos ter que remar mais um pouco: 4 e 6 pontos de desvantagem. Ô luta!!!

29/10/2009

Vai indo que eu já vou

[Portal Terra: Washington Alves]

O São Paulo dorme líder. O Cruzeiro passa o Flamengo e assume a 5ª posição. Está a 1 ponto do G4, 2 do Atlético e 4 do título. Quem viver verá...

[Ia me esquecendo: esse tal de Thiago Heleno ainda me mata de raiva...]

Outubros

Eu não sei precisar que ano era aquele. Eu tinha pouco mais ou pouco menos de 10 anos, portanto, era alguma coisa perto de 1970. Ou mais. As lembranças infantis guardam apenas os aspectos essenciais; os acessórios, não. Eu não podia saber, àquela época, que guardar o ano daquela viagem solitária com meu pai a Ouro Preto era uma informação importante. Minha memória cuidava de coisas mais úteis. Eu me lembro, por exemplo, que pensei em não ir porque meu sapato, relativamente novo, estava me apertando os pés. Não se comprava sapatos à toda hora, como hoje. E como não tinha jeito de não crescer, os sapatos duravam pouco. E eu me lembro, com detalhes, que eu atravessava uma dessas fases difíceis. E isso me atrapalhava. Mas fui. Viajar sozinho com meu pai, sem minha mãe e meus irmãos, não era coisa comum. E se não era coisa comum, era importante. Isso eu entendia. A viagem de Sete Lagoas a Ouro Preto era longa; diferente de hoje. Meu pai era de Diogo de Vasconcelos que, quando ele nasceu, era parte de Mariana, mas ele dizia que era de Ouro Preto porque havia sido criado lá. Eu achava tudo o mesmo lugar, porque tudo tinha o mesmo cheiro de madeira queimada. E tinha uma eterna bruma. E fazia frio... Nós chegamos e ficamos na casa de um tio. Ficamos hospedados no mirante, ao final de uma escada muito íngreme, na altura do telhado. Para mim, era uma espécie de honraria, porque não podia haver lugar mais inusitado. Eu via a rua, o chafariz, o largo do cinema, a Casa dos Contos, à direita. Ficamos ali, meu pai e eu. E toda essa circunstância era suficientemente rara para eu dar a tudo aquilo um valor solene. E tudo corria por conta de uma festa à noite... Daí, ao escurecer, eu me vesti do jeito que me pareceu mais sério possível. Fomos até um bar, não exatamente um bar, mas um salão. Não tinha ninguém com minha idade, nem com o dobro da minha idade, nem com o triplo da minha idade. Era outubro, como agora, e por isso essa lembrança me vem. Era aniversário de uma coisa que custei a entender chamada GLTA, promovida por um certo Pe. Mendes. Explico: GLTA é, até hoje, o Grêmio Literário Tristão de Ataíde. Era o auge da ditadura, o clima não era muito normal. Era uma festa de senhores e meu pai não parecia muito velho entre eles. Pelo contrário. E isso me deixava feliz. Entre adultos, me contentava em vasculhar aquele mundo ouro-pretano: ficava, um pouco, ouvindo conversas desconexas, ia à rua e voltava. Sobrevivia bem ali.

Busco na memória e ela se nega a me dizer quantas vezes isso aconteceu. Quantos outubros ouropretanos aconteceram. Não foram muitos. A única certeza que ela me dá é que o último foi nos 40 anos do GLTA. Eu havia acabado de entrar pra faculdade e, com certeza, foi em 1978. A festa foi mais elegante, com mais pompa e cicunstância, na Casa dos Contos. Eu já conhecia algumas pessoas daquele mundo, pessoalmente, como o Edgar da Matta Machado, e por ouvir dizer, como a Condessa do Jornal do Brasil, que era o meu jornal da época.

Me pergunto uma, duas vezes, mas não tenho resposta. Em qual daqueles outubros fui apresentado àquele senhor muito branco, de rosto muito sereno, um tanto gordo, que me tratou de maneira muito especial, como se eu valesse alguma coisa? Mas eu tinha noção de tudo: eu só era diferente porque era novo e gostava de coisas que talvez não interessasse a ninguém ali. Lembro-me com perfeição da cena. E, presencialmente, de seu rosto e de seu trato comigo. Para minha timidez, foi uma conversa que durou uma eternidade. Embora eu não soubesse que aquela era uma eternidade importante. Sei que falamos de coisas triviais: minha idade, o que eu pensava, o que eu andava lendo. Não sei bem o quê respondi. Se foi aos 10 anos, devo ter lhe falado aos montes sobre Julio Verne, Mark Twain e Alexandre Dumas. E posso ter dito que havia lido 'Sagarana' de Guimarães Rosa. Se foi aos 18, ou perto disso, posso ter dito que lia Antônio Callado, Darcy Ribeiro, Paulo Freire. E por razões ideológicas, alguma coisa de Vladimir Lenin, 'O Testamento Político', talvez, afinal de contas a revolução tinha nos transformado a todos em comunistas, ainda que não fôssemos. Não lembro bem. Lembro apenas da boa cara de meu pai observando, ao longe, numa roda de amigos, a minha conversa com aquele senhor que se apresentou a mim como sendo Alceu Amoroso Lima.